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3.4.1 Local da Pesquisa

A coleta de dados para a pesquisa foi realizada em dois ambientes diferentes. A parte

referente à coleta das imagens da marcha em ambiente terrestre foi realizada no estúdio do

Laboratório de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em

Curitiba e a parte em ambiente aquático na piscina do setor de Hidroterapia da Clínica Escola

do curso de Fisioterapia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde – CCBS da Pontifícia

Universidade Católica do Paraná. A análise dos dados foi realizada no Laboratório de

Engenharia de Reabilitação da mesma universidade.

3.4.2 Avaliação dos Sujeitos

A seleção dos indivíduos, que atenderam aos critérios de inclusão, foi realizada com

auxílio de uma ficha de Avaliação (APÊNDICE I), que está dividida em três partes. A

primeira parte está relacionada com os dados de identificação do paciente tais como: nome,

sexo, idade, peso, altura, índice de massa corpórea (IMC) e anamnese. A segunda parte está

destinada à avaliação subjetiva da marcha em ambiente terrestre através da observação. E a

terceira parte é para o registro dos ângulos articulares de flexão/extensão de quadril, joelho e

tornozelos, obtidos através da goniometria e a coleta dos dados antropométricos, onde os

segmentos medidos foram: pé, perna, coxa e CBT, sendo os pontos de referências utilizados

para as medições, aqueles especificados na Tabela de Dados Antropométricos (WINTER,

2005). Os procedimentos da avaliação foram realizados em uma sala da Clínica Escola de

Fisioterapia da PUCPR, em uma sala apropriada e sempre pelo mesmo avaliador.

3.4.3 Procedimento de Coleta de Dados

Cada indivíduo tomou conhecimento do procedimento a ser realizado e assinou um

termo de consentimento livre e esclarecido (ANEXO I). A pesquisa respeitou a Resolução

196/1996 do CONEP, sendo aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia

Universidade Católica do Paraná, no dia 15 de dezembro de 2004, estando a mesma registrada

neste Comitê sob número 427 (ANEXO II).

Os indivíduos selecionados foram submetidos à avaliação da marcha em ambiente

terrestre e aquático através da cinemetria. Para o registro dos dados cinemáticos nos dois

ambientes, foram afixados marcadores passivos, brancos a prova d’água de 3,5cmX3,5cm, em

6 (seis) pontos anatômicos: trocânter maior, côndilo femural, base lateral do calcâneo, base do

V metatarso, maléolo lateral e articulação glenoumeral. A distância entre cada marcador foi

mensurada e anotada na ficha de avaliação para garantir que as mesmas posições dos pontos

anatômicos fossem registradas no ambiente aquático.

Em ambos os casos, um objeto para calibragem de dimensões e ângulos conhecidos

(Figura 17), foi posicionado dentro do plano de visão das câmeras. Tal objeto permitiu

recuperar as dimensões reais dos segmentos corporais a partir das imagens digitalizadas.

Figura 17 – Imagem calibrador durante coleta da marcha em AT. O calibrador ficava sempre

posiionado no mesmo lugar durante todo o período das filmagens

Antes de iniciar a aquisição das imagens cada participante foi ambientado à atividade

a ser realizada, executando a atividade de caminhar quantas vezes julgasse necessárias para

que se familiarizasse com a tarefa. Todos os sujeitos foram filmados a uma freqüência de 60

Hz, com ajuste manual de shutter de 250 e ajuste manual de foco, nos dois ambientes.

3.4.4 Coleta da Marcha em Ambiente Terrestre

Essa etapa da pesquisa foi realizada no estúdio do Laboratório de Comunicação

Social da PUC-PR.

Cada indivíduo foi orientado a caminhar, a uma velocidade de sua própria escolha

em uma passarela de 4m x 1,10m de comprimento e largura respectivamente.

Para a filmagem da marcha em solo, uma filmadora digital da marca Panasonic

PV-GS12LB-S, com freqüência de 60 Hz e shutter de 1/8000, foi posicionada a 4,2m da

passarela, a 1m de altura do solo, de forma a adquirir a imagem do plano sagital. As filmagens

foram realizadas segundo o esquema da Figura 18 .

PASSARELA

Câmera

Luz

Luz

Calibrador

1,60m

2,

0

m

4,2

0m

4,00

1,

10

m

Foram registradas 20 repetições de cada participante do início ao final da passarela,

sendo solicitado aos participantes que caminhassem em linha reta a uma velocidade de sua

própria escolha, de forma mais natural possível.

