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4 MATERIAL E MÉTODOS

4.5 Coleta microbiológica

As coletas foram realizadas de duas formas distintas, uma com auxílio de limas endodônticas e outra com cones de papel absorvente, ambos estéreis e apirogênicos. Durante a desobturação seriada feita com limas individuais R25, conforme se atingia o comprimento da divisão dos terços radiculares, coronário (GC), médio (GM) e apical (GAP). Quando havia presença de núcleos metálicos fundidos, este núcleo foi coletado com cone de papel absorvente esfregando-o sobre sua estrutura. As amostras foram introduzidas em tubos tipo eppendorfs previamente esterilizados, contendo 1,0 mL do meio de transporte pré-reduzido VMGA III – Viability Medium Goteberg Agar (Dahlén et

al, 1993) e transportadas em jarros a vácuo para a câmara de anaerobiose (Don

Whitley Scientific, Bradford, UK) do Laboratório de Microbiologia da disciplina de Endodontia da FOP-UNICAMP para processamento por cultura microbiológica, após o término do procedimento clínico, não sendo ultrapassado o prazo de 4 horas para seu processamento.

Após a desobturação, foi realizada a coleta inicial do canal radicular em toda sua extensão, na posição zero estabelecida pelo localizador apical. O canal foi irrigado com

soro fisiológico e 3 cones de papel estéril/apirogênico foram introduzidos, um de cada vez, em toda a extensão do canal, sendo esta coleta denominada (A1). A seguir os pacientes foram divididos aletoriamente em dois grupos de acordo com a substância química auxiliar empregada (Tabela 1). Concomitantemente ao uso da substância, foi realizado o preparo mecânico com as limas Reciproc. A cada sessão foi realizado um novo preparo químico-mecânico utilizando o mesmo calibre das limas das sessões anteriores, para evitar alargamento excessivo dos dentes

Tabela 1. Divisão dos grupos de acordo com a Substância Química auxiliar (SQA) e medicação intracanal(MIC) utilizadas.

Grupos n SQA MIC

G1 10 CLX 2% gel CLX 2% gel + Ca(OH)2

G2 10 NaOCl 6% CLX 2% gel + Ca(OH)2

Para melhorar a eficiência da irrigação e evitar o extravasamento do NaOCl foi utilizado o sistema EndoVac (Discus Dental, Culver, CA, USA), sendo que no grupo G1, a substância irrigadora foi o soro fisiológico, e no grupo G2, foi o NaOCl 6%, no entanto, entre as trocas de limas o soro fisiológico foi utilizado no G2 para padronização do tempo de contato das substâncias químicas.

Figura 3. Sistemas de irrigação e agitação dos irrigantes utilizados. A- Utilização do sistema EndoVac durante o PQM dos canais radiculares. B- Agitação ultrassônica passiva.

Após a instrumentação de todo o canal, o mesmo foi irrigado com 5mL de soro fisiológico para remover todas as SQA utilizadas. A seguir procedeu-se a neutralização da SQA. Para a Clorexidina foi utilizado tween 80 + lecitina de soja e para o NaOCl 6%, o tiossulfato de sódio 5%. A seguir o canal foi novamente irrigado com 5 mL de soro fisiológico, aspirado. O canal foi então irrigado com 1 mL de EDTA 17%, o qual foi agitado ultrassonicamente por 30 s, com auxílio da ponta E1- Irrisonic em potência de 1, ou seja, 10% (Helse Dental, Santa Rosa de Viterbo, SP, Brasil), ilustrado na Figura 3. Esta ponta foi mantida 2mm aquém do comprimento real do canal. A irrigação com EDTA foi feita em 3 tempos de 30 s e a cada irrigação o EDTA foi renovado. Logo a seguir o canal foi irrigado novamente com soro fisiológico, para então realizar a coleta após o PQM (D1).

