2 REVISÃO DE LITERATURA
2.3 COLEÓPTEROS DESFOLHADORES DE Eucalyptus spp
As plantas possuem a seu dispor diferentes mecanismos de defesa contra a herbivoria, incluindo até a presença de substâncias secundárias (alcalóides, terpenóides, compostos fenólicos, substâncias cianogênicas e óleos de mostarda (LEVIN, 1971), porém populações de diversas espécies de plantas podem ser atacadas por patógenos e herbívoros em todos as etapas de seu ciclo de vida (LEVIN, 1976).
As espécies Bolax flavolineatus (Mann., 1829) (Scarabaeidae), Sternocolaspis quatxiardecimcostata (Lefréve, 1877), Costalimaita ferruginea vulgata (Lefréve, 1885) (Chrysomelidae) e Gonipterus gibberus Boisduval, 1835 (Curculionidae) são bastante prejudiciais, principalmente em árvores novas, podendo causar pesados desfolhamentos em áreas plantadas com Eucalyptus spp. (GALLO et al., 1978).
Apesar da grande importância atribuídas aos coleópteros xilófagos e xilomietófegos devido aos prejuízos que podem causar às árvores vivas e a madeiras estocadas, os coleópteros desfolhadores, com o passar dos anos tomaram-se importantes para a eucaliptocultura, merecendo estudos mais detalhados e aprofundados, devido as freqüências de seus ataques (BERTI FILHO, 1981).
BERTI FILHO (1985) observou a ocorrência de sete famílias de coleópteros desfolhando Euccãyptus spp., sendo Buprestidae (11 espécies), Canthandae (1), Cerambycidae (1), Chrysomelidae (16), Coccinelidae (IX Curculionidae (20) e Scarabaeidae (4).
Contudo, os danos com desfolhas estão em função do tamanho da biomassa da população de herbívoros que pode sofrer influências das variáveis abiótica, bioquímica da planta, defesas físicas, estado nutricional, predação, parasitismo e estrutura da floresta que podem afetar as taxas de natalidade, mortalidade e de dispersão de tais populações (SCHOWALTER; HARGROVE ; CROSLEY, 1986).
Os coleópteros tem causado grandes prejuízos pelos desfolhamentos e mortes de árvores em áreas com Eucalyptus spp. em várias regiões do mundo. Contudo, folhas de várias espécies de eucaliptos apresentam glândulas de óleos essênciais que podem ser responsáveis por 5% do peso fresco, além das altas concentrações de substâncias secundárias que, provavelmente, interferem significativamente na interação inseto-eucalipto (PENFOLD; WILLIS, 1961; OMHART; EDWARDS, 1991). Os insetos desfolhadores, de um modo geral, causam mais danos em povoamentos mais jovens, podendo atacar qualquer parte da árvore, interferindo diretamente no seu processo fisiológico, destruindo e reduzindo o valor comercial da madeira (DISPERATL, 1995).
Apesar das áreas plantadas com eucalipto apresentarem um crescente número de espécies de coleópteros associados (BERTI FILHO, 1997) pode-se dizer, que o número ainda é reduzido, pois, suas folhas apresentam barreiras físicas e quimícas.
2.3.1 Famílias de Coleoptera com Gêneros e Espécies Desfolhadoras de Eucalyptus spp.
2.3.1.1 Chrysomelidae
STYLE (1970) efetuou estudos biológicos em laboratório e no campo com Paropsis charybdis Stal, importante espécie australiana, onde os adultos e as larvas são desfolhadores de eucalipto. TANTON e KHAN (1978) estudando os aspectos da biologia de Paropsis atomaria Olivier observaram que a espécie ovipositava, preferencialmente, nos ramos jovens de Eucalyptus blakelyi com diâmetros de aproximadamente de 1,35 cm e encontraram correlação negativa entre o diâmetro dos galhos e o número de ovos ovipositado.
