5 Procedimento metodológico
5.8 Coleta de dados
Durante a coleta de dados diversas técnicas foram utilizadas a fim de permitir uma análise consistente dos fundamentos observados. Moura, Ferreira e Paine (1998), afirmam que a coleta de dados é intimamente associada ao tipo de pesquisa, sendo necessária uma cuidadosa seleção das técnicas e instrumentos, a fim de permitir acurácia e fidedignidade aos dados. Nessa pesquisa foram utilizadas as técnicas de observação, fichas de teste, narração e entrevista, apresentadas nas sessões seguintes.
5.8.1 Observação
Diehl e Tatim (2004) conceituam a observação como técnica de coleta de dados que utiliza os sentidos na obtenção de informações sobre determinados aspectos da realidade. Assim, a observação tem a finalidade de coletar dados em um ambiente natural na busca de se obter provas ou identificar ações do objeto estudado.
A fim de permitir uma melhor especificação da técnica observacional, Moura, Ferreira e Paine (1998), Lakatos e Marconi (2001) e Diehl e Tatim (2004) concordam com quatro classificações importantes para seu completo entendimento e delimitação. Segundo aqueles autores, a observação pode ser classificada quanto aos meios utilizados no registro, quanto à participação do observador, quanto ao número de observadores e quanto ao lugar onde será realizada.
Moura, Ferreira e Paine (1998), afirmam que na classificação quanto aos meios utilizados, a observação pode ser enquadrada em estruturada (sistemática ou padronizada) ou não-estruturada (assistemática ou livre). Já Lakatos e Marconi (2001) dividem a classificação quanto à participação do observador no ambiente em participativa ou não- participativa. A observação participativa caracteriza-se pela interação entre observador e
sujeitos da pesquisa. Em contrapartida, a observação não-participativa caracteriza-se pela ausência do observador do contexto em estudo. Quanto ao número de observadores, Menezes e Silva (2001) admitem dois enquadramentos, individual ou em equipe. Por fim, a observação pode ser classificada quanto ao lugar onde é realizada, podendo ser naturalista (real ou trabalho de campo) ou artificial (laboratório).
Por ser a principal fonte de entrada de dados, a interpretação do pesquisador na técnica de observação torna-se também o maior perigo para a confiabilidade dos dados e para veracidade das análises, sendo necessárias táticas de controle para evitar surgimento de vieses de interpretação (MOURA; FERREIRA; PAINE, 1998).
Para este trabalho, a observação foi, efetivamente, a principal fonte de entrada de dados, visto que através dela o pesquisador pôde examinar as ações dos atletas dentro de quadra e identificá-las com os indicadores pré-estabelecidos. A mesma foi rotulada à luz do que foi antes comentado como: participante, individual e naturalista. Apresentada a forma como foi observada a equipe faz-se necessário apresentar e explicar as técnicas utilizadas para o registro dos eventos.
5.8.2 Fichas de teste
Lakatos e Marconi (2001, p. 107) definem os testes como “instrumentos utilizados com a finalidade de obter dados que permitam medir o rendimento, a freqüência, a capacidade ou a conduta de indivíduos de forma quantitativa”. As fichas de teste, listadas no apêndice B, contêm de forma prática, um resumo dos indicadores utilizados pela pesquisa e foram utilizadas pelo pesquisador em todas as atividades (treinos, jogos ou coletivos), a fim de permitirem o registro quantificado de cada indicador em determinado dia e atividade de observação. Sua existência também serviu como uma cópia física dos acontecimentos em quadra, caso algo danificasse os dados eletrônicos.
Apesar de ser um instrumento completo, extenso e rico em detalhes a ficha de teste para este trabalho revelou-se imprópria para acompanhamento em tempo real. Tal fato configurou-se como um problema operacional, pois, nos testes realizados no final de 2007, nas atividades de coletivo e jogo, os fatos ocorreram de forma muito rápida inviabilizando o registro efetivo. Assim, optou-se nessas atividades, por um registro prévio em narrações dos fatos e posterior registro de forma manual nas fichas de teste. Após o
registro nas fichas de teste, os dados foram repassados para as planilhas para serem analisados e produzirem as informações para que se estudasse a gestão de desempenho.
5.8.3 Narração
A narração é caracterizada pelo relato de eventos vividos por indivíduos, envolvendo ação e movimento (BAUER; GASKELL, 2002). Apesar de serem relatos, as narrativas precisam identificar fatos, ambiente, momentos e personagens seguindo algumas regras, como a seqüência ordenada dos fatos, para que possa ser entendida pelo ouvinte.
A narração segundo Lakatos e Marconi (2001, p. 107) “permite a descrição sistemática, objetiva e quantitativa do conteúdo da comunicação”, sendo assim técnica de observação direta extensiva equiparável a uma análise de conteúdo.
Para realizar a narração foi utilizado um aparelho de gravação de voz, para registrar previamente os eventos de forma a não haver perda de dados, deixando-se para uma segunda ação do pesquisador, a transferência dos eventos narrados para as fichas de teste. Com o intuito de manter a padronização estabelecida pela CBB, o registro dos fatos dentro de quadra ocorreu pela normatização do manual para elaboração de estatísticas de basquete, que é exibido no anexo J.
A narração poderia ser substituída pela observação de vídeos, ideal para esta pesquisa, mas os requisitos e recursos necessários para um vídeo com qualidade que permitisse a boa observação dos fatos, tornaram financeiramente inviável a aplicação da técnica a esta pesquisa.
5.8.4 Entrevista
Para coletar e registrar a opinião do técnico sobre a influência da pesquisa em seu trabalho fez-se uso da entrevista. Thiollent (1998) afirma que a entrevista individual aprofundada é uma importante técnica de coleta de dados, pois permite ao pesquisador interagir de forma direta com o entrevistado.
Optou-se pela entrevista semi-estruturada, pois esta permitiu ao entrevistador adaptar o conteúdo às mudanças de opiniões do entrevistado ao longo do tempo sobre determinadas questões-chave, exatamente como sugerem Moura, Ferreira e Paine (1998). Tal estratégia possibilitou incluir questões relevantes a um período específico, como a opinião sobre melhorias a serem feitas e qual a influência das melhorias. Vale salientar que
esta entrevista semi-estruturada assume grandes similaridades com a técnica de painel que “consiste na repetição de perguntas, de tempo em tempo, às mesmas pessoas, a fim de estudar a mudança das opiniões em períodos curtos” (DIEHL; TATIM, 2004, p. 67).
As entrevistas foram realizadas de acordo com os microciclos, aproximadamente a cada duas semanas, pois acreditava-se que um período menor, baseado nas sessões de treinamento, tornaria a coleta cansativa e quase inócua por não permitir evidenciar mudanças nos resultados do treinamento. Por outro lado, um período mais longo, baseado nos mesociclos, não permitiria um volume de entrevistas adequado para uma análise e também não possuiria o detalhamento necessário visto o grande número de treinamentos realizados em um mesociclo.
As perguntas da entrevista tiveram um cunho subjetivo a fim de permitir apurar a opinião do técnico com relação à pesquisa e a influência desta em seu trabalho. Ao final da pesquisa analisaram-se detalhes específicos dessas opiniões e as principais contribuições da pesquisa para as funções de gerir uma equipe esportiva, tendo por base o uso de técnicas combinadas de TI e gestão de desempenho.