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2 PROCEDIMENTOS INVESTIGATIVOS

2.3 Coleta de Dados

Os dados foram coletados durante o desenvolvimento da sequência didática descrita

no item anterior, que abrangeu treze aulas, com duração de 50 (cinquenta) minutos cada, no

período de agosto a setembro do ano letivo de 2013. A sequência didática desenvolvida com

os alunos envolveu várias atividades, conforme sintetiza o quadro 1.

Durante essa intervenção pedagógica, todos os momentos que envolveram a

participação, verbal ou não, dos alunos foram registrados por um gravador de voz e anotações

da pesquisadora em um diário de campo. Além disso, registros escritos pelos alunos, tais

como: respostas a questionários, resolução de exercícios e produção de textos foram

elementos importantes na produção dos dados.

Quadro 1: Síntese das atividades realizadas

Aula Estratégia didática

1 Investigando os conhecimentos dos alunos acerca do tema agrotóxicos,

por meio de questionário.

2 Problematização do tema por meio de imagens.

3 Leitura do texto “Veneno nosso de cada dia”.

4 a) Proposta de pesquisa com produtores rurais do município.

b) Aula expositiva sobre a história dos agrotóxicos.

5 Continuação da história dos agrotóxicos.

6 Estudo da classificação, tipos e toxicidade de agrotóxicos com o uso de

rótulos de embalagens.

7 Estudo da concentração e diluição de soluções.

8 Compreendendo o rótulo de um agrotóxico.

9 e 10 Apresentação dos resultados da pesquisa com agricultores rurais em

forma de seminários.

11 Apresentação do vídeo “João das Alfaces” e leitura do texto

“Agricultura sustentável: opção inteligente”.

12 Preparação da calda bordalesa.

13 Produção textual.

A seguir, relatamos, de forma detalhada, cada uma das atividades desenvolvidas,

explicitando os recursos didáticos utilizados.

Aula 1: Questionário diagnóstico

No primeiro momento desta sequência de ensino, com o intuito de fazer uma

sondagem a respeito do que os alunos já sabiam sobre agrotóxicos, foi solicitado aos alunos

abertas sobre agrotóxicos e a relação destes com a química e com o meio ambiente. Esse

questionário foi respondido pelos 20 (vinte) alunos participantes da pesquisa.

Aula 2: Problematização do tema por meio de imagens

Com o intuito de problematizar o tema agrotóxicos, no início dessa aula, foram

apresentadas aos alunos duas imagens (figuras 1 e 2), com o auxílio de um projetor

multimídia, acompanhadas do seguinte questionamento: O que cada uma destas imagens

representa para você? Os alunos, organizados em pequenos grupos, foram orientados a

discutir entre si e depois relatarem o entendimento do grupo sobre cada uma das imagens, ou

seja, cada um dos grupos deveria expor sua opinião para toda a turma, visando a um ambiente

de debate entre os grupos.

Figura 1: Agrotóxicos

Fonte: http://tapesinmyhead.wordpress.com/tag/agrotoxicos/

Figura 2: Charge publicada na edição de julho de 2010 da revista Radis

Em grupos, os alunos discutiram e escreveram um pequeno texto, no qual expressaram

suas opiniões e o conhecimento que já tinham sobre os agrotóxicos para a turma.

Aula 3: Leitura do texto “Veneno nosso de cada dia”

A aula teve início com a leitura individual do texto “Veneno nosso de cada dia”

(Anexo 1), extraído da revista Ciência Hoje (KUGLER, 2012). No segundo momento da aula,

foi solicitado que um dos alunos fizesse a leitura em voz alta para toda a turma. Em seguida,

iniciaram-se as discussões sobre os aspectos químicos e socioambientais abordados no texto.

O texto trabalhado refere-se ao eclético cardápio de agrotóxicos utilizados nas

lavouras brasileiras, as substâncias banidas em outros países e que são ainda usadas no Brasil

e ao crescente aumento do consumo de agrotóxicos no mundo. O texto dá ênfase também aos

níveis de toxicidade de alguns alimentos.

Após a leitura e discussão do texto, foram apresentados alguns questionamentos com o

objetivo de suscitar a reflexão dos alunos: “Você conhece algum tipo de agrotóxico?”, “Será

que estamos consumindo veneno em nosso dia a dia ao nos alimentarmos?”. Os alunos, então,

puderam expor o que pensavam sobre o tema.

Durante as discussões, foram representadas no quadro as fórmulas estruturais dos

agrotóxicos citados no texto (endossulfam, cihexatina e metamidofós), com o intuito de

explorar alguns conhecimentos químicos, tais como: elementos químicos e tipos de ligações

presentes em cada um dos agrotóxicos, suas fórmulas moleculares e massas molares.

