2 FONTES TEÓRICAS
2.2 CLUSTER, APL E REDES
2.2.1 Cluster
A palavra cluster significa um agrupamento de objetos similares, sendo também tratada na literatura de língua portuguesa como “aglomerado” (ZACARELLI, 2000). Aplicada na disciplina de Administração por Michael Porter (1999), foi definida como a concentração geográfica de empresas interrelacionadas, fornecedores especializados, prestadores de serviços, empresas em setores correlatos e outras instituições específicas que competem, mas também cooperam entre si, cujo escopo geográfico varia de uma única cidade ou estado para todo um país ou mesmo uma rede de países vizinhos.
Os aglomerados assumem diversas formas, dependendo de sua profundidade e sofisticação, mas a maioria inclui empresas de produtos ou serviços finais, fornecedores de insumos especializados, componentes, equipamentos e serviços, instituições financeiras, universidades, centros de altos estudos e prestadores de serviços de treinamento vocacional, dedicadas ao treinamento especializado, educação, informação, pesquisa e suporte técnico, instituições governamentais, além de agências de normatização (PORTER, 1999).
Silva (2009) em seu artigo a respeito de aglomerados no turismo, alerta-nos sobre a dificuldade de identificá-los com clareza, bem como definir formas para
mensurá-los ou compará-los. O conceito frequentemente é tido como análogo ao de arranjo produtivo e distrito industrial que tem como tônica a concentração geográfica e sua eficiência em nível local (municipal e/ou distrital). Assim, genericamente, todos os tipos de concentrações geográficas de conjuntos produtivos (empresas, indústrias, cadeias produtivas, setores ou atividades econômicas, núcleos que agreguem conhecimento, capital físico, capital humano ou capital social) podem ser considerados agrupamentos ou clusters e apresentar diferente denominação conforme seu enfoque ou características.
Porter (1999, p. 210) afirma que, embora o conceito de aglomerados (clusters) tenha sido “[...] explorado através de vasta literatura, é impossível entendê-los fora do contexto de uma teoria mais ampla da competição e da influência da localização na economia global”. Em vários países, a necessidade de ajustamento à competição local tem levado as autoridades nacionais e regionais a promover políticas públicas que favoreçam os processos de “clusterização”, estimulando a formação de aglomerados (SILVA, 2009, p. 80). No entanto, Zacarelli (2000, p. 198) observa que, dentro de certas condições, as empresas concentradas numa mesma área geográfica apresentam naturalmente um comportamento como um sistema, com extraordinários efeitos sobre a competitividade delas, ou seja, participam de um cluster mesmo não tendo a consciência de sua existência, pois, para o pesquisador, não se trata de uma organização formalizada.
Porter (1999, p. 210-211) considera que os clusters geram novos papéis para os governos, indicando que suas influências mais decisivas ocorrem no nível microeconômico. Nesse sentido, revela que “embora compreendidas com crescente nitidez, as políticas macroeconômicas são condições necessárias, mas não suficientes para fomentar a competitividade”, julgando importante a remoção de obstáculos ao crescimento e a melhoria dos aglomerados, tanto existentes como emergentes.
O cluster tem se mostrado como uma forma de sucesso na articulação, integração e interação de modelos de gestão de destinações turísticas, envolvendo a promoção, a comercialização, o desenvolvimento e a cooperação entre os agentes econômicos, culturais, políticos e sociais dessas localidades. Por isso a necessidade de um plano estratégico de turismo possibilitar a criação de uma estrutura de gestão, em que a participação de segmentos empresariais e organizações sociais permita
atingir compromissos permanentes entre a iniciativa privada e o setor público. Essa estrutura de gestão compartilhada deve se munir de instrumentos que conduzam a uma participação mútua com relação a custos, a definição de programas e produtos de promoção turística que superem os modos tradicionais (BENI, 2004, p. 15).
Devido ao seu caráter transversal, o turismo pode ser considerado como uma atividade de empresas que devem trabalhar e se comunicar “em rede”, uma vez que nenhuma empresa ou setor satisfaz a totalidade das necessidades do turista (SILVA, 2009, p.91). Assim, as redes que se fundamentam na competitividade (incluindo as de prestação de serviços) podem ser analisadas pelo conceito de cluster, lembrando neste caso, que existe a concentração de empresas em um mesmo território operando em linhas de negócios iguais, similares ou complementares9 (SECALL, 2003).
Na teoria de rede colaborativa, a (cri)ação compartilhada pode significar a geração de um valor universal para as organizações partícipes. Na visão de Porter (1999, p.239), os vínculos sociais mantêm a coesão dos clusters, contribuindo para o processo de criação de valor e vantagem competitiva, que depende em grande parte do “livre fluxo de informações, da descoberta de intercâmbios e transações agregadoras de valor, da disposição em alinhar agendas e atuar além das fronteiras empresariais, e da forte motivação para os aprimoramentos”, assim como ocorre nas redes colaborativas. Os relacionamentos, as redes existentes nas empresas e nas comunidades eficazes e o senso de interesse comum seriam assim “os pilares de sustentação dessas circunstâncias”, cuja importância tem sido apontada, com frequência, pela literatura econômica e organizacional. O autor acrescenta que a análise da estrutura das redes revelou que o relacionamento social entre os indivíduos (seu capital social) facilita em muito o acesso a importantes recursos e informações. Ainda, defende que a teoria dos clusters atua como uma ponte, um meio que amplia a noção de capital social (e o aproxima da teoria de redes) ao explorar os mecanismos através dos quais a estrutura das redes de relacionamentos (existente em uma localidade geográfica) produz benefícios para determinada empresa. Ao mesmo tempo, ele afirma que um cluster é uma forma de rede “que se desenvolve dentro de uma localidade geográfica, na qual a proximidade das
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Y entiendo que un agrupamiento, cluster o sistema productivo local, - denominaciones todas ellas referentes al mismo fenómeno- es una concentración de empresas en un mismo territorio que operan en líneas de negocio iguales, similares o complementarias (SECALL, 2003, p.4).
empresas e instituições assegura certas formas de afinidades e aumenta a frequência e o impacto das interações” (PORTER, 1999, p.240).
As interações sistemáticas e o senso de dependência mútua dentro de uma região podem gerar benefícios como a confiança e permeabilidade organizacional, lubrificando as interações dentro do aglomerado, que aumentam a produtividade e estimulam a inovação. No entanto, observa que esse processo pode demandar uma década ou mais para se desenvolver com profundidade e conquistar a efetiva vantagem competitiva, razão pela qual o autor indica as frequentes falhas nas tentativas de criação de aglomerados pelo governo (PORTER, 1999, p. 255).
Importa ressaltar que os clusters são formados apenas quando os aspectos setorial e geográfico estão concentrados. Neles encontra-se um “amplo escopo para a divisão de tarefas entre empresas, bem como para a especialização e para a inovação, elementos essenciais para a competição além de mercados locais” (OLAVE; AMATO NETO, 2001, p. 297). Os clusters permitem “explorar os mecanismos pelos quais a redes as redes, o capital social e o envolvimento cívico afetam a competição e os resultados da atuação do mercado” (PORTER, 1999, p. 240).