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3.6 TRATAMENTO ESTATÍSTICO

4.1.1 Classificação dos ciclos econômicos

No modelo de Schumpeter (1939) os ciclos econômicos foram classificados como boom, recessão, depressão e recuperação, embora as crises não tenham sido consideradas, o autor reconhecia a presença destes fenômenos durante a ocorrência dos ciclos. Nesta pesquisa, os ciclos econômicos foram adaptados a partir deste modelo e reclassificados em ciclos de boom, expansão, crise, recessão e depressão.

Para classificação dos ciclos econômicos foi utilizada a metodologia do ciclo normalizado que resulta da série dos números índices obtidos por normalização dos valores cíclicos da variável em estudo, neste caso, a série trimestral do PIB real, pelo valor médio desta variável ao longo de todo o ciclo. Desta forma, todos os valores foram normalizados em torno do valor médio, cujo valor, por definição, é 100 para todo o ciclo (Duarte, 2005). A taxa trimestral do produto interno bruto real a preços de mercado foi apurada por meio da variação percentual em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (%).

Para mensuração do ciclo normalizado foram utilizadas as taxas trimestrais do PIB real. A média do PIB real foi de 2,5%, e com base neste valor foram calculados os valores do ciclo normalizado. Considerando o valor médio de 100 para o ciclo normalizado, os ciclos econômicos foram reclassificados da seguinte forma: Ciclo de boom: para o ciclo

normalizado acima de 300 pontos; Ciclo de expansão: para o ciclo normalizado entre 100 e 300 pontos; Ciclo de crise: para o ciclo normalizado abaixo de 100 pontos; Ciclo de recessão:

para o ciclo normalizado a partir de dois trimestres negativos; e Ciclo de depressão: para o ciclo normalizado abaixo de 200 pontos negativos. A Tabela 6 apresenta a classificação dos ciclos econômicos.

Tabela 6:

Classificação dos ciclos econômicos

Or Período PIB Trim Ciclo Normalizado Boom Expans ão Cris e Reces s ão Depres s ão

> 300 > 100 < 300 < 100 > -200 2 Trim Neg < - 200

O ciclo normalizado demonstrou que, de 2000 a 2017, ocorreram, 2 trimestres de boom, 36 trimestres de expansão, 23 trimestres de crise, 9 trimestres de recessão e 2 trimestres de depressão, confirmando as evidências de que os períodos de expansão são maiores que os de recessão (Stiglitz & Walsh, 2003; Škare & Stjepanović, 2016).

Analisando as taxas do PIB real, durante o ciclo normalizado, é possível verificar que apresentaram uma leve queda no 4º trimestre de 2001, mas, nos últimos trimestres, de 2008, estas quedas se tornaram sucessivas. A crise financeira de 2007/2008, embora não tenha atingido o Brasil na mesma proporção que os EUA e a Europa, causaram moderada perturbação na economia brasileira (Olivon, 2012). As recessões que ocorreram, no Brasil, em 2001, e entre o 2º trimestre de 2014 ao 1º trimestre de 2015, apresentaram taxa média de contração de 1,1%, em termos anualizados, considerada significativamente menor do que a que foi observada na curta e intensa recessão de 2008-2009, com taxa média de -11,2% ao ano (CODACE, 2015).

O ano de 2010, principalmente nos primeiros trimestres, apresentou as melhores taxas de todo período da pesquisa, entretanto, logo em seguida, foi sinalizando sucessivos declínios, até caírem drasticamente, a partir do 2º trimestre de 2014, se mantendo negativo nos anos de 2015 e 2016. É possível que a associação da crise financeira de 2008, embora seus efeitos tenham surgiram tardiamente no Brasil, com a recessão instalada no país, tenha agravado os efeitos provocados na economia, pois quando as recessões surgem integradas às crises financeiras, seus efeitos são mais intensos e duradouros e sua recuperação ocorre de forma mais lenta (IMF, 2009). O Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (CODACE) divulgou que o 1º trimestre de 2014, representou o fim de uma expansão econômica, e o início de uma recessão, a partir do 2º trimestre de 2014, sendo que, a recessão de 2014-2016 foi considerada a mais longa entre as nove datadas a partir de 1980. A perda acumulada do PIB nesses 11 trimestres foi de 8,6%, também a maior desde 1980, semelhante ao 8,5% de queda do PIB na recessão de 1981-1983 (CODACE, 2017).

A partir de 2017, houve uma leve melhora nas taxas do PIB, embora tenha se mantido abaixo da média dos trimestres analisados. De acordo com o CODACE, a partir do 1º trimestre de 2017, o país entrou num período de expansão. No entanto, em decorrência da intensa e longa recessão, a recuperação se mostrou lenta em comparação com o padrão observado nas saídas de recessões anteriores (CODACE, 2017).

