CAPÍTULO 4: RESULTADOS E CONSIDERAÇÕES FINAIS
4.1 Resultados
4.1.1 Classes de uso do solo X densidade de casos de dengue
A partir da localização da concentração dos casos de dengue, foi possível delimitar as regiões de interesse (ROIs) (Figura 16), a partir das quais, seria realizada a classificação de uso do solo. Para a delimitação das regiões de interesse também foi levada em consideração o formato da mancha urbana. As ROIs têm formatos diferentes porque o recorte foi feito de modo que passassem pelas ruas e que não deixassem, por exemplo, casas cortadas pela metade. Além disso, foi dada prioridade a elementos urbanos, desconsiderando
extensas áreas de vegetação, com pouca ou nenhuma construção. No entanto, foram mantidas algumas áreas verdes como terrenos baldios (quando possível identificar) e praças, pois esses são locais mais prováveis de se encontrar objetos que possam acumular água, caso não sejam mantidos limpos com frequência.
Figura 16 – Delimitação das regiões de interesse (ROIs) a partir de superfície dos hot spots dos casos confirmados de dengue no município de Campinas-SP, em 2013.
Fonte: Elaborado pela autora (2016).
Após a delimitação das ROIs, prosseguiu-se com a classificação de uso do solo por interpretação visual, usando como referência os elementos de interpretação de imagens, conforme descritos na metodologia. Assim, foi possível estratificar a área urbana em diferentes tipos: áreas residenciais, áreas comerciais e/ou industriais, diferentes tipos de uso e
cobertura do solo (asfalto, vegetação e solo exposto), além de identificar pequenos corpos d’água, como por exemplo, córregos e piscinas. Os detalhes sobre cada uma das classes estão no quadro das Figuras 17a e 17b.
Figura 17a – Chave de interpretação para a classificação por interpretação visual das regiões de interesse da área urbana de Campinas-SP.
Figura 17b – Chave de interpretação para a classificação por interpretação visual das regiões de interesse da área urbana de Campinas-SP.
Fonte: Elaborado pela autora (2015).
Essas classes foram escolhidas pela autora, considerando que o Aedes aegypti é encontrado essencialmente em ambiente urbano (GADELHA; TODA, 1985, apud DOMINGOS, 2005). Portanto, espera-se que, nas áreas constituídas por chácaras e com muita vegetação, a ocorrência de casos de dengue seja muito baixa e que a ocorrência da doença seja maior nas classes de áreas residenciais, visto que os endereços contidos na planilha de casos de dengue fornecida pela prefeitura, continha o endereço residencial das pessoas infectadas.
As classes de áreas residenciais foram discriminadas de acordo com a densidade e o tipo de construção (vertical ou horizontal).
Assume-se nesta pesquisa que, a densidade das construções está associada à densidade populacional. Onde há mais construções há, possivelmente, mais pessoas residindo nelas. A densidade das construções pode influenciar na dispersão da doença, pois em regiões mais densas as pessoas ficam mais próximas umas das outras. Isso favorece a transmissão da doença, porque uma vez que o mosquito pique alguém infectado, ele não precisará voar muito longe para que a transmissão ocorra para outra pessoa.
De acordo com Natal (2002), pelo fato do Aedes aegypti manter um estreito relacionamento com o homem, é de se admitir que quanto mais intensa for a proliferação do mosquito e maior a densidade populacional humana, maiores são as chances de contato.
Sabe-se também que, em áreas onde predominam casas os criadouros podem ser encontrados com maior frequência, pois, nesses imóveis, pneus, tambores para armazenamento de água e vasos de plantas são facilmente encontrados. Nos apartamentos, recipientes que podem servir de criadouros para os mosquitos são mais raros (BARCELLOS et al., 2005).
Do mesmo modo, piscinas localizadas em imóveis desocupados ou abandonados, em que não há tratamento adequado da água com cloro e outros produtos, podem servir como criadouros (VIEIRA, 2015).
