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Com base como sacro entre eles Isto parece não tanto ter sido

nos vestígios extraído do costume dos judeus (cuja religião era despre-

de um sábado zada pelos gentios) como recebido da tradição mantida por

en tre os gentios. seus Pa' s (patroparadotõ) e a eles comunicada por longo uso. Daí Clemente de Alexandria: “Não só os judeus, mas também os gregos tinham o sétimo dia como sagrado” (alia kai tên hebdomên hieran, ou monon hoi Hebraioi, alia kai hoi Hellênes isasi, Stomata 5.14 [ANF 2:469; PG 9.161,162]). Ele prova isto com base em Hesíodo, Homero, Lino e Calímaco, pelos quais o sétimo dia (hebdome) é chamado o “dia sagrado” (/;/- eron êmar). Por Filo, ele é chamado a “festa pública” (lieortê pandêm os), per­ tencente a todos os gentios igualmente (Flaccus 14 [116] [Loeb, 9:366,367]). Josefo diz: “Não há cidadc em qualquer lugar dos gregos ou dos bárbaros, onde a observância do sétimo dia, no qual descansamos, não tenha chegado”

(Against Apion 2.282 [Loeb, 1:404-407]). O sábado é chamado porTibullus “o

dia sagrado” (TibuHus 1.3*. 18 [Loeb, 206,207]); cf. mais autoridades em Eu- sébio, Preparation f o r the G ospel 13.13.677c [org. E. H. Gifford], 2:732).

XV. Embora se diga que Deus fez conhecido o mandamento concernente ao sábado por intermédio de Moisés (sendo que uma enfática chamada de aten­ ção é estabelecida como premissa em Êx 16.29; 31.13; Ez 20.12; Ne 9.14), não se segue que já não tenha sido instituído desde o princípio. Não só do que foi instituído no princípio se diz que foi dado, mas também do que é renovado (se porventura foi obliterado ou negligenciado) ou do que é clara e distintamente promulgado de uma maneira nova e mais notável. Assim, no salmo 147.19 lemos que Deus deu a Israel seus estatutos c seus juízos, c que não tratou assim a nenhuma outra nação; não absoluta c simplesmente, porquanto os gentios portam a obra da lei escrita em seus corações (Rm 2.15), mas relativa e compa­ rativamente, com respeito à revelação feita em sua Palavra. Lemos que o sába­ do se fez conhecido da mesma maneira que a lei e os preceitos c estatutos (os quais lemos terem sido ordenados por Moisés). Estes estão enfeixados em Nc- emias 9.14. Não obstante, ninguém pode negar que aquela lei (a saber, a lei moral) fora dada antes, como também os estatutos e os vários preceitos ceri­ moniais, na instituição dos sacrifícios e da circuncisão.

XVI. Coisas dadas comumentc a todos podem ser dadas especialmente só a alguns, com uma enfática distinção (e deveras como um sinal da santificação delas). Se tais foram dadas a princípio em comum e por negligência omitidas ou esquecidas, foram mais tarde restauradas a pessoas particulares e recomen­ dadas a pessoas especiais (como no caso aqui). Embora, pois, o sábado, cm sua primeira instituição e usos, fosse comum a todos e um desígnio geral (i.e., para celebrar a memória da criação, contemplando as obras de Deus e a realização do culto público de Deus), não obstante teve fins especiais com respeito aos israelitas. Justamente como o arco-íris (que foi em outros aspectos um sinal natural) veio a ser um sinal sacramental de uma coisa que não fora antes indi­ cada (embora já existisse). Assim o que fora o sinal de uma bênção poderia

(quando abençoado e instituído de novo) ser um sinal especial àqueles a quem a bênção fora ampliada. Neste sentido, lemos que o sábado foi dado aos israe­ litas como um sinal especial para que fossem separados das demais nações(Ex 31.13; Ez 20.12), especialmente dos egípcios, por meio de um culto verdadei­ ro a Deus (o qual de outra forma era um sinal comum).

