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3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.3 COLETA E ANÁLISE DE DADOS

Esta seção tem a finalidade de explicar como foi realizada a coleta de dados, como o instrumento de coleta foi construído, bem como a forma com que os dados coletados foram analisados.

Na coleta de dados por meio de pesquisa documental, utilizou-se a Resolução nº 014/CUn/2002 (UFSC, 2002), que dispõe sobre a propriedade e a gestão de direitos relativos à propriedade intelectual no âmbito da Universidade Federal de Santa Catarina; Resolução Normativa nº 74/CUn/2016, que altera os Anexos C, D e E do Regimento Geral da Universidade Federal de Santa Catarina, e o Relatório de Atividades 2015 (PROPESQ, 2016).

O instrumento de coleta dos dados utilizado foi a entrevista, que Michel (2009, p.68) considera ser “um instrumento de excelência na investigação social”, e que Yin (2010, p. 133) complementa afirmando que “é uma das fontes mais importantes de informação para o estudo de caso”. Para Gil (2008, p. 109), entrevista é uma técnica de coleta de dados em que “o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas com o objetivo de obtenção de dados que interessam à investigação”, é um diálogo assimétrico entre duas partes: um entrevistador tem intenção de coletar dados, e o entrevistado é a fonte de informação.

A entrevista semiestruturada foi escolhida como instrumento de coleta de dados porque ela tem como alicerce certos questionamentos respaldados em teorias que constituem a pesquisa, mas que possibilita com que sejam formuladas outras questões que podem surgir durante o processo da entrevista (TRIVIÑOS, 1987); nesse sentido, há uma linha lógica que guia a entrevista, porém, questões que surjam durante o momento também podem ser sanadas.

Esse tipo de entrevista “oferece todas as perspectivas possíveis para que o informante alcance a liberdade e a espontaneidade necessárias, enriquecendo a investigação” (TRIVIÑOS, 1987, p. 146).

O Roteiro da Entrevista (Apêndice B) foi construído com o intuito de encontrar os elementos necessários para responder aos objetivos específicos. Dessa forma, a entrevista está dividida em duas partes.

A primeira parte foi construída para responder ao Objetivo Específico “c”: avaliar em quais estágios encontram-se os processos de Transferência de Tecnologia de pesquisadores do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Universidade Federal de Santa Catarina.

Para tanto, utiliza-se como base o modelo de Transferência de Tecnologia para universidades públicas brasileiras, de Carvalho e Cunha (2013). Esse modelo, apresentado na Figura 13 – Modelo de Transferência de Tecnologia para universidades públicas Brasileiras – é composto por nove indicadores, com três opções de resposta, representando três estágios (Alfa, Beta e Gama). Quando as respostas concentram-se no estágio Alfa significa que a Transferência de Tecnologia é incipiente; no extremo, quando as respostas concentram-se no estágio Gama, há forte Transferência de Tecnologia universidade- empresa.

Dessa forma, a primeira parte da entrevista é composta por 9 (nove) perguntas de múltipla escolha, nas quais o entrevistado escolhe como resposta a opção que mais aproxima-se de sua realidade. As respostas foram tabuladas e traduzidas em gráficos por meio da ferramenta Excel. Os comentários que cada um dos entrevistados tecia acerca das questões foram transcritas in verbis e utilizadas durante a discussão dos resultados, pois mostrou-se uma rica fonte de informações para contextualizar as respostas.

A segunda parte da entrevista é composta por 6 (seis) questões relativas ao perfil dos respondentes, além de outras 13 (treze) questões estabelecidas com base no Capítulo 2 – Referencial Teórico e, especificamente, na pesquisa de Barbosa Júnior (2009).

Por tratar-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa, os dados provenientes das entrevistas foram analisados segundo o Modelo Interpretativo de Analise (TRIVIÑOS, 1987), no qual o pesquisador realiza diversas leituras, categorizando as respostas, classificando-as e buscando similaridades e divergências entre elas com o intuito da construção de um esquema de interpretação e de perspectivas dos fenômenos estudados.

