5.1 HTTP
5.1.1 Cliente (Downstream)
Para o download de tráfego HTTP por parte do cliente, encontraram-se cinco casos distintos. No primeiro caso (Figura 5.1), ocorrem alguns picos não periódicos de curta duração e grande amplitude, mas apenas no espaço de cerca de um minuto. Estes picos são causados pelos cliques dos utilizadores quando selecionam uma nova página para visualização, gerando também um número apreciável de componentes de baixa frequência. Surgem também alguns componentes de média frequência, devido à criação de sessões TCP, e componentes de alta frequência devido à chegada de pacotes.
No caso seguinte (Figura 5.2), regista-se a ocorrência de picos de grande amplitude de uma forma mais regular comparativamente à Figura 5.1, significando uma atividade mais intensa do utilizador. Verifica-se que não existem muitos componentes de média e alta frequência, o que leva a crer que esta figura pode representar um exemplo de tráfego gerado por aplicações de redes sociais. Nestas situações, os picos de tráfego normalmente são associados a atualizações de estados de outros utilizadores das redes sociais ligados online que surgem nos feeds de notícias ou também à visualização dos perfis de outros utilizadores.
No que concerne à Figura 5.3, verifica-se a existência de vários picos de tráfego pseudo periódicos, sendo grande parte deles de baixa amplitude. Este tipo de tráfego normalmente surge associado à visualização de fotografias online, em que a periodicidade dos picos de tráfego está relacionada com os cliques do utilizador quando acede a uma nova fotografia. A presença de muitos componentes de baixa frequência no escalograma advém dos repetidos cliques do utilizador. Contudo, este comportamento do tráfego também é característico do download de vídeos longos no Youtube, sendo que
cada pico pseudo periódico corresponde ao pedido do enchimento do buffer por parte do cliente. O buffer do vídeo nesta aplicação depende do seu tamanho, pois inicialmente é efetuado um carregamento considerável de dados (de modo a iniciar a transmissão do vídeo) e de seguida é enviado um fluxo de dados contínuo, preenchendo o buffer e impedindo falhas na transmissão do vídeo.
Figura 5.2 - Tráfego downstream HTTP por parte do cliente na direção B (bytes por segundo). Figura 5.1 – Tráfego downstream HTTP por parte do cliente na direção B (bytes por segundo).
A Figura 5.4 apresenta picos de tráfego pouco frequentes, não periódicos e de baixa amplitude. Os componentes de frequência visíveis no escalograma surgem no início da escala temporal, associados a um pico de tráfego de grande amplitude. A presença destes componentes desta forma indicia que o utilizador ao efetuar browsing solicitou a abertura de sessões TCP, o que originou consequentemente a chegada de pacotes, como resposta ao seu pedido.
Finalmente, a Figura 5.5 representa tráfego normalmente associado à partilha de ficheiros (utilizando neste caso o porto 80) ou ao download de ficheiros de grande
Figura 5.3 - Tráfego downstream HTTP por parte do cliente na direção B (bytes por segundo).
tamanho: tráfego de grande largura de banda com pouco tempo a mediar a chegada de cada pacote (inter-arrival time baixo), devido ao download contínuo do conteúdo. Existem alguns picos de tráfego quando a largura de banda é maximizada para o download do conteúdo pretendido e muitos componentes de alta frequência, devido à constante chegada de pacotes. Regista-se a pouca presença de componentes de baixa frequência, pois os cliques de utilizador não são relevantes durante a transferência deste tipo de conteúdos.
Analisando a Figura 5.6 cada região demarcada caracteriza um certo segmento de frequências contendo eventos com uma gama de variação de energia bastante específica. Cada uma destas regiões está associada a determinados eventos gerados por atividade humana ou pela rede. A região A, por exemplo, engloba eventos de baixa frequência com uma variação de energia moderada. Estes eventos são normalmente gerados por cliques de utilizadores ao tentarem aceder a novas páginas em sites de notícias online, browsing de fotografias em sites de partilha de fotografias e as interações que ocorrem em aplicações de redes sociais (Fluxos 2,3,11,14 e 16). A região B, por sua vez, abrange apenas eventos de baixa frequência com uma variação de energia pequena, como são exemplo os sites de visualização de vídeo online. A região C contém dois fluxos (8 e 11) e abrange eventos de média frequência com elevada variação de energia, devido à criação em grande número de sessões TCP e HTTP. Significa então que estes dois fluxos estão associados a uma atividade de browsing intensa por parte dos utilizadores em causa. A região D envolve eventos de média frequência com variação de energia menor comparativamente à região C e contém uma percentagem maioritária dos fluxos considerados neste cenário. Já a região E, apesar de também se situar no segmento das médias frequências, compreende eventos com uma variação de energia muito reduzida, ou seja, existem poucas interações ao nível de sessões TCP e HTTP, o que é normalmente característico das aplicações de redes sociais (Fluxos 10 e 14).
Relativamente ao segmento das altas frequências, é possível delimitar duas regiões. A região F engloba eventos com variação de energia pequena a moderada.
Portanto, os fluxos contidos nesta região apresentam componentes de alta frequência em quantidade moderada, o que normalmente está associado à chegada de pacotes num volume razoável. Por outro lado, a região G apresenta componentes de alta frequência com variação de energia extremamente reduzida, o que permite deduzir que os dois fluxos (fluxos 10 e 14) são gerados por aplicações responsáveis por tráfego reduzido de pacotes. Estas aplicações poderão ser possivelmente sites de partilha de fotos (não são precisos muitos pacotes para descarregar uma foto) ou clientes de email (nos casos em que os emails têm um tamanho pequeno).