XVII. Embora integro e santo, Adão em seu estado de inocência tenha adorado a Deus e contemplado suas obras todos os dias, contudo isso não o teria impedido de ter um certo e determinado tempo para o culto solene e público a Deus - cessando, não deveras de suas obras de justiça e louvor (que teriam sido contínuas), mas de seus labores diários em cultivar o paraíso (aos quais ele era obrigado também a aplicar-se segundo o mandamento de Deus - embora sem cansaço e fadiga, como veio a ser mais tarde em virtude do pecado).

XVIII. Apesar de na vida dos patriarcas não se fazer nenhuma menção expressa de um sábado guardado por eles, não se segue que não fosse absolu­ tamente conhecido ou observado por eles. Deles é feita uma narrativa concisa na qual não é necessário que todas as coisas a eles pertinentes sejam encontra­ das. Era suficiente que o Espírito Santo tocasse aquelas coisas que se enqua­ dravam ao seu propósito (i.e., confirmar as promessas a eles feitas concernen­ tes à bendita semente, e entretecer sua genealogia para exibir a veracidade da história). E assim não se faz nenhuma menção do sábado observado no tempo dos juizes e de Samuel; mas a inferência de que não foi observado seria falsa. (2) Não lemos dos patriarcas observando algum tempo determinado para o culto público a Deus. Contudo sua piedade nos proíbe de nutrir dúvidas de que cultivavam certos dias sagrados e fixos consagrados para o culto divino. Ora, nenhum outro dia poderia ter sido mais adequado do que o sétimo dia da sema­ na, o qual, por uma razão peculiar, fora abençoado e santificado por Deus para o descanso do homem, como o fora para o descanso de Deus.

A segunda XIX. A segunda questão trata da moralidade do sábado - se o

questão quarto mandamento, sancionando a santificação do sábado, é

concernente moral e perpétuo; ou apenas cerimonial e constituído para

à moralidade cert0 tempo. Em referência a isto, há três opiniões dos teólo-

do sábado 80s - duas extremas e a terceira entre as duas. A primeira é

' que o mandamento é simplesmente moral e peipétuo (manti­ da pelos judeus). Com eles concordam os antigos ebionitas, cerintianos, apoli- narianos, entre outros (chamados pelo título comum de sabatarianos), os quais afirmavam que o sétimo dia deve ser mantido como sacro agora como o foi outrora. Eusébio menciona que eles foram condenados por heresia pela igreja antiga (Ecclesiastical History3.27,28* [FC 19:184-186]). Não diferem daque­ les que ainda agora em nossos dias afirmam que este preceito é absolutamente moral como os demais preceitos da lei moral, e assim é de observância perpé­ tua. A segunda assevera que ele é meramente cerimonial e, portanto, cancelado por Cristo. Esta foi a opinião dos antigos maniqueus e dos anabatistas e socini-

anos dos dias atuais (que afirmam ter sido ele cancelado ao ponto de não fazer parte da vida dos cristãos de maneira nenhuma). O Catecismo Racoviano res­ ponde: “Ele foi eliminado sob o Novo Testamento como as demais cerimôni­ as” (Racovian Catechism [1818], p. 219). E Volkelius: “O quarto preceito do decálogo, concernente ao sábado, inicialmente dado aos israelitas, é cerimoni­ al, não moral, e além do mais nada tem a ver com a disciplina de Cristo” (D e vera Religione 4.14 [1630], p. 250). Outros também se contentam com esta opinião. A terceira (e intermediária) afirma que este preceito é misto (i.e., em parte moral, em parte cerimonial; moral quanto à substância [ou seja, a necessi­ dade do culto divino em tempo determinado e certo], porém cerimonial quanto à circunstância [ou seja, a determinação especial do sétimo dia]). Esta é a opinião dos ortodoxos, e demonstraremos sua veracidade mediante três proposições.

. . XX. Primeiro, o quarto preceito não é em todas as suas partes

Primeira^ moral e perpétuo. Prova-se tanto contra os judeus como contra

proposição. QS crjstgos qUe jnsistem ainda em sua moralidade absoluta. o quarto ^ Primeