Conforme a metodologia proposta por Ross (1994), para a elaboração da carta de fragilidade ambiental (Figura 14) “Unidades Ecodinâmicas de Instabilidade Potencial e Emergente” na bacia hidrográfica do Ribeirão Esperança, foram efetuados levantamentos e avaliações através da correlação entre as informações de declividade, solos, cobertura vegetal / uso da terra, e pluviosidade, contidas nos produtos cartográficos intermediários.
Neste contexto o procedimento técnico operacional utilizado foi realizar a sobreposição dos planos de informações, obedecendo a seguinte hierarquia declividade, solos, uso da terra, pluviosidade para as variáveis. Após sobrepostos distribuiu-se os atributos de fragilidade a cada uma destas variáveis, compostos por cinco algarismos, (Tabela 8 e 9) conforme a metodologia proposta por ROSS (op. cit), apresentada nos fundamentos teórico-metodológicos desta pesquisa.
Na análise do resultado obtido pela Carta de fragilidade ambiental, verifica-se que na bacia hidrográfica do Ribeirão Esperança, tanto as Unidades Ecodinâmicas estáveis como as instáveis apresentaram cinco graus de fragilidade mais relevantes e representativos na área de estudo, sendo eles os seguintes:
Unidades ecodinâmicas estáveis
Unidades ecodinâmicas instáveis
Fragilidade emergente fraca e media (moderada)
Os demais ocorrem com porcentagens quase insignificantes na área de estudo, e são mais visíveis no entorno da bacia.
Os que se referem a Unidades Ecodinâmicas estáveis representam às áreas cuja cobertura vegetal é de vegetação florestal e áreas de preservação permanente (APP), e, portanto, o grau de proteção é muito alto, proporcionado pela densidade da vegetação e presença de uma camada de folhas em decomposição. A presença da vegetação densa impede que o solo seja atingido diretamente pelas águas pluviais, evitando a ação do deslocamento e movimento de partículas do solo sob o impacto das gotas de chuva.
A existência da camada formada pela deposição e acúmulo de matéria orgânica vegetal, assim como as próprias raízes presentes no solo, impedem a formação e degradação do solo por fatores como a erosão laminar e linear.
Tabela 8 - Legenda temática integrada
Unidades Ecodinâmicas Estáveis ou de Instabilidade
Potencial Unidades Ecodinâmicas Instáveis ou de Instabilidade Emergente
Grau de
Fragilidade Simbologia Ocorrências na Área de Estudo
Grau de
Fragilidade Simbologia Ocorrências na Área de Estudo Muito Fraco 1113, 1213, 1313, 1413 Muito Fraco 1133, 1143, 1233, 1243, 1333, 1343, 1433,
1443 Fraco 2113, 2213, 2313, 2413 Fraco 2133, 2143, 2233, 2243, 2333, 2343, 2433, 2443 Médio 3113, 3213, 3313, 3413 Médio 3133, 3143, 3233, 3243, 3333, 3343, 3433, 3443 Forte 4113, 4213, 4313, 4413 Forte 4133, 4143, 4233, 4243, 4333, 4343, 4433, 4443
Muito Forte 5113, 5213, 5313, 5413 Muito Forte 5133, 5233, 5243, 5333, 5433, 5443 Obs: O primeiro algarismo refere-se ao grau de fragilidade em função das classes de declividade; o segundo ao grau de fragilidade de acordo com o tipo de solo, o terceiro ao grau de proteção de acordo com o uso da terra/ cobertura vegetal e o quarto ao grau de fragilidade de acordo com as características pluviométricas, conforme a tabela a seguir:
Tabela 9 - Classificação dos atributos com os planos de informações. Grau de Fragilidade Classes de Declividade do Relevo
Tipos de Solos (Ocorrências na área de estudo)
Grau de Proteção
Uso/ Cobertura Vegetal (Ocorrências na área de estudo)
Grau de Fragilidade Características Pluviométricas (Ocorrências na área de estudo) 1 - Muito Fraca 0 a 6%
Latossolos Vermelhos, Latossolos Vermelho Amarelo textura argilosa.
1- Muito Alto
Florestas; Matas naturais, florestas cultivadas com biodiversidade.
1- Muito
Baixa Sem ocorrência 2 - Fraca 6 a 12% Latossolos Amarelo e Vermelho
Amarelo textura média/argilosa. 2 - Alto Sem ocorrência 2- Baixa Sem ocorrência
3 - Média 12 a 20%
Latossolos Vermelho Amarelo, Nitossolos Vermelhos, Argissolos
Vermelho Amarelo textura média/argilosa.
3 - Média
Cultivo de ciclo longo em curvas de nível/ terraceamento como café, laranja com forrageiras entre ruas),
pastagens com baixo pisoteio, silvicultura de eucalipitos com
sub-bosque de nativas. 3 - Média Situação pluviométrica com distribuição anual desigual, com períodos secos entre 2 e 3 meses no inverno, e no verão com maiores intensidades de dezembro a março.
