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Ementa: Apelação. Indenização. Seguro. Embriaguez.

Ausência de prova. Perda total. Veículo reserva. Lucros cessantes. Danos morais.

- A exclusão de cobertura que tem como causa o agra-vamento de risco depende da prova da embriaguez do condutor do veículo e de que esta foi causa determinante do acidente. Inexistente prova nesse sentido, é devido o pagamento de indenização securitária.

- Alcançando o valor dos reparos do veículo sinistrado 75% da importância segurada determinada na apólice, está configurada a perda total do veículo.

- Contratado o serviço de veículo reserva, este deve ser pago pela seguradora nos termos contratados.

- Diante da ausência de provas que demonstrem os lucros cessantes, inviável a sua concessão.

- O mero descumprimento de obrigações contratuais não enseja indenização por dano moral.

- V.v.: - Apelação cível. Ação de cobrança. Seguro de automóvel. Acidente de trânsito. Negativa de pagamento da indenização em razão da embriaguez. Constatação.

Causa determinante do acidente. Dever de indenizar.

Afastamento. Manutenção. Comprovado que o condutor do veículo segurado estava em estado de embriaguez e que isso foi determinante para o sinistro ocorrido, não pode a seguradora ser compelida a efetuar o pagamento da indenização estabelecida na apólice, em razão da expressa previsão de exclusão da indenização.

APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0024.11.171303-8/001 - Comarca de Belo Horizonte - Apelante: Conceição Aparecida Amorim - Apelado: Bradesco Auto/RE Companhia de Seguros S.A. - Relator: DES. JOSÉ ARTHUR FILHO

Acórdão

Vistos etc., acorda, em Turma, a 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO, VENCIDO O REVISOR.

Belo Horizonte, 19 de maio de 2015. - José Arthur Filho - Relator.

Notas taquigráficas

DES. JOSÉ ARTHUR FILHO - Após ouvir atenta-mente a sustentação oral do ilustre advogado Dr. André Luiz Lima Soares, passo a proferir meu voto.

para verificar o estado alcoólico do condutor, como exame clínico, prova de vídeo ou testemunhal, ao contrário da redação original do art. 277.

No caso dos autos, deve ser aplicado o disposi-tivo legal antes de sua alteração, em razão da data do acidente, sendo a prova técnica, à luz daquela norma, imprescindível para a caracterização do estado de embriaguez do condutor, o que não ocorreu.

Não há, nos autos, provas contundentes acerca da embriaguez do condutor do veículo, filho da apelante.

Isso porque, no dia dos fatos, não foi realizado um exame capaz de atestar as alegações dos militares de que o condutor do veículo sinistrado dirigia sob a influência de álcool.

Deve ser observado que não houve recusa do filho da apelante em realizar os testes e, embora conste do prontuário médico de atendimento hospitalar que foi soli-citado o exame de sangue “hemograma e coagulograma”

(f. 217), não veio aos autos qualquer resultado de exame que certificasse o estado de embriaguez do condutor no momento do acidente.

Destaco e reitero que não há prova de que o condutor se recusou a se submeter a qualquer outro exame clínico nem foi feita perícia técnica para esclarecer a causa determinante do acidente em questão.

Nos termos do art. 333, II, do CPC, cabia à parte apelada, a meu sentir, fazer prova de que a suposta embria-guez, no caso, foi a causa determinante do acidente.

A propósito:

Apelação cível. Ação de cobrança. Seguro. Acidente de trân-sito. Alegação de existência de cláusula contratual expressa de exclusão de cobertura. Embriaguez do condutor. Ausência de prova conclusiva. Indenização devida. Danos inferiores a 75% da importância segurada. Não caracterização de perda total. Indenização parcial. Lucros cessantes. Ausência de provas. Impossibilidade. - A exclusão de cobertura que tem como causa o agravamento de risco depende de a segura-dora comprovar a embriaguez do condutor do veículo e que esta foi causa determinante do acidente, inexistindo prova nesse sentido, sendo que a responsabilidade da segura-dora demandada é evidente dentro dos limites da apólice.

- Não alcançando o valor dos reparos 75% da importância segurada, determinada na apólice, não está configurada a perda total do veículo, havendo, ao contrário, danos mate-riais parciais, que devem ser indenizados no valor dos gastos despendidos na reparação do veículo. Diante da ausência de provas que demonstrem os lucros cessantes, inviável a sua concessão (TJMG, 17ª Câmara Cível, Apelação Cível nº 1.0074.12.003076-7/001, Rel. Des. Luciano Pinto, DJe de 19.12.2014).

