3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.5 COLETA DE DADOS
A coleta de dados teve início em 2011, logo depois da qualificação do projeto de pesquisa, momento em que foram identificadas e caracterizadas as bibliotecas selecionadas. Em função do período de férias escolares, a realização das entrevistas com os gestores
ocorreu no período entre 27 de fevereiro e 15 de março de 2012. Foram realizadas 14 entrevistas com os gestores das bibliotecas e imediatamente após foi feito o registro da observação em diário de campo. A escolha da data foi influenciada pelo início do período letivo, que permitiu a observação do funcionamento das bibliotecas. Entretanto, esse fator dificultou o agendamento das entrevistas, pois os gestores tinham seu tempo preenchido com o recebimento dos novos acadêmicos e com atividades administrativas, tornando necessário, em alguns casos, aguardar alguns dias para realizar as entrevistas. A visita à ACIC para realização da entrevista aconteceu no dia 12 de abril de 2012, após a tabulação dos dados resultantes das etapas “c” e “d”.
Durante a coleta de dados foram empregadas as seguintes técnicas: pesquisa documental, entrevista e observação não-participante. A pesquisa documental é restrita à consulta de fontes que não receberam tratamento analítico; em geral, essa técnica é empregada na consulta de fontes primárias (GIL, 1995). Nesta pesquisa, foi empregada na análise da legislação, de documentos oficiais relativos aos direitos das pessoas com deficiência, de normas técnicas e dos sites das bibliotecas.
A entrevista é uma técnica frequentemente utilizada em pesquisas qualitativas. “É uma conversa orientada para um objetivo definido: recolher, por meio do interrogatório do informante, dados para a pesquisa.” (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2006, p. 51). É empregada visando à obtenção de informações pertinentes relativas ao objeto de pesquisa e informações construídas durante a entrevista, fruto da reflexão do sujeito sobre a realidade que vivencia e que por essa razão não poderiam ser obtidas em registros e fontes documentais. A entrevista foi classificada como semiestruturada, pois “[...] combina perguntas fechadas e abertas, em que o entrevistador tem a possibilidade de discorrer sobre o tema em questão sem se prender à indagação formulada.” (MINAYO, 1993, p. 64).
O roteiro da entrevista com os gestores contendo as perguntas realizadas constitui o Apêndice C e está dividido em duas partes. Na primeira constam perguntas sobre a IES e a biblioteca, com o intuito de caracterizá-la; na segunda parte, as 18 perguntas são voltadas à gestão da biblioteca e à acessibilidade aos serviços prestados. A entrevista realizada na ACIC teve por base um roteiro contendo oito perguntas e compõe o apêndice D.
Na literatura, verifica-se que o entrevistador deve buscar antecipadamente informações sobre o entrevistado e agendar o local e o horário da entrevista previamente. A opção de entrevistar os gestores das bibliotecas justificou-se pelo entendimento de que a pessoa que
desempenha esta função apresenta melhores condições de contribuir com informações corretas, que correspondam a sua realidade. A decisão de entrevistar a coordenadora da ACIC foi motivada pela necessidade de complementar os dados coletados anteriormente.
A apresentação da Solicitação de Participação e a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndices A e B) deram início às entrevistas. Ao apresentar a pesquisa, foram mencionados os objetivos do estudo e os critérios de seleção da IES. O anonimato do respondente e da biblioteca no momento da análise e apresentação dos resultados foi assegurado. Seguindo as orientações de Gil (1995), a formulação das perguntas não obedeceu a regras fixas, mas requereu alguns cuidados. Foram padronizadas para possibilitar a comparação das informações obtidas e para evitar que trouxessem a resposta implícita. Caso o respondente não entendesse a pergunta, a entrevistadora a repetia textualmente antes de explicá-la; em geral, a dúvida refletiu falta de atenção e não incapacidade de entender o significado. As entrevistas foram encerradas em clima de cordialidade, pois a pesquisadora poderia precisar coletar mais dados em outro momento. As respostas foram registradas imediatamente e em geral os respondentes se mostraram bastante colaborativos.
A observação não-participante, registrada em diário de campo, é uma técnica para coletar informações obtidas por meio dos sentidos, resultado da utilização da observação. Propicia a obtenção de informações sem intermediação, com subjetividade reduzida; o pesquisador fica em contato com a realidade estudada sem integrar-se a ela. A presença da pesquisadora poderia provocar alterações no comportamento dos respondentes; no entanto, os aspectos observados referiram-se ao ambiente físico, cujas modificações requerem planejamento prévio, sendo muito improvável que tenham sido alteradas em função do agendamento da entrevista e posterior visita da pesquisadora. As informações obtidas com essa técnica foram registradas em um diário de campo, classificadas em 11 categorias: localização, entrada, porta de entrada, área de recepção, espaço interno, pavimento, acervo, banheiros, indicação de saída de emergência, sinalização e informações. Apesar do foco da pesquisa ser a acessibilidade aos serviços de informação, entendeu-se que as características do ambiente físico deveriam ser registradas, pois fazem parte do pacote de serviços e podem interferir diretamente na prestação do mesmo. O diário é constituído pelo registro “de todas as informações que não fazem parte do material formal de entrevistas [...]”, que não podem ser obtidas por meio de perguntas ou de documentos (MINAYO,
1993, p. 71). O registro deve ser feito no momento em que o fenômeno ocorre, de modo que não perturbe os sujeitos observados. Nessa pesquisa, a observação teve início no momento de chegada à instituição e, após a entrevista com o gestor, as informações referentes à observação foram registradas imediatamente, evitando que dados importantes deixassem de ser anotados.
Nas entrevistas com os gestores, constatou-se a baixa inserção de deficientes visuais no ensino superior, fato refletido em sua inexpressiva participação no planejamento e promoção de ações que viabilizem a acessibilidade. Ficou evidente, também, a existência de barreiras que dificultam a acessibilidade e o desconhecimento de alguns profissionais sobre conceitos básicos. A entrevista com a coordenadora da ACIC preencheu as lacunas que se formaram durante a análise dos dados das entrevistas com os gestores das BUs e esclareceu aspectos relacionados ao acesso e permanência dos deficientes visuais nas IES.
A coleta dos dados por meio do processo de triangulação reforça a confiabilidade do estudo, pois amplia a compreensão e interpretação de um fenômeno. Permite identificar “[...] a exata posição de um objeto a partir de diversos pontos de referência, utilizando vários métodos para investigar o mesmo fenômeno.“ (VERGARA, 2008, p. 257-8). Tornou-se necessária em função do caráter indisciplinar da pesquisa e dos aspectos abordados, tais como legislações e normas, serviços e ambiente físico.