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Será utilizado o termo classificação bibliográfica, pois este aparece com frequência na literatura da área apesar da classificação de documentos em bibliotecas não ser restrita apenas aos livros. A história da classificação bibliográfica se inicia com a classificação do conhecimento pelos filósofos que tentam classificar o conhecimento e a ciências. Segundo Piedade (1983, p.61), “denominam – se classificações filosóficas, classificações do conhecimento, classificações metafísicas ou classificações das ciências as criadas pelos filósofos com a finalidade definir e hierarquizar o conhecimento”.

É necessário ressaltar que, apesar das classificações bibliográficas terem uma base nas classificações filosóficas, elas são distintas conforme Barbosa (1962, p.2) esclarece no trecho seguinte:

as primeiras classificações foram puramente filosóficas, científicas ou até metafísicas e não serviram para serem aplicadas aos livros, pois a finalidade era apenas a de dividir os conhecimentos humanos. Portanto, quando falamos em classificação dos conhecimentos, estamos nos referindo à classificação puramente teórica e, quando falamos em classificação bibliográfica, estamos nos referindo à classificação prática, isto é, à classificação dos conhecimentos adaptada à forma material dos livros. Elas são absolutamente iguais em seus princípios, diferindo porém na aplicação.

As classificações filosóficas que chegaram ao conhecimento contemporâneo foram principalmente oriundas da Grécia e de seus filósofos como Platão e Aristóteles (382 a. C –

322 a.C) filósofo grego que criou dez categorias ou predicados para classificar todo o conhecimento . De acordo com Kaula (1982, p.2-3) são as seguintes: “1 Substância, 2 Qualidade, 3 Quantidade, 4 Relação, 5 Lugar, 6 Tempo. 7 Situação, 8 Posse , 9 Ação, 10 Sofrimentos ou Passividade”.

A decimalidade da classificação de Aristóteles estará presente em outras classificações ao longo do tempo.

Outra contribuição importante para a classificação do conhecimento foi à árvore de Porfírio (século IV) que foi influenciado por Aristóteles. A classificação elaborada por Porfírio parte da categoria mais geral até a mais específica, sendo assim hierárquica. Francis Bacon (1561-1622) também contribui significativamente com a classificação do conhecimento com a sua Baconiana (1603-1623). De acordo com Shreiner (1979, p.5):

Sua detalhada classificação foi a base de vários instrumentos destinados à organização e transferência do conhecimento. Diderot e d'Alembert organizaram sua enciclopédia de acordo com o esquema de Bacon, que no fim do século 19 era quase que universalmente adotado. Foi, entretanto, sua adaptação ao sistema decimal em 1876 por Melvil Dewey (1851-1931) que o estabeleceu definitivamente como uma das mais fortes influências na classificação bibliográfica.

As características das classificações elaboradas pelos filósofos influenciaram os sistemas de classificação bibliográfica. Uma distinção a ser feita é que a classificação filosófica visa classificar todo o universo do conhecimento e a classificação bibliográfica o conhecimento materializado nos livros.

Com relação aos sistemas de classificação aplicados aos livros eles geralmente apresentam notação. De acordo com Piedade (1983, p.38): “Notação é o conjunto de símbolos destinados a representar os termos de classificação, traduzindo em linguagem codificada o assunto dos documentos, e permitindo sua localização nas estantes, nos catálogos e nas tabelas de classificação.” A notação é muito importante para a classificação já que esta serve para recuperar os documentos. A notação pode ser pura, composta por um tipo de caractere como letras ou números, ou mista, composta por caracteres diferentes como letras e números.

A cronologia da classificação bibliográfica pode ser vista no trecho seguinte segundo Kaula (1982, p.5-6):

Os esquemas de classificação com notação foram usados para organizar livros. Os esquemas nesta categoria são os seguintes:

(b) Classificação de Schwartz (1871-1879), de Jacob Schwartz

(c) Classificação Decimal de Dewey (1876, de Melvil Dewey (1851-1902) (d) Classificação Expansiva de Cutter (1891-1903), de Charles Ami Cutter (e) Classificação da Faculdade de Sion (?) (1886 -1889), de W. H. Milman

(f) Classificação Decimal Expandida de Bruxelas (1905, do Instituto Internacional de Bibliografia

(g) Classificação Racional de Perkins (1882), de F. B. Perkins (h) Classificação de Hartwig (1888), de Otto Hartwig

(i) Classificação de Fletcher (1889), de W. I. Fletcher (j) Classificação de Bonazzi (1890), de G. Bonazzi (k) Classificação de Rowell (1894), de J. C. Rowells

(l) Classificação ajustável de Brown (1898, de James Duff Brown

(m) Classificação Científica Internacional (1901), usada no "International Catalogue of Scientific Literature

