mais uma vez, a hipótese de que os "patterns" da
linguagem corporal estão presentes na criança, na
linha do inatismo darwinista;
b) a associação entre movimentos da mão e certas exprès^
soes faciais aparecem ligadas a formas de vocaliza
(1) Cf.TREVARTHEN,C.,descriptive Analyses of Infant Communicative behavior"in
Schaffer, 1977, pp. 227-270
(2) ia.,ib., p. 329
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çau e à prê-faLa. Exs: punho aberto e movimentos
da boca aberta; apontar com o dedo e formação do um novo fo^o d<^ atenção visual, etc.;
Vooal-ização visual. (1) Esta evolui, reflectindo um
aumento de interesse visual, â medida que a criança
selecciona progressivamente os objectos do seu inte resse. Esta possibilidade de selecção é particular- mente importante na interacção pessoal, dada a per- sistência da focalização para olhos,boca,e mãos dos outros, neste caso da pessoa que com ela participa na experiência. Seguindo a perspectiva gestáltica, esta solução significa que o olhar está previamente adaptado para responder a estímulos específicos. "O lhos nos olhos" é já para Wollf (2) uma medida que
a mãe utiliza para avaliar a comunicação com o filho. Para Trevarthen (3),o olhar,o sorriso e a pré-fala, entre as 6 - o semanas são um modelo de intencional
comunicação. A prova disso é que as cegueiras não são imediatamente detectadas. Considerando que as crianças se adaptam ãs expressões da mãe,Trevarthen
pressupõe que Piaget subestimou a imitação. Maratos
(4), terá mostrado que antes do mês a criança imita sons e duração de sons, embora sem rotação da cabe- ça, balbuceio, ou mudança de posição do corpo.Os tra balhos de Meltzoft e Moore considera particularmente importante na imitação descriminar os gestos manuais (1) Id, ib, p. 330
(2) P.H., "Observations on the Early Development of Smiling", in Foss, 1963, pp 113-138
(3) Cf. MARATOS, 0., The Origin and Development of Imitation in the First Six
Months of Life ~~ ~" " " " Tese de doutoramento apresentada ã Universidade de Gene-
bra em 1973
(4) Cf. MELTZOFT, A .N. ; MOORE, M.H., Imitation of Facial and Manual Gestures by Human Neonates ^Science ,B*198, pp. 75-78, 1977
152
a protosão de lingua e a movimentação do maxilar. Para Trevarthen, a imitação depende de uma espécie de ajustamento entre a imagem do movimento a imitar e a imagem desse movimento já visto, ajustamente esse que se passa no cérebro, como se houvesse uma repre sentação cerebral das pessoas a imitar.Segundo ele, hã nos primeiros meses uma espécie de imitação magné tica, que supomos corresponder ao que Piaget chama de contágio ou ecopraxia, e imitação descricionária depois dos 4 ou 5 meses; de qualquer modo na crian ça de poucos meses a imitação não corresponde ã in tegração no sentido da incorporação de experiências diferentes ou novas, que se passa é uma espécie de integração de elementos existentes,remodelador numa perspectiva gestáltica; este tipo de imitação é uti lizado como forma de comunicação pois a criança ao
■■-.„, imitar como que dá expressão ao que é sugerida pelo
meiomãe. Na imitação tem que existir uma correlação estreita com a percepção;as crianças "percepcionam" na mãe, aos 3 meses, sorrisos de chamamento, franzir de sobrancelhas, etc. As várias nuances deste tipo de interrelação tem sido postas em relevo por autores que salientam o carácter cíclico desta interacção (1), Verificase ainda que com crianças de 3 ou 4 semanas se observa a orientação para as faces, a fixação do olhar nos olhos e na boca e a expressão facial revê lando interesse exprimindose, por exemplo, por o lhos arregalados e boca aberta. As experiências rea lizadas por Trevarthen mostram que nesta interacção a criança destaca aspectos que interessam mais, por exemplo os olhos em toda a face humana são preferi dos; As crianças preferem o vermelho (pormenor que Trevarthen explica por ser avermelhado pela pele de todos os humanos e as crianças descriminam melhor a
(ÍK^TREVARTHEN, C.."Comunication and Cooperation in Early Infancy ; A Descrip tion of Primary Intersubjectivity", art, cit.