Aula 4: Proposta de pesquisa com produtores rurais do município e aula expositiva

sobre a história dos agrotóxicos

Nessa aula, foi solicitada aos alunos uma atividade de pesquisa em grupo, na qual eles

iriam entrevistar os produtores rurais da cidade. Para isso, o grupo deveria seguir um roteiro

de entrevista (Apêndice 3) que foi previamente elaborado pela pesquisadora.

Os alunos também receberam orientações sobre o modo como deveriam reunir os

dados obtidos pelo grupo a partir das entrevistas com os produtores, identificar as respostas

mais frequentes e fazer uma análise de seus resultados. Como essa atividade de pesquisa era

avaliativa, os alunos elaboraram um texto escrito a partir dos resultados da entrevista e as

análises feitas pelo grupo, apresentando para toda a turma, em forma de seminários, durante a

nona e décima aulas.

Após a resolução de todas as dúvidas surgidas entre os alunos, ao final dessa quarta

aula, a pesquisadora abordou a história dos agrotóxicos (Apêndice 4), por meio de uma aula

expositiva e dialógica, com o auxílio de um projetor multimídia. Como o tempo da aula

estava terminando, algumas questões foram introduzidas, com o intuito de problematizar o

conhecimento que os alunos já tinham acerca do assunto:

 Como os agrotóxicos surgiram?

 O uso de agrotóxicos é uma prática antiga ou recente?

 Por que se usam agrotóxicos em nossas lavouras?

Essas questões foram retomadas com os alunos na aula seguinte.

Aula 5: História dos agrotóxicos

Iniciou-se essa aula a partir das questões mencionadas na aula anterior. Nesse

momento, os alunos puderam expor suas ideias e opiniões acerca do assunto em questão. Em

seguida, a pesquisadora deu continuidade à história do surgimento dos agrotóxicos,

promovendo uma discussão dos diferentes compostos químicos utilizados ao longo do tempo

para combater as pragas, bem como a evolução dos estudos científicos sobre o uso dos

compostos químicos, visando ao controle de pragas.

Todos esses aspectos foram discutidos com os alunos, que contribuíram para o bom

andamento da aula.

Aula 6: Estudo da classificação, tipos e toxicidade de agrotóxicos com o uso de rótulos de

embalagens

Na sexta aula, abordamos com os alunos a classificação dos agrotóxicos quanto à sua

ação, ao grupo químico ou à sua toxicidade. Para tanto, foram entregues a eles cópias de uma

tabela de classificação dos agrotóxicos (Anexo 2) extraída do livro Química Cidadã

(SANTOS; MÓL, 2010), a qual aborda os aspectos químicos de cada grupo de agrotóxico.

Assim, foram discutidas, com a participação dos alunos, as estruturas químicas de alguns

agrotóxicos, a presença de certos elementos químicos e suas características.

Ainda no decorrer da aula, a professora pesquisadora forneceu para os alunos bulas e

embalagens vazias de alguns agrotóxicos para reforçar as características reais desses tipos de

produtos, as informações contidas nos rótulos, as faixas coloridas que indicam a classificação

toxicológica e o nome dos princípios ativos e suas concentrações em massa.

Aula 7: Estudo da concentração e diluição de soluções

No primeiro momento da aula, com o intuito de problematizar o assunto químico que

seria abordado e sondar o que eles já sabiam, foram apresentados alguns questionamentos

para os alunos, tais como: O que é uma solução? O que é diluição? Dê um exemplo de

diluição do nosso dia a dia.

As respostas dos alunos às questões propostas foram valorizadas no processo e

consideradas importantes para dar sequência às explicações, com o uso da lousa, sobre

diluição de soluções presentes no cotidiano dos alunos, bem como das relações entre soluto e

solvente. Para finalizar, os alunos realizaram alguns exercícios, envolvendo o conceito de

concentração em massa e diluições.

Aula 8: Compreendendo o rótulo de um agrotóxico

Com o objetivo de articular o conhecimento químico referente a soluções e diluição de

soluções com o seu contexto social, os alunos realizaram uma atividade intitulada

“Compreendendo o rótulo de um agrotóxico” (Apêndice 5), em que eles puderam interpretar

as informações contidas em um rótulo confeccionado pela pesquisadora e resolver alguns

problemas relacionados ao conteúdo químico.

Essa atividade possibilitou analisar também a visão dos estudantes em relação aos

conceitos químicos quando os mesmos são contextualizados, e assim verificar de que forma o

aluno faz uso dos conhecimentos apreendidos na escola em sua vida diária, como ler e

interpretar as instruções de um rótulo de agrotóxico, aprender a calcular a concentração dos

princípios ativos, compreender o modo de aplicação e identificar os efeitos toxicológicos

desses produtos químicos.