Nesse contexto, tendo a seguradora embasado sua negativa de cobertura na cláusula que prevê a exclusão da indenização no caso de o veículo ser conduzido por pessoa embriagada, competia-lhe, por óbvio, comprovar a embriaguez e que o acidente se deu em virtude desse estado etílico, o que não ocorreu.

pela Av. Antônio Carlos, sentido centro/bairro, sendo que, próximo ao nº 2.646, foi fechado por um veículo (caracteres não anotados), vindo a perder o controle da direção e se chocando em um muro do estabelecimento comercial (Bate-rias Real, Av. Antônio Carlos, 2.646, loja A). O condutor e os passageiros foram socorridos e levados para o Hospital João XXIII pela UR (563 SGT Valdemi): ficha 032 (Fernando) - fratura exposta no joelho direito e um corte na boca; ficha 033 (Lucas) - TCE grave e escoriações pelo corpo; ficha 037 (Rafael) - corte contuso no braço esquerdo. O condutor apresentava sintomas (descritos na folha 01) de haver inge-rido bebida alcoólica, o que foi lavrado no AIT correspon-dente que segue em anexo juntamente com a CNH (recolhida como medida administrativa). Após os levantamentos peri-ciais, o veículo foi liberado para o Sr. Marcos Paulo de Assis Oliveira (CNH - 01400250046, Cat B). O condutor não foi conduzido a vossa presença por permanecer em observação médica no HPS - ocorrência para futuros fins (f.28).

A folha 01 mencionada no histórico da ocorrência noticia: “Sinais de embriaguez: Sim/andar cambaleante, fala desconexa, hálito etílico, olhos vermelhos” (f.25).

A legislação aplicável à espécie à época do acidente, ocorrido em 17.04.2010, prevista no Código de Trânsito Brasileiro, dispunha:

Art. 277. Todo condutor de veículo automotor, envolvido em acidente de trânsito ou que for alvo de fiscalização de trân-sito, sob suspeita de dirigir sob a influência de álcool será submetido a testes de alcoolemia, exames clínicos, perícia ou outro exame que, por meios técnicos ou científicos, em aparelhos homologados pelo Contran, permitam certificar seu estado (redação dada pela Lei 11.275, de 07.02.2006).

§ 1º Medida correspondente aplica-se no caso de suspeita de uso de substância entorpecente, tóxica ou de efeitos análogos.

§ 2º No caso de recusa do condutor à realização dos testes, exames e da perícia previstos no caput deste artigo, a infração poderá ser caracterizada mediante a obtenção de outras provas em direito admitidas pelo agente de trânsito acerca dos notórios sinais de embriaguez, excitação ou torpor, resul-tantes do consumo de álcool ou entorpecentes, apresentados pelo condutor (destaques nossos.).

Em 20.12.2012, entrou em vigor a Lei nº 12.760, mais gravosa e rígida, que alterou o texto legal. Veja-se:

Art. 277. O condutor de veículo automotor envolvido em acidente de trânsito ou que for alvo de fiscalização de trân-sito poderá ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que, por meios técnicos ou cientí-ficos, na forma disciplinada pelo Contran, permita certificar influência de álcool ou outra substância psicoativa que deter-mine dependência.

§ 1º (Revogado)

§ 2º A infração prevista no art. 165 também poderá ser caracterizada mediante imagem, vídeo, constatação de sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran, alteração da capacidade psicomotora ou produção de quaisquer outras provas em direito admitidas.

Importante ressaltar que a Lei 12.760/12, atual-mente em vigor, admite qualquer meio probatório lícito

TJMG - Jurisprudência Cível indenização por danos morais, conforme entendimento

do STJ. Veja-se:

Agravo regimental. Ação de cobrança. Descumprimento de contrato de seguro. Indenização por danos materiais e morais. Omissão do acórdão recorrido. Inexistência. Lucros cessantes. Reexame de prova. Descabimento. Mero descum-primento contratual. Dano moral. Afastamento. Redução dos honorários advocatícios. Descabimento. I - Consoante dispõe o artigo 535 do CPC, destinam-se os embargos de decla-ração a expungir do julgado eventual omissão, obscuridade ou contradição, não se caracterizando via própria ao rejul-gamento da causa. II - Analisando os elementos fáticos da causa, concluiu o Tribunal de origem não terem sido compro-vados os lucros cessantes, não podendo a questão ser revista em âmbito de especial, a teor da Súmula 7 deste Tribunal. III - Como regra, o descumprimento de contrato, pura e simples, não enseja reparação a título de dano moral. IV - Na linha da jurisprudência deste Tribunal, a revisão do valor dos hono-rários advocatícios só é possível quando este se mostrar ínfimo ou exorbitante, o que não se verifica no presente caso.