3.4.5 Coleta da Marcha em Ambiente Aquático

Após a coleta dos dados em solo, os voluntários realizaram a macha em ambiente

aquático. Para esta avaliação, foi utilizada a piscina do setor de Hidroterapia da Clínica Escola

do Curso de Fisioterapia da PUCPR, que apresenta como medidas 6,0m X 4,0m de

comprimento e largura respectivamente.

Solicitou-se que os participantes entrassem na piscina, com profundidade da água ao

nível do processo xifóide e caminhassem também em linha reta na passarela já demarcada nas

bordas da piscina. Para garantir a altura no nível do processo xifóide de cada sujeito, era

realizado o ajuste do nível da água para cada participante da pesquisa.

Para a aquisição das imagens nesse ambiente (Figura 19) foram utilizadas duas

câmeras de vídeo digital uma da marca Panasonic PV-GS12LB-S (câmera 1) e outra JVC

GRD 72U (câmera 2), com freqüência de 60 Hz e shutter de 1/250, que captaram imagens

separadas para cada ambiente, devido à refração da luz no ambiente aquático, conforme Kwon

(1999).

Passarela

Câmera (a)

Calibrador Contador de passada

Câmera (b)

Sincronizador

5,

00

m

6,

00

A câmera 1 foi inserida em uma caixa estanque da marca Croma, e posicionada no

interior da piscina a uma distância de 5m da passarela utilizada pelos participantes para

caminhar. Esta câmera adquiria as imagens subaquáticas (Figura 20), referentes aos

marcadores localizados no membro inferior. A passarela utilizada apresentava 4,0m X 0,75m

de comprimento e largura, respectivamente.

Figura 20-Imagem subaquática adquirida pela câmera de dentro da piscina. A seta branca indica a

presença do flash utilizado para sincronizar a imagen de dentro da piscina com a imagem de fora da

piscina.

A câmera 2 foi posicionada fora da piscina a uma distância de 6 m de comprimento

da borda contra lateral e adquiriu as imagens do membro superior, mais especificamente, o

ponto do ombro (Figura 21).

Figura 21 -Imagem representativa do tronco pela câmera de fora da piscina, correspondente ao

ponto do ombro. A seta branca indica a presença do flash.

Ambas as filmadoras foram posicionadas com o eixo óptico perpendicular ao plano

de deslocamento.

Para este ambiente, também foram adquiridas vinte repetições de cada participante

do início ao final da passarela.

As imagens das duas filmadoras foram sincronizadas através de um dispositivo

luminoso e um dispositivo que marcava o número de repetições. Cada vez que os sujeitos

passavam pelo calibrador, era disparado manualmente um flash, que brilhava dentro e fora da

água no mesmo instante, para permitir que os cortes dessas imagens fossem realizadas no

mesmo quadro.

3.4.6 Análise dos Dados

Após as aquisições das imagens em ambos os ambientes, as imagens foram

transferidas para um computador. Dessas imagens foram selecionados três ciclos (passadas)

aleatórios de marcha de cada indivíduo em cada ambiente, entretanto para análise em

ambiente aquático, foram realizados 6 cortes, pois 3 eram representativos aos MMII e 3 aos

MMSS. Em AA é necessário filmar simultaneamente dentro e fora da água, com duas

filmadoras distintas e depois o software realiza a composição da imagem completa através de

dois vídeos distintos. Para a obtenção desses cortes foi utilizado o programa Adobe Premier

Pro, versão shareware.

Depois de realizados os cortes, referentes ao ciclo da passada, as imagens eram

arquivadas para posterior análise.

Para análise, foi utilizado um programa (VAZATTA; ARAUJO; MELLO;

MANFRRA, 2006) (Figura 22) desenvolvido pelo grupo de pesquisa no ambiente MATLAB.

Para iniciar a análise, o primeiro passo era selecionar o número de análises, que neste caso

eram 3, pois era realizado a média desses ciclos, depois era selecionado o número de vídeos

que forma cada análise, no caso 1 vídeo para análise da marcha em AT e 2 vídeos para análise

em AA, seguido do número de pontos que seriam digitalizados em cada quadro de acordo

com o modelo biomecânico adotado.

Figura 22 - Tela do software durante análise da um ciclo da marcha em ambiente terestre.

Em cada quadro do ciclo da marcha, as posições dos marcadores foram recuperadas

em coordenadas espaciais. O procedimento para a transformação das coordenadas reais dos

dados adquiridos foi o da transformação linear direta (DLT, Direct LinearTransformation) e

as imagens solo-água provenientes das duas filmadoras foram sincronizadas automaticamente

pelo software.