Aulas 9 e 10: Seminários referentes à pesquisa realizada com os agricultores

Durante a nona e décima aulas, os alunos (em grupo) apresentaram para a turma, em

forma de seminários, os resultados obtidos a partir das entrevistas com os produtores rurais da

cidade, e a interpretação que fizeram desses resultados. Alguns grupos trouxeram materiais

complementares, como vídeos, para exemplificar o conteúdo apresentado, firmando seu

comprometimento com a atividade. A atividade de pesquisa, de caráter investigativo, que

culminou na apresentação dos seminários proporcionou aos estudantes a busca de novas

informações e o desenvolvimento da própria capacidade de análise.

De acordo com Lima et al. (2009, p. 1), os seminários permitem o “compartilhamento

de ideias, criando um ambiente de reflexão, debate e análise dos dados que estão sendo

apresentados”.

Nesse sentido, a intenção de contemplar a apresentação de seminários é propiciar um

espaço de criticidade e reflexão em relação ao tema agrotóxicos.

Aula 11: Apresentação do vídeo “João das Alfaces” e leitura do texto “Agricultura

sustentável: opção inteligente”

No início dessa aula, foi retomada com os alunos a última questão da entrevista

realizada com os agricultores: “Você conhece alguma alternativa que substitua o uso dos

agrotóxicos? Se sim, indique uma”. As respostas fornecidas pelos agricultores foram

importantes para suscitar uma discussão, envolvendo a agricultura orgânica.

Na sequência, os alunos assistiram ao vídeo intitulado “João das Alfaces”, o qual

retrata a vida de um pequeno agricultor que vem enfrentando problemas em sua horta, devido

à infestação de pragas. Algumas alternativas são propostas a João como forma de evitar o uso

excessivo de agrotóxicos na plantação, situação também vivenciada por ele em sua

propriedade.

O conteúdo do vídeo permitiu discutir com os alunos aspectos químicos e

socioambientais; assim, propôs-se a eles que respondessem, de forma escrita e

individualmente, duas questões: “Que problemas o João das Alfaces tem enfrentado em sua

vida?” e “O que você aprendeu assistindo ao vídeo que pode ser útil para a sua vida?”.

Em seguida, a turma foi dividida em grupos para a leitura e o debate do texto

intitulado “Agricultura Sustentável: Opção inteligente” (Anexo3), da sessão Tema em Foco

do livro Química Cidadã (SANTOS; MÓL, 2010). A leitura do texto visava fazer com que os

alunos compreendessem as consequências do avanço científico e tecnológico na agricultura e

seus aspectos políticos, econômicos e sociais. O texto apresenta também práticas de

agricultura sustentável, dando destaque à agricultura orgânica, que busca melhorar a

qualidade dos alimentos, sem contaminar produtores e consumidores e cujo princípio básico é

o aumento da produtividade agrícola, sem o comprometimento da saúde e do ambiente, e o

controle biológico, uma alternativa para o uso de agrotóxicos.

Aula 12: Preparação da calda bordalesa

Nessa aula, foi realizada uma atividade experimental na qual os alunos (em grupos)

foram envolvidos na preparação da calda bordalesa, conforme procedimento de Carraro

(1997) (Apêndice 6). Ressaltamos que a calda bordalesa trata-se de um fungicida permitido na

agricultura orgânica, pois os seus componentes (sulfato de cobre e cal) são pouco tóxicos,

além de contribuir para o equilíbrio nutricional das plantas, fornecendo-lhes cálcio e cobre.

Essa atividade foi realizada na própria sala de aula, pois o laboratório da escola era

muito pequeno. O objetivo de realizar esse experimento foi estudar a concentração e o pH da

solução preparada. Assim, no primeiro momento da aula, a turma foi dividida em quatro

grupos. Em seguida, foi entregue a eles o roteiro do experimento e os materiais necessários

para sua realização. Todas as etapas da atividade foram mediadas pela pesquisadora e

professora regente.

Após a realização do experimento (preparação da calda bordalesa), os alunos

resolveram problemas relacionados aos conteúdos químicos envolvidos na atividade

experimental.

Aula 13: Produção Textual

Como última etapa da sequência didática desenvolvida, foi solicitado aos alunos que

escrevessem um texto, que poderia ser de, no mínimo, 20 e, no máximo, 30 linhas com o

seguinte título: “Agrotóxicos: o que posso fazer perante os problemas gerados por eles?”. No

entanto, foi dada aos alunos a opção de escolher outro título para o seu texto, se assim o

desejassem. O texto produzido por cada um dos participantes da pesquisa serviria de

instrumento para avaliar a contribuição da sequência didática desenvolvida, ou seja, para

averiguar se eles conseguiram se apropriar das questões socioambientais trabalhadas em sala e

se conseguiram refletir criticamente sobre os problemas causados pelos agrotóxicos,

principalmente se usados de forma inadequada.

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