5.3 Caracterização dos Cubos Teste
5.3.1 Coeficiente Global de Transferência de Calor
simular um reboque, foi calculado utilizando-se as equações mostradas no Quadro 3 com dados obtidos durante os experimentos, como temperatura externa e interna do cubo, corrente e voltagem. Para a avaliação do coeficiente global de transferência de calor dos painéis propostos, programou-se uma variação entre a temperatura interna e externa na ordem de 45°C, ou seja, havendo redução nesta variação a resistência era ligada. Os valores médios coletados encontram-se na tabela 5.
Foi realizado também o cálculo teórico para efeito de comparação. A Figura 25 mostra os valores encontrados para as diferentes propostas e os compara com o coeficiente de isolamento térmico (k) encontrado para o material de núcleo (PU).
Tabela 5: Parâmetros coletados no experimento Compósito Temperatura Externa (°C) Temperatura Interna (°C) Diferença de Temperatura (°°°°C) Potência (W) PRFV/PU/PRFV 23,6 ± 0,5 72,2 ± 1,0 48,8 55 AG/PU/AG 22,3 ± 1,2 64,6 ± 0,6 42,4 73 Al Frisado/PU/PRFV 28,1 ± 0,7 68,3 ± 0,3 40,1 81 Al/PU/Al 27,1 ± 1,5 66,6 ± 0,4 39,6 101
PRFV/PU/PRFV AG/PU/AG Al frisado/PU/PRFV Al/PU/Al
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 Condutividade térmica do PU
Coeficiente global de transferência de calor experimental Coeficiente global de transferência de calor teórico
C on du tiv id ad e té rm ic a do P U ( W /m K ) C oe fi ci en te g lo ba l d e tr an sf er ên ci a de c al or ( W /m 2 K )
Figura 25: Coeficiente global de transferência de calor teórico e experimental para os compósitos propostos e coeficiente de isolamento térmico para a espuma de PU. A linha tracejada corresponde ao valor máximo estabelecido na norma ABNT NBR 15457.
Todos os compósitos propostos apresentaram coeficiente global de transferência de calor abaixo do limite máximo previsto na norma ABNT/NBR 15457 (≤ 0,40 W/m²K). O núcleo dos compósitos sanduíche é o principal responsável pelo maior ou menor isolamento térmico e neste ensaio foi possível quantificar a influência significativa dos materiais utilizados na face.
Os valores do coeficiente global de transferência de calor teórico são superiores ao obtido experimentalmente em virtude de não ser considerada a influência do coeficiente de transferência de calor do ar.
O compósito PRFV/PU/PRFV onde o material de face é a resina poliéster reforçada com fibra de vidro, tem o menor coeficiente global de transferência de calor. O coeficiente efetivo de isolamento térmico (k) do PRFV, tabelado, é de 0,058 W/mK (fonte: Technical data 6275 Kemlite) e o coeficiente efetivo de isolamento térmico (k) do PU varia de 0,021 à 0,025 W/mK para espumas com agente expansor HCFH 141b. No cálculo teórico (Equação 3) para obtenção do U global deste compósito PRFV/PU/PRFV, o resultado encontrado foi de 0,383 W/m²K ao passo que, experimentalmente encontrou-se 0,202 W/m²K o que mostra a influencia do ar no meio analisado.
O compósito AG/PU/AG onde o material de face é o aço galvanizado obteve-se coeficiente global de transferência de calor 33% superior ao encontrado para o compósito PRFV/PU/PRFV, porém, os materiais de face, nesta proposta apresentam coeficiente efetivo de isolamento térmico (k) de 52 W/mK (DOW et al., 2006). No cálculo teórico (Equação 3) para obtenção do U global deste compósito AG/PU/AG, o resultado encontrado foi de 0,393 W/m²K ao passo que, experimentalmente encontrou-se 0,269 W/m²K mostrando, como comentado anteriormente, uma variação significativa entre os resultado teórico e experimental.
Para o compósito Al Frisado/PU/PRFV onde o material da face externa é o alumínio e o material da face interna é o PRFV, obteve-se coeficiente global de transferência de calor 59% superior ao encontrado para o compósito PRFV/PU/PRFV. Nesta proposta, como comentado anteriormente, a forma (frisada) influencia as características de interesse neste trabalho. Para esta composição, os materiais de face Al e
PRFV, apresentam, respectivamente, coeficiente efetivo de isolamento térmico (k) de 138 W/mK e 0,058 W/mK (fonte: Technical data 6275 Kemlite).
No cálculo teórico (Equação 3) para obtenção do U global deste compósito Al Frisado/PU/PRFV, o resultado encontrado foi de 0,417 W/m²K ao passo que,
experimentalmente encontrou-se 0,322 W/m²K. Para o compósito Al Frisado/PU/PRFV observou-se que há perda térmica na região dos rebites, onde há reforços metálicos internos. Nesta região do painel ocorre ponte térmica devido à menor espessura de poliuretano expandido, responsável pelo isolamento térmico.
Para o compósito Al/PU/Al, onde o material das faces é o alumínio, obteve-se coeficiente global de transferência de calor 72% superior ao encontrado para o compósito PRFV/PU/PRFV, material com o menor coeficiente global encontrado das propostas estudadas. Para esta composição, os materiais de face apresentam, respectivamente, coeficiente efetivo de isolamento térmico (k) de 138 W/m K e 0,058 W/m K (fonte: Technical data 6275 Kemlite). No cálculo teórico (equação 3) para obtenção do U global deste compósito AG/PU/AG, o resultado encontrado foi de 0,423 W/m²K ao passo que, experimentalmente encontrou-se 0,347 W/m²K.
