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de base comunitária

2.5.4 Coesão social

A literatura sobre TBC interpreta a comunidade local como um elemento integrado, que almeja os mesmos interesses, onde as oportunidades são partilhadas igualmente e todos são responsáveis pelo planejamento e gestão do turismo (FABRINO, 2013). De acordo com Coriolano e Sampaio (2012), no turismo comunitário, os moradores locais possuem o controle produtivo da atividade e se preocupam com o envolvimento participativo para o avanço da gestão integrada e o desenvolvimento de projetos que proporcionem melhores condições de vida local. Assim, a coesão social foi escolhida como categoria de análise.

Para Murphy (2012), tal coesão é capaz de promover não só a harmonia entre os diferentes grupos sociais, mas também reduzir a desigualdade nas oportunidades de vida e garantir o acesso local aos principais serviços básicos. Busca-se estudar a referida categoria por meio dos indicadores listados no Quadro 26:

Quadro 26 (2) - Categoria de análise coesão social.

Fonte: Elaborado pela autora

O indicador redes comunitárias tem como objetivo verificar a formação e o fortalecimento de redes comunitárias no TBC. Para Coriolano e Sampaio (2012), as redes comunitárias buscam fomentar oportunidades de negócios, tendo em vista a melhoria das condições de vida e trabalho da comunidade. Dessa forma, foram estabelecidos como parâmetro o Quadro 27:

Quadro 27 (2) – Parâmetro do indicador redes comunitárias.

Indicador Redes comunitárias de turismo

Parâmetro

Insatisfatório Satisfatório Ideal

Não foi identificada na comunidade local a existência de redes comunitárias de turismo. Foi identificada na comunidade local a existência de redes comunitárias de turismo; no entanto, essas não desenvolvem ações de integração entre o membros comunidade.

Foi identificada na comunidade local a existência de redes comunitárias de turismo, cujas ações são capazes de promover a integração entre

os membros da

comunidade. Fonte: Elaborado pela autora.

Outro indicador a ser analisado refere-se à redução de conflitos na região. De acordo com Murphy (2012), a coesão social possui como característica a redução de conflitos na localidade. A literatura sobre TBC não menciona incidência de conflitos entre os membros da comunidade, ou da comunidade local com os turistas; pelo contrário, a harmonia, a integração e o compartilhamento são características desse novo eixo do turismo (GUZZATTI et al., 2013). O Quadro 28 foi construído como parâmetro para o indicador em questão.

Categoria de Análise - Coesão Social

Autores Indicador Coesão Social Murphy (2012) Redes comunitárias Redução de conflitos Promoção da solidariedade

Quadro 28 (2) – Parâmetro do indicador redução de conflitos.

Indicador Redução de conflitos

Parâmetro

Insatisfatório Satisfatório Ideal

O TBC não é capaz de promover a redução de conflitos na comunidade O TBC é capaz de promover a redução de conflitos na comunidade; no entanto, existem focos isolados de disputa

O TBC é capaz de promover substancialmente a redução de conflitos na comunidade

Fonte: Elaborado pela autora

Além disso, busca-se analisar se o TBC vivenciado na localidade é capaz de promover a solidariedade entre os membros da comunidade. De acordo com Murphy (2012), a promoção da solidariedade fortalece as relações nas redes comunitárias, assim como contribuem para a redução de conflitos e disputas locais. Diante desse contexto, para tal indicador são apresentandos como parâmetros o Quadro 29:

Quadro 29 (2) – Parâmetro do indicador promoção da solidariedade.

Indicador Promoção da solidariedade

Parâmetro

Insatisfatório Satisfatório Ideal

A comunidade local não promove ações de solidariedade.

A comunidade promove ações de solidariedade apenas nas datas comemorativas do calendário, como Natal, Dia das Crianças, entre outras.

A comunidade local promove ações de solidariedade em datas comemorativas como Natal, Dia das Crianças, entre outras, e sempre que existe alguma necessidade na localidade.

Fonte: Elaborado pela autora

Nesta categoria, o último indicador a ser investigado refere-se à cooperação para atingir um objetivo comum. Tal indicador busca analisar o nível de, como o próprio termo já diz, cooperação e convívio da população local para a resolução de objetivos comuns. Para Coriolano e Sampaio (2012), as comunidades envolvidas com o TBC utilizam-se de experiências de participação associativa - como cooperativismo, associações e líderes

comunitários - para a consecução de objetivos comuns. Foi estabelecido como parâmetro de análise o Quadro 30:

Quadro 30 (2) – Parâmetro do indicador cooperação para alcance objetivos comuns.

Indicador Cooperação para alcance de objetivos comuns

Parâmetro

Insatisfatório Satisfatório Ideal

A comunidade local não dispõe de cooperativas, associações ou líderes comunitários que estimulam a cooperação para o alcance de objetivos comuns.

A comunidade local dispõe de cooperativas, associações ou líderes comunitários que estimulam a cooperação para o alcance de objetivos comuns, porém o sentimento de cooperação entre as pessoas não é tão forte, visto que muitas pessoas ainda trabalham de maneira individualista.

A comunidade local dispõe de cooperativas, associações ou líderes comunitários que estimulam a cooperação para o alcance de objetivos comuns e o sentimento de cooperação entre as pessoas é forte, visto que a muitas pessoas trabalham de maneira coletiva.

Fonte: Elaborado pela autora.