Dessa forma, inicialmente os áudios com as gravações das entrevistas foram convertidos em texto utilizando o software de reconhecimento de fala da ferramenta Google Docs, na função Digitação por Voz. Em seguida, realizou-se nova audição dos arquivos de áudio a fim de corrigir possíveis erros no processamento de fala, bem como acrescentar sinais de pontuação no texto, para que o conteúdo da mensagem escrita não diferisse do sentido expresso pelo respondente.

Conforme especificado no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, a identidade dos entrevistados foi preservada, sendo que os sujeitos da pesquisa, identificados a partir de agora como respondentes, são identificados como R1, R2, R3 e assim sucessivamente até R16.

Após a fase de transcrição das entrevistas, seguiu-se o caminho para interpretação de dados na pesquisa qualitativa, sugeridos por Triviños (1987), que são aqui seguidos:

a) Realizou-se uma leitura atenta de todas as respostas da primeira pergunta, seguida da leitura de todas as respostas da segunda pergunta, e assim sucessivamente até a última pergunta;

b) Em seguida, nova leitura foi realizada, com o intuito de identificar as ideias expressas pelos sujeitos da pesquisa que tivessem ligação com a teoria contida no Capítulo 2 – Referencial Teórico. O resultado desse processo é uma lista das principais ideias, de cada pergunta, que tenham lastro no Capítulo 2 – Referencial Teórico;

c) O próximo passo é a classificação das respostas, agrupando-as por afinidade de conteúdo. A posterior “análise preliminar das respostas classificadas permitirá detectar divergências, conflitos, vazios e pontos coincidentes que se acham nas afirmações dos respondentes” (TRIVIÑOS, 1987, p. 172).

Dessa forma, a

análise interpretativa apoiar-se-á em três aspectos fundamentais: a) nos resultados alcançados no estudo (respostas aos instrumentos, ideias dos documentos etc.); b) na fundamentação teórica (manejo dos conceitos-chaves das teorias e de outros pontos de vista); c) na experiência pessoal do investigador. (TRIVIÑOS, 1987, p. 173). Integrando essas três perspectivas, o Capítulo 4 – Apresentação e Análise dos dados – apresenta os principais dados obtidos durante as entrevistas, e associa-os com as teorias discutidas no Capítulo 2 – Referencial Teórico.

O Quadro 14 – Objetivos específicos, categorias de análise e instrumentos de colete de dados – apresenta as categorias de análise para cada um dos objetivos específicos propostos, bem como

Quadro 14 – Objetivos específicos, categorias de análise e instrumentos de colete de dados Objetivos específicos Categorias de análise Instrumentos de coleta

de dados Viés Entrevistas

a) Descrever processo de Transferência de Tecnologia universidade-empresa;

SINOVA Pesquisa bibliográfica,

documental e entrevista com representante da SINOVA e com docentes/pesquisadores Quali Entrevista Apêndice C

Modalidades de TT Entrevista Apêndice

B, perguntas 13 a 16

b) Identificar motivações, barreiras e facilitadores do processo de Transferência de Tecnologia universidade-empresa; Concepção de pesquisa acadêmica Pesquisa bibliográfica, entrevista com docentes/pesquisadores Quali Entrevista Apêndice B, perguntas 7 a 9

Apoio institucional Entrevista Apêndice

B, perguntas 10 a 12

Processo de TTU-E Entrevista Apêndice

B, perguntas 17 e 18 c) Avaliar em quais estágios encontram-

se projetos de pesquisa desenvolvidos no Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da

Universidade Federal de Santa Catarina em relação à Transferência de Tecnologia; Estágios do processo de Transferência de Tecnologia universidade-empresa Entrevista com docentes/pesquisadores Quali quanti Entrevista Apêndice B, perguntas 1 a 9

d) Propor formas para fomentar a Transferência de Tecnologia universidade-empresa.

Não se aplica Entrevista com

docentes/pesquisadores –

Entrevista Apêndice B, pergunta 19

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