O conjunto dos dados foi coletado exclusivamente através dossites de cada serviço de checagem. Alguns desses serviços possuem contas em redes sociais, a exemplo doInstagram
e do Twitter, porém, as informações necessárias para o cumprimento dos objetivos estavam em seus respectivos sites. Os registros desta coleta resultaram nos Apêndices A e B, e permitiram o aprofundamento no universo e a sistematização necessária para delimitação lógica da amostra.
6.3.1 Quanto à coleta dos dados
Conforme a natureza da pesquisa, em relação aos dados coletados, esta consiste em uma abordagem qualitativa (GERHARDT; SILVEIRA, 2009) o que se faz adequado para pesquisas em Ciências Sociais, que, segundo Minayo et al. (2007), é caracterizada pelo seu aspecto dinâmico e mutável, totalmente condizente com o fenômeno aqui estudado.
Com relação à coleta dos dados, a pesquisa é do tipo documental (documentos eletrônicos, aqui considerados como a descrição metodológica utilizada para a checagem de fatos que cada serviço de checagem expõe em seus sites), coletados e sistematizados a partir da elaboração de categorias de análise (BARDIN, 2010). Fazendo-se uso da observação sistemática, segundo Gil (2010), observou-se os sites dos serviços de checagem selecionados, buscando-se a identificação da metodologia de checagem utilizada, e coletando-as para posterior processamento.
A Análise de Conteúdo, na perspectiva de Bardin (2010), se adequa a esta pesquisa em decorrência de seu conjunto de técnicas, as quais facilitam a sistematização e a análise de conteúdos presentes nos mais variados tipos de comunicações, estabelecendo relações requeridas pelo pesquisador.
É importante considerar que, embora exista relativa rigidez metodológica atrelada à abordagem do tipo quantitativa, o aspecto qualitativo se dá por meio dos processos de inferência, servindo de intermédio entre a fase descritiva e a interpretativa. Em suma, os procedimentos descritivos sistemáticos realizados a partir da análise de conteúdo permitem a caracterização do mesmo como um método empírico, respaldando, desse modo, os objetivos da pesquisa.
A Análise de Conteúdo, ainda conforme Bardin (2010), enquanto técnica, possui duas funções principais: a primeira é a função totalizante, heurística, que enriquece o esforço exploratório; e a segunda, é a função de “administração de provas”, que auxiliam a confirmar ou refutar a hipótese levantada. Suas sub-técnicas são variáveis, como a análise do tipo temática, que consiste em elencar e agrupar eixos de análise sobre objeto de pesquisa, formulando, assim, as categorias de análise.
Para se proceder a Análise de Conteúdo (BARDIN, 2010) ocorreram três momentos: 1) A pré-análise: fase de organização inicial, em que foi realizado o agrupamento dos dados dos serviços de checagem delimitados na amostra;
2) A exploração do material: seguiu-se para a fase de investigação mais apurada, organizando os dados de acordo com as estratégias estabelecidas para o cumprimento dos objetivos específicos;
3) O tratamento dos resultados: fase em que os dados foram descritos e, simultaneamente, discutidos com base no referencial teórico.
Na fase da pré-análise dos dados, foram estabelecidas as categorias de análise, construídas com direta referência aos objetivos específicos, como expostas adiante:
Quadro 6- Categorias adotadas na coleta de dados
CATEGORIAS DESCRIÇÃO
Categoria 1 Procedimentos de checagem
Coletar e registrar os procedimentos de checagem expostos na metodologia de cada serviço de checagem;
Coletar e descrever a qualificação da informação que cada serviço de checagem atribui aos fatos analisados.
Categoria 2 Estratégias de checagem
Sistematizar as principais estratégias de checagem com base nas metodologias coletadas, com vias a identificação de padrões de estratégias (estratégias pautadas na evidência, na crítica, no apontamento de incoerências, na contextualização, etc.).
Categoria 3 Elementos recorrentes
nos fatos checados Identificar os principais elementos que aparecem nos fatos verificados,como os recursos linguísticos e imagéticos. Fonte: Elaborado pela autora (2019).
Para o desenvolvimento das categorias, iniciou-se a análise dos serviços a partir dos endereços eletrônicos disponibilizados na lista de signatários da IFCN (Apêndice A).
Durante a coleta, constatou-se que todos os serviços da amostra apresentam publicamente sua metodologia, no entanto, alguns sites apresentam dificuldades para que o usuário localize a metodologia, ou ainda, apresentam-na por meio de vídeo, o que acrescentou uma dificuldade na coleta de dados por exigir a tradução e a descrição do conteúdo por escrito.