O ciclo de vida e aspectos da biologia de Chrysophtharta bimaculatana (Olivier) espécie foi estudado por SMALL (1983). Nos plantios de eucalipto em regiões tropicais, a maioria das espécies pragas de importância econômica é oriunda de vegetação nativa, que se adaptaram ao eucalipto, destacando-se a fa m ília Chrysomelidae, considerada ecologicamente e economicamente importantes desfolhadores de árvores novas de eucalipto (OHMART; EDWARDS, 1991).
A distribuição geográfica e importância econômica do desfolhador de Eucalyptus spp. P. charybâis foi estudado por BAIN (1977). Larvas e adultos de C.
bimaculatana podem causar pesados desfolhamentos em árvores jovens e adultas de várias espécies de eucalipto de valor comercial na Tasmânia, causando redução de 30% no volume de madeira em árvores de Euccdyptus regnans com mais de oito anos de idade e desfolhamentos de mais 50% em Eucalyptus nitens, retardando seu crescimento por dois anos (ELEK, 1997).
TRIBE e CILLIE (1997) observaram larvas e adultos de Trachymela tincticollis (Blackbum) alimentando-se de folhas novas em 13 espécies de eucaliptos cultivados na Africa do Sul, inclusive em espécies de grande valor comercial, como Eucalyptus grandis.
2.3.1.2 Curculionidae
BARBIELLINI (1955) relatou a primeira ocorrência do gorgulho do eucalipto Gonipterus gibberus Boisduval, 1835 alimentando-se de folhas de várias espécies de eucaliptos no Rio Grande do Sul. BAIN (1977) efetuou estudos sobre distribuição, importância econômica e controle do desfolhador de Eucalyptus spp. Gonipterus scutéllatus Gyllenhal, 1833.
Estudos morfológicos, biológicos e quantificação de danos por G. gibberus e G. scutéllatus em brotações de eucaliptos foi efetuado por FREITAS (1979). G.
scutéllatus é uma das espécies desfolhadoras de eucalipto mais conhecida na Austrália e pode causar altos níveis de desfolhamentos nos locais onde ocorre com altas densidades populacionais (EDWARDS, 1981).
Na Itália, larvas e adultos de G. scutellattus introduzido acidentalmente, alimentam-se de folhas de várias espécies de eucaliptos, porém, até o momento, sua distribuição ainda é restrita a algumas regiões (JACOBINI, 1982). Na Argentina, a presença de G. gibberus, G. platensis Mar. e Pantomorus sp. em plantios de E.
grandis foi observada por SANDIEZ (1985). Na Tailândia, Hyomeces aquamosus é considerado um importante desfolhador de árvores de Eucalyptus camcâdulensis (OHMART; EDWARDS, 1991).
ROSADO-NETO (1993) relatou a primeira ocorrência do gorgulho do eucalipto G. gibberus alimentando-se de folhas de Eucalyptus dunnii, no município de Itararé/SP.
2.3.1.3 Outras famílias
Adultos de Callipogon luctuosum (Schõenherr, 1817) (Cerambycidae) foram observados alimentando-se de folhas de Eucalyptus saligna (SILVA et al., 1968).
Algumas espécies de Anoplognathus spp. (Scarabaeidae) podem causar danos aos plantios de eucalipto, pois, suas larvas vivem no solo alimentando-se de matéria orgânica e se mudas de eucalipto forem plantadas nesses locais, podem sofrer severos desfolhamentos após a emergência dos adultos (CARNE; GREAVES;
McINNES, 1974).
SANDIEZ (1985) observou que em áreas com plantios jovens de Eucalyptus spp., Diloboderus abderus Sturm, 1826 (Scarabaeidae) pode causar severos danos pelo desfolhamento e descascamento do caule, podendo levar as árvores à morte. O buprestídeo Nascioides parryi foi observado desfolhando Eucalyptus viminalis na Austrália (HAWKESWOOD, 1986). Agrilus opiãentus Waterhouse (Buprestidae) pode causar danos moderados em 80% de talhões de Eucalyptus spp. e matar 20% das árvores na Nova Guiné (OHMART; EDWARDS, 1991).