(n) Classificação da Universidade de Princeton (1901), da Universidade de Princeton

(o) Classificação da Library of Congress (1902), da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos

(p) Classificação Decimal Universal (1902, da FID (q) Classificação de Assuntos (1906, de James Duff Brown

(...) (a) Classificação dos Dois Pontos (1933), de S. R. Ranganathan (b) Classificação Bibliográfica de Bliss (1935, de H. E. Bliss (c) Classificação Internacional de Rider (1961), de F. Rider

Entre essas classificações a mais importante por sua relevância, influência e aceitação mundial é a Classificação Decimal de Dewey. Conforme Piedade (1983, p.71-72), é nos Estados Unidos que surge a primeira classificação bibliográfica de grande importância universal, devido à sua influência em outras classificações e a sua permanência, a Decimal Classification de Dewey.

Melvin Dewey (1851 -1931), bibliotecário norte americano, elaborou seu sistema de classificação com influências de William Harris, Francis Bacon e outros filósofos. A criação de Dewey permitiu uma especificação mais detalhada de assuntos o que poderia tornar difícil ao classificador escolher uma notação adequada ao assunto, pois este aparecia várias vezes com um grau maior ou menor de especificidade. Para solucionar esse dilema a CDD possui um índice Relativo que remete a assuntos específicos ou sinônimos. Segundo Guarrido (2008, p.20):

Índice Relativo é mais eficaz do que um simples índice alfabético, sendo considerado uma das mais importantes contribuições de Dewey para a classificação bibliográfica. […] não somente ordena termos de assuntos alfabeticamente, mas também articula termos de um contexto (disciplina) no qual eles aparecem nos esquemas. É chamado relativo porque relaciona assuntos de disciplinas. Nos esquemas, os assuntos são distribuídos entre as disciplinas; no Índice Relativo, entretanto, os assuntos são ordenados alfabeticamente, acompanhados por conceitos identificados nas disciplinas nas quais eles são tratados.

A estrutura da CDD é formada por dez classes principais e sete tabelas Auxiliares. As classes principais são de acordo com (PIEDADE, 1983): 000 Generalidades, 100 Filosofia e disciplinas relacionadas, 200 Religião, 300 Ciências Sociais, 400 Línguas ,500 Ciências Puras, 600 Tecnologias (Ciências Aplicadas), 700 Artes, 800 Literatura e 900 Geografia. Biografia. História.

Além das classes principais, existem também as tabelas auxiliares segundo Guarrido (2008, p.14-15): “Subdivisões padrão (Standard Subdivions); Áreas Geográficas, Períodos Históricos e Pessoas (Geographic Areas, Historical Periods and Persons); Subdivisões para Literatura Individual (Subdivisions for Individual Languages); Raça, Etnia e Grupos Nacionais (Racial, Ethnic, National Groups); Língua (Language)”.

A CDD é um sistema com base hierárquica o que é demonstrado por meio da sua estrutura e da sua notação. A sua notação é pura, utilizando somente números, e após os três primeiros números é utilizado o ponto como sinal gráfico para facilitar a leitura. A ordem de citação dos assuntos também é fixa não suportando inversões (PIEDADE, 1983).

Com relação à aplicação da Classificação Decimal de Dewey em documentos de arquivos Schellenberg (2006, p.94) adverte que: “o sistema é muito aprimorado para ser aplicado com vantagem a documentos públicos sobre assuntos gerais, e não suficientemente detalhado para ser aplicado a material especializado.” Ou seja, não há validade em se classificar documentos segundo esse sistema porque o mesmo não é adequado aos documentos de arquivo.

De forma equivocada a classificação de documentos em arquivos foi feita por assuntos rompendo os vínculos entre os documentos. Duchein (1986, p.15) afirma que: “todas as antigas classificações de arquivos que chegaram até nós foram concebidas por assuntos, temas ou locais, fato que indica ter sido rompida, para realizá-las, a ordem na qual os documentos haviam sido produzidos”.

Um exemplo da classificação de assuntos biblioteconômica aplicada de forma equivocada em arquivos apontados por Schellenberg (2006, p.242) foi a realizada no Arquivo Nacional da França pelos seus diretores bibliotecários: “os documentos do governo central nos Archives

Nationales, então foram inicialmente arranjados de acordo com um esquema “metódico”

criado arbitrariamente, derivado da experiência biblioteconômica”. A classificação se fez com relação aos assuntos representados nos documentos o que romperia relação orgânica entre os documentos de um mesmo fundo.

A classificação de documentos em arquivos dever seguir uma metodologia própria aos arquivos e que serão explicitados na seção seguinte.

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