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cor devido a uma categorização inata dos comprimen- tos de onda das cores primárias) (1).
7 - Sensibilização as vozes humanas. Também em relação
a tonalidades de voz a criança demonstra as suas pre ferências segundo os trabalhos realizados por Ensei berg (2): nas primeiras semanas os sons de voz huma nas eram preferidos pelas crianças relativamente a sons não humanos, e a voz feminina ã masculina. Ou- tros autores referem que, com alguns meses, a crian ça distinguirá a voz da mãe, distinguindo-a não só de qualquer outra voz, e mesmo na voz da mãe destin guindo algumas tonalidades.
8 - Reacção aos movimentos periódicos. Os recém nasci- dos reagem a todo o movimento periódico o que lhes facilita a percepção das pessoas, na medida em que todo o movimento humano é periódico. Al- guns observadores salientam que é o ritmo do adul to que regula a cadência dos movimentos dos recém - -nascidos. Para Trevarthen o ritmo dos movimentos do recém-nascido regulado na pré natalidade prepara a reacção ao ritmo do movimento do adulto. O estudo desta interrelação tão fina e como que programada le va a criança de 2 meses a detectar "sinais" que re- cebeu e a controlar a actividade de modo a reagir a esses sinais. Se os "sinais" que a criança detecta são ressentidos como de agressividade, são nítidos nas crianças de 2 meses respostas de expressão facial
(l)cf.TREVARTHEN, C. , " Intersubjectivity and Imitation In Infants"inProceedings of the British Psychological Society Annual Convention, Bangor, 1974, p. 33
(2)«ENSEIBERG, R.B.-, Auditory Competence in Early Life: The Roots of Commu- nicative Behavior. Baltimore: University Park Press, --..-. 1975.
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específicas tais como brusquidão de movimento, reçu sa de olhar, choro,etc. São citados por Trevarthen os dados fornecidos por Brazelton (ljPapousekePapou sek (2) , que confimam esta observação. Assim, em pleno período indiferenciação, referido como tal por Piaget e por Spitz,a criança reage fortemente a acções não amigáveis por parte de uma pessoa com que comunica estreitamente através de espressões faciais ou actos que exprimem agressividade ou recusa não sem procu- rar com este tipo de respostas recuperar a comunica ção que por qualquer motivo é ressentida pela crian ça como que posta em perigo.
Como na vinculação, a recuperação para comunicar com a mãe é da iniciativa da criança, como se pode observar pelos seus gestos expressões significati- vas de recuperação. Daqui se infere,não só haver ín tima ligação entre estados emocionais subjectivos e intercomunicação, como ainda a criança estar de fac to equipada para perceber e interpretar o "input"da personalidade da mãe;
9 - Adaptação das expressões da mãe à criança. Entretan to, também as expressões da mãe são adaptadas ao in teresse da criança.
Traverthen vai fazer esta observação a partir do con tacto com mães na maior parte com estudos secundá-
(lKf.BRAZELTON, T.B.; TRONICK, E.; ADAMSON. L. , ALS, H. e WISE, S., "EarlyMo ther-Infant Reciprocity',' in Ciba, 1975, pp. 137-154 (2)(t.PAP0USEK, H. e PAPOUSEK, M., "Cognitive Aspects of Preverbal Social In-
teraction Between Human Infants and Adults',' in Ciba, 1975 pp. 241-269
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rios, dominando bem a linguagem falada.
