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COLETIVA, LOCAL, INTEGRADA, INTERATIVA E DINÂMICA.

No documento Caderno I - Comunicações (páginas 88-93)

Paulo E. Diaz Rocha54

Palavras-chave: Arte Educação Ambiental, Artivismo.

Resumo Expandido: Segundo o filósofo G. BORNHEIM (1997), "educação é das

palavras mais abrangentes que se possa imaginar - afinal, tudo educa, a começar pelos reveses que acometem o processo de evolução do homem. Talvez se possa até avançar que a educação depende do maturar de certos processos contraditórios (...), bastaria pois a nudez das contradições para que medre a pedagogia." O uso das Artes para

sensibilização em Educação Ambiental – EA já é tradicional, mas nem sempre desenvolve este componente da contradição. Por outro lado, o Artivismo traz para a Arte “...instrumentalização, dando a ela uma função sócio-política, que vai desde a formação de consciência do outro, passando pela educação, até o fomento da mobilização” (CHAIA, 2007). Defendo, deste modo, uma atuação artística contra hegemônica, contendo, para além da “arte pela arte”, um fim educomunicativo, ou seja, uma arte de confronto ao status

quo capitalista, degenerativo das relações humanas e ambientais. Assim, este artigo

objetiva ampliar o campo da Arte Educação Ambiental - AEA como uma opção estética, mas também de engajamento crítico e de resistência na EA como defendido por LOUREIRO & LAYRAGUES (2013). Apresentando vertentes possíveis para uma atuação cidadã e responsável, como metodologia, selecionei trechos de artigos próprios que discutiram o assunto (DIAZ ROCHA, 1996, 1999, 2009 e 2011) e os aproximei de ideias desenvolvidas por pensadores de diversos campos. Como resultados parciais, uma vez que novas estratégias vêm sendo acrescidas, apresento oito aspectos que penso importantes serem vislumbradas. 1. Técnica 2. Estética e 3. Ideológica: com a primeira se dá o processo de ensino-aprendizagem de como construir o objeto artístico. Na segunda, se pensa em como proporcionar um acabamento adequado para que ele tenha algum grau de beleza. E na terceira, se pretende que ele cumpra um papel pedagógico, de provocador do processo civilizacional insustentável – baseado em P. FREIRE (1997),

pela via da denúncia, mostrando as mazelas atuais55 ou do anúncio, indicando caminho

para um futuro justo e sustentável. Do mesmo modo, apoiado nos ideais do

cooperativismo, da autogestão e do desenvolvimento local da economia solidária,

formulei (DIAZ ROCHA, 2011) as ideias sobre uma Arte 4. Coletiva, realizada em grupos, empreendimentos, visando à participação horizontal e democrática e ainda 5. Local, que

54 Universidade de São Paulo. Contatos: [email protected], 11 99205-4415

55 Neste sentido, creio que a postura pessimista seja também um modo de se impactar o espectador,

possibilitando provocar uma reação positiva. Entretanto, esta perspectiva pode “sair pela culatra” se a resposta for um pensamento de inevitabilidade da degradação ambiental pelo ser humano, impregnando-a de alienação, niilismo.

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esteja imbuída de suas respectivas raízes territoriais ligadas à cultura, economia, movimentos sociais, envolvendo temas de raça, gênero, classe social etc. Mais tarde, a partir de debates e exposições (DIAZ ROCHA, 2011), percebi a necessidade, quando possível, de envolver diferentes tipos de Artes, formulando a proposta 6. Integrada, quando se faz possível, por exemplo, uma exposição de esculturas, fotografias, desenhos com música, dança e/ou teatro... Do mesmo modo, percebendo a passividade do observador de obras, o que não combina com uma EA progressista, crítica e participativa, passei a promover, por exemplo, exposição de fotografias de modo a torná-la 7. Interativa, ou seja, as pessoas são convidadas a contribuir, fazendo uso de lápis de cor sobre as fotos em Preto e Branco (técnica que chamo PB em Cor). Mais recentemente, a partir da minha paixão por móbiles, descobri o fascínio por obras em movimento, sugerindo que o objeto produto da AEA possa ser 8. Dinâmica, permitindo desenvolver ideias sobre ciclos, ritmos, envolvimento da atmosfera local sobre a “dança” do objeto dependurado, ao sabor dos ares e ventos ao redor. Por fim, concluindo: as vertentes não são etapas, mas aspectos possíveis ou mesmo necessários de serem tratados para reflexão na formação

em AEA - política, sociológica, militante56. A partir das ideias de uma pedagogia

problematizadora ou crítico-participativa (DIAZ ROCHA, 1996) ou do conflito, da indignação (P. FREIRE, 2000), busco, portanto, aproximar sentir e pensar, ver e agir, propondo uma “pedagogia dedo-na-ferida”, rebelde, interventora, provocativa (DIAZ ROCHA, 2009), apoiando a síntese freireana sobre “o direito e o dever de mudar o mundo”! E fecho com Gandhi: “toda verdadeira arte é uma expressão da alma e meio

para sua auto-realização, pois as formas externas se valorizam apenas quando são manifestações do espírito interior do homem... Para um verdadeiro artista, só existe beleza quando unida à verdade: quando os homens [e as mulheres] começarem a ver beleza na verdade, então surgirá a verdadeira arte”.

