Anexo 6: Termo de confidencialidade
4.5 Coleta de dados
Tendo cumprido todos os preceitos éticos, a pesquisa foi realizada no período de abril a outubro de 2015. Para a coleta de dados, utilizou-se o método de Chamarz (2009), que faz uso das observações com descrições densas e extensivas, e a coleta dos relatos pessoais dos sujeitos da pesquisa por meio de entrevistas. A participação voluntária foi critério fundamental para a veracidade dos fatos no transcorrer da coleta de depoimentos.
A partir dos critérios de inclusão e exclusão estabelecidos e descritos, solicitou-se ao coordenador da Atenção Básica de Saúde do município indicações de UBSFs que se destacaram no cuidado a crianças e/ou desenvolveram algumas atividades de saúde na escola
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ou relacionada ao acompanhamento de crianças obesas. Foi indicada para ponto de partida a Unidade Básica de Saúde Adriana Bezerra, no bairro do Santa Rosa. A partir desta, indicou-se colegas de trabalho que desenvolviam ações na ABS com crianças e que se enquadravam nos critérios de inclusão da pesquisa, julgando ser importante para o enriquecimento do trabalho.
Contudo, antes de entrar em contato com a unidade para iniciar a pesquisa, decidiu- se, a princípio, de forma indutiva, observar e analisar a experiência da enfermeira do Centro de Obesidade Infantil. A escolha se deu por entender que a vivência da enfermeira no cuidado direto com um grupo específico de crianças obesas poderia gerar categorias iniciais de grande valor para o desenvolvimento da pesquisa, o que de fato ocorreu. Buscou-se assim, alcançar a entrevista intensiva descrita por Charmaz (2009) como uma observação minuciosa a partir de indivíduos com experiências relevantes de uma temática particular.
Assim, antecedendo as entrevistas, a pesquisadora principal entrou em contato com as UBSFs e, ao conseguir contato com a enfermeira do setor, marcou visita prévia para esclarecimento dos objetivos da pesquisa, tipo de produto a ser gerado através da tese, forma de entrevista a ser realizada, pergunta norteadora. E, no caso de aceite da enfermeira em participar do trabalho, agendamento de dia mais conveniente para o participante, quando o mesmo dispusesse de tempo, sem interrupção, para realização da pesquisa, em ambiente calmo e sem ruídos externos. Esse primeiro contato se deu de forma amistosa e com a proposta de estabelecimento de vínculo com o participante de forma que estivesse confortável e socializado com a temática abordada e com a pesquisadora.
Esse processo foi desenvolvido de forma a buscar coletar informações a partir de uma conversa direcionada, como sugere Charmaz (2009), de forma que o participante reflita e descreva experiências e expresse conversas e/ou sentimentos que usualmente seriam evitados em conversas usuais.
Assim, em um segundo momento, com agendamento prévio de data, horário e local onde o participante se sentisse mais confortável, procedeu-se à entrevista. É importante destacar que, na maior parte, as entrevistas ocorreram nos locais de trabalho dos participantes. Exceto em um único caso, em que a participante optou por um escritório de contabilidade, onde foi cedida uma sala reservada para realização da entrevista.
Após autorização para gravação de voz, procedeu-se às entrevistas, que foram gravadas em aparelho telefônico móvel e, logo em seguida, transcritas pela pesquisadora principal e por bolsistas de iniciação científica previamente treinadas. Após a transcrição, a pesquisadora principal prosseguiu com a releitura e aprovação das transcrições. Alguns critérios foram utilizados nesse processo, adaptados de Haguette (1999, p.99), a saber:
1. As passagens pouco audíveis foram colocadas entre colchetes; 2. Silêncios foram assinalados por reticências;
3. As pessoas citadas foram designadas por iniciais;
4. Palavras com forte entonação foram grafadas em negrito;
5. Foram corrigidos, em notas, possíveis erros do entrevistado, tais como: patologias, datas, dentre outros.
6. Uma vez terminada a transcrição, o texto foi submetido a um copidesque, sendo abolidas as repetições, corrigidos eventuais erros de português e de pontuação, sem que o sentido do texto fosse alterado.
