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SUMÁRIO

4.3 COLETA DE DADOS E PARTICIPANTES DO ESTUDO

O recrutamento dos participantes ocorreu por contato telefônico para o local de trabalho, com apresentação dos pesquisadores envolvidos e da metodologia da pesquisa, com posterior convite ao sujeito para participar do estudo. Caso obtivesse retorno positivo, era agendado um segundo encontro para a realização da entrevista.

Foram critérios de inclusão para participar da pesquisa: ser profissional de saúde ou de gestão/administração de uma das políticas em estudo, por no mínimo dois anos e ter atuado pelo menos em uma das seguintes atividades: equipe de diagnóstico em deficiência auditiva, equipe de diagnóstico e aconselhamento em DST/Aids, gestão local na política de atenção à saúde auditiva, gestão estadual na política de atenção à saúde auditiva, gestão local na política DST/Aids, bem como gestão estadual na política DST/Aids, e estar atuando no momento da pesquisa.

O número de participantes e os respectivos grupos amostrais foram sendo configurados a partir da análise dos dados (entrevistas e memorandos) e das reflexões sobre as categorias a serem construídas.

Os grupos e participantes eram incluídos para garantir o refinamento e a densidade às categorias iniciais, utilizando a amostragem teórica como definido na TFD (STRAUSS; CORBIN, 2008).

Por compreender que o objeto investigado encontrava-se situado sob duas grandes dimensões – na política de atenção à saúde auditiva e DST/Aids, bem como na organização do sistema de saúde –, buscamos, nesses dois cenários, os informantes que representassem as melhores possibilidades para a compreensão da integralidade do cuidado na organização da rede de atenção à saúde auditiva de pessoas que vivem com HIV/Aids. Portanto, compusemos os dois primeiros grupos amostrais, com profissionais de saúde que atuavam em ambas as políticas, e os seguintes com os gestores, também de ambas as políticas. A coleta de dados se restringiu a profissionais e gestores, não sendo incluídos os usuários, porém este tópico foi bastante discutido com os orientadores do estágio de doutoramento, que refletiram juntamente com a pesquisadora, e chegou-se à conclusão de que, por não termos uma rede de atenção que já inclua as pessoas que vivem com HIV/Aids, não haveria necessidade, e muito menos faria sentido, incluir os mesmos, ou outros usuários os representando; portanto, decidiu-se por compor os grupos amostrais com profissionais, gestores e dois representantes de uma organização não governamental, de algum modo representando os usuários. Cabe destacar que, apesar das contribuições desses sujeitos, não houve diferença significativa nas entrevistas dos mesmos, comparando as categorias com os profissionais e gestores.

O primeiro grupo amostral foi composto por dez profissionais de saúde que atuavam em serviços de referência estadual de alta complexidade, credenciados pelo Ministério da Saúde por meio da Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva, sendo seis fonoaudiólogos, dois assistentes sociais e dois médicos otorrinolaringologistas. Realizou-se entrevista individual, semiestruturada, cujas questões iniciais foram: Como você vê a relação entre infecção pelo HIV/Aids e a perda auditiva? Quais os desafios no cuidado dessas pessoas, pensando nessa relação? O encaminhamento das demais questões foi direcionado pelas pesquisadoras a partir das respostas dos participantes. O segundo grupo amostral se compôs de sete profissionais de saúde, que atuavam em um serviço de referência estadual no controle e tratamento de pessoas com HIV/Aids, sendo:

quatro médicos infectologistas e três enfermeiros, cabendo ressaltar que utilizamos a mesma questão do grupo amostral anterior.

Com a hipótese de que a perda auditiva poderia estar associada a esses pacientes, e que a rede de atenção não os reconhece como usuários, o terceiro grupo amostral foi composto por quatro gestores, sendo dois representantes de municípios, e dois representantes do estado que atuavam com a Política de DST/AIDS na Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis, Secretaria Municipal de Saúde de Itajaí e na Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina; e as questões foram: Como você organizaria uma rede de atenção à saúde auditiva para atender pessoas que vivem com HIV/Aids? Como você define uma rede de atenção à saúde auditiva? O quarto grupo amostral foi realizado com três coordenadores estaduais da Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, um coordenador regional do Município de Itajaí, dois de Florianópolis e um de São José. Com a hipótese de que a construção da rede dependeria de recomendações clínicas, protocolos e fluxos de atendimento, assim como da integração das duas políticas em questão, elaboramos as seguintes questões: Quais as suas recomendações e/ou estratégias de cuidado para as políticas de atenção à saúde auditiva de pessoas com HIV/Aids? Pensando no conceito de integralidade, como essas duas políticas podem se integrar para atender essa população?

E, por fim, diante da necessidade de ouvir as pessoas com HIV/Aids, que buscavam o cuidado em saúde auditiva, apesar da não existência da rede de atenção à saúde auditiva para essa população, compôs-se o quinto e último grupo amostral, formado por dois representantes de uma Organização Não Governamental (ONG), que atende pessoas que vivem com HIV/Aids. Com a hipótese de que não há um fluxo para atendimento no sistema de saúde para atendimento das pessoas com HIV/Aids que apresentam perda auditiva, questionou-se: Quais as dificuldades para que as pessoas com HIV/Aids sejam atendidas no sistema de saúde quando têm problema auditivo?Enfrentam dificuldade ao necessitar de uma consulta com especialista na área de audição? Como vocês orientam as pessoas que pedem ajuda ou reclamam na ONG sobre essas dificuldades?

Dessa forma, os grupos amostrais ficaram compostos por 17 profissionais e gestores, que atuavam com a PNASA, e 13 profissionais

e gestores, que atuavam na Política DST/Aids, como apresentado no Quadro 1:

Quadro 1: Descrição dos participantes, segundo o grupo amostral, tempo de experiência na área e titulação máxima, 2013

As entrevistas foram realizadas no período de maio de 2012 a abril de 2013, sendo gravadas em áudio, transcritas em sua íntegra, e digitadas em arquivos Word for Windows.