O canal foi preenchido com soro fisiológico, por 7 dias, com selamento coronário de uma camada de 2mm de coltosol (Vigodent, Rio de Janeiro, RJ, Brasil) e restauração com resina composta fotopolimerizável Z250 (3M Dental Products, St Paul, MN, EUA). Passados estes 7 dias, o paciente retornou para a realização das coletas do canal radicular, antes do PQM (A2), seguindo todos os procedimentos anteriormente detalhados. Após um novo PQM com EDTA foi feita a coleta D2. A seguir foi colocada a medicação intracanal a base de hidróxido de cálcio e clorexidina 2% gel, na proporção 1:1, inserida com auxílio de uma Lentulo, por 30 dias. Foi dada especial atenção para o preenchimento completo do canal com a medicação. Um pellet de algodão foi usado para condensar a medicação ao nível da entrada do canal e uma radiografia periapical foi realizada para garantir a qualidade de preenchimento do canal radicular. A seguir o dente foi restaurado com resina composta fotopolimerizável.

Depois de 30 dias de medicação intracanal, os canais foram assepticamente acessados, sob isolamento absoluto, de acordo com o protocolo para a desinfecção como anteriormente descrito. A medicação intracanal foi removida com uma lima K#40 contra as paredes laterais do canal radicular e irrigação abundante com 10 mL de solução salina. Em seguida, novas coletas foram realizadas (DMIC).

Antes de obturação, a instrumentação final do canal radicular foi realizada com a utilização de três instrumentos manuais maiores do que o diâmetro apical obtido após PQM. Este procedimento foi associado com o protocolo de irrigação para cada grupo. Após, todos os canais radiculares foram irrigados com sua respectiva solução neutralizadora. Os canais foram irrigados com 3 ml de EDTA 17% durante 1 minuto, seguido por uma lavagem final com 10 mL de solução salina estéril / apirogênica. A seguir os canais foram novamente coletados (D3).

Em seguida, os dentes foram obturados tridimensionalmente utilizando cones de guta-percha cortados com uma régua calibradora e lâmina de bisturi, em 2 calibres além da lima anatômica final, modelados com clorexidina 2% gel e travados no canal radicular em 2mm aquém do comprimento real do dente. Após este procedimento, o canal foi seco com auxilio de cones de papel absorvente calibrados no comprimento real do dente, para então ser realizada a obturação do canal, a qual foi utilizado o a a cimento endodôntico a base de óxido de zinco e eugenol (Endomethasone N, Septodont; Saint Maur des Sossés Cedex, França), espatulado até não obter mais brilho. As cavidades de acesso foram seladas com uma camada de 2mm de coltosol e resina composta fotopolimerizável.

Resumindo, as coletas realizadas foram nomeadas de:

Guta-percha cervical (GC); Guta-percha média: (GM); Guta-percha apical: (GAP); Antes do PQM 1: (A1); Depois do PQM 1: (D1);

Antes do PQM 2, após 7 dias: (A2); Depois do PQM 2: (D2);

Depois da medicação intracanal: (DMIC); Depois do PQM 3: (D3).

Para as coletas das amostras microbiológicas dos canais radiculares foram utilizados 3 cones de papel absorventes estéreis e apirogênicos, que foram individualmente introduzidos no comprimento pré-determinado pelo localizador apical, permanecendo nesta posição por 60 segundos. Em caso de canal seco, este era umedecido com soro fisiológico estéril e apirogênico, para assegurar uma cultura viável (Tabela 2). Em todos os casos foram coletadas amostras de um canal radicular apenas. Em casos de dentes bi ou multirradiculares, as amostras foram coletadas do canal mais amplo, de maneira a confinar o exame microbiológico em um único ambiente ecológico.

Tabela 2. Método de coleta e armazenamento das amostras microbiológicas

Amostra Instrumento Qtd Comprimento Meio

1 Microbiológico Limas

endodônticas 01 Terço cervical

Tubo tipo eppendorf com 1,0 mL de VMGA III

2 Microbiológico Limas

endodônticas 01 Terço Médio

Tubo tipo eppendorf com 1,0 mL de VMGA III

3 Microbiológico Limas

endodônticas 01 Terço Apical

Tubo tipo eppendorf com 1,0 mL de VMGA III

4 Microbiológico Ponta papel 03 No ápice Tubo tipo eppendorf com 1,0 mL de VMGA III

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