Ao término das transcrições, as entrevistas foram enviadas por correio eletrônico para os enfermeiros entrevistados a fim de que procedessem à leitura e autorização do uso da mesma. Nas situações em que o participante não esteve satisfeito com o depoimento que tinha prestado, este marcou no texto o que deveria ser mudado ou acrescentou algo mais. A entrevista foi editada de acordo com as suas considerações, sendo retomadas tantas vezes quantas necessárias, até que o participante concordasse com o documento. Nos casos em que não se obteve resposta dos enfermeiros, após oito dias, procedeu-se à análise dos dados. Caso o enfermeiro enviasse correções após esse período, iniciou-se novamente a etapa de análise dos dados, agora com as correções a serem adotadas na entrevista.
Cabe ressaltar que esse processo de coleta de dados deu-se de forma concomitante com a análise dos dados e de forma cíclica, caracterizado como movimento circular e comparação constante, próprio da TFD (DANTAS, 2009).
A partir da análise das entrevistas com enfermeiros, e do surgimento de categorias que requereram refinamento e densidade, surgiu a necessidade de captar de outros três grupos amostrais, constituídos por profissionais médicos, gestores da saúde e pais de crianças obesas.
Na captação e coleta dos dados dos demais grupos amostrais seguiram-se os mesmos protocolos de entrevistas estabelecidos para o primeiro grupo (enfermeiros). A captação se deu igualmente por processo indutivo, realização de visita prévia, agendamento da entrevista e gravação da entrevista propriamente dita.
Em todo momento as entrevistas foram realizadas pela pesquisadora principal, que se manifestou com interesse e vontade de saber mais, solicitando detalhes esclarecedores a fim de obter informações precisas e conhecer as experiências e reflexões dos participantes da pesquisa (CHARMAZ, 2009). Nesse aspecto, as entrevistas apresentaram idas e vindas em
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tópicos de interesse a fim de obter esclarecimentos e alcançar as propriedades e dimensões das categorias que emergiram dos dados.
Aos participantes da pesquisa o analista permitiu, em ambiente confortável, que manifestasse opiniões, descrevessem e compartilhassem experiências e refletissem sobre elas. Da mesma forma, disponibilizou tempo necessário para que o participante selecionasse o que e como dizer, manifestasse ideias e sentimentos impossíveis de serem expressos em outros ambientes ou ocasiões, recebendo apoio e compreensão (CHARMAZ, 2009).
Com o objetivo de delimitação de amostra da pesquisa, utilizou-se o princípio da saturação teórica, que visa desenvolver as categorias emergentes dos dados ao ponto de não surgirem mais propriedades novas. Este processo se realiza na medida em que as categorias, e suas propriedades, não tenham sido definidas de forma clara, recorre-se novamente ao campo a fim de coletar novos dados para elaborar e refinar as categorias da teoria emergente. Esse ciclo repetiu-se até que as categorias encontraram-se saturadas, ou seja, quando as categorias estavam densamente consolidadas, e não pela repetição de informação nas entrevistas ou pelo quantitativo de sujeitos pesquisados (CHARMAZ, 2009).
Todo o processo de coleta de dados foi guiado pela premissa de que a entrevista é uma conversa orientada onde as perguntas do entrevistador pedem para que o sujeito expresse e reflita sobre as experiências que acontecem na vida cotidiana. O pesquisador deve manter o interesse em saber mais sobre o objeto de pesquisa (CHARMAZ, 2009). Segundo Dantas (2005), a observação também pode se constituir em um recurso valioso de coleta de dados, uma vez que possibilita compreender o que não é passível de expressão, ou o que o participante não consegue expressar.