Todas as mães que Trevarthen refere exprimem grande variação de expressões tais como a surpresa, ansie- dade, etc.. No entanto, podem detectar-se regras co muns, tais como:
a) movimentos regulares e suaves quando falam com a criança observando-a espectativamente;
b) tendência a tornar-se activa, fazendo movimentos de cabeça e de tronco rítmicos, exagerados, uti- lizando palavras sem sentido para o adulto. Mas que resultam como se fossem modelos repetitivos e melódicos. A "conversa com a criança"(baby talk) é ritmada e emocionalmente regulada (1) .
Este diálogo pode ser usado, tal como os jogos vo cais da mãe para assinalar os actos da criança co- mo prova dos progressos da sua inteligência comu nicativa, ou para uma abordagem diferencial dos pares mãe-criança. A comunicação verbal mãe crian ça depende também da personalidade das mães assim, a "baby talk" varia muito com as mães e tem cor- relação estreita com a classe social.
Nem sempre se verifica na situação de interrela- ção mãe criança sensibilidade suficiente de ambas as partes ãs expressões mútuas; por exemplo, quan do a mãe com pouca experiência no seu contacto com crianças não consegue seguir ou aperceber-se do significado das expressões da criança quer me ramente expressionais, quer sejam gestuais ou vo calizadas.
Não hã no entanto dúvidas de que as mães respon- dem ãs solicitações expressas pela criança,e adap
(1) Cf. TREVARTHEN,C., "Communication and Cooperation in Early Infancy; A Description of Primary Intersubjectivity", art.cit. p. 336
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ta de certo modo o seu comportamento ao comporta- mento da criança. São exemplos disto o facto da mãe imitar a criança em expressões comportamentais como se estas constituíssem uma espécie de comporta mentos imitativos em espelho ou em eco; são identi cas às da criança as reacções exclamativas de sa- tisfação ou surpresa para responder aos gestos e â espécie de fala que a criança utiliza.Estas reac ções implicam um período de atenção espectante do comportamento da criança;quando não hã resposta da mãe ao comportamento deste, como por exemplo, como a contece ao sorriso da criança cega,tais condutas, tendem a diminuir de frequência, pelo que se con- sidera fundamental para o crescimento psicológico da criança a adaptação da expressão da mãe às con dutas da criança,pois estímulds os comportamentos que se repetem e exercitam com sequência; o aumenta de actividades é observável tanto através de com- portamentos gestuais como nas expressões linguís- ticas, e dela resulta uma cooperação cada vez mais elaborada, (1)
Desta adaptação da mãe deduze-se ©. que ela pensa e sente acerca da criança, e a própria mãe por sua vez refere o que a criança "diz" ou "pensa". Nes;- te estádio, a atltude-mensagem da mãe influencia a criança já dotada de um aparelho perceptivo ade- quado; a criança "assimila" a conversa, na medida em que possui um terreno permeável ou subjectivi- dade, integrando nos seus próprios "patterns" de expressão comunicativa o que consegue detectar(2). Do que acabamos de referir parece estarmos peran- te situações de comunicação recíproca.Nela distin guímos :
j f * J> d
(1) Cf. I d . , i b . , pp. 338-339 (2) Cf. I d . , l b . , pp.3339-340
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. O sincronismo da actividade presente na comunica- ção.
. 0 carácter recíproco complementar dessa activida- de.
As experiências de Trevarthen permitem assim preci- sar:
19 - que a capacidade relacional precoce da criança, é um facto observável-
29 - quanto essa capacidade ë significativa devinculação (a criança solicita o ser com quem faz par em situa ção de interrelação, quando não se sente correspon- dido)-
39 - que o par da criança, neste caso,a mãe,funciona co- mo suporte base desde as 2 primeiras semanas e mes- mo antes, de toda comunicação futura exprimindo-se em termos de emotividade, aprendizagem e predição(1)
(1) Parte das experiências de C. Trevarthen neste domínio, foram referidas em 1978 no "Medical Psychology UnitI!, e distribuídas em policopiados