No tocante à descrição da qualificação que cada fato recebe após os procedimentos de verificação – uma espécie de “selo” ou “veredito” da informação checada (verdadeira, falsa, em análise, etc.), alguns checadores não expõem a descrição de suas categorias na íntegra, fato este que dificultou a coleta de dados, tendo a pesquisadora que realizar um breve levantamento em algumas checagens finalizadas e publicadas para, posteriormente, descrever os “selos” utilizados na avaliação da informação.
A intenção de identificar os elementos existentes nas metodologias de fact-checking
possibilidade de inferir como o sujeito comum pode apreender estratégias de auditabilidade da informação possíveis de serem replicáveis em outras situações.
6.3.2 Quanto à organização dos dados
Os dados foram coletados com uma sistematização individualizada de cada serviço analisado, contendo seus procedimentos de checagem e suas classificações próprias de qualificação da informação dos fatos avaliados. Esta organização foi feita por meio de um quadro, denominado de “metodologia de checagem”, conforme o Quadro 7.
Quadro 7 -Estrutura de organização dos dados sobre as metodologias dos serviços de checagem
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
O quadro contém duas colunas principais –procedimentos de checagemequalificação da informação, tendo esta última mais duas subdivisões,denominaçãoedefinição.
a) Procedimentos de checagem: A primeira coluna descreve o passo-a-passo realizado pelos serviços de checagem desde a seleção do conteúdo até a qualificação final da informação;
b) Qualificação da informação: A segunda coluna descreve as nomenclaturas utilizadas na qualificação da informação, sendo formatada em duas sub colunas com o descritor da análise final da informação (denominação) e sua breve explicação (definição). Essa sistematização de organização do conteúdo foi mantida para todos os serviços avaliados, tendo sido possível identificar que alguns destes serviços divulgam tais informações em níveis distintos de clareza e precisão.
Todas as informações coletadas e registradas sobre cada serviço de checagem, registradas como no Quadro 7, advêm dos sites das organizações estudadas. Tanto os procedimentos de checagem quanto à qualificação da informação descritas são próprias de cada serviço, dados estes organizados e sistematizados durante a coleta de dados.
As checagens de fatos que foram selecionadas para a análise podem ser encontradas por meio dos links disponibilizados nas notas de rodapé, visto que, o volume de dados que
METODOLOGIA DE CHECAGEM DAS INFORMAÇÕES
PROCEDIMENTOS DE CHECAGEM QUALIFICAÇÃO DA INFORMAÇÃO
DENOMINAÇÃO DEFINIÇÃO
apresentam tornou inviável sua disposição na íntegra. Cada serviço de checagem teve uma breve descrição, limitada pela disponibilização de informação em suas páginas.
Os títulos das notícias analisadas foram traduzidos livremente, bem como a descrição das metodologias e das denominações da qualificação da informação utilizadas pelos serviços de checagem. O framework foi o ponto de partida para as discussões sobre information literacy em ambiências não-formais de ensino, com a intenção de realizar constatações teóricas mais aprofundadas, indo de encontro a uma realidade mundial sobre os fenômenos informacionais mediados pelas tecnologias digitais da informação e comunicação.
A análise do objetivo “D”, especificamente, partiu dos seis pressupostos descritos no
framework, dos quais foram inferidas suas funções, extraindo-se o tema central que a cada um compete, aqui nomeados de eixos, a saber: Eixo 1 - Autoridade; Eixo 2 - Processo informacional; Eixo 3 - Valor da informação; Eixo 4 - Pesquisa; Eixo 5 - Aprendizado; Eixo 6 - Exploração da informação.
A título de melhor compreensão, foi elaborado o Quadro 8:
Quadro 8 -Estrutura de organização dos dados sobre o comparativo entre elementos da ACRL e as metodologias de checagem EIXOS ANALÍTICOS DA COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO DA ACRL COMPETÊNCIAS PROPOSTAS PELA ACRL
RELAÇÃO ENTRE AS COMPETÊNCIAS PROPOSTAS PELA ACRL E OS PROCEDIMENTOS DE VERIFICAÇÃO
DOS FACT-CHECKING
(x) (y) (z)
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
A coluna 1 apresenta os eixos temáticos anteriormente citados; a 2, o título das 6 categorias preconizadas pelo framework; e a última coluna, as ações dos serviços de checagem de fatos durante seus procedimentos de análise, de modo a criar uma correspondência entre as categorias do referidoframework.