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3. MIGMATITOS: CONCEITOS, PROCESSOS, CONSTITUINTES FUNDAMENTAIS E CLASSIFICAÇÃO

3.4. CLASSIFICAÇÃO DOS MIGMATITOS

Mehnert (1968) propôs uma classificação dos migmatitos com base nas estruturas presentes. Nesse sentido, o autor introduziu doze termos morfológicos (Fig. 3.4) denominados de: agmatito, dictionito ou dictionítico, migmatito-schöllen, flebítico, estromático, migmatito surreítico, migmatito com dobras, veios ptigmáticos, estrutura oftálmica ou auge, estrutura estictolítica ou fleck, estrutura schlieren, estrutura nebulíticas, que serão descritas a seguir:

(i) Agmatito: migmatitos nos quais blocos angulosos de mesossoma são separados por um intercruzamento de diversos veios de leucossoma, discordantes, ou são circundados por um complexo de veios reticulados de leucossoma (Fig. 3.4a).

(ii) Dictionito: rede de veios de leucossoma finamente espaçados e estreitos, entrelaçados através do mesossoma (Fig. 3.4b).

(iii) Schöllen: semelhante a um agmatito, porém contém faixas de leucossoma mais espaçadas, as quais interrompem os blocos de mesossoma como se estes fossem xenólitos (Fig. 3.4c).

(iv) Flebito: migmatito no qual veios irregulares, mas subparalelos entre si, mostram- se dobrados (Fig. 3.4d).

(v) Estromático: migmatito com veios paralelos, acamadado, nos quais os níveis paralelos de leucossoma separam camadas de mesossoma, freqüentemente paralelos à foliação principal ou xistosidade da rocha (Fig. 3.4 e).

(vi) Estrutura surreíca: estruturas nas quais o leucossoma está localizado ao longo de limites litológicos, por exemplo, nos núcleos de dobras ou nos necks de boudins (Fig. 3.4 f).

(vii) Migmatitos com dobras: veios de leucossoma mostrando dobramento (Fig. 3.4). (viii) Veios ptigmáticos: veios de leucossoma mostrando intenso e intrincado dobramento em grande escala (Fig. 3.4 h).

(ix) Estrutura oftalmítica ou augen: contém porfiroclastos de feldspato em forma de olhos, ou agregados de leucossoma com a mesma forma lenticular, espalhados através do mesossoma (Oftalmito) (Fig. 3.4 i).

(x) Estrutura estictolítica ou estrutura fleck: consiste em agregados de material máfico espalhados através do neossoma circundados por halos pálidos; pobre em minerais máficos (Fig. 3.4 j).

Figura 3.4- Tipos de migmatitos segundo a classificação pioneira de Mehnert (1968): (a) Agmatito; (b)

Dictionito ou dictionítico; (c) Migmatito-Schollen; (d) Flebítico; (e) Estromático; (f) Migmatito surreítico; (g) Migmatito com dobras; (h) Veios ptigmáticos; (i) Estrutura oftálmica ou augen; (j) Estrutura estictolítica ou fleck; (k) Estrutura schlieren; (l) Estrutura nebulítica.

(xi) Estrutura schlieren: faixas (camadas) ou bandas subparalelas de mesossoma ou melanossoma englobando leucossoma; as faixas, ou schlien, são frequentemente paralela à foliação, ou mesmo definem a foliação (Fig. 3.4 k).

(xii) Nebulito: migmatito “nebuloso”, no qual os limites entre os diferentes componentes paleossoma e neossoma são difusos ou não diferenciados (Fig. 3.4 l).

De (i) a (xii) haveria uma aumento progressivo do grau metamórfico.

Por outro lado, Brown (1973) sugere que as variáveis classificações estruturais propostas por Mehnert (1968) podem ocorrer por deformação heterogênea e fracionamento por fusão não revelando necessariamente uma progressão morfológica com o aumento do grau metamórfico.

Para Sawyer (2008), a classificação morfológica de migmatitos deve estar relacionada, principalmente, à intensidade de fusão, que é representada pela fração de neossoma que está presente no migmatito. De acordo com esse critério, as rochas podem ser classificadas em metatexito e diatexito (Fig. 3.5).

Figura 3.5- Partes de uma migmatito. Modificado de Sawyer (2008).

