Entre as diversas técnicas existentes sobre a forma da coleta de dados durante uma pesquisa, nesta dissertação foram escolhidas: a pesquisa bibliográfica, a documental e a interrogação. Segundo Chizzotti (2001, p. 89), as técnicas de coleta de dados são consideradas como sendo: “(...) o processo acumulati o e linear cuja frequência, controlada e mensurada, autoriza o pesquisador, exterior à realidade estudada e dela distanciado, a estabelecer leis e pre er fatos”.
A pesquisa bibliográfica segundo Martins (1990, p. 23), é a pesquisa realizada para solucionar um problema ou adquirir conhecimento por intermédio de material impresso (livros, jornais, artigos, entre outros) para contribuir de forma teórica sobre o assunto abordado. Através da pesquisa bibliográfica, foram obtidos dados na doutrina, em normas, leis, pesquisas acadêmicas, reportagens em jornais e revistas, utilizados para entender as implicações sociais e econômicas ligadas ao objeto de estudo.
A pesquisa documental compreendeu a obtenção dos dados de estatísticas oficiais do país, tais como: da RAIS, do MTE, do MPAS, DIEESE, do CAGED e do IBGE. Segundo Bourguignon (2006, p. 41-52), o estudo documental possibilita a coleta de dados em documentos que expressem informação autêntica oriundos de
instituições e organizações sociais, órgãos públicos e privados, institutos, arquivos e diversas outras fontes pertinentes.
A técnica de interrogação, segundo Gil (1996, p. 90) utiliza, entre outros instrumentos, o questionário. Continua o autor (idem): “qualquer que seja o instrumento utilizado, convém lembrar que as técnicas de interrogação possibilitam a
obtenção de dados a partir do ponto de ista dos pesquisados”, situação esta que
está presente no objeto desta dissertação.
Para a coleta dos dados se utilizou como instrumento da técnica de interrogação, o questionário que se encontra anexo (APÊNDICE 1). Por questionário entende-se um conjunto de questões respondidas por escrito pelo pesquisado e constitui o meio mais rápido e barato de obtenção de informações, além de não exigir treinamento de pessoal e garantir o anonimato (GIL, 1996, p. 90).
Tratou-se de questionário estruturado não disfarçado e padronizado com questões fechadas, elaborado com 37 (trinta e sete) questões com múltiplas escolhas que objetivavam conhecer e classificar os trabalhadores do setor da construção, estruturado com questões qualitativas e quantitativas da seguinte forma:
- Questões números 1 a 13, exceto a questão 9: qualificação civil (sexo, idade, estado civil, religião), qualificação profissional (renda, profissão, jornada de trabalho, tempo de serviço, contrato de trabalho) e escolaridade; - Questão número 9: participação do trabalhador em curso ou treinamento sobre o uso de EPI;
- Questões números 14, 15 e 16: condições do ambiente de trabalho;
- Questão número 17: prevenção dos riscos de segurança no trabalho pelo trabalhador;
- Questões números 18 e 34: fiscalização no local de trabalho;
- Questão número 19: necessidade de regras sobre segurança no trabalho; - Questões números 20 a 22: ocorrência de acidente de trabalho (se presenciou ou sofreu acidente de trabalho, local, dia da semana, quantidade, tipo e horário);
- Questão número 23: responsabilidades do trabalhador quanto à segurança no trabalho;
- Questões números 24, 31, 32 e 33: uso de EPI pelo trabalhador; - Questão número 25: risco de acidente no ambiente de trabalho;
- Questão número 26: responsabilidade do empregador quanto à segurança no trabalho;
- Questões números 27 e 28: divulgação do número de acidentes no local de trabalho;
- Questão número 29: opinião sobre a segurança do trabalho oferecida pelo empregador;
- Questão número 30: opinião sobre melhoria da segurança no ambiente de trabalho;
- Questões números 35, 36 e 37: normas de segurança.
Foram aplicados 402 questionários junto aos trabalhadores da construção civil no município de Ponta Grossa-PR, no período compreendido entre os meses de maio a outubro de 2013.
Os questionários foram aplicados: nos canteiros de obra de empresas construtoras com sede na cidade de Ponta Grossa/PR, classificadas nos subsetores da divisão 41 (segmento das edificações, que engloba a construção de edifícios em geral, as reformas e manutenções e a atividade de incorporação imobiliária) adotada pelo IBGE na CNAE 2.0, na sede do SINTRACON PG, na sala de aula do Colégio Estadual Polivalente que oferece curso profissionalizante na área da construção civil e no escritório de advocacia da pesquisadora, todos localizados no município de Ponta Grossa-PR.