Referências

BORNHEIM, G. 1997. Da contradição necessária: Descartes e a questão da

liberdade. In: Veredas. RJ: CCBB, ano 2, n.15, p.22.

CHAIA, Miguel. Artivismo – Política e Arte Hoje. Aurora, 1: 2007. Acessível em

https://revistas.pucsp.br/index.php/aurora/article/viewFile/6335/4643

DIAZ ROCHA, P. D. Arte Educação Ambiental Como Práxis Política. In: Pré-Fórum de Educação Ambiental, Região Sudeste, 27 e 28 de junho de 1996 - UERJ.

--- Arte Educação Ambiental Para Um A Cidadania Político-Participativa. In: I Encontro Ambiental Virtual Meio Ambiente 99.Technische Universität Hamburg, 1999. Acessível em http://umweltprogramme.de/meioambiente99/tema02/rocha/index.html --- A EA: o que é e para que serve? VI Congresso Ibero-Americano de EA, Argentina, 2009.

--- Arte Educação Ambiental - AEA: uma linguagem político-pedagógica da arte. Monografia apresentada à Universidade de São Paulo/Centro Universitário Maria Antônia pelo Curso de Especialização Linguagens da Arte: São Paulo, 2011.

FREIRE, Paulo. Denúncia, anúncio, profecia, utopia e sonho. In: BRASIL; SENADO FEDERAL. O livro da profecia: o Brasil no terceiro milênio. Brasília: Coleção Senado, 1997.

--- Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Editora UNESP, 2000.

LOUREIRO, Carlos F. B. & LAYRARGUES, Philippe P. Ecologia política, justiça e

educação ambiental crítica: perspectivas de aliança contra-hegemônica. Trab. Educ.

Saúde, Rio de Janeiro, v. 11 n. 1, p. 53-71, jan./abr. 2013.

56 Isto não deve substituir a Arte pela Arte, mas é preciso sensibilidade para que a AEA não deságue numa arte “apenas” panfletária, demagógica ou moralista e perder sua aura mágica, misteriosa, de

reencantamento pela Natureza e pela Humanidade. Isto é, evitar que a ideologia se sobreponha ao artístico, buscando um equilíbrio difícil, mas possível.

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INDÍCIOS DE AMBIENTALIZAÇÃO

NOS DOCUMENTOS

CURRICULARES DE UM CURSO DE

LICENCIATURA EM MATEMÁTICA

Schayla Letyelle Costa Pissetti57

Lucia Ceccato de Lima58

Marina Patrício de Arruda59

Izabel Cristina Feijó de Andrade60

Eixo 2: Políticas, Programas e Práticas de Educação Ambiental.

Tema: Ambientalização nas Instituições de ensino.

Palavras-Chave: Ambientalização curricular, Educação Matemática, Ensino Superior.

Resumo Expandido: Diversos estudos sobre o processo de ambientalização curricular

estão sendo realizadas em Universidades engajadas com a sustentabilidade e a reflexão sobre a realidade do século XXI. A ambientalização curricular pode ser entendida como um processo de inovação capaz de realizar mudanças no currículo por meio de práticas e conteúdos socioambientais (KITZMANN; ASMUS, 2012). Nesse sentido, nos apoiamos no pensamento complexo de Edgar Morin para realizar esta pesquisa cuja temática baseou-se na investigação de possíveis indícios de Ambientalização nos documentos curriculares do curso de Licenciatura em Matemática de uma Universidade comunitária do Estado de Santa Catarina. Em pesquisa ao site da Universidade pesquisada, o perfil profissional do licenciado em Matemática sugere um educador completo, preocupado com as questões éticas, de cidadania e situado na realidade onde se encontra, características que são destacadas em um currículo ambientalizado. A Base Nacional Curricular Comum (BNCC) evidencia a importância da matemática e sua aproximação com o contexto já em seu documento introdutório, no sentido de possibilitar que o ser humano encontre respostas de problemas que a sociedade apresenta em suas práticas sociais. Nessa perspectiva, a construção de uma racionalidade socioambiental é uma ferramenta capaz de possibilitar que cada ser exerça seu papel de cidadão, efetivo na construção de um corpo social digno. É importante salientar ainda que essa temática faz parte da educação integral do ser humano, e como Morin (2005) nos alicerça em sua teoria da complexidade, é preciso romper com a fragmentação do conhecimento em campos restritos e quebrar paradigmas para que tenhamos verdadeiramente uma educação de qualidade.