Agravo regimental improvido (AgRg no Ag 1271295/RJ, Rel.

Min. Sidnei Beneti, Terceira Turma, j. em 16.03.2010, DJe de 29.03.2010).

Com tais considerações, dou parcial provimento ao recurso de apelação da parte autora para julgar parcial-mente procedente o pedido e determinar o pagamento da indenização securitária calculada em 107% (cento e sete por cento) sobre o valor da tabela de referência de cotação, ou seja, Tabela Fipe (Código 001239-4 - f. 32-v.) referente a abril de 2010, a ser acrescida dos juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, a partir da citação, e atualizada monetariamente de acordo com a Tabela da Corregedoria de Justiça do Estado de Minas Gerais, a partir da data do sinistro até o efetivo pagamento.

Condeno ainda a parte ré ao pagamento do serviço contratado - Auto Reserva 7 Dias (f. 32-v. e 44-v.) - que prevê a garantia do valor do aluguel de um veículo de passeio, de modelo popular, básico, por 7 (sete) dias, a partir da data do aviso do sinistro pela apelante, cujo valor deverá ser apurado em liquidação por arbitramento.

Em face da procedência parcial do pedido, condeno as partes, reciprocamente, ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios na proporção de 80% (oitenta por cento) para a parte ré e 20% (vinte por cento) para a parte autora, bem como honorários advo-catícios no valor de 20% (vinte por cento) da condenação, a serem pagos na mesma proporção, suspensa a exigi-bilidade em relação à autora, que está litigando sob o pálio da assistência judiciária, ressalvado o que dispõe o art. 12 da Lei 1.060/50.

É como voto.

DES. PEDRO BERNARDES - Conforme já sinte-tizado pelo em. Des. Relator (f. 290), trata-se de ação de cobrança c/c indenização ajuizada por Conceição Aparecida Amorim em face de Bradesco Auto/RE Compa-nhia de Seguros S.A., na qual o MM. Juiz a quo proferiu Quanto ao valor da indenização securitária, vejo

que, nas condições gerais do contrato de seguro, a inde-nização integral é definida:

Entende-se por indenização integral, a indenização devida quando os prejuízos causados ao veículo, resultantes de um mesmo evento de sinistro, atinjam ou ultrapassem 75% do limite máximo de indenização (f. 33-v.).

Pelo orçamento realizado pela própria seguradora, foi constatado que a soma supera os 75% (setenta e cinco por cento) do valor contratado (f. 114), motivo pelo qual é devida a indenização integral, ou seja, 107% (cento e sete por cento) sobre o valor de mercado referenciado (f. 32-v.) que é definido:

Quantia variável, garantida ao segurado, em caso de sinistro em que for devida a indenização integral do veículo, expressa em moeda corrente nacional, determinada de acordo com a tabela de referência de cotação para o veículo, previamente fixada na proposta do seguro, conjugado com fator de ajuste, em percentual a ser aplicado sobre a tabela estabelecida para utilização no cálculo do valor de indenização, na data da liquidação do sinistro (f. 34-v.).

Assim, de acordo com o que foi pactuado entre as partes, o valor da indenização será calculado em 107% (cento e sete por cento) sobre o valor da tabela de referência de cotação, ou seja, Tabela Fipe (Código 001239-4 - f. 32-v.) referente a abril de 2010, a ser acrescida dos juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, a partir da citação, e atualizada monetariamente de acordo com a Tabela da Corregedoria de Justiça do Estado de Minas Gerais, a partir da data do sinistro até o efetivo pagamento.

A apelante contratou ainda o serviço denomi-nado Auto Reserva 7 Dias (f. 32-v. e 44-v.), que prevê a garantia do valor do aluguel de um veículo de passeio, de modelo popular, básico, por 7 (sete) dias, a partir da data do aviso do sinistro pela apelante, diante do que foi contratado entre as partes:

O direito à utilização da cláusula cessará na data da libe-ração do pagamento da indenização ou na data da entrega do veículo segurado, devidamente reparado; ou ainda, quando esgotado o número de diárias contratadas, o que ocorrer primeiro (f. 44-v.).

