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2 GESTÃO DO CONHECIMENTO

3.3 COLETA DOS DADOS

Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram: entrevistas e questionário. A entrevista “é um excelente instrumento de pesquisa por permitir a interação entre pesquisador(a) e entrevistado(a) e a obtenção de descrições detalhadas sobre o que se está pesquisando” (OLIVEIRA, 2007, p.86).

A entrevista foi do tipo semiestruturada. Nessa tipologia de entrevista o “entrevistado tem maior liberdade para formular suas respostas e o entrevistador não está obrigado a obedecer a qualquer tipo de roteiro prestabelecido” (SANTOS, 2013, p.261). Assim, possibilita o aprofundamento das respostas, uma vez que não são padronizadas.

As entrevistas semiestruturadas não são padronizadas [...]. O entrevistador tem uma lista de questões e perguntas a ser coberta, mas pode não usar todas elas em cada entrevista. A ordem das perguntas também pode mudar, dependendo da direção que a entrevista tomar. Na verdade, podem ser feitas perguntas adicionais, inclusive algumas que não tenham sido previstas no início da entrevista, à medida que surgem novas questões (GRAY, 2009, p.302).

Foram realizados dois pré-testes, tanto da entrevista como do questionário, os quais ocorreram nas seguintes datas: 23.04.2019 e 16.05.2019. O objetivo dos pré-testes foi identificar equívocos, incoerências e avaliar a clareza nos instrumentos. O primeiro pré-teste indicou principalmente: a necessidade de dividir algumas questões (nos dois instrumentos); mais opções de respostas nas questões; eliminar duplicidade; e por fim reduzir as sessões, enxugando-as. Assim, foram efetuados os devidos ajustes na ferramenta de questionário on- line e nas questões da entrevista. O segundo pré-teste foi realizado apenas para validar as correções solicitadas no primeiro. Os pré-testes foram realizados com um servidor público federal, ocupante do cargo de bibliotecário e que faz parte do quadro funcional da UFRN, porém não atua na BCZM.

As seis entrevistas foram realizadas no período de 22.05.2019 a 06.06.2019. Os indivíduos foram convidados pessoalmente ou por e-mail para participarem da entrevista. Após o aceite, foi marcado horário e dia para as entrevistas. Antes do início das entrevistas, foram apresentados dois termos para assinatura dos informantes: um de consentimento, referente à entrevista; e outro de consentimento de gravação de voz (APÊNDICES de D ao G). Salienta-se que apenas quatro dos entrevistados aceitaram que as suas entrevistas fossem gravadas. Dessa forma, foi realizado apenas o registro das ideias centrais dos relatos dos dois entrevistados que não permitiram a gravação.

Quanto ao questionário, esse “[...] pode ser definido como uma técnica para obtenção de informações sobre sentimentos, crenças, expectativas, situações vivenciadas e sobre todo e qualquer dado que o pesquisador(a) deseja registrar para atender os objetivos de seu estudo” (OLIVEIRA, 2007, p.83). O questionário foi elaborado a partir da ferramenta Google forms e enviado para 54 profissionais por e-mail, ficando disponível para quem desejasse responder durante o período de 20.05.2019 a 14.06.2019. Contudo, não se obteve a resposta da totalidade dos questionários enviados, isto é, obteve-se o retorno de 40 profissionais, e desse total apenas 34 responderam o questionário na íntegra.

3.3.1 Instrumentos de coleta de dados

A entrevista (APÊNDICE B) foi estruturada basicamente em três blocos. No 1º bloco, foram expostas questões relacionadas à caracterização do informante, sendo as questões de múltipla escolha. Em seguida, no 2º bloco, questões abertas que abordaram perguntas sobre a GC e as dificuldades e causas encontradas pelos entrevistados quanto a adquirir, criar, armazenar, compartilhar e utilizar o conhecimento na UI. Com as dificuldades identificadas, foi possível constituir uma análise situacional da biblioteca. E, por fim, no 3º bloco, foram expostas as ferramentas e práticas de GC encontradas na literatura da área (Quadro 11) para que os gestores indicassem quais eles conheciam, quais eram utilizadas pelos servidores, por meio de questões fechadas, e como eram utilizadas. Destaca-se que o 3º bloco, que se refere às questões das ferramentas e práticas, seguiu basicamente a divisão exposta por Batista e Quandt (2015), quando os mesmos distribuíram as práticas em três categorias. Para finalizar, uma questão que buscou saber se os gestores achavam importante a implantação de ferramentas e práticas de GC na BCZM.

Ressalta-se que, devido há alguns pedidos de anonimatos, decidiu-se colocar todos os relatos sem identificação de modo que os seis entrevistados foram representados da seguinte forma: I1, I2, I3, I4, I5 e I6.

Quanto ao questionário (APÊNDICE C), este foi apresentado em três blocos. No 1º bloco foram apresentadas questões de cunho demográfico (caracterização do informante), com questões de múltipla escolha e aberta. O 2º bloco, com questões abertas, procurou identificar como os servidores adquirem, armazenam, compartilham e utilizam o conhecimento na biblioteca. Além disso, buscou-se saber também o que facilita a criação do conhecimento no escopo da biblioteca. E, por último, no 3º bloco, com questões de múltipla

escolha, para identificar a média e mediana da frequência de uso e grau de importância dada pelos servidores às ferramentas e práticas mencionadas (Quadro 11).

Inicialmente indagou-se quanto à frequência de uso, cujas respostas a serem assinaladas foram nunca, raramente, ocasionalmente, frequentemente e sempre. Em seguida, quanto ao grau de importância, com as seguintes opções de respostas: irrelevante, sem muita importância, mais ou menos importante, muito importante e essencial. Os resultados foram trabalhados em planilha Excel e submetidos à análise. Em seguida, a interpretação foi realizada, gerando tabelas para cada dimensão. A partir das tabelas foi possível verificar a frequência de uso como também o grau de importância de cada dimensão, e depois especificamente de cada ferramenta e prática de cada dimensão. Esse último bloco seguiu (assim como na entrevista) basicamente a divisão exposta por Batista e Quandt (2015), quando os autores distribuíram as práticas27 relacionadas à GC em três categorias. Salienta-se que no 3º bloco apresentaram-se questões com ocorrência de fusão entre algumas ferramentas e práticas de acordo com o que tinham em comum.

Enfatiza-se que, antes das questões do questionário propriamente dito, foi feita uma consulta a cada servidor sobre seu interesse em participar da pesquisa. Em caso de resposta afirmativa, as questões do questionário apareciam para que esse servidor respondesse; em caso de resposta negativa, o questionário não aparecia.