Utilizou-se um calibrador de 1,6m X 2,0m (comprimento e altura, respectivamente)

com 30 pontos. Foram utilizados para a recuperação das imagens 4 pontos com suas

coordenadas horizontal e vertical nas imagens realizadas dentro da água e outros 4 pontos nas

imagens capturadas pela câmera 2 que estava fora da água.

Depois de configurado o sistema, as imagens eram carregadas no computador e os

vídeos eram analisados. A análise era realizada quadro a quadro para cada corte referente a

um ciclo da passada, onde em cada corte era realizada a marcação manual de todos os pontos

(Figura 23) correspondentes aos marcadores no modelo biomecânico e assim sucessivamente

para todos os ciclos.

Figura 23 – Marcação manual dos pontos, realizada quadro a quadro na análise da marcha de um

voluntário em ambiente terrestre.

Após a realização de uma análise completa, o software fornecia como resultado as curvas

e os dados numéricos das variáveis: ângulos do tornozelo, joelho e quadril durante o ciclo da

marcha; aceleração e velocidade angulares do tornozelo, joelho e quadril durante o ciclo da

marcha e as coordenadas x e y do centro de massa no plano sagital durante um passo. Além

disso, também eram armazenados em arquivos as coordenadas “x”e “y” de todos os pontos

dos marcadores.

Portanto, as curvas das variáveis angulares em um ciclo da marcha, foram obtidas

durante o trabalho de pesquisa, mas não são mostradas neste documento, pois não são o foco

deste estudo.

3.5 CORREÇÃO DA DISTORÇÃO DEVIDO AO POSICIONAMENTO DAS CÂMERAS

EM AMBIENTE AQUÁTICO

Devido às condições físicas do ambiente disponível para a coleta de dados, as

filmadoras foram posicionadas a distâncias diferentes do calibrador. Conforme pode-se

observar na Figura 19, a câmera de fora da água está posicionada a 6 m do calibrador

enquanto que a câmera sub-aquática está posicionada a 5 m do mesmo.

Este posicionamento gerou uma distorção na dimensão do tronco que, por sua vez,

ocasionou uma distorção no posicionamento do CM. A fim de corrigir este problema foi

realizada uma correção na dimensão do tronco em ambiente aquático da seguinte forma:

1. Primeiramente foram obtidos os comprimentos dos segmentos a partir das imagens

obtidas em ambiente terrestre, o qual foi realizado com apenas uma câmera;

2. A partir destes comprimentos foi calculado um fator de proporcionalidade do tronco

em relação aos MMII, dado na equação 7:

coza

perna

tronco

tronco

l

l

l

l

f

+

+

= (7)

Onde:

ftronco: fator de proporcionalidade do tronco entre o comprimento do tronco e dos

mmii;

ltronco: comprimento do tronco obtido a partir do vídeo feito em solo;

pe

l : comprimento do pé obtido a partir do vídeo feito em solo;

perna

l : comprimento da perna obtido a partir do vídeo feito em solo

coxa

l : comprimento da coxa obtido a partir do vídeo feito em solo

Isto porque todos os membros inferiores estavam no campo de visão da câmera

sub-aquática e não sofreram distorção, portanto.

3. Este fator de proporcionalidade foi utilizado para corrigir o comprimento do

tronco na água, utilizando a equação 8:

)

( ´ ´ ´

´

coza

perna

tronco

tronco f l l l

l = + + (8)

Onde

tronco

l´ : comprimento do pé obtido a partir do vídeo feito água;

perna

l : comprimento da perna obtido a partir do vídeo feito água;

coxa

l : comprimento da coxa obtido a partir do vídeo feito água.

4. Com os comprimentos dos segmentos em AA, calculou-se o centro de massa

conforme explicado no item 3.1, utilizando as coordenadas mais distais como

referência para o posicionamento do CM, como mostra a Figura 15. Isso permite que

se faça o cálculo do CM do tronco em AA a partir do ponto do trocânter que se

encontra imerso e, portanto, é obtido pela filmadora subaquática.

ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS DADOS

Como procedimento de análise dos dados, utilizou-se a estatística descritiva e o teste t

de Student pareado, onde considerou-se diferença estatisticamente significativa, quando p ≤

0,01.

Para utilização do teste t, para cada uma das variáveis, foram formuladas duas

hipóteses:

• H0: não há diferença entre os grupos que estão sendo comparados, ou seja, a variável

no solo é igual a variável na água.

• H1: existe diferença entre os grupos, ou seja, a variável da água é diferente da do solo,

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