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Classificação do Edificado

No documento Cenários sísmicos em Ponta Delgada (páginas 116-120)

Capítulo 5: Vulnerabilidade Sísmica do Edificado

5.2 Caracterização do Edificado

5.2.2 Classificação do Edificado

Não havendo nenhum estudo anterior que envolvesse uma classificação do edificado a um nível estrutural e/ou tipológico, foi necessário recorrer a diversas fontes de informação de forma a construir uma base de dados com informação útil para se proceder a uma classificação simples do edificado.

Deste modo os processos de identificação e classificação foram baseados em: • Informação urbanística em formato SIG fornecida pelas autoridades

locais, nomeadamente pela SRHE (Secretaria Regional da Habitação e Equipamentos).

• Informação urbanística fornecida pelo INE (Instituto Nacional de Estatística).

• Inquéritos distribuídos e preenchidos pela população.

• Campanhas de campo de observação do edificado, realizadas em diferentes zonas da cidade, com respectivo registo fotográfico.

A cartografia digital em formato SIG da cidade de Ponta Delgada, cedida pela SRHE, contém informação edifício a edifício sobre o endereço, número de pisos, tipo de utilização, tipo de cobertura, estado de conservação, existência ou não de varandas e de que tipo, entre outros sem relevância para este estudo. Não contém informação sobre o tipo de material de construção nem a data de construção.

A informação fornecida pelo INE (Censos, 2001) em tabelas e/ou em formato SIG, traduz as características do edificado em cada subsecção estatística, e não caracteriza edifício a edifício. Em cada subsecção estatística (que corresponde, aproximadamente, a um quarteirão), a informação mais relevante para este estudo diz respeito à tipologia construtiva dos edifícios e explicita o número de edifícios construídos (não especificando quais):

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- Com elementos resistentes em betão, com paredes de alvenaria, com paredes de alvenaria de pedra ou adobe e com outros elementos resistentes.

- Em diferentes períodos de tempo desde “antes de 1919”, “1919 a 1945”, “1946 a 1960”, “1961 a 1970”, “1971 a 1980”, “1981 a 1985”, “1986 a 1990”, “1991 a 1995” e “1996 a 2001”.

- Com, “1 ou 2 pisos”, “3 ou 4 pisos” e com “mais de 5 pisos”.

Foram distribuídos à população cerca de 400 inquéritos, através de escolas de ensino básico, secundário e profissional, tendo sido devolvidos apenas 160, 138 dos quais foram considerados válidos. As questões feitas no inquérito (que se apresenta no anexo C) foram simples, directas e de escolha múltipla (bastava assinalar a resposta correcta). Os parâmetros estruturais questionados foram: material de construção, estado de conservação exterior e interior, tipo de cobertura, inclinação do terreno, posição do edifício no quarteirão, diferença de alturas entre edifícios vizinhos, material utilizado entre andares, regularidade vertical e em planta, alterações na estrutura, existência de arcadas e/ou galerias no primeiro piso, elementos salientes e época de construção. Seleccionaram-se os seguintes períodos de construção, tomando em consideração a informação disponível e os regulamentos de construção sismo-resistente:

Antes de 1935 - Em 1935 ocorreu um sismo que causou grandes

danos na zona da Povoação e que se estenderam a quase toda a zona centro-leste de S. Miguel, o que poderá ter provocado uma alteração nas técnicas construtivas.

Entre 1935 e 1958 – O 1º regulamento sismo-resistente surge em

1958.

Entre 1958 e 1983 - Desde 1983 que está em vigor o regulamento de

segurança e acções para estruturas de edifícios e pontes (RSA, 1983). • Entre 1983 e 2001- Os edifícios construídos até 2001 devem

encontrar-se nos Censos 2001. Depois de 2001.

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Os resultados das principais questões abordadas no inquérito estão representados nos gráficos da figura 5.5.

45%

49% 6%

Diferença de alturas não sim s/informação

88% 6% 6%

Regularidade vertical

sim não s/informação

73% 14%

6% 7%

Regularidade horizontal rectangular L ou U cunha outros casos s/informação

56% 36%

4% 4%

Material de construção

Betão Alvenaria Madeira outro s/ informação

80% 18%

2%

Separação entre andares

Betão Madeira s/ informação

6% 4% 9% 20% 36% 18% 7% Datas de construção Anterior a 1900 1900 - 1935 1935 - 1958 1958 - 1983 1983 - 2001 Depois de 2001 s/ informação 68% 15% 14% 3% Cobertura telha terraço mista s/informação

28%

65% 7%

Galerias

sim não s/informação

21%

76% 3%

Alterações da estrutura

sim não s/informação

55% 39%

6%

Tipologia

vivenda prédio s/informação

13% 87% Elementos salientes não sim 69% 30% Conservação interior bom razoável mau

68% 29%

Conservação exterior

bom razoável mau 89%

4%1% 5% Tipo de uso

habitação escola comércio hotelaria outro

72% 11%

6% 11%

Posição do edifício meio ponta esquina isolado s/informação

39% 59%

Inclinação do terreno

sim não s/informação

Figura 5.5: Resultados do inquérito feito à população para o estudo da vulnerabilidade

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95 O inquérito seria uma “solução” óptima para preencher algumas lacunas existentes nos dados se tivesse sido feito a um maior número de inquiridos. Contudo, as poucas respostas obtidas ajudaram a caracterizar determinadas zonas, tornando possível estimar datas de construção e alguns parâmetros estruturais.

O trabalho de campo realizado por toda a cidade permitiu caracterizar exteriormente a quase totalidade do edificado, conseguindo-se principalmente: (i) retirar informação sobre o estado de conservação exterior; (ii) identificar bairros onde o edificado é uniforme (em número de pisos, em tipologia e em época de construção); e (iii) obter informação sobre o edificado recentemente construído e que não se encontra nas bases de dados referidas anteriormente.

Alem disso, o trabalho de campo serviu de suporte para sempre que necessário avaliar a qualidade da informação contida nas bases de dados disponíveis e, sobretudo, da informação retirada dos inquéritos. Também permitiu a construção de uma base de dados fotográfica onde estão registados os edifícios de cada rua da cidade.

A informação sobre a posição dos edifícios relativamente ao quarteirão foi obtida por análise visual da cartografia.

Tendo em conta toda a informação disponível, identificaram-se as seguintes tipologias na cidade de Ponta Delgada:

• Edifícios de alvenaria, geralmente com 1 a 2 pisos (figura 5.6-A).

• Edifícios de alvenaria com separação entre andares em madeira ou betão, geralmente com 2 a 3 pisos (figura 5.6-B).

• Edifícios de betão, com enchimento em alvenaria, geralmente com 2 pisos (figura 5.6-C).

• Edifícios de betão, geralmente com 4 ou mais pisos (figura 5.6-D). • Edifícios históricos (igrejas, palacetes, etc.), que não foram

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Figura 5.6: Classificação do edificado de Ponta Delgada. A- alvenaria de 1 a 2 pisos;

B- alvenaria de 2 a 3 pisos; C- betão com enchimento de alvenaria com 2 pisos; D-

betão com 4 ou mais pisos; E- Edifícios históricos.

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