Quanto aos lucros cessantes, não há nos autos provas cabais que autorizem o acolhimento do pedido.

O que se tem, resume-se apenas na alegação da própria apelante.

Nesse contexto, inviável a concessão de lucros cessantes, mesmo porque a apelante se qualifica como cabeleireira e o veículo não é indispensável para a reali-zação de suas funções laborais.

O pedido de indenização por danos morais também não merece respaldo do Judiciário. Isso porque o mero descumprimento de obrigações contratuais não enseja

Valdemi): Ficha 032 (Fernando) - fratura exposta no joelho direito e um corte na boca; ficha 033 (Lucas) - TCE grave e escoriações pelo corpo; ficha 037 (Rafael) - corte contuso no braço esquerdo. O condutor apresentava sintomas (descritos na folha 01) de haver ingerido bebida alcoólica, o que foi lavrado no AIT correspondente que segue em anexo junta-mente com a CNH (recolhida como medida administrativa).

Após os levantamentos periciais, o veículo foi liberado para o Sr. Marcos Paulo de Assis Oliveira (CNH - 01400250046 Cat B). O condutor não foi conduzido a vossa presença por permanecer em observação no HPS. Ocorrência para futuros fins. [...].

A autoridade policial afirmou que havia sinais de embriaguez do condutor, descrevendo-os assim: “f. 25 - [...] Andar cambaleante, fala desconexa, hálito etílico, olhos vermelhos [...]”.

Ao tempo do sinistro, ocorrido no dia 17.04.2010 (f. 25), já se encontrava vigente a Lei 11.705/2008, conhecida como “Lei Seca”, que não admitia qualquer concentração de álcool por litro de sangue do condutor (art. 276), exceto uma pequena margem de tolerância para casos específicos (parágrafo único do art. 276).

Também se encontrava vigente a Resolução 206, de 20.10.2006, do Contran, que concedia à autoridade de trânsito, no art. 2º, a possibilidade de caracterizar a embriaguez do condutor caso constatasse a presença de notórios sinais de consumo de álcool; para tanto, os sinais deveriam ser compatíveis com algum dos sinais descritos no Anexo I da referida resolução.

Veja que, quanto ao condutor, a autoridade de trân-sito afirmou que ele se encontrava com andar camba-leante, fala desconexa, olhos vermelhos e hálito etílico, características que são reconhecidas no anexo da reso-lução como sinais de embriaguez.

Assim, como a referida prova é admissível, somente seria possível afastá-la se a apelante tivesse apresentado prova cabal de que, no momento da lavratura do boletim de ocorrência, o condutor não estava embriagado, o que não se observa no presente caso.

Não se trata de imputar à apelante a produção de prova negativa, visto que o condutor teve a oportunidade de, no momento da lavratura do boletim de ocorrência, comprovar que não havia consumido bebida alcoólica, ao contrário do que estava sendo afirmado pela autoridade de trânsito no documento lavrado. Ademais, poderia ter apresentado nos autos prova cabal para derruir a infor-mação conferida pela autoridade de trânsito sobre o seu estado de embriaguez, o que efetivamente não há.

Além da documentação encartada, nenhuma prova foi produzida, já que a apelante desistiu da oitiva das testemunhas arroladas na audiência de conciliação, instrução e julgamento (f. 230).

Registro que, em razão de o condutor e de os ocupantes do veículo terem precisado de atendimento médico, não poderia a autoridade policial exigir que, antes, aquele fizesse o teste do bafômetro, sob pena de sentença julgando improcedentes os pedidos formulados

na inicial.

Após examinar com acuidade o processado, cheguei, data venia, a conclusão diversa da esposada pelo em. Des. Relator.

A controvérsia reside em aferir se realmente está presente a condição alegada pela seguradora para recusar o pagamento da indenização securitária.

Pelo cotejo dos autos, não há dúvida da ocor-rência do acidente, estando este devidamente relatado no boletim de ocorrência carreado às f. 25/30.

Também não há dúvida acerca da contratação do seguro, conforme apólice e condições de f. 32/46.

Inexiste dúvida, ainda, de que a seguradora se negou a efetuar o pagamento, conforme documento de f. 47. Aliás, confira:

[...] Mediante detida análise da documentação apresentada, constatou-se que o evento ocorreu em circunstâncias nas quais o contrato de seguro, taxativamente, isenta de respon-sabilidade de indenizar da seguradora, conforme previsto nas condições gerais da apólice. [...].