No reboque ou semirreboque frigorífico existem perdas térmicas na região das portas (folgas) e dos assoalhos, que são configurados com compensado naval e alumínio perfilado. Desta forma as propostas Al Frisado/PU/PRFV e Al/PU/Al estão descartadas por
apresentarem valores mais próximos ao limite estabelecido pela norma ABNT/NBR 15457.
5.3.2. Análise Termográfica - Esta técnica foi usada durante as medições de temperatura, corrente e amperagem quando foram obtidas imagens térmicas de cada experimento. Este teste é não destrutivo e foi de fundamental importância por permitir avaliar as temperaturas externas que os painéis propostos estavam apresentando durante o ensaio. Para cada imagem termográfica apresentada foi possível, de forma precisa, obter a temperatura nos diversos pontos e analisar os pontos de perdas térmicas de cada sistema proposto.
A Tabela 5 apresenta resumidamente as temperaturas médias coletadas nas paredes internas, através de um termopar e das paredes externas, através da análise termográfica. Verificou-se que o compósito AG/PU/AG apresenta a menor temperatura externa média. Este resultado se justifica porque a temperatura interna para este cubo teste também foi inferior.
Para o compósito PRFV/PU/PRFV a temperatura média externa, considerando as imagens térmicas realizadas, foi de 23,6 ± 0,5°C. Na Figura 26 observa-se a distribuição das temperaturas da superfície externa da parede da placa em análise. Os pontos onde a temperatura está mais elevada, da ordem de 26,3°C refere-se ao adesivo poliuretânico utilizado na montagem do cubo teste.
Figura 26: Distribuição de temperatura no compósito PRFV/PU/PRFV
Para o compósito AG/PU/AG a temperatura média externa, considerando as imagens térmicas realizadas, foi de 22,2 ± 1,2°C e como comentado anteriormente os pontos onde a temperatura está mais elevada, da ordem de 41,6°C refere-se ao adesivo poliuretânico utilizado na montagem do cubo teste. A faixa com coloração mais clara na figura 27 refere-se basicamente à forma de união do cubo. Para a placa que compõe o cubo, a temperatura máxima encontrada foi de 23,8°C.
Figura 28: Distribuição de temperatura no compósito AG/PU/AG
Para o compósito Al Frisado/PU/PRFV a temperatura média externa, considerando todas as imagens térmicas realizadas para esta proposta de painel, foi de 28,1 ± 0,7°C. A Figura 29 mostra a distribuição das temperaturas da superfície externa da parede da placa em análise bem como os pontos onde a temperatura está mais elevada, da ordem de 31,9°C
referente ao reforço metálico com o revestimento externo em alumínio rebitado. Os pontos mais claros na Figura 28 se referem à ponte térmica causada pelos rebites e pelo reforço metálico interno do compósito sanduíche.
Figura 28: Distribuição de temperatura no compósito Al Frisado/PU/PRFV
Para o compósito Al/PU/Al, a temperatura média externa, considerando todas as imagens térmicas realizadas para esta proposta de painel, foi de 27,1±1,5°C. Na Figura 29 está mostrada a distribuição das temperaturas da superfície externa da parede da placa em análise. Os pontos onde a temperatura está mais elevada, da ordem de 47,0°C se referem ao adesivo poliuretânico utilizado como união entre as paredes do cubo teste. Para a superfície da placa, observou-se que a temperatura máxima ficou em 28°C.
6. CONCLUSÕES
Todos os compósitos propostos apresentaram resultados de resistência à flexão similares com exceção do compósito Al Frisado/PU/PRFV. Esta constatação pode ser justificada pela presença de reforços metálicos estruturais neste compósito em particular. Esta resistência está correlacionada ao momento em que as células de poliuretano, unidas as paredes se rompem. O compósito que apresentou menor energia de flexão na ruptura foi o AG/PU/AG, o que proporciona maior liberdade de design dos painéis.
Com relação ao comportamento das faces não poliméricas em atmosfera salina, o revestimento em aço galvanizado (AG) apresentou empolamento antes do período previsto de resistência ao passo que nada foi observado no revestimento em alumínio (Al).
A densidade global dos compósitos é uma característica relevante em virtude do consumo maior de combustível no caminhão frigorífico. Para os compósitos propostos a alternativa a ser descartada foi o Al frisado/PU/PRFV.
Em relação ao custo os compósitos, as propostas Al Frisado/PU/PRFV e PRFV/PU/PRFV seriam descartadas nesta análise.
Para o coeficiente global de transferência de calor (U), característica principal para um produto frigorífico, o melhor desempenho encontrado foi o do compósito PRFV/PU/PRFV (não metálico). Dentre as propostas com revestimentos não poliméricos (AG e Al) a que apresentou o melhor desempenho foi o compósito AG/PU/AG.
Em relação a características de sustentabilidade, as alternativas não poliméricas (AG e Al) proporcionam o reprocessamento e a conseqüente reutilização das faces de revestimento. O revestimento polimérico (PRFV) é um termorrígido e não apresenta características de reciclabilidade, sendo seu destino final, aterro sanitário como resíduo classe 1.
Em consequência do exposto, das quatro alternativas propostas para carroceria frigorífica, a melhor alternativa para esta aplicação é o compósito AG/PU/AG.
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