6 Competências de trabalho, prevendo cenários de inteligência coletiva, atuação em rede e habilidades sócio-emocionais.
Segundo os autores, estas competências são necessárias para a sobrevivência dos jornalistas em contextos digitais. “São de sobrevivência porque o fenômeno da migração digital claramente indica que esta é uma tendência definitiva, num caminho sem volta”37 (Castellón e Jaramillo, 2009: 51, tradução nossa).
Considerações finais
Após este exercício exploratório do conceito de literacias, notam-se aproximações e tensoes interessantes e importantes desta abordagem para o campo do Comunicação, evidenciada a utilidade do conceito para estudar as competências e habilidades necessárias para o Jornalista atuar frente às mudanças ocorridas no bojo do paradigma digital. Fica evidente, inclusive, que este é um tema que já é debatido, de alguma forma, no campo da Comunicação, com atenção para a formação dos estudantes e a presença deste tema em propostas de planos de estudos.
As literacias digitais, assim, se mostram como uma categoria de análise para compreensao do que se vislumbra como necessário para atuar nos entornos do Jornalismo mediado pelas tecnologias digitais. Além disso, quando compreende-se o Ciberjornalismo interdependente do próprio paradigma que o define, pressupoe-se que há ai uma intersecção que precisa ser melhor compreendida.
Ademais, esta metáfora da intersecção se mostra pertinente para compreender as habilidades e competências dos jornalistas e a própria definiçao de Ciberjornalismo, compreendendo um profissional autônomo e criativo em relação às tecnologias digitais. Assim, as literacias emergentes de atores em rede permitem não apenas vislumbrar o que é necessário para atuar no Ciberespaço, como deixam evidente os riscos que a falta destas competências e habilidades traz para a boa prática do Ciberjornalismo e do Jornalismo de maneira geral.
Com pode verificar-se, não se trata de compreender a utilização de ferramentas tecnológicas em seus meios e processos produtivos (o que já vem sendo feito em alguma medida a partir de pesquisas disponíveis), mas de compreender a interação, aprendizagem e apropriação tecnológica. Assim, reconhecem-se o jornalista para
37 Son de sobrevivencia porque el fenómeno de la migración digital claramente indica que ésta es una tendencia definitiva y sin marcha atrás.
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além de um tipo de “usuário” competente ou incompetente digital, mas como interagente num “processo de apropriação consciente do ciberespaço, numa postura de aprendizado dinâmico, colaborativo e constante” (Botelho-Francisco, 2017). Por fim, ressalta-se a importância e urgência do tema, que requer atenção e investigações mais profundas. Neste sentido, como trabalhos futuros, vislumbra-se a necessidade de um estado da arte em relação às Literacias Digitais no campo do Jornalismo; pesquisa sobre Literacias digitais de estudantes de Jornalismo no Brasil, bem como em contextos de blocos regionais como Mercosul e Europa; pesquisa sobre Literacias digitais de jornalistas profissionais, igualmente em contextos locais e internacionais; ações de divulgação sobre o tema junto às escolas de Jornalismo; e atividades de sensibilização voltadas para estudantes e profissionais. Enfim, trata-se de um campo em aberto e a ser explorado.Referências:
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