3. METODOLOGIA
3.4 COLETA E TRATAMENTO DOS DADOS
3.4.1 Coleta dos Dados
O primeiro contato formal com a empresa ocorreu no dia 24 de novembro de 2015, e
nesse mesmo dia, foi enviada a carta convite (ver apêndice 1). A empresa, após analisar a
carta convite, deu o seu parecer positivo para a realização da pesquisa. Anteriormente a 24 de
novembro de 2015, foram feitos alguns contatos informais com a empresa, por meio de uma
colega que atualmente trabalha na empresa, a qual intermediou a negociação inicial para a
realização deste estudo.
Para a coleta dos dados foram adotados alguns cuidados em relação ao período de
realização do mesmo, não sendo realizada a coleta em dias de maiores atividades, final e
início de mês, bem como não compreender a época de final e início de ano. Esse
procedimento foi necessário pois a adoção simbólica trata-se de uma aceitação mental. Sendo
assim, esse procedimento zeloso foi observado, para que o respondente pudesse responder ao
questionário com mais tranquilidade.
A coleta de dados foi realizada contando com o apoio da empresa, a qual
disponibilizou uma sala e um computador, bem como uma pessoa para responder a qualquer
questionamento em relação ao questionário, caso houvesse por parte de algum participante.
No dia 17 de fevereiro de 2016, foi realizada uma visita na empresa, objetivando conhecer a
pessoa de apoio disponibilizada pela empresa para ajudar na coleta de dados. Os dados foram
coletados pela plataforma Google Docs, a qual mantém oculta a origem do respondente.
Os convites via correio eletrônico foram enviados pela primeira vez no dia 19 de
fevereiro de 2016. No dia 23 de fevereiro de 2016 foi feita uma segunda chamada, inclusive
informando que nessa data uma sala estava disponível com computador e acesso à internet
para responder a pesquisa, caso alguém não conseguisse responde-la em sua estação de
trabalho. Mais algumas respostas foram recebidas após essa segunda chamada.
Uma terceira chamada foi necessária, a qual aconteceu em meados do mês de maio
de 2016. Decorreu-se esse tempo, pois a pessoa de apoio esteve ausente devido seu período de
férias, também porque evitou-se coletar os dados em período de picos (fim e início de mês).
Importante enfatizar que nesse período de pausa na coleta dos dados (março e abril), a
empresa decorreu com suas atividades normais, não tendo nenhum evento importante que
alterasse o seu ambiente organizacional.
No que diz respeito a coleta de dados das duas questões especificas, para captar as
percepções, por meio das diversas racionalidades dos respondentes, a mesma ocorreu
juntamente com o questionário, as quais faziam parte do bloco II, inseridas como perguntas
abertas. Essas duas perguntas são apresentadas a seguir:
(i)Para você, qual o fator que mais lhe motiva a utilizar o sistema ERP na empresa?
(ii) Deixe sua sugestão/comentário referente a utilização do sistema ERP na empresa
Em relação a essas duas perguntas cabem algum comentários. Um ambiente de uso
efetivo de um sistema ERP, mesmo caracterizado como obrigatório, deve apresentar alguns
fatores que motivem as pessoas a utilizar o sistema ERP, além do fato de ser obrigatório.
Assim, ao captar as diversas racionalidades, em relação ao fator que mais motiva o uso efetivo
de um sistema ERP na organização, além de verificar alguns aspectos relacionados com a
utilização do sistema, seria uma forma de testar o modelo proposto por Bogt e Scapens
(2014). As categorias de análise para esta parte da pesquisa, foram fundamentadas no modelo
de Bogt e Scapens (2014), e são apresentadas no Quadro 12.
QUADRO 12 - CATEGORIAS PARA ANÁLISE QUALITATIVA
Objetivos específicos Constructo Sub Categorias Literatura Levantar a percepção dos
potenciais e efetivos
usuários participantes
desta pesquisa em relação ao uso efetivo do sistema ERP na organização; Testar o modelo de Bogt e Scapens (2014);
Racionalidades
Fator que mais motiva o uso do sistema ERP na empresa
Meyer; Rowan, 1977; DiMaggio; Powell 1983; Burns; Scapens, 2000; Bogt; Scapens, 2014; Bush, 1983; Tool, 1993; Russo, 2015. Comportamento de uso do sistema
ERP
FONTE: Elaborado pela autora (2016)
Racionalidades: As racionalidades evidenciam o poder de agencia dos potenciais e efetivos
usuários do sistema ERP. Racionalidades semelhantes compartilhadas na organização
contribuem com o processo de institucionalização, quando divergentes, podem causar
resistência a esse processo (BOGT; SCAPENS, 2014).
Fator mais motivador de uso do sistema: é na visão de um potencial e efetivo usuário, a
razão principal para executar a sua rotina de utilização do sistema, que vai além do fato de ser
obrigatório, e que contribui com o processo de institucionalização do sistema ERP na
empresa. Será verificado o fator que mais motiva o potencial usuário a utilizar o sistema na
empresa por meio de perguntas abertas. Posteriormente, por meio da análise do discurso, será
verificado o fator mais citado no corpus empírico, cujos discursos serão agrupados conforme
sentido comum.
Comportamento de uso: o que legitima uma instituição é o valor instrumental que lhe é
conferido (MEYER; ROWAN, 1977; RUSSO, 2015). O comportamento de uso de um
sistema ERP será considerado cerimonial, quando apenas atender aos aspectos de
funcionalidade técnica, não induzindo o gestor a agir com base nas informações
disponibilizadas em decorrência da utilização do sistema ERP. Será considerado instrumental,
quando além de atender aos aspectos de funcionalidade técnica, promover a ação social, ou
seja, o gestor tomar decisões com base nas informações geradas resultantes da utilização do
sistema (RUSSO, 2015). Assim, será verificada a opinião/sugestão do potencial usuário em
relação ao uso do sistema ERP na empresa. Em seguida, por meio da análise do discurso,
serão verificadas as opiniões e sugestões, constantes no corpus empírico, cujos discursos
serão agrupados conforme sentido comum.
Verificada a utilização efetiva do sistema ERP na empresa, a etapa seguinte consiste
em verificar a efetividade do departamento de controladoria, decorrente desta utilização. Para
essa verificação, uma entrevista semiestrutura foi aplicada via survey, ao supervisor do
departamento de controladoria (apêndice 3).
A entrevista foi elaborada com base no estudo de Dani e Beuren (2014), e
compreende três categorias de analise: (i) a consistência da linguagem financeira, (ii) a
qualidade dos serviços prestados, (iii) a influência dos serviços prestados pelos controllers
nas decisões dessas empresas. A seguir uma apresentação destas três categorias a serem
investigadas:
QUADRO 13 - CATEGORIAS PARA ANALISE DA ENTREVISTA
Categorias Descrição Literatura
Consistência da
linguagem financeira
Reflete o grau em que as informações são entendidas da mesma maneira pelo contador, controller e alta
administração, por serem consistentes.
Dani e Beuren (2014); Angelkort e Weisenberger (2011)
Qualidade dos
serviços prestados
Avalia o qualidade dos serviços prestados pelo
departamento de controladoria em relação a abrangência, precisão, tempestividade, métodos e técnicas utilizados, conteúdo e poder explicativo dos relatórios gerencias.
Dani e Beuren (2014); Angelkort e Weisenberger (2011 Influência dos serviços prestados pelos controllers
Reflete a influência da controladoria nos processos organizacionais de tomada de decisão e controle nos níveis mais altos da hierarquia
Dani e Beuren (2014).
FONTE: Dani e Beuren (2014)