As áreas comerciais e/ou industriais foram também selecionadas para a classificação, pois dependendo do tipo de atividade, podem conter depósitos de materiais a céu aberto, favorecendo o acúmulo de água da chuva e formação de criadouros para o mosquito.
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Figura 18 – (a) Mapa do uso e ocupação do solo da região dos centros de saúde Sta. Mônica e São Marcos (ROI 1), (b) seu respectivo recorte da imagem em composição colorida, (c) mapa de Kernel transposto à classificação do uso e ocupação do solo e (d) localização da região em destaque no município de Campinas-SP.
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Figura 19 – (a) Mapa do uso e ocupação do solo da região dos centros de saúde Florence e Rossin (ROI 2), (b) seu respectivo recorte da imagem em composição colorida, (c) mapa de Kernel transposto à classificação do uso e ocupação do solo e (d) localização da região em destaque no município de Campinas-SP.
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Figura 20 – (a) Mapa do uso e ocupação do solo da região dos centros de saúde Campo Belo, Fernanda e São Domingos (ROI 3), (b) seu respectivo recorte da imagem em composição colorida, (c) mapa de Kernel transposto à classificação do uso e ocupação do solo e (d) localização da região em destaque no município de Campinas-SP.
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(d) Figura 21 – (a) Mapa do uso e ocupação do solo da região dos centros de saúde Anchieta e Rosália (ROI 4), (b) seu respectivo recorte da imagem em composição colorida, (c) mapa de Kernel transposto à classificação do uso e ocupação do solo e (d) localização da região em destaque no município de Campinas-SP.
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(d) Figura 22 – (a) Mapa do uso e ocupação do solo da região do centro de saúde São Quirino (ROI 5), (b) seu respectivo recorte da imagem em composição colorida, (c) mapa de Kernel transposto à classificação do uso e ocupação do solo e (d) localização da região em destaque no município de Campinas-SP.
(a)
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(d) Figura 23 – (a) Mapa do uso e ocupação do solo da região do centro de saúde Tancredo Neves (ROI 6), (b) seu respectivo recorte da imagem em composição colorida, (c) mapa de Kernel transposto à classificação do uso e ocupação do solo e (d) localização da região em destaque no município de Campinas-SP.
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Figura 24 – (a) Mapa do uso e ocupação do solo da região dos centros de saúde Capivari e Sta. Lúcia (ROI 7), (b) seu respectivo recorte da imagem em composição colorida, (c) mapa de Kernel transposto à classificação do uso e ocupação do solo e (d) localização da região em destaque no município de Campinas-SP.
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Figura 25 – (a) Mapa do uso e ocupação do solo da região do centro de saúde Aeroporto (ROI 8), (b) seu respectivo recorte da imagem em composição colorida, (c) mapa de Kernel transposto à classificação do uso e ocupação do solo e (d) localização da região em destaque no município de Campinas-SP.
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Figura 26 – (a) Mapa do uso e ocupação do solo da região dos centros de saúde Floresta, Itajai, Lisa e Valência (ROI 9), (b) seu respectivo recorte da imagem em composição colorida, (c) mapa de Kernel transposto à classificação do uso e ocupação do solo e (d) localização da região em destaque no município de Campinas-SP.
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(d) Figura 27 – (a) Mapa do uso e ocupação do solo da região dos centros de saúde Centro e Faria Lima (ROI 10), (b) seu respectivo recorte da imagem em composição colorida, (c) mapa de Kernel transposto à classificação do uso e ocupação do solo e (d) localização da região em destaque no município de Campinas-SP.
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Figura 28 – (a) Mapa do uso e ocupação do solo da região dos centros de saúde Carvalho de Moura, Oziel e São José (ROI 11), (b) seu respectivo recorte da imagem em composição colorida, (c) mapa de Kernel transposto à classificação do uso e ocupação do solo e (d) localização da região em destaque no município de Campinas-SP.