4 - Forte 20 a 30% Argissolos Vermelho Amarelo textura
média/arenosa, Cambissolos. 4 - Baixo
Culturas de ciclo longo de baixa densidade (café, pimenta do reino, laranja com solo exposto entre ruas),
culturas de ciclo curto (arroz, trigo, feijão, soja, milho, algodão com cultivo
em curvas de nível/ terraceamento).
4 - Forte Sem ocorrência
5 - Muito Forte
acima de 30%
Argissolos com cascalho, Neossolos Litólicos e Neossolo Quartzarênico.
5 – Muito
Baixo Sem ocorrência
5 – Muito
Forte Sem ocorrência
As áreas da bacia Hidrográfica do Ribeirão Esperança que constituem a classe Muito Fraca Potencial, representada pelos algarismos (1113, 1213, 1313, 1413), apresentam declividades baixas de 0 a 6%, em praticamente todos os solos encontrados na área de estudo (Figura 8), porém se concentra mais sobre o NITOSSOLO VERMELHO Eutroférrico típico textura argilosa. No que tange o terceiro algarismo esta sob florestas; matas naturais e florestas cultivadas com biodiversidade, sendo observadas principalmente nas áreas de preservação permanente (APP) que circundam as margens do ribeirão (Figura 15). Embora esteja presente em toda a bacia em pequenas porções, ocorre com mais frequência nos fundos de vale onde a vegetação ainda se encontra preservada. Esta variável é responsável por aproximadamente 5,3 % da área de estudo.
Figura 15 - Classe Muito Fraca Potencial encontrada sobre área de preservação permanente (APP) as margens do leito do Ribeirão Esperança – PR.
O grau de Fragilidade Fraco Potencial é representado pelos algarismos (2113, 2213, 2313, 2413). São encontrados nas áreas bem próximas aos de variável Muito Fraca Potencial, pois apresentam características de vegetação idênticas, além de estar presente também em praticamente todas as classes de solos encontrados na Bacia. O fator que o distingui da anterior e a determina como Fraco Potencial, é a classe de declividade de 6 a 12 %, fator este decisivo na metodologia. Esta variável
ocupa uma área de aproximadamente 2,9 % da área de estudo conforme a (Figura 14).
Nas Unidades Ecodinâmicas de Instabilidade Emergente presentes na bacia hidrográfica do Ribeirão esperança encontram-se áreas cujas coberturas vegetais são de pastagens ou lavouras temporárias ou permanentes, ocasionando em alguns casos solo exposto. O grau de proteção varia de acordo com a cobertura vegetal presente.
O grau de fragilidade Muito Fraco Emergente representado pelos algarismos (1133, 1143, 1233, 1243, 1333, 1343, 1433, 1443), (Figura 16) está concentrado principalmente nas áreas de altas vertentes, que se apresentam com formas convexas, com topos e patamares planos e declividades baixas de 0 a 6 %. Na região da alta bacia encontram-se associados aos LATOSSOLOS VERMELHO distrófico típico textura média e ARGISSOLOS VERMELHO Distrófico típico textura arenosa/média. Essas associações estão diretamente relacionadas à litologia desta área, que é formada por arenitos da Formação Caiuá. No setor médio da ocorrem os NITOSSOLOS VERMELHOS Eutroférricos típicos textura argilosa, e no setor inferior da bacia estão os LATOSSOLO VERMELHO Eutrófico típico textura argilosa, relacionados à litologia da Formação Serra Geral. Esta variável envolve cerca de 33,9 % da área de estudo.
Os graus de fragilidade correspondentes a variável Fraco Emergente representada pelos algarismos (2133, 2143, 2233, 2243, 2333, 2343, 2433, 2443), são encontrados em praticamente toda a bacia hidrográfica do Ribeirão Esperança, porém são mais concentrados na média baixa vertente, que é geralmente convexa e com baixas declividades, variando de 6 a 12%. Nas áreas pertencentes à alta bacia encontra-se mais explícita sobre os ARGISSOLO VERMELHO Distrófico típico textura arenosa/média, já no caso da porção inferior da bacia o solo de maior dominância é o NITOSSOLO VERMELHO Eutroférrico típico textura argilosa. Esta variável é a maior e mais representativa da bacia, pois ocupa 53,8 % da área total.
Figura 16 - Vertente convexa com topos e patamares planos e declividades baixas ocorridas sobre a variável Muito Fraco Emergente avançando para a variável Fraco Emergente.
O grau de Fragilidade Médio Emergente representado pelos algarismos 3133, 3143, 3233, 3243, 3333, 3343, 3433, 3443, ocorre com mais relevância nas baixas vertentes, sendo encontrado nas áreas onde as declividades variam de 12 a 20%, Apresenta-se em praticamente todo tipo de solo encontrado na bacia, porém na bacia superior é mais observado sobre o ARGISSOLO VERMELHO Distrófico típico textura arenosa/média, e sobre o setor inferior da bacia concentra-se sobre o NITOSSOLO VERMELHO Eutroférrico típico textura argilosa. Esta variável corresponde a 4,1 % da área de estudo.