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4 METODOLOGIA DA PESQUISA EM FOCO

4.3 A coleta dos dados

A recolha dos dados desta pesquisa deu-se por meio da aplicação direta do Questionário Fonético-Fonológico (QFF) e do Questionário Semântico-Lexical (QSL) a 24 informantes na região, construindo, pois, esse material o corpus de análise.

4.3.1 Instrumentos da pesquisa: fichas e questionários para as entrevistas

As fichas de identificação dos informantes e as fichas de localidade seguem o padrão adotado pelo Atlas Linguístico do Brasil (ALiB). O preenchimento dessas fichas teve grande importância por possibilitar um melhor direcionamento no momento de escolher os sujeitos para aplicação dos questionários, além da recolha dos dados históricos e sócio- econômicos dos municípios, fatores de grande relevância em uma pesquisa de cunho dialetal.

Com relação ao questionário linguístico para a coleta dos dados, aplicamos os questionários utilizados no Atlas Linguístico do Brasil – AliB, direcionados para os aspectos fonético-fonológico e semântico-lexical. Tal procedimento, ou seja, a aplicação de questionários estruturados para a pesquisa dialetológica, é considerado de relevante

importância por dialetólogos e geolinguistas, visto que permitem a homogeneização dos procedimentos de coleta de dados, cujas questões objetivam apurar a variação diatópica estabelecendo e caracterizando as áreas dialetais, como expressa Alencar (2007, p. 99): ―[...] as questões têm uma formulação inicial, de modo a assegurar um razoável grau de uniformidade necessário à intercomparabilidade dos dados obtidos, acrescentando-se, em alguns casos, gravuras que visam a auxiliar o desenvolvimento do inquérito‖, cabendo, no entanto, ao inquiridor fazer as adequações necessárias, no momento do inquérito.

4.3.1.1 O Questionário Fonético-Fonológico (QFF)

O Questionário Fonético-Fonológico (QFF) é composto de 159 questões, cujo objetivo é registrar, de forma mais completa possível, as variantes fonéticas diatópicas, diagenéricas e diageracionais e diastráticas de cada município pesquisado, documentando os fonemas da língua falada na região em todas as suas possibilidades de distribuição na cadeia sonora ―com vistas ao estabelecimento e à caracterização de áreas dialetais‖ (CARDOSO et al., 2013, p. 42).

A respeito das questões de cunho fonético-fonológico, espera-se do informante a resposta adequada, ou seja, o termo específico cujo fenômeno linguístico é proposto para estudo. No entanto, no Atlas Linguístico do Brasil – AliB – a análise das respostas dadas, conforme destaca Aquilera (2014, p. 95) ―indica que há uma série de questões que levam a não resposta ou a respostas equivocadas‖, verificando-se diferentes hipóteses, como: mesmo fazendo parte do mundo do informante, o referente é conhecido apenas pela forma dialetal, o desconhecimento do referente pelo informante a partir da descrição feita; a forma que se procura pode ter outras variantes; o informante não conhece a forma que se busca por não fazer parte de seu mundo; em algumas regiões ou na fala de gerações mais idosas, a forma é mais produtiva; pode haver equívoco na formulação da pergunta pelo inquiridor.

4.3.1.2 O Questionário Semântico-Lexical (QSL)

O Questionário Semântico-Lexical (QSL) compõe-se de 202 questões de caráter onomasiológico e diatópico como o propósito de documentar o registro coloquial do falante, buscando coletar formas empregadas de maneira mais geral na localidade, não priorizando regionalismos, arcaísmos ou linguagem de determinados grupos. A respeito do objetivo das questões descritivas do Questionário Semântico-Lexical, Santos (2006, p. 83) observa que se

trata de ―investigar a designação atribuída pelo entrevistado, sujeito da pesquisa, a determinados objetos do mundo referencial ou imaginário previamente selecionados‖.

Os itens desse Questionário encontram-se distribuídos em 14 campos semânticos, com um determinado número de questões para cada um deles, conforme discriminados, a seguir:

Quadro 02 - Campos Semânticos da Pesquisa

Campos semânticos Questões

Acidentes geográficos 1 a 6 Fenômenos atmosféricos 7 a 21 Astros e tempo 22 a 38 Atividades agropastoris 39 a 63 Fauna 64 a 88 Corpo humano 89 a 120 Ciclos da vida 121 a 135

Convívio e comportamento social 136 a 146

Religião e crenças 147 a 154

Jogos e diversões infantis 155 a 167

Habitação 168 a 175

Alimentação e cozinha 176 a187 Vestuário e acessórios 188 a 193

Vida urbana 194 a 202

4.3.2 Natureza das entrevistas e equipamentos

Para a realização desta pesquisa, optamos pela aplicação direta do questionário aos 24 informantes dos seis municípios da Região do Cariri cearense. Essa técnica de aplicação in loco permitiu que houvesse um contato mais efetivo entre o pesquisador e os informantes, inclusive por permitir que algumas dúvidas pudessem der dirimidas e feitas algumas observações.

Primeiramente, os dados foram gravados em um equipamento Olimpus Digital Voice Record VN-701PC (gravador digital), em seguida registrados e armazenados em microcomputadores.

Para a aplicação dos questionários, contamos com a presteza de alguns munícipes, visto que éramos desconhecidos em alguns pontos do inquérito, o que acarretava a falta de confiança das pessoas.

Em algumas localidades, contamos com a colaboração de alguns alunos do Curso de Letras da Universidade Regional do Cariri – URCA, residentes na localidade, para apresentação dos possíveis informantes.

A aplicação dos questionários se deu de forma espontânea e individualmente a cada informante, ocorrendo, na maioria das vezes, na sua própria casa ou em escolas do município. A aplicação dos questionários somente aconteceu após dadas as explicações sobre o propósito da entrevista, que era uma pesquisa de doutorado, cujo objetivo era fazer um mapeamento das palavras usadas atualmente para nomear as coisas da nossa região. Após o consentimento do informante em ser entrevistado, era feita a leitura do ―Termo‖ de concordância do uso dos dados na pesquisa.

Ao retornar das viagens, buscamos sempre identificar e arquivar o material sonoro em vários computadores para que fossem evitadas perdas e facilitassem o seu devido acesso ao tratamento dos dados.

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