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3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.3 Coleta de dados

a) Em primeiro lugar, realizou-se uma pesquisa documental compreendendo dados referentes aos editais de financiamento de pesquisa publicados pela FAPEMIG no ano de 2009, entre os quais houve a aprovação de projetos submetidos pelos docentes da universidade escolhida, visando à identificação das regras e normas estabelecidas nos mesmos; e dados contidos nos currículos Lattes dos docentes;

b) Em seguida, foram realizadas entrevistas pessoais com uma

amostra de pesquisadores da universidade que tiveram projetos aprovados

nos referidos editais na condição de coordenadores, a fim de identificar os capitais envolvidos na escolha de parceiros de pesquisa. Nas entrevistas com os pesquisadores, foi buscado, além da identificação dos capitais envolvidos na escolha de parceiros de pesquisa, tanto elementos da doxa e nomos do campo, quanto da illusio destes pesquisadores.

Quanto às entrevistas, que estão dentre as técnicas qualitativas utilizadas por Bourdieu (THIRY-CHERQUES, 2006), as mesmas foram realizadas por meio de roteiros semi-estruturados, contendo tópicos a serem abordados, em um processo flexível de condução, que permitisse adequação às especificidades do entrevistado. Segundo Alencar (1999),

[...] a finalidade do roteiro é orientar o pesquisador, evitando que tópicos relevantes deixem de ser abordados. O momento e o modo como os tópicos são transformados em questões decorrerão do desenrolar da entrevista. Não há nenhuma restrição ao aprofundamento dos tópicos por meio de questões que emergem durante a conversa entre o pesquisador e o entrevistado. Aliás, o desdobramento de questões é fundamental neste método por permitir descobertas e a compreensão de um fenômeno partindo de novas interpretações fornecidas pelo entrevistado (ALENCAR, 1999, p. 105-106).

Durante a realização das entrevistas, considerou-se ainda que [...] Bourdieu entende que não há, no processo de construção da pesquisa, possibilidade de uma objetivação completa. Entrevistador e entrevistado, observador e

observado, questionador e respondente operam sob a coação de estruturas em que se inserem. Interagem a partir da sua história pessoal, da sua vivência social, o que afeta o resultado da investigação, o que, por fim, pode se tornar um artefato, um fenômeno produzido pelo pesquisador ou, na melhor das hipóteses, pela interação. Ele toma cuidados extremos para evitar a imposição da problemática, para não inquirir sobre temas sobre os quais os indivíduos não têm nenhuma competência [...] (THIRY-CHERQUES, 2006, p. 48).

Além disso, seguiram-se algumas recomendações de Bardin (2004), referentes à coleta de dados que antecede uma análise de conteúdo, já que este foi o tratamento dado às entrevistas com os pesquisadores. As recomendações são: (1) as entrevistas serem voltadas para o mesmo tema, (2) a mesma técnica de entrevista ser aplicada para todos os entrevistados, (3) ser empregado um mesmo entrevistador, e (4) uma seleção coerente dos entrevistados.

A preparação para as entrevistas consistiu não só na pesquisa documental, mas também na coleta de dados sobre os entrevistados escolhidos por meio da Plataforma Lattes. Foi utilizado gravador com autorização prévia dos entrevistados, pois segundo Triviños (1987), só com anotações pode-se incorrer no risco de restringir ou generalizar informações possivelmente importantes para a pesquisa. Já com a utilização destes equipamentos, tem-se o enunciado completo da entrevista, podendo ser usado inclusive para esclarecer pontos obscuros, eventuais dúvidas, e até mesmo comprovar afirmações feitas pelos entrevistados (TRIVIÑOS, 1987). Além disso, como foi utilizada análise de conteúdo, a transcrição fiel das entrevistas se mostrou fundamental.

Por fim, ressalta-se que a utilização das entrevistas se justifica porque se reconhece a relevância de se consultar os pesquisadores sobre suas escolhas, já que

[...] o indivíduo pode ver–se impelido a traçar suas próprias diretrizes de maneira cada vez mais consciente e reflexiva10 [...]. É possível considerar, pois, a configuração de um mundo objetivo pressionando para que o indivíduo assuma posições, faça suas escolhas (SETTON, 2002, p. 66)11. Considera-se, portanto, que há uma interconexão entre a prática social e a prática discursiva; entre fazer pesquisas e falar sobre pesquisas (ARAÚJO, 2008); entre escolher parceiros e falar sobre as escolhas. O que torna relevante a entrevista, ainda que se reconheça que o discurso dos pesquisadores provavelmente apresente ―uma mescla incompleta de enunciados racionalizados bem como inconscientes, verdadeiros‖ (quando o pesquisador se confessa a si próprio) e também ajustados (quando o pesquisador reage ao entrevistador, aos interesses e às estratégias de entrevistas presentes) (ARAÚJO, 2008, p. 85).

Foram realizadas, assim, 12 entrevistas com duração média de 40 minutos. Tal número se demonstrou suficiente, já que as percepções e informações fornecidas pelos docentes começaram a se repetir. Todas as entrevistas foram realizadas no ambiente de trabalho dos docentes, seja em suas salas na universidade ou em laboratórios. O contato inicial foi feito por intermédio de telefone ou e-mail, seguido da entrevista propriamente dita.

Os sujeitos que participaram da pesquisa, tendo seus dados coletados por meio de Currículo Lattes, e concedendo as entrevistas foram docentes da Universidade Federal de Lavras pertencentes a departamentos e cursos diversos da instituição. Chegou-se aos mesmos por meio da relação cedida pela instituição dos projetos que foram aprovados em editais da FAPEMIG no ano de 2009, juntamente com o nome de seus coordenadores, docentes da universidade. Tal amostra foi selecionada aleatoriamente. Dessa forma, os docentes

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Consideração esta permitida por meio de uma leitura contemporânea do habitus,como a empreendida por Setton (2002).

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Além disso, corroborando com este aspecto, Araújo (2008) identificou que pesquisadores de determinado contexto têm a capacidade de entender o que fazem e de justificar suas ações e omissões.

entrevistados foram os sujeitos da pesquisa, cujo universo foram os coordenadores de projetos selecionados pela FAPEMIG em 2009 na UFLA (92 projetos).

Em relação aos que foram, de fato, entrevistados, garantiu-se aos mesmos seu anonimato. Assim, optou-se por designar aos mesmos as expressões Pesquisador (a) 1, Pesquisador (a) 2, e assim por diante.