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Classificação e Evolução das TIC em Educação

No documento DOUTORAMENTO EM CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO (páginas 103-109)

COMPUTADOR NA AULA

2. Classificação e Evolução das TIC em Educação

Quando falamos de Tecnologias da Informação e da Comunicação, tendemos a associá-las necessariamente aos artefactos modernos, mas a presença das tecnologias na educação não é recente e acompanhou a evolução científica e técnica de cada época.

Embora sem a designação por que hoje as conhecemos, as TIC começaram a fazer-se sentir nas salas de aula já nos finais do século XIX, com o aparecimento em larga escala dos quadros negros, feitos de folhas finas de ardósia preta ou cinza escuro, onde era possível escrever a giz, que complementaram o uso das lousas individuais. Eram uma forma de transmitir, na fase de instituição do ensino público a larga escala, o ensino simultâneo das primeiras lições de leitura e de escrita. Permitiam o desenho das letras do alfabeto, a aprendizagem dos números e da geometria, e a sua visualização coletiva e imediata estava de acordo com a necessidade de ensinar um número elevado de crianças ao mesmo tempo.

A lousa ou ardósia individual também fazia parte do material escolar do aluno, tendo sido praticamente o seu único instrumento de trabalho até meados do século XIX, antes da generalização do caderno escolar (também conhecido por caderno diário).

A partir de 1900, a introdução do lápis complementou o uso dos cadernos diários, permitindo um uso mais higiénico por parte dos alunos, já que o giz se desfazia com muita facilidade. Mas até esta altura, as inovações utilizadas na sala de aula não permitiam que se falasse, propriamente, em TIC. Até que, em 1905, se começou a conhecer uma novidade, produzida pela empresa norte-americana Keystone View

Company – o chamado estereoscópio. Tratava-se de uma ferramenta de visionamento de

imagens em três dimensões, utilizada como entretenimento, mas também nas escolas, para ilustrar determinados conceitos.

O primeiro projetor de filmes apareceu por volta de 1925 e levou Thomas Edison a predizer que, graças a ele, os livros acabariam por ficar obsoletos nas escolas, pois a partir daí os alunos aprenderiam pelas imagens animadas. Bom, os livros não ficaram obsoletos por isso, mas a verdade é que os projetores de filmes de pequenas dimensões tornaram-se formas muito atrativas de ensinar, ajudando à diversificação dos recursos a utilizar nas salas de aula.

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Quando pensamos na rádio, custa-nos a imaginar as suas potencialidades educativas, mas ainda antes do advento da televisão, já esta era utilizada para difundir lições através de uma estação de rádio. Em 1925, a New York City’s Board of Education tornava-se a primeira organização a fazê-lo e muitas dezenas de milhar de estudantes recebiam estas lições sem sair de casa (a primeira versão de e-learning mas, neste caso,

radio-learning).

Os retroprojetores, tal como os professores os conhecem hoje, não surgiram com propósitos educativos, mas sim para ensino de estratégia nas escolas militares norte-americanas durante a Segunda Guerra Mundial. Só mais tarde foram adotados em massa pelas escolas como tecnologia que permitia, pelo uso de transparências (acetatos), projetar sobre uma superfície plana qualquer imagem estampada na transparência usada. Esta tecnologia ampliou largamente o uso dos quadros nas salas de aula, pois permitia a visualização a todos os alunos ao mesmo tempo, a cores se fosse necessário, de determinadas imagens, desenhos ou esquemas.

Os projetores de slides foram uma adaptação um pouco mais sofisticada dos primeiros projetores, usados para projetar fotografias emolduradas (slides ou também conhecidos por diapositivos) numa tela branca ou parede. O aparelho contém uma fonte de luz que atravessa o slide e um conjunto de lentes que ampliam a fotografia de modo a projetar a sua imagem.

Embora inventada em 1888, só a partir da década de 40 do século passado é que uma inovação tecnológica se veio a tornar um importante instrumento na sala de aula e no nosso quotidiano: a esferográfica.

Aquilo que hoje é considerado um objeto banal, não foi propriamente bem recebido no meio educativo. Pais (1999) dá a conhecer, através de uma síntese muito interessante, a reação dos professores portugueses na década de 50 à introdução da esferográfica na sala de aula: “As esferográficas serão a ruína da educação do nosso país. Os alunos utilizam-nas e depois deitam-nas fora” (p. 26).

O lápis não desapareceu, mas devido à tinta permanente, a esferográfica acabou por se tornar o meio privilegiado para registar informação nos cadernos.

A partir da década de 50, e muito graças à ideia de que a aprendizagem pode ser intensificada pela dinâmica de estímulo-resposta e pela repetição (comportamentalismo), o recurso aos chamados “laboratórios de línguas”, para aprendizagem de línguas estrangeiras, generalizou o uso dos headphones ou

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auscultadores e das cassetes áudio. Deste modo, os alunos podiam aprender de modo autónomo, embora direcionado, com respeito pelo seu ritmo individual de aprendizagem. Ainda hoje esta tecnologia é utilizada, à exceção das cassetes áudio, que foram substituídas pelo advento dos computadores e dos CD-ROM multimédia.

A par do uso das cassetes áudio, surgiram em força as cassetes vídeo na mesma altura. Primeiramente conhecida no formato Betamax, o VHS (Vídeo Home System) impôs-se no final da década de 70 e constituiu uma tecnologia muito utilizada e importante nas salas de aula. Documentários, filmes e outros recursos podiam ser visualizados em contexto de aula, pelo simples recurso a um leitor de vídeo e uma cassete. A possibilidade de gravação de programas transmitidos na televisão alargava o leque de recursos disponíveis e ainda hoje a maior parte das bibliotecas escolares possui cassetes de vídeo, muito embora a tecnologia VHS já esteja obsoleta e tenha sido substituída pelo CD-ROM e pelo Blu-Ray.