A escolha dos locais de aplicação dos questionários deu-se pelos seguintes motivos:
a) das empresas construtoras: como um dos objetivos da presente
pesquisa é a apresentação do perfil socioeconômico dos trabalhadores da construção civil do município de Ponta Grossa, buscou-se a participação das empresas construtoras do município em razão da necessidade da coleta de dados perante os trabalhadores formais do setor da construção. Para isso, procurou-se perante o sindicato da categoria na cidade, informações sobre as empresas existentes. O SINTRACON PG abrange os municípios de Ponta Grossa, Carambeí, Castro, Imbituva, Ipiranga, Palmeira, Piraí do Sul, Jaguariaíva e Arapoti, e perante o SINTRACON PG existem cadastradas 430 (quatrocentas e trinta) empresas construtoras que envolvem tais municípios, sendo: 300 (trezentas) com 1 a 20 empregados; 50 (cinquenta) com 21 a 50
empregados e 80 (oitenta) com mais de 51 empregados49. Segundo o SINTRACON PG, perante o sindicato não há diferenciação pelo porte da empresa, mas pelo número de empregados, sendo tal classificação utilizada pelas empresas perante o fisco de acordo com a renda bruta anual, e, portanto, a atuação do SINTRACON PG é igual para todas. Mesmo sendo expressiva a quantidade de empresas no município, e diante da impossibilidade de buscar a participação de todas, após a definição da amostra onde para se obter um nível de confiança de 95% com margem de erro aceitável de 5%, chegou-se ao resultado de que 355 sujeitos seriam necessários para a pesquisa, vez que em 31 de
dezembro de 2012, conforme as informações do MTE/RAIS50, o
município de Ponta Grossa possuía o número de 4.626 empregos formais na construção civil. Diante desse resultado, buscaram-se quinze empresas com mais de 40 (quarenta) empregados e cinco empresas com menos de 21 (vinte e um) empregados, onde sete das quinze e uma das cinco empresas aceitaram participar da pesquisa;
b) do SINTRACON PG: a escolha do sindicato da categoria dos
trabalhadores do setor da construção com sede em Ponta Grossa se deu em razão de que o sindicato através de seus componentes está envolvido no processo de assistência aos trabalhadores e fiscalização da aplicação das normas trabalhistas no setor, assim como na fiscalização do cumprimento das normas de segurança do trabalho e se prontificou em auxiliar quando questionado sobre o interesse em participar da pesquisa;
c) do Colégio Estadual Polivalente: entre as escolas da rede pública situadas na cidade de Ponta Grossa, o Colégio Estadual Polivalente é o único que possui curso técnico profissionalizante no setor da construção e por tal motivo houve interesse por parte da pesquisadora em realizar coleta de dados nessa instituição de ensino entre os alunos que estavam matriculados no curso para, devido ao seu nível de escolaridade, fazer a
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Informações prestadas pelo Sr. Almir do Rosário Andrade Prado, diretor do SINTRACON PG, em fevereiro de 2014.
50 MTE, Relação Anual de Informações Sociais. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/rais/>. Acesso
verificação do conhecimento e atitudes deles quanto às regras de segurança do trabalho no setor da construção comparando-os na análise dos dados com os demais trabalhadores do setor que participaram da pesquisa. Entre os cursos oferecidos pelo Colégio Estadual Polivalente, se encontra o curso técnico em Edificações, conforme informação do
Núcleo Regional de Educação do Estado do Paraná51. O curso foi
aprovado através do Parecer no 89/11, em 01 de março de 2011, da
Câmara de Educação Básica (CEB) perante o Conselho Estadual de Educação (CEE). De acordo com o parecer acima mencionado, o curso apresenta na sua matriz curricular, a disciplina de Segurança do Trabalho na Construção Civil, que informa e explica as normas de segurança do trabalho no setor aos alunos e, nesse sentido os alunos possuem uma das características procuradas pela pesquisadora, qual seja, saber se o conhecimento técnico sobre as normas de segurança do trabalho influencia para que os trabalhadores tenham atos mais seguros na atividade laboral;
d) do escritório profissional da pesquisadora: a atuação profissional da pesquisadora como advogada prestando assistência e defesa dos direitos trabalhistas e previdenciários relacionados aos acidentes de trabalho dos trabalhadores, entre eles, os do setor da construção, foi um dos motivos que levou a pesquisadora a desenvolver a presente pesquisa, a fim de constatar se as ocorrências dos acidentes de trabalho neste setor acontecem por falta de segurança, de fiscalização ou pela falta de conhecimento das normas de proteção ao trabalho por parte dos trabalhadores.
Quanto às providências éticas, o projeto da pesquisa foi protocolado sob no
13415613.1.0000.0105 perante a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), que tramitou junto com o Comitê de Ética da UEPG, cujo qual foi aprovado em 26 de abril de 2013 para dar início à pesquisa.
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Secretaria da Educação do Estado do Paraná, Núcleo Regional da Educação de Ponta Grossa. Disponível em: <http://www.nre.seed.pr.gov.br/pontagrossa/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=130>. Acesso em: 12 fev. 2013.
As empresas envolvidas, o SINTRACON PG e o Colégio Estadual Polivalente, assinaram Termo de Aceite na Pesquisa (APÊNDICE 2).
Todos os trabalhadores da pesquisa concederam autorização por escrito para a coleta de dados através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE 3), tendo sido acordado entre a pesquisadora e os envolvidos que não haveria nenhum tipo de informação possibilitando a identificação pessoal e empresarial dos participantes.