Em exame das condições gerais do seguro, observa-se a presença da seguinte cláusula:

f. 36, verso: [...] Riscos excluídos no seu seguro.

Exclusões gerais.

Não serão indenizados os prejuízos:

[...]

- relativos a danos ocorridos quando for verificado que o veículo segurado foi conduzido por pessoa embriagada ou drogada, desde que a Seguradora comprove que o sinistro ocorreu devido ao estado de embriaguez do condutor. [...].

Extrai-se da cláusula, portanto, que o seguro não será indenizável quando:

- o veículo segurado foi conduzido por pessoa sob influência de álcool ou de qualquer substância psicoativa; e

- que o sinistro ocorreu em razão do consumo de álcool em desacordo com o previsto pelo Código de Trânsito Nacional ou o uso de qualquer droga, cuja prova poderá ocorrer através de qualquer meio admitido em direito.

A meu sentir, os requisitos ‘condução do veículo por pessoa sob influência de álcool e em desacordo com o previsto no CTB’ foram comprovados, visto que, expres-samente, consta no boletim de ocorrência a afirmação da autoridade policial de que o condutor havia inge-rido bebida alcoólica, sendo, em decorrência, aplicada a multa e recolhida a CNH. Veja:

f. 28 - [...] Levo ao vosso conhecimento que, segundo a versão do condutor do Fiat/Siena (HKC 4387), ele transi-tava com seu veículo pela Av. Antônio Carlos, sentido Centro/

Bairro, sendo que, próximo ao nº 2.646, foi fechado por um outro veículo (caracteres não anotados) vindo a perder o controle da direção e se chocando em um muro do esta-belecimento comercial (Baterias Real, Av. Antônio Carlos, 2.646, loja A). O condutor e os passageiros foram socor-ridos e levados para o Hospital João XXIII pela UR (563 SGT

TJMG - Jurisprudência Cível ser agravada sua saúde; ademais, não possui a

auto-ridade policial ingerência sobre o atendimento hospi-talar, de modo que não poderia ter sido exigido o exame de sangue. Assim, a única possibilidade de aferição da condição do condutor, nesse caso, foi a avaliação pela autoridade policial, que, inclusive, aplicou a multa e recolheu a carteira de habilitação do condutor, o que é admissível.

Contudo, os referidos elementos não são suficientes para afastar a obrigação da seguradora de indenizar, pois o entendimento hodierno do STJ é de que o simples fato de o condutor se encontrar embriagado não enseja, por si só, a exclusão da responsabilidade de indenizar, devendo ser aferido se o agravamento do risco foi determinante para a ocorrência do sinistro.

No presente caso, o condutor afirmou no boletim de ocorrência que perdeu o controle do veículo em razão de ter sido fechado por outro veículo. Confira:

f. 28 - [...] Levo ao vosso conhecimento que, segundo a versão do condutor do Fiat/Siena (HKC 4387), ele transitava com seu veículo pela Av. Antônio Carlos, sentido Centro/Bairro, sendo que, próximo ao nº 2.646, foi fechado por um outro veículo (caracteres não anotados) vindo a perder o controle da direção e se chocando em um muro do estabelecimento comercial (Baterias Real, Av. Antônio Carlos, 2.646, loja A).

Embora o condutor tenha afirmado na inicial que perdeu o controle em razão de outro veículo que supos-tamente o tenha fechado, essa afirmação não encontra respaldo em qualquer prova carreada, sendo que nenhuma característica do suposto automóvel foi citada para a autoridade policial no momento da lavratura do boletim de ocorrência.

A única explicação para o ocorrido, a meu sentir, reside no fato de que o condutor do veículo, em razão de se encontrar sob o efeito de álcool, não conseguiu fazer o traçado da via (curva, f. 28), o que gerou a perda do controle do veículo, culminando no choque deste no muro de um estabelecimento comercial.

Em consulta ao sítio http://correiogourmand.com.

br/alcoolXdirecao.htm, foi possível extrair as seguintes consequências do consumo de álcool:

[...] O álcool e as drogas podem dar uma falsa sensação de segurança. A pessoa pode até se sentir mais esperta, mas na verdade:

- a capacidade de percepção de tempo, distâncias e

- a capacidade de percepção de tempo, distâncias e

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