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Figura 29 – (a) Mapa do uso e ocupação do solo da região dos centros de saúde Integração, Pedro Aquino e Perseu (ROI 12), (b) seu respectivo recorte da imagem em composição colorida, (c) mapa de Kernel transposto à classificação do uso e ocupação do solo e (d) localização da região em destaque no município de Campinas-SP.
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(d) Figura 30 – (a) Mapa do uso e ocupação do solo da região do centro de saúde União de Bairros (ROI 13), (b) seu respectivo recorte da imagem em composição colorida, (c) mapa de Kernel transposto à classificação do uso e ocupação do solo e (d) localização da região em destaque no município de Campinas-SP.
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(d) Figura 31 – (a) Mapa do uso e ocupação do solo da região dos centros de saúde DIC III e Sto. Antônio (ROI 14), (b) seu respectivo recorte da imagem em composição colorida, (c) mapa de Kernel transposto à classificação do uso e ocupação do solo e (d) localização da região em destaque no município de Campinas-SP.
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(d) Figura 32 – (a) Mapa do uso e ocupação do solo da região do centro de saúde Barão Geraldo (ROI 15), (b) seu respectivo recorte da imagem em composição colorida, (c) mapa de Kernel transposto à classificação do uso e ocupação do solo e (d) localização da região em destaque no município de Campinas-SP.
A partir desses mapeamentos, foi possível realizar a integração das características da estrutura espacial da paisagem urbana com os pontos representando a localização dos casos de dengue. Desse modo, foi possível constatar em quais classes de uso do solo houve maior densidade de casos da doença, conforme apresentado na Tabela 4 e Figura 33:
TABELA 4 – CLASSES DE USO DO SOLO DAS REGIÕES DE INTERESSE, SUAS RESPECTIVAS ÁREAS, NÚMERO E DENSIDADE DE CASOS DE DENGUE OCORRIDOS EM CADA CLASSE, NO ANO DE 2013, EM CAMPINAS-SP:
Fonte: Elaborado pela autora (2016).
Figura 33 – Densidade de casos de dengue por classes de uso do solo, município de Campinas – SP, 2013. Fonte: Elaborado pela autora (2016).
Com base nos resultados apresentados na tabela e no gráfico, pode-se constatar que há o maior risco de ocorrência de dengue na classe referente à área residencial 1. Essa classe representa 34,06% da área classificada. É nessa classe que foi registrada a maior densidade de casos de dengue por km², tendo sido registrados 135 casos/km². É importante relembrar que a classe área residencial 1 é composta predominantemente por casas e que a densidade de construção é de 48,52 casas por hectare e as ruas geralmente não são asfaltadas.
A classe que apresentou a segunda maior densidade de casos por km² foi a área residencial 2 que representa 41,11% da área classificada. Nessa classe a densidade de casos foi de 118 casos/km². A classe de área residencial 2 também é composta predominantemente por casas. Nessa categoria as ruas geralmente possuem asfalto e a densidade urbana média é de 28,55 casas por hectare, portanto as casas não são tão aglomeradas como no padrão de área residencial 1.
Em seguida, a classe de área residencial 4, composta por chácaras, teve 83 casos de dengue/ km². Apesar de ser uma área composta por chácaras e as residências serem mais afastadas entre si, são lugares muito próximos à área urbana. Portanto, devido à proximidade com a área urbana e a composição predominante de casas são fatores que podem ter contribuído para uma densidade significativa de casos de dengue nessa classe.
Conforme já era esperado, as classes que tiveram menor densidade de casos de dengue por km² foram as classes de área residencial 3, composta por prédios verticais e área comercial e/ou industrial, com 76 e 19 casos/km² respectivamente. Sabe-se que em apartamentos os locais que podem servir como criadouros do Aedes aegypti são menos frequentes que em casas e, portanto, a fiscalização se restringe apenas as áreas comuns dos prédios. No caso das áreas classificadas como comerciais e/ou industriais já era esperado que houvesse poucos casos, devido à precisão da espacialização dos casos de dengue, já que os endereços contidos na planilha fornecida pela prefeitura eram residenciais.
Nas demais classes não houve casos de dengue.