De acordo com Sawyer (2008), metatexito é um migmatito heterogêneo na escala de afloramento no qual as estruturas pré-fusão parcial são amplamente preservadas no paleossoma. A parte residual do neossoma, denominada de melanossoma, é o domínio em que a porcentagem de fusão foi baixa. Nesse caso, o neossoma é geralmente segregado em leucossoma e melanossoma. Entretanto, via de regra, neossoma em que fusão e resíduo não segregaram também podem ocorrer. Por sua vez, diatexito seria um migmatito em que domina a fusão, representada pelo neossoma, que foi distribuído por toda parte do migmatito. Essas rochas não apresentam as estruturas pré-fusão parcial no neossoma e normalmente são substituídas por estruturas de fluxo sin-anatético, tais como foliação magmática ou submagmatica, schlieren ou por neossoma isotrópico.

Sawyer (2008) tentou simplificar a classificação morfológica de Menert (1968) e os termos adotados contemplam o aumento na intensidade de fusão, desde metatexito à diatexito e podem ser assim descritos (Fig. 3.6):

(i) Migmatito metatexítico patch: típico do início da anatexia onde o neossoma ocorre in situ como pequenas manchas discretas. (Fig. 3.6a). Mehnert (1968) não apresentou nenhum termo morfológico que se assemelhe a esse.

Figura 3.6- Tipos de migmatitos: (a) Migmatito metatexítico patch; (b) Migmatito metatexítico dilatante; (c)

Migmatito metatexítico net-estruturado; (d) Migmatito metatexítico estromático; (e) Migmatito diatexítico nebulítico; (f) Migmatito diatexítico schöllen; (g) Migmatito diatexítico schlieren; (h) Migmatito diatexítico; (i) Migmatitos estruturado em veios; (j) Migmatitos estruturado em dobras. Fonte: Sawyer (2008).

(ii) Migmatito metatexítico dilatante: a localização do leucossoma e neossoma é controlada pela tensão diferencial e pela distribuição das estruturas dilatante que se

desenvolvem em rochas relativamente mais competentes (Fig. 3.6b). Assemelha-se com o migmatito de estrutura surreítica de Mehnert (1968).

(iii) Migmatito metatexítico net-estruturado ou em rede: o neossoma, ou mais comumente o leucossoma, forma vênulas com orientação ortognais entre si semelhante a uma rede (Fig. 3.6c). Pode ser comparada as estruturas agmatito ou dictionito de Mehnert (1968).

(iv) Migmatito metatexítico estromático: o neossoma, ou apenas o leucossoma, ocorre formando bandas félsicas paralelas à foliação da rocha. Nesse caso tem-se uma segregação metamórfica em que o resíduo posiciona-se na borda da banda félsica. Os mecanismos envolvidos incluem: injeções lit-par-lit, fusão de camadas férteis, segregação de curto alcance e transposição (Fig. 3.6d). Assemelha-se com o migmatito de estrutura estromática de Mehnert (1968).

(vi) Migmatito diatexítico nebulítico: o neossoma é difuso, difícil de diferenciar do paleossoma (Fig. 3.6a). Assemelha-se com o migmatito nebulítico de Mehnert (1968).

(vii) Migmatito diatexítico schöllen: contém enclaves de paleossoma ou mais raramente, resíduo (Fig. 3.6f). Em geral, os fragmentos não se tocam. Assemelha-se com o migmatito Schöllen de Mehnert (1968).

(viii) Migmatito diatexítico schlieren: caracterizado pela presença de schilieren (fina camada de filossilicatos ou minerais prismáticos) em um migmatito diatexítico (Fig. 3.6g). Assemelha-se com o migmatito Schlieren de Mehnert (1968).

(ix) Migmatito diatexítico: trata-se de migmatitos relacionados a altas taxas de fusão, estruturas pré-fusão parcial são raras ou ausentes. Entretanto os minerais placoides ou tabulares adquirem estruturas de fluxo magmático, que pode ser denominada de S0 (Fig. 3.6h).

(x) Migmatitos estruturado em veios: veios leucocráticos são conspícuos e abundantes em metatexito e diatexito (Fig. 3.6i). Assemelha-se com o migmatito flebítico de Mehnert (1968).

(xi) Migmatitos estruturado em dobra: metatexito ou diatexito que foi dobrado enquanto fundia (Fig. 3.6j). Assemelha-se com o migmatito com dobras, de Mehnert (1968).