Para essa análise de conteúdo de caráter misto, o programa computorizado MAXQDA (VERBI Software. Consult. Sozialforschung. GmbH, 2007) foi utilizado como suporte, no sentido de facilitar a organização dos dados extraídos dos documentos curriculares do curso de Matemática. Durante a execução do projeto 'Ambientalização e Sustentabilidade na Educação Superior: Subsídios às Políticas Institucionais em Santa Catarina' (2015),

57 Universidade do Planalto Catarinense. E-mail: [email protected]

58 Universidade do Planalto Catarinense. E-mail: [email protected]

59 Universidade do Planalto Catarinense. E-mail: [email protected]

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os pesquisadores da rede elaboraram um modelo composto por 11 características indicativas de um curso ambientalizado, que foram utilizados como indicadores para esta pesquisa. Essas características foram elaboradas com base nos 10 indicadores previamente estabelecidos pela Rede ACES (Ambientalização Curricular dos Estudos Superiores). Segundo Lacreu e Mangione (2004), as características compõem:

compromisso político, participação democrática, complexidade, flexibilidade,

aprendizagem ativa, contextualização temática, atenção à diversidade, coerência entre teoria e prática, reflexão e compromisso e adequação metodológica. Foram analisados os documentos institucionais propondo quatro níveis: gestão, pesquisa, extensão e ensino. O curso de Licenciatura em Matemática usado como referência nesta pesquisa oferece 45 disciplinas, no decorrer dos 08 semestres necessários para a obtenção do título de licenciado em Matemática. Na análise do Projeto Pedagógico do Curso de Matemática, verificou-se que apenas 01 dessas disciplinas aborda a temática ambiental: Políticas Públicas na Educação Básica, o que totaliza 2% das disciplinas ofertadas. Ao analisarmos a ementa desta disciplina, constatamos que apenas em torno de 22% de sua carga horária aborda questões relacionadas à sustentabilidade. Ou seja, em um quantitativo da totalidade do curso analisado, apenas 0,44% da carga horária do curso traz algum indício de ambientalização curricular. O resultado da análise dos documentos nos fez concluir que muitas discussões sobre os currículos e práticas ofertados aos cursos de licenciatura deverão vir, pois é preciso investir na perspectiva de levar a Educação Ambiental para os Cursos de graduação. As questões ambientais não se limitam ao tema específico, mas englobam também as questões éticas, estéticas, de cidadania e responsabilidade. Guerra, Figueiredo e Schmidt (2012), dialogam sobre a necessidade e a importância deste tipo de abordagem, bem como suas projeções: É preciso avançar em busca da superação do obstáculo da fragmentação. Para tanto se torna necessário investir na formação das pessoas que integram nossas universidades. Nesse sentido, articulações já estão sendo realizadas para que a instituição possa adotar a ambientalização como um investimento inovador para o século XXI. A Universidade já integra a pesquisa ‘Ambientalização e sustentabilidade na educação superior: subsídios às políticas institucionais em Santa Catarina’(2015), cujo objetivo geral é contribuir com as Políticas de ambientalização e sustentabilidade na Educação Superior em Santa Catarina, identificando indícios, elaborando subsídios e estratégias aplicáveis ao ensino, pesquisa, extensão e gestão nas Instituições de Educação Superior. O processo de ambientalização curricular não se resume à responsabilidade de gestores e coordenadores, trata-se de uma mudança de atitude. Este processo somente se efetivará com o compromisso de toda a comunidade universitária.

Agradecimentos

À Fundação de Apoio à pesquisa científica e tecnológica do estado de Santa Catarina (FAPESC), pelo apoio financeiro à pesquisa.

Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular – Documento

preliminar. MEC. Brasília, DF, 2015.

FIGUEIREDO, Mara Lucia (Coordenadora Geral). Ambientalização e

Sustentabilidade na Educação Superior: Subsídios às Politicas Institucionais em

Santa Catarina. 2015 (Projeto de Pesquisa Interinstitucional, Financiamento FAPESC) GUERRA, Antonio Fernando Silveira; FIGUEIREDO, Mara Lúcia; SCHMIDT, Elisabeth Brandão. Ambientalização curricular em cursos de licenciatura e na educação

básica: a pesquisa e a formação inicial e continuada. In: II Jornada Ibero-americana da

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KITZMANN, Dione; ASMUS, M. L. Ambientalização sistêmica – do currículo ao socioambiente. Currículo sem Fronteiras, v. 12, n. 1, p. 269-290, jan./abr. 2012. LACREU, Hector L., MANGIONE, Antonio. Ambientalizacion curricular de los

estúdios superiores - Experiencia piloto en la Universidad Nacional de San Luis 2004.

Disponível em:

http://www0.unsl.edu.ar/~geo/pgeoambiental/geo/docs/produccion/exp_piloto.pdf Acesso em 28/09/2016.

MAXQDA [computer software] (2007). Marburg, Germany: VERBI Software. Consult.

Sozialforschung. GmbH.

MORIN, Edgar. Educação e complexidade os sete saberes e outros ensaios. São Paulo: Cortez, 2005.

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DIÁLOGOS ENTRE A TEORIA DA

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