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3 PERCURSO METODOLÓGICO

3.3 COLETA DE DADOS

Para os grupos 1 (gestores) e 4 (alunos) os dados foram coletados exclusivamente nas dependências da escola. Para os grupos 2 (professores), 3 (auxiliares de serviços gerais) e 5 (responsáveis legais) os dados foram coletados em locais diversificados (residência ou escola) que atenderam ao tempo disponível e ao conforto dos participantes. Os dados desta pesquisa foram coletados no período de Março a Junho de 2012.

Os dados foram coletados através de entrevistas individuais com roteiro semi- estruturado (APENDICE B) para os grupos 1, 2, 3 e 5. A coleta de dados através de entrevista coletiva foi realizada com o grupo 4 (estudantes do 9° ano) com utilização do mesmo roteiro semi- estruturado (APENDICE B).

Interessante salientar que a utilização da entrevista coletiva foi restrita apenas ao grupo dos estudantes do 9° ano devido à pouca viabilidade de realização de entrevistas coletivas com os demais atores escolares. Questões como tempo de trabalho, horários diversificados entre os sujeitos, retirada da totalidade de sujeitos de suas funções com prejuízo às atividades da escola, foram fatores que limitaram a realização deste método de coleta de dados para outros grupos, o que justifica também, a realização das entrevistas individuais. Assim sendo, a realização de entrevistas individuais possibilitou uma maior flexibilidade de horário para a coleta de dados o que contribuiu para uma maior adesão ao estudo.

De acordo com Minayo e Gomes (2008), a entrevista tem o objetivo de construir informações pertinentes para um objeto de pesquisa e para a investigação do entrevistador. Como fonte de dados fornece informações diretamente construídas no diálogo com o entrevistado e tratam da reflexão do próprio sujeito sobre a realidade que ele vivencia.

As entrevistas podem ser individuais, realizadas pelo pesquisador ao entrevistado, e coletivas, realizadas pelo pesquisador na função de mediador de um grupo específico que discute entre si as questões norteadoras do estudo. De acordo com Minayo e Gomes (2008), a entrevista semi-estruturada combina perguntas fechadas e abertas, em que o entrevistado tem possibilidade de discorrer sobre o tema em questão sem se prender à indagação formulada.

As entrevistas individuais realizadas neste estudo foram agendadas diretamente com os sujeitos de pesquisa sendo combinados previamente dia, local e

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horário mais adequados à pessoa. Apenas as entrevistas realizadas com os professores do nono ano foram anteriormente agendadas com a pedagoga responsável, que cedeu à pesquisadora seus módulos semanais (horários fixos de 50 minutos que a pedagoga possui com cada professor semanalmente). Posteriormente, as entrevistas foram confirmadas diretamente com os respectivos sujeitos.

Além das entrevistas individuais, conforme explicito anteriormente, também foi utilizada como estratégia de coleta de dados a entrevista coletiva. A entrevista coletiva é considerada um recurso para compreender o processo de construção das percepções, atitudes e representações sociais de grupos humanos. Além disso, possibilita a compreensão do público sobre, por exemplo, fenômenos sociais como a violência escolar (GONDIM, 2003; BARBOUR, 2009).

Anteriormente a coleta de dados, o roteiro elaborado foi utilizado em um estudo piloto com os estudantes do oitavo ano do ensino fundamental a fim de verificar sua adequação aos objetivos do estudo.

Após a realização do estudo piloto, foram realizadas visitas em dias alternadas na sala do nono ano do ensino fundamental, em aulas cedidas pelos professores, a fim de mobilizar os alunos a participarem do estudo em questão. No dia e horário agendados (dois horários cedidos pelos professores com a anuência da direção) para a entrevista coletiva nenhum aluno havia levado o TCLE assinado pelos pais.

Em conversa com os alunos, alguns mencionaram que haviam se esquecido de entregar o termo ao pai, alguns apontaram que os pais não haviam autorizado e outros ainda disseram que não queriam participar do estudo. Em conversa posterior com a direção sobre o fato, ficou combinado que os professores, assim como a pedagoga responsável, iriam lembrar os alunos da assinatura do documento pelos pais, assim como iriam recolher os documentos e entregá-los à pesquisadora um dia antes da realização da entrevista coletiva. Assim, no dia combinado para o recolhimento dos TCLEs (dia anterior agendado para a coleta de dados), não foi entregue, novamente, nenhum documento.

Foi solicitado à direção um horário especial para uma conversa com os alunos do nono ano, assim como para a explicação detalhada de como seria a coleta de dados. Em conversa com os alunos, em círculo dentro da sala de aula, de forma geral, a turma apontou que não queria participar da pesquisa porque haviam muitos

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agressores e vítimas de violência escolar na sala e também muito bullying. Além disso, disseram que não haviam repassado o TCLE para os pais, que haviam perdido o documento e que não saberiam responder as perguntas da pesquisa. Após explicações sobre a metodologia da entrevista coletiva, ficou acordado com a turma que seriam feitos dois dias de atividades em grupo que eles tivessem interesse para a criação de vínculo entre pesquisadora e alunos.

Após intensas discussões de temas que interessavam os alunos, ficou combinado que seria feita uma competição entre grupos sobre os seguintes temas votados e escolhidos pelos próprios alunos: sexualidade, drogas, primeiros socorros e profissões. Assim, em dia e horário combinados (entre a pesquisadora, os professores e a direção) foi feito uma competição entre três equipes (a sala foi dividida em três grupos).

Após os dois encontros de atividades, novamente foi conversado com os alunos sobre a importância da pesquisa e os métodos utilizados para a coleta de dados: grupo para o qual as perguntas foram direcionadas (e não com direcionamento individual) e a não obrigatoriedade de responder as perguntas feitas pela pesquisadora. Além disso, foi proposta pela pesquisadora a realização de entrevistas individuais, caso os adolescentes se sentissem mais seguros e à vontade. Contudo, os sujeitos que aceitaram se envolver na pesquisa preferiram participar da entrevista coletiva.

Nesse sentido, em data e horário previamente definidos com os alunos, professores e direção foram recolhidos sete TCLE e foi realizada a entrevista coletiva em dois horários cedidos (total de uma hora e quarenta minutos) por uma professora. A entrevista coletiva realizada foi orientada conforme roteiro de entrevista específico (APENDICE B). As entrevistas coletivas contaram com a participação da pesquisadora como mediadora e de uma auxiliar de pesquisa que colaborou com anotações em diário de campo e ações relacionadas ao registro da entrevista por meio de três gravadores de voz digital.

Importante salientar que para os responsáveis legais aderirem à pesquisa foram necessárias três tentativas de marcação de reunião na escola, na qual a direção auxiliou como mediadora na divulgação e distribuição de lembretes aos alunos. Apenas na quarta tentativa, caracterizada pela busca ativa e residencial aos pais dos alunos, que as entrevistas individuais puderam ser realizadas.

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Além das entrevistas coletivas e das entrevistas individuais, para a coleta de dados foi utilizado um diário de campo que se caracteriza por ser um caderno de notas, em que o pesquisador, todos os dias, anota suas impressões pessoais, resultados de conversas informais, manifestações dos sujeitos da pesquisa, que posteriormente, foram analisados juntamente com os demais dados encontrados (MINAYO e GOMES, 2008).

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