A televisão, rainha das tecnologias de informação e comunicação até à generalização do uso do computador pessoal, era já utilizada no nosso país na década de 60 para o ensino à distância. A TV Escolar e Educativa arrancou através da RTP, em colaboração com o Ministério da Educação Nacional, em janeiro de 1964, e ficou conhecida como a “Telescola”. A partir daqui, em muitas salas de aula, os alunos passavam a poder contar não só com o professor presencialmente, mas também pela televisão, que permitia ampliar as aprendizagens em casa.

A partir da década de 70 começam a surgir as primeiras calculadoras da marca

Texas Instruments, mas não foram adotadas pelos professores de modo uniforme, pois

existia o receio de que minassem as bases de raciocínio matemático dos alunos. Aliás, ainda na atualidade, existem vozes críticas que as consideram prejudiciais ao cálculo. Pais (1999) apresenta um exemplo: “Os alunos dependem totalmente das calculadoras: por mais simples que seja o cálculo, o primeiro passo é ir buscar a calculadora. Professor do ensino básico, 1996” (p. 26).

Apesar dos críticos mais conservadores, os alunos não dispensam a sua calculadora, principalmente nas aulas de Matemática, Física e Química e mesmo no Ensino Básico. Claro que estas primeiras calculadoras estão já muito distantes da complexidade que encontramos nos modelos bem mais recentes, capazes de combinar estatística e funções científicas e trigonométricas, entre outras, contendo software que lhes permite integrar-se com os quadros interativos na sala de aula.

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A introdução dos computadores tardou no nosso país, muito embora já na década de 60, muitas escolas norte-americanas já os possuíssem nas salas de aula fortalecendo-se a ideia de os utilizar como meio de ensino. Mas foi a partir da década de 80 que estes se instalaram em força nas terras do Tio Sam, tendo sido contabilizada no ano de 1984 uma média de um computador para cada noventa e dois alunos (escolas públicas).

Foi a partir da década de 80 que os computadores começaram a ser encarados como fortes coadjuvantes no processo de ensino-aprendizagem. E isto deveu-se à diminuição do tamanho dos computadores, inversamente proporcional ao aumento da sua capacidade, o desenvolvimento da linguagem LOGO (linguagem de programação para uso escolar concebida por Papert) e os apoios do Estado no que diz respeito à informatização do ensino. Tudo isto aliado à elaboração de programas informáticos cada vez mais sofisticados mas simultaneamente mais acessíveis.

Sensivelmente a partir de 1985, o CD-ROM abriu caminho ao armazenamento considerável de informação: um simples CD podia conter uma enciclopédia com dezenas de volumes, o que se traduziu numa revolução em termos de espaço, despesa e facilidade de consulta. Agora, as bibliotecas escolares podiam, num reduzido espaço das suas instalações, condensar centenas ou mesmo milhares de volumes de enciclopédias, dicionários ou compêndios em apenas alguns CD-ROM.

O efeito também se fez sentir nas salas de aula: enquanto tecnologia relativamente barata e acessível, os professores podiam trazer consigo aulas de línguas, de geografia, de artes e todo o tipo de conteúdos, que eram abertos num computador e disponibilizados para os alunos.

Mais tarde, o CD-R e CD-RW, pela possibilidade de gravação, abria caminho aos alunos para apresentarem os seus trabalhos de modo mais atrativo, até interativo, substituindo o papel como suporte estático. Hoje em dia, o CD-ROM compete com as

flash drives em termos de armazenamento de informação (na ordem dos muitos Gb).

A partir de meados dos anos 90, as TIC continuaram a crescer, surgindo a tecnologia multimédia (programas que combinam diferentes meios, como som, texto, vídeo e animação) e o hipertexto (texto que permite aceder a outras fontes através de palavras ou expressões ativadas que o próprio texto contém), que evoluiu rapidamente para o hipermédia (sistema de leitura e escrita não linear num espaço virtual). Até esta altura, o multimédia era passivo, pois só permitia ao aluno iniciar e terminar uma

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sessão, enquanto agora é possível um elevado grau de interação, pois o utilizador decide qual o caminho a seguir na pesquisa que efetua.

Em meados dos anos 90, os tradicionais quadros a giz começaram a ser substituídos por quadros brancos, embora ainda não interativos, onde era possível escrever com marcadores. As vantagens da sua utilização nas salas de aula prendiam-se com a higiene, a saúde e também a visibilidade, dado que o giz largava muitos resíduos, provocava alergias frequentes e a base escura dos quadros tradicionais dificultava a visibilidade do que lá era escrito ou desenhado aos alunos situados em locais da sala mais afastados.

Mais recentemente, os quadros interativos multimédia (QIM) têm vindo a ser gradualmente instalados nas salas de aula no nosso país e são dispositivos que, ligados a um computador e a um projetor digital, permitem conceber uma outra forma de trabalhar no ensino os mais variados conteúdos. A informação e aplicações que estão no computador passam para o quadro interativo através do projetor digital, podendo ser trabalhadas e manipuladas através de uma “caneta” (ou outro dispositivo) que tem a funcionalidade de um rato, possibilitando executar as aplicações, acrescentar notas, aceder à Internet clicando nos ícones dos browsers que aparecem projetados no quadro. Tudo o que é feito pode, em seguida, ser guardado ou distribuído para os alunos através de e-mail, ou para uma página online.

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3. Tecnologias Utilizadas no Processo de Ensino-Aprendizagem: Aplicação

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