2.5.5 Protagonismo

O protagonismo é uma das principais características das comunidades locais responsáveis por implementar o TBC, afirmam Coriolano (2006), Sampaio (2005), Sampaio e Zamignan (2012), Burzytyn (2012) e Maldonado (2005). Para os referidos autores o protagonismo é um elmento fundamental para a implementação e desenvolvimento desse novo eixo do turismo, o TBC, visando melhores condições de vida. O turismo comunitário é protagonizado pelas comunidades locais como uma estratégia de organização social e produtiva (SAMPAIO, 2005)

Diante do exposto, o protagonismo foi escolhido como categoria de análise, a qual será estudada por meio dos indicadores relacionados no Quadro 31:

Quadro 31 (2) - Categoria de análise protagonismo.

Categoria de Análise - Protagonismo

Autores Indicador Protagonismo Hanai (2009) e Fabrino (2013) Organização Interna Articulação Externa Acordos Comunitários Participação no processo decisório Fonte: Elaborado pela autora.

O indicador organização interna, proposto por Fabrino (2013), possui como objetivo identificar e qualificar as formas de organização interna, no que diz respeito às regras e aos procedimentos existentes, ou não, na comunidade que promovam o turismo comunitário. Para autora, a existência de modelos de organização interna, formalização e frentes de atuação, permitem à comunidade local uma maior estruturação e cooperação para consecução de objetivos (FABRINO, 2013).

De acordo com Sansolo (2009), existem duas formas de gestão do turismo uma delas está centrada no Estado e a outra na sociedade civil organizada. Ainda para o autor, por meio da organização comunitária e do fortalecimento das associações de moradores podem surgir alternativas para uma gestão mais equilibrada do turismo. Portanto, foi adotado como parâmetro o Quadro 32:

Quadro 32 (2) – Parâmetro do indicador organização interna.

Indicador Organização Interna

Parâmetro

Insatisfatório Satisfatório Ideal

A comunidade local não possui em sua organização interna manuiais, modelos de gestão e regimentos internos que estabelecem diretrizes em prol do TBC.

A comunidade local possui em sua organização interna manuiais, modelos de gestão e regimentos internos que estabelcem diretrizes em prol do TBC; no entanto, esses são pouco utilizados e/ou mal estruturados.

A comunidade local possui em sua organização interna manuais, modelos de gestão e regimentos internos que estabelcem diretrizes em prol do TBC.

No que se refere ao indicador articulação externa, esse tem por objetivo verificar a existência de apoio externo técnico e financeiro voltados para o desenvolvimento do turismo comunitário (FABRINO, 2013). As experiências de TBC são, normalmente, apoiadas por instituições de ensino e ONGs. A iniciativa governamental também tem incentivado e apoiado às experiências de TBC, embora que de maneira tímida (BURSZTYN et al., 2009). Dessa forma, são propostos os seguintes parâmetros de análise, Quadro 33:

Quadro 33 (2) – Parâmetro do indicador articulação externa.

Indicador Articulação externa

Parâmetro

Insatisfatório Satisfatório Ideal

Nos últimos cinco anos, a comunidade local não recebeu apoio externo técnico e/ou financeiro voltados para o desenvolvimento do TBC.

Nos últimos cinco anos, a comunidade local recebeu apoio externo técnico e/ou financeiro, voltados para o desenvolvimento do TBC.

A comunidade local anualmente recebe apoio externo técnico e/ou financeiro, voltados para o desenvolvimento do TBC, além de dispor de uma articulação capaz de prospectar novos parceiros. Fonte: Elaborado pela autora

Além disso, Fabrino (2013) sugere o indicador acordos comunitários, buscando verificar a existência de pactos que contribuam para a repartição dos benefícios e oportunidades advindos da atividade turística local. O objetivo deste indicador é analisar se toda a comunidade, ou a maior parte dela, consegue se beneficiar das ações relacionadas ao TBC. De acordo com Coriolano (2006, p. 202), “o TBC assegura a participação das pessoas da comunidade com o planejamento descentralizado e associativo”. Assim, são considerados como parâmetros de análise o Quadro 34:

Quadro 34 (2) – Parâmetro do indicador acordos comunitários.

Indicador Acordos Comunitários

Parâmetro

Insatisfatório Satisfatório Ideal

A comunidade local não possui acordos comunitários que contribuam para a repartição dos benefícios e democratização das oportunidades referente ao TBC.

A comunidade local possui acordos comunitários que contribuem para a repartição dos benefícios e democratização das oportunidades referentes ao TBC; no entanto, as regras e os regulamentos para esses processos não são claramente definidos.

A comunidade local possui acordos comunitários que contribuem para a repartição dos benefícios e democratização das oportunidades referentes ao TBC, e as regras e os regulamentos para esses processos não são claramente definidas.

Fonte: Elaborado pela autora

Por último, a fim de complementar a investigação sobre o protagonismo, utiliza-se do indicador proposto por Hanai (2009) referente à participação no processo decisório, que tem como objetivo verificar a participação dos indivíduos e dos grupos sociais que participam do processo de tomada de decisão. Coriolano (2006) afirma que no TBC os membros da comunidade local participam ativamente do processo de tomada de decisão, dessa forma foram estabelecidos como parâmetro o Quadro 35:

Quadro 35 (2) – Parâmetro do indicador participação no processo decisório.

Indicador Participação no processo decisório

Parâmetro

Insatisfatório Satisfatório Ideal

A comunidade local não participa do processo de tomada de decisão.

A comunidade local participa do processo de tomada de decisão, embora não existam instrumentos formais que legitimam a participação.

A comunidade local participa do processo de tomada de decisão e existem instrumentos formais que legitimam a participação

Fonte: Elaborado pela autora.