3. MATERIAL E MÉTODO
3.1 METODOLOGIA E PROCEDIMENTOS
3.1.2 Codificação dos dados
Para a codificação dos dados foi utilizado a Análise Textual Discursiva como ferramenta analítica. Trata-se de uma abordagem de análise de dados que “transita entre duas formas consagradas de análise na pesquisa qualitativa que são a análise de conteúdo e a análise de discurso” (MORAES; GALIAZZI, 2006, p. 118).
Inicialmente os textos passam por um processo de unitarização, ou seja, são separados em unidades de significado, seguida da articulação de significados semelhantes em um processo denominado de categorização. Ao se reunir as unidades de significados semelhantes, pode se gerar diversos níveis de categorias de análise (MORAES; GALIAZZI, 2006).
A partir de um movimento intenso de interpretação e produção de argumentos a análise se desloca do empírico para a abstração teórica. O processo de desconstrução ou unitarização e a construção de categorias permite um olhar mais holístico e abrangente e leva a novas construções que irão compor os textos interpretativos, os meta textos analíticos (MORAES; GALIAZZI, 2006).
Segundo essa abordagem o processo de categorização das unidades de significados é pontuado pela validade ou pertinência, a homogeneidade e a não exclusão mútua. A validade está relacionada à sua pertinência aos objetivos da análise e representar os dados em relação à fundamentação teórica adotada. Em relação à homogeneidade as categorias de um mesmo conjunto devem seguir um mesmo princípio, os mesmos conceitos. Sobre o princípio da exclusão mútua, na análise textual discursiva considera-se que uma mesma unidade permite múltiplas leituras podendo compor mais de uma categoria, mesmo que com significados diferentes (SANTOS; DALTO, 2012).
O processo de categorização das unidades pode seguir diferentes métodos.
Partindo do método dedutivo as categorias podem ser construídas a priori baseadas nas teorias adotadas. Pelo método indutivo as categorias a posteriori são construídas a partir das informações contidas no corpus. Enquanto o primeiro caminha do geral para o particular, o segundo faz um movimento inverso. No entanto, ambos podem ser combinados num mesmo processo de análise. As categorias definidas a priori podem ser aperfeiçoadas ou transformadas gradativamente ao longo da análise e interpretações realizadas (MORAES, 2003).
Na presente pesquisa foram utilizadas apenas as categorias definidas a posteriori.
As categorias a posteriori para análise foram agrupadas em três dimensões:
1) Percepção ambiental e da relação ser humano/natureza dos estudantes antes da apresentação do vídeo; 2) Mudanças de concepção dos estudantes sobre a questão ambiental e a relação ser humano/natureza após a apresentação do vídeo; 3) Influência e/ou contribuição do uso do vídeo como recurso didático/pedagógico.
Os dados foram primeiramente descritos, ou seja, os textos produzidos pelos alunos foram digitalizados ao todo ou em partes significativas, as gravações em áudio e/ou vídeo foram transcritas e em seguida utilizou-se dos softwares livres RStudio e RQDA para o processo de unitarização (unidades de significado) e categorização.
A unitarização dos dados foi realizada num processo de codificação dos dados, ou seja, num determinado trecho dos textos ou das falas dos estudantes extraiu-se uma “unidade de significado”, como uma palavra-chave ou ideia contida no texto, atribuindo a este um código. Por exemplo, o código “questão do lixo” foi atribuído aos trechos em que o estudante cita o problema do lixo como causa das enchentes/alagamentos.
As pessoas de hoje em dia não querem mais saber para onde vai o lixo e depois que chove e entope tudo os bueiros o povo coloca a culpa no governo que de certa forma é um pouco culpado por não usar o dinheiro dos impostos para arrumar a cidade e criar postos de reciclagem para que os lixos não fiquem sendo jogados na rua (André6, 14 anos, Col. Est. Prof. Tereza da Silva Ramos).
Na cidade ocorrem as enchentes por causa do lixo que entope os bueiros e quando a chuva vem alaga a cidade. E as pessoas reclamam sobre as enchentes, pois são eles mesmos que causam as enchentes por jogarem lixo nas ruas e nas bocas de lobo (José Paulo, 14 anos, Col. Est. Cubatão).
Desastres ambientais causados pelo homem. O homem nunca teve cuidado com a natureza e devemos ter cuidado com o meio ambiente. As pessoas jogam lixo na rua, sem preocupação, sem saber que isso depois afeta as pessoas. Quando tiver enchente o lixo virá de volta para ele e isso vai prejudicar (Carolina, 13 anos, Col. Est. Rocha Pombo).
Uma mesma unidade de significado pode compor mais de uma categoria, segundo o princípio de “não exclusão mútua” na Análise Textual Discursiva (SANTOS; DALTO, 2012). No Capítulo 4 são apresentados quadros com as unidades de significados dos dados de cada escola.
6 Os nomes dos alunos são fictícios para resguardar a privacidade dos mesmos.
Após o processo de unitarização os dados foram agrupados em nove categorias distribuídas pelas três dimensões, conforme se apresenta no Quadro 2.
Dimensão Categorias
1ª – Percepção ambiental e da relação ser humano/natureza dos estudantes antes da apresentação do vídeo.
a) Problemática apresentada nas charges;
b) Possíveis explicações (causas);
c) Visão sobre a questão.
2ª – Mudanças de concepção dos estudantes sobre a questão ambiental e a relação ser humano/natureza após a apresentação do vídeo.
a) Impressões sobre o documentário;
b) Explicação do Fenômeno e suas consequências;
c) Reflexões/Indagações.
3ª – Influência e/ou contribuição do uso do vídeo como recurso didático.
a) Sobre a utilização de vídeos em sala de aula;
b) Sobre o documentário;
c) Experiências/Percepções.
QUADRO 2: CATEGORIAS DE ANÁLISE.
FONTE: ELABORADO PELO PESQUISADOR.
Para facilitar a visualização e comparação dos resultados em cada escola, foram elaborados três quadros, um para cada dimensão, agrupando os dados de cada categoria por escola em colunas paralelas. Os quadros são apresentados no capítulo cinco, sobre a análise dos resultados.
4 DESCRIÇÃO DOS DADOS E RESULTADOS
Os estudos foram realizados a começar pelo Colégio Estadual Professora Tereza da Silva Ramos, em Matinhos em 10 de abril de 2015. Dando sequência com o Colégio Estadual Rocha Pombo, em Morretes e a Escola Estadual Maria Arminda, em Antonina em 06 de julho de 2015; Colégio Estadual Leôncio Correia, em Curitiba, em 22 de julho de 2015; e por último o Colégio Estadual Cubatão, na zona rural de Guaratuba em 30 de julho de 2015.
A seguir são descritas a localização de cada área de estudo, as condições socioambientais dos estudantes e os resultados obtidos em cada Colégio.