O Gráfico 1, demonstra que em 2010 a economia atingiu o seu boom (pico) com valores do ciclo normalizado acima de 300 pontos e em 2015/2016 atingiu o seu vale (depressão) com valores do ciclo normalizado abaixo de 300 pontos.

Gráfico 1 PIB – ciclo normalizado.

Fonte: Elaborado pela autora (2018).

No período de 2003 a 2010, a economia brasileira, cresceu na média de 4% ao ano, milhões de trabalhadores tinham emprego, e os excluídos saíram da informalidade e tiveram acesso ao mercado de trabalho. O país havia conquistado o grau de investimento e o direito de sediar a Copa e a Olimpíada, e para contribuir com o cenário de prosperidade, havia a descoberta do pré-sal (Giannetti, 2016). Em relação aos primeiros trimestres de 2010, o desempenho da economia pode ser sido resultado de diversos fatores, como: 1) elevada intervenção estatal, por meio de expansão fiscal e monetária; 2) crédito subsidiado pelos bancos públicos; 3) aumento de investimentos mediante crescente endividamento; 4) concessão de subsídios e redução tributária para empresas de determinados setores, além dos 5) programas que contribuíram para elevar o endividamento das famílias.

A profunda recessão instalada no Brasil contribuiu para que o PIB se apresentasse num nível muito abaixo do seu potencial, ou seja, abaixo do nível de utilização da capacidade instalada, e a elevada taxa de desemprego indicava o grau de ociosidade da economia brasileira. (Souza-Junior, 2017). Considerando que o produto potencial é definido como o nível do PIB real que a economia poderia produzir operando a altas taxas de utilização dos recursos, esses movimentos de curto prazo do produto consistem em mudanças nas taxas de utilização da mão-de-obra e do capital. Se o PIB real aumentar acima do produto potencial, então, na ausência de controles de preços e salários, a inflação tende a aumentar à medida que a demanda excede a oferta. Isso acontece devido à oferta limitada de trabalhadores e seu tempo disponível, de bens de capital e de recursos naturais, juntamente com os limites impostos pela tecnologia e pelas competências de gestão (IPEA, 2018).

A Tabela 7 demonstra a classificação do hiato do produto, que pode apresentar variações positivas ou negativas, as taxas do PIB potencial e do PIB efetivo.

Tabela 7:

Classificação do hiato do produto

Período PIB Potencial PIB Efetivo Hiato do Produto Pos itiva Negativa

2000.I 99.51 98.73 -0.8% 1

A tabela de classificação do hiato do produto demonstra que, durante o período de 2000 a 2017, a economia apresentou 27 trimestres de variação positiva e 45 trimestres de variação negativa. A variação negativa mais alta que ocorreu entre o 1° trimestre de 2000 ao 4° trimestre de 2008, foi de -3,10 %, entretanto, no 1° trimestre de 2009, apresentou uma taxa de variação negativa de -5,2%. A queda de 2009 indicou que o Brasil foi atingido pela crise financeira de 2008, embora não tenha sido na mesma intensidade que os demais países, como os EUA e a Europa (Olivon, 2012).

As taxas mais elevadas da variação do hiato do produto ocorreram no ano de 2016, com -5,3 no 3° trimestre e -6,0 % no 4° trimestre, demonstrando que a atividade econômica chegou ao seu nível mais baixo desde 2000. Esse período foi reconhecido como a pior recessão da história do país, só vista no Brasil em 1930, pois a queda que sucedeu foi considerada generalizada, levando a uma retração em todos os setores (Cury & Silveira, 2017). Um dos fatores que pode ter contribuído para o PIB efetivo não ter atingido o seu potencial em 2009, pode ter sido causado pela crise financeira mundial de 2008. Em relação às sucessivas quedas que ocorreram a partir do 2° trimestre de 2015, os fatores foram: a crise econômica e a elevada incerteza política que se instalaram no país.

Gráfico 2 Hiato do Produto

Fonte: Elaborado pela autora (2018).

Ao analisar dados do PIB real e do PIB potencial, é possível notar que o PIB potencial é medido simplesmente pela tendência (ou a média) da taxa de crescimento do PIB, e os desvios do PIB real em relação ao PIB potencial são expressos graficamente por picos e vales, os quais representam a variação cíclica do produto. O Gráfico 2 demonstra que durante os períodos de 2008 e 2013, o PIB potencial foi superior ao PIB efetivo, período em que a

economia atingiu o boom (pico). No ano de 2009 houve uma considerável variação negativa, possivelmente em decorrência da crise financeira mundial, mas foi a partir do final de 2015, com maior ênfase em 2016, que a atividade econômica atingiu o seu vale (depressão), que permaneceu até o ano de 2017.

4.2 DESEMPENHO FINANCEIRO

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