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2.1 DIREITO AMBIENTAL

2.1.3 Codificação do direito ambiental

O Direito Ambiental no Brasil como dito alhures é recente,

contudo seu histórico e formação do arcabouço jurídico se reportam ao

século passado, através de codificações, legislações e constituições

(federais, estaduais e municipais), resoluções, decretos, decretos-lei,

enfim, cada ramo do direito advogando em causa própria, não havendo

um diálogo de saberes sobre uma abordagem comum entre eles, muitas

vezes havendo conflitos de normas sobre a mesma matéria.

Mesmo anteriormente à lei 6.938/81 - PNMA, nominada e

reconhecida como divisor de águas no Direito Ambiental, foram

promulgados instrumentos jurídicos com objetivo da proteção

ambiental, que até a presente data ainda estão vigentes, ou que ainda não

foram revogadas. Assim, Amado (2013, p.15) sobre o tema afirma que

“antes, apenas existiam normas jurídicas setoriais, mas não um Direito

Ambiental, propriamente dito, formado por um sistema harmônico de

regras e princípios”.

Contudo, os inúmeros focos jurídicos e interesses diversos sobre

a questão ambiental originaram um emaranhado de leis, artigos, regras

que conflitavam entre si. Quando abordado sobre este tópico, Milaré

(2013, p. 242) assim se pronuncia:

Além disso, o Direito Ambiental, em nosso país, é

formado por normas de idades e espíritos

diversos. Grande parte dos textos normativos é

anterior à Constituição Federal de 1988,

orientados, portanto, por um sistema

constitucional ambiental acanhado, já que pouco

se preocupava com o meio ambiente. [...]

Finalmente, porque estruturada em retalhos, a

legislação ambiental brasileira tem vastíssimas

clareiras normativas, verdadeiros “buracos negros

ambientais” onde inexistem normas de

Nesta mesma passagem, Sirvinskas (2012, p. 104) deixa claro sua

postura, asseverando que “há inúmeras leis que disciplinam a matéria

ambiental tornando-a de difícil manuseio”.

Todas as legislações anteriores à Lei 6.938/81-

PNMA eram editadas segundo o espírito

coorporativo que revestia o interesse econômico,

fixando em segundo plano a ordem ambiental, que

se apresentava “não em razão de sua importância

para a manutenção do equilíbrio ecológico, mas

em razão da utilidade econômica que

representavam como insumos do processo

produtivo” (MARCHESAN; STEIGLEDER;

CAPPELLI, 2013, p. 36).

Nesta mesma trilha, Machado (2013, p. 62), quando aborda a

visao global do direito ambiental assevera:

[...]o direito do ambiente seja um Direito de

caráter horizontal, que recubra os diferentes ramos

clássicos do Direito (Direito Civil, Direito

Administrativo, Direito Penal, Direito

Internacional) e um Direito de interações, que se

encontra disperso nas várias regulamentações. [...]

o Direito Ambiental tende a penetrar todos os

sistemas jurídicos existentes para orientar num

sentido ambientalista.

Acrescentamos além dos ramos do direito acima referendado, o

Direito Constitucional, Direito Tributário, Direito Processual Civil,

Direito do Consumidor e Direito Previdenciário. Este último ramo do

direito citado, somente para exemplificar, vai buscar o amparo jurídico

no conceito de extrativismo e pesca na legislação ambiental, com intuito

de enquadrar o segurado da previdência social.

Com efeito, nesta mesma trilha assevera Amado (2013, p. 15):

“Trata-se de disciplina transversal que alastra aos demais ramos

jurídicos, pois informa e troca informações com todos eles...”.

Dentro desta dispersão de normas em vários ramos do direito, e

suas inúmeras possibilidades geradas na sua hermenêutica jurídica,

provoca no legislador federal, estadual ou municipal certo grau de

insegurança no momento da elaboração da norma jurídico ambiental. O

que ocorre muitas vezes são conflitos entre os diversos órgãos públicos

ambientais, que em virtude da presença de uma visão e interesse

unilaterais editam leis que colidem com outras normativas de instâncias

superiores, muitas vezes inconstitucionais. Neste caso, este mal poderia

em parte ser sanado a partir da existênciade uma codificação do próprio

Direito Ambiental.

Sobre a codificação do Direito Ambiental, Milaré (2013, p. 242)

se manifesta primeiramente sobre a poluição regulamentar em relação às

inúmeras normativas ambientais, e complementa afiançando sua

codificação:

Tal situação contribui para aumentar a

insegurança e a incerteza jurídicas de quantos

militam na defesa do ambiente. [...] As

divergência sobre as normas em vigor acabam por

se tornar mais uma questão a somar-se a discussão

do objeto central da demanda.

E complementa quanto à codificação:

Neste cenário de certa perplexidade, é preciso

pensar, decididamente, em uma codificação

ambiental. [...] Os códigos são elaborados de

modo a constituir a fonte principal (senão única)

do Direito no âmbito de um determinado ramo ou

sub-ramo. [...] O Direito do Ambiente precisa ser

consolidado (em outras acepções da palavra...) e

melhor o será se for codificado. [...] As

experiências de codificações já havidas – no

Brasil e alhures – fortalecem-nos a convicção de

que é oportuno, necessário e inadiável um

“Código de Meio Ambiente Brasileiro”.

“Por isso mesmo, deve ser vista com bons olhos a consolidação

das leis ambientais [...]” (RODRIGUES, 2005, p. 59). E assim, em nome

desta consolidação, “o legislador propôs, por meio do Projeto de Lei n.

679, de 27 de março de 2007, com 328 artigos, do deputado federal Sr.

Bonifácio de Andrada, a Consolidação da Legislação Ambiental, que se

encontra atualmente em tramitação no Congresso

Nacional”(SIRVINSKAS, 2012, p. 104).

Concluindo-se o tema sobre a codificação ou consolidação do

Direito Ambiental, segue a assertiva apresentada por Carvalho (1999,

p.27), em que:

Codificação da legislação ambiental se realizaria

com um procedimento de depuração e de

aperfeiçoamento legislativo, integrando as

normas, atualizando-as sob uma mesma diretriz

doutrinária e assim dando solidez arquitetônica ao

que hoje está dispersa e até mesmo de modo

contraditório.

Das assertivas dos catedráticos acima citados, faz com que

vislumbramos através da codificação do Direito Ambiental uma porta

para constituição ímpar de uma verdadeira e principal fonte do Direito,

que regulamentaria toda a matéria ambiental. Seria um caminho para

este novo ramo jurídico, mas longe de afirmar que seria a única norma

reguladora, tendo em vista a grande amplitude desta matéria, que atinge

várias faces do direito.

A formação deste arcabouço normativo ambiental deixaria de ter

sua existência relacionada ao genérico e universal, para transpor o

específico e particular, sanando desta forma conflitos de todas as

origens, inclusive a principal delas em que apregoa a relação dos

desmandos relacionados a competências legislativas em razão das

matérias ambientais.