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Os dados relativos ao uso e cobertura da terra, de ambas as datas foram cruzados através da linguagem LEGAL com os dados relativos às classes de declividade. Foram analisadas a ocorrência dos temas classificados em função das classes de declividade adotadas na realização do mapa clinográfico.

O resultado deste cruzamento é demonstrado através dos mapas para as classes de vegetação e uso e cobertura da terra em julho de 1985 (Figura 9) e abril de 2010 (Figura 10), e ainda na Tabela 10, que quantifica as áreas calculadas de acordo com a intersecção entre os mapas e também mostra o percentual da classe em relação à sua área total.

Na classe 0-5% de declividade, predominante área de estudo, observou-se a predominância dos campos, seguido da classe floresta e culturas, quantificado em 33.980,231 ha, 12.641,714 ha, e 9.626,760 ha respectivamente. Estes resultados são referentes à julho de 1985, pois em abril de 2010 a situação apresentou algumas mudanças. Na última data a classe campo seguiu sendo a mais expressiva, com 25.612,006 ha, mas agora seguida da classe solo exposto (15.717,675 ha) e floresta (9.807,672 ha).

Em julho de 1985, para a segunda classe, de 5-12% de declividade, os campos predominaram novamente, totalizando 18.223,101 ha. A classe floresta (5.889,984 ha) e culturas (3.646,920 ha) vieram logo em seguida. Em diferentes proporções, o mesmo ocorreu para abril de 2010.

A classe de declividade entre 12-30% apresentou na primeira data 3.510,771 ha de campo, e 2.420,150 ha na segunda data analisada. A classe floresta foi quantificada em 2.154,444 e 2.081,612 ha, respectivamente. A classe referente às lâminas d’água foram distribuídas apenas nestas três classes de declividade, em maior parte nas áreas de 0-5% de declividade.

Em julho de 1985 locais com 30-47% de declividade apresentaram 1.104,281 ha de campos, 321,114 ha de floresta e 16,750 ha de culturas, evidenciado a maior ocupação destas áreas mais íngremes por campos nativos ou pastagens. Já em abril de 2010, 342,902 ha são formados por floresta, 51,078 ha por culturas, 160,290 ha por campos e 16,830 ha por solo exposto.

As declividades superiores a 47% estão localizadas em pequena porção no município, e em 1985 foram quantificados em 258,354 ha de floresta, 0,560 ha de culturas e 415,921 ha de campos. Para a segunda data, os valores passaram para 167,942 há de floresta, 12,420 há de campos, 3,510 de solo exposto e não foram contabilizadas áreas de culturas, evidenciando o respeito às leis que tratam do plantio em áreas com declividade maior que 47%.

Tabela 10- Quantificação das classes temáticas de acordo com as classes hipsométricas. Classes de Uso Classes de Declividade 1985

Área (ha) Área (%)

2010

Área (ha) Área (%)

Águ a 0-5% 498,520 78,45 511,060 71,53 5-12% 86,430 13,60 158,620 22,20 12-30% 50,500 7,95 44,780 6,27 30-47% 0,000 0 0,000 0,00 >47% 0,000 0 0,000 0,00 TOTAL 635,450 100,00 714,460 100,00 Flore s ta 0-5% 12.641,714 59,45 9.807,672 49,24 5-12% 5.889,984 27,70 7.519,412 37,75 12-30% 2.154,444 10,13 2.081,612 10,45 30-47% 321,114 1,51 342,902 1,72 >47% 258,354 1,21 167,942 0,84 TOTAL 21.265,610 100,00 19.919,540 100,00 Cult ura s 0-5% 9.626,760 71,68 8.104,638 82,06 5-12% 3.646,920 27,16 1.495,128 15,14 12-30% 138,930 1,03 225,048 2,28 30-47% 16,750 0,12 51,078 0,52 >47% 0,560 0,004 0,000 0 TOTAL 13.429,920 100,00 9.701,460 100,00 Cam pos 0-5% 33.980,231 59,37 25.612,006 56,22 5-12% 18.223,101 31,84 17.348,750 38,08 12-30% 3.510,771 6,13 2.420,150 5,31 30-47% 1.104,281 1,93 160,290 0,35 >47% 415,921 0,73 12,420 0,03 TOTAL 57.234,306 100,00 45.553,616 100,00 S olo E x posto 0-5% 3.065,727 81,94 15.717,675 77,64 5-12% 470,367 12,57 4.194,885 20,72 12-30% 189,741 5,07 310,310 1,53 30-47% 15,595 0,42 16,830 0,08 >47% 0,000 0,00 3,510 0,02 TOTAL 3.741,430 100,00 20.243,210 100,00

Figura 9- Mapa de classes de declividade x uso e cobertura da terra em julho de 1985.

Figura 10- Mapa de classes de declividade x uso e cobertura da terra em abril de 2010.

5 CONCLUSÃO

O uso da análise de imagens multitemporais, através da metodologia utilizada, gerou resultados confiáveis quanto à identificação de padrões de uso e cobertura da terra e suas alterações.

O mapeamento temático dos recursos naturais, da declividade e a base cartográfica, constituem importantes dados geográficos, podendo ser utilizados para o desenvolvimento de planos de ocupação e exploração racional do município.

Durante o período analisado o uso do solo predominante foi campos. Contudo, na cena da última data os mesmos se apresentam menos expressivos, devido principalmente ao avanço agrícola sobre estas áreas.

As florestas, que em julho de 1985 constituíam a segunda maior contribuição em extensão territorial, em abril de 2010 totalizaram 21% da área total do município, dando lugar à classe solo exposto, com 20.243,210 ha de toda a área. Sugere-se uma melhor investigação nas causas desta redução, incluindo levantamentos mais detalhados realizados a campo.

A variação florestal foi caracterizada em três diferentes classes. O desflorestamento/desmatamento mostrou-se predominante no município. Contudo, a regeneração florestal representou valor aproximado ao encontrado para áreas de manutenção no mesmo período.

Em relação a análise do processo evolutivo da agricultura, este mostrou uma diferença de praticamente 1.000,000 ha entre a redução, e a expansão das áreas ocupadas por atividades agrícolas. Isto se deve pela recente emancipação e expansão do município, e ainda pela confusão que pode ter havido na classificação, pela data das imagens encontrar-se em um período onde já foi feita a colheita, possibilitando a classificação da área como solo exposto.

Quanto à correlação entre as classes de declividade e o uso e cobertura da terra as lâminas d’água foram encontradas nas partes mais planas, assim como as culturas e os campos. Já nas mais íngremes foram mais expressivas as classes floresta e campo.

Os resultados obtidos estão armazenados em um banco de dados geográficos, e poderão ser usados na geração de modelos de simulação espacial, devido às suas múltiplas representações e apresentações geográficas,

possibilitando a simulação de acontecimentos e a indicação de alternativas que conduzam à manutenção da capacidade produtiva deste ambiente.

As informações contidas no banco de dados podem ser atualizadas periodicamente, ou ainda poderão ser originados novos planos de informação a partir da sua interpolação ou mesmo de sua complementação, permitindo a continuidade ou a realização de novas pesquisas, e o aperfeiçoamento da análise do espaço geográfico do município de Santa Margarida do Sul.

Recomenda-se utilizar a metodologia proposta em estudos de monitoramento ambiental, dinâmica de uso e cobertura da terra, análise espacial e temporal e demais trabalhos relacionados.

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