CAPITULO IV CLASSES SOCIAIS
4.1.2. Classes Dominantes e ElItes
Nas classes dominantes, devemos considerar os estudos do economista e sociólogo, Vilfredo Pareto (1848-1923), que publicou dois estudos importantes: "Manual de Economia Política" (1906) "Tratado de Sociologia Geral" (1916). No "Tratado de Sociologia Geral", Pareto preocupou-se com o estudo da interação social entre as diversas classes de elites, cujas mais importantes, segundo ele, são as elites políticas e as elites económicas.
O mais importante destaque do estudo de Pareto é o processo de decadência das elites, observado pelo autor, ou seja, historicamente as elites lutam entre si e sucedem-se umas às outras no exercício da dominação política.
Pareto chama a atenção para o fato de que, em qualquer sociedade, os homens são desiguais e que as desigualdades entre os indivíduos contribuem diretamente para o surgimento das elites, (...) agrade ou não a certos teóricos, sucede de facto que a
sociedade humana não é homogénea (...) (Pareto, in Braga da Cruz, 1995: 449).
Pareto diz-nos que encontramos a ideia de que a elite é algo natural, que se encontra acima da vontade humana. A elite não se faz nem se adquire. É um dado.
As elites, na visão do autor em apreço, não são eternas pois existe uma espécie de renovação, através de um processo contínuo denominado como circulação das elites. Quando tal circulação cessa, ou se torna demasiado lenta, o que se observa é a degeneração da elite. Ela passa a concentrar elementos de qualidade inferior, ao passo que nas camadas inferiores, ocorre um acumulo de indivíduos com traços superiores. Conforma-se, assim, um quadro drástico de perturbação e crise, propício à derrubada violenta da elite governante e à sua substituição por via de uma revolução.
Já Poulantzas nos diz que as classes não se definem apenas no processo económico, mas sim no conjunto de práticas sociais, considerando, portanto, a determinação estrutural das classes não em sentido restrito, mas amplo. Engloba relações de produção, relações de dominação e de ideologia. Não é o salário que define
a classe operária, pois o salário e uma forma jurídica de repartição do produto, através do “contrato”de compra e venda da força de trabalho. Se todo o operário é um assalariado, nem todo o assalariado é um operário, visto nem todos os assalariados serem forçosamente trabalhadores produtivos, no sentido de produzirem mais- valia/mercadorias (Poulantazas, 1976:13).
O autor segue assim três critérios essenciais para a definição de classe: o critério económico que é um critério técnico. Poulantzas, tal como Marx, defendia que o trabalhador produtivo era aquele que contribuía directamente para a produção de mercadorias, um trabalhador que “suja as mãos”, enquanto o trabalhador não produtivo, ou coletivo contribuía de uma forma não direta, apenas técnica. A ciência diz-nos, não é
uma força produtiva directa. Só as suas aplicações entram no processo de produção. Estas aplicações, aliás, apenas concorrem para o aumento e realização da mais-valia e não para a sua produção directa. Os agentes técnicos não fazem parte da classe operária (Poulantazas, 1976:14).
Retomando a óptica de Pareto, existem em todas as esferas, em todas as áreas de ação humana, indivíduos que se destacam dos demais pelos seus dons e pelas suas qualidades superiores. São eles a composição de uma minoria distinta da restante população – uma elite.
Nas ciências sociais, o conceito de classe social está intimamente ligada a Karl Marx. Este enuncia dois planos na sociedade, o plano infraestrutural e o plano superestrutural, encontrando-se estes dois planos em constante relação. Karl Marx entende que no plano de infraestrutura está posicionada a relação económica, ou seja, as relações de produção, a tecnologia, a técnica, entre outros.
Por sua vez, no plano de superestrutura encontramos as relações políticas e ideológicas, isto é, as regras da sociedade, normas, política, arte, Estado, literatura, entre outras. Para Karl Marx a infraestrutura determina a superestrutura. Segundo este autor, existe uma relação de exploração na sociedade, ou seja, a classe dominante explora a classe subordinada. Logo, existe uma classe que vai explorar e obter vantagens de uma outra classe. Uma das ideias centrais é a de que as relações entre as classes sociais no capitalismo envolvem o fenómeno da exploração, não apenas enquanto conjunto de
práticas moralmente condenáveis (pela injustiça que transportam) mas, principalmente, enquanto relações de interdependência antagónica (em particular no caso das classes trabalhadoras e capitalistas), ou seja, relações em que os interesses materiais de uns e de outros estão em oposição (apud Estanque; Mendes, 1997: 21).
Para se entender o conceito de classe dominante é necessário ter em conta as classes altas e as já referidas elites. Estes três conceitos não querem dizer exatamente a mesma coisa. Em termos de dominação, quem pertence à classe alta, pertence a uma elite, um grupo reduzido que partilha um estilo de vida muito próprio, e, por consequência, são famílias, são grupos que têm mais peso político, (política no sentido económico, social), assim a classe dominante é o peso político, elite é o tamanho do grupo.
Normalmente as elites são setores da população que concentram grandes volumes de riqueza, de prestígio, de capital. É claro que estas elites e classes altas se vão hierarquizar dentro de si, desde aqueles que têm um elevado capital económico e elevados capitais sociais e culturais, até aos que não têm.
Além de haver uma hierarquização interna, existe ainda a necessidade de distinguir os vários tipos de elite: elite económica, elite cultural, elite política, que podem concorrer entre si, dando assim origem a uma luta simbólica. Há uma
característica natural das elites: as pessoas que pertencem a elites, protegem-se umas às outras, de forma a poderem renovarem-se a si próprias, e de que este poder passe de uns para os outros como, por exemplo, de pais para filhos.
Claro que para ser uma elite capaz de influenciar decisões políticas, tem que ter capital económico, social, mas principalmente mais capital económico, podendo assim fazer parte de uma classe dominante. As elites têm outra particularidade, são fechadas à entrada para aqueles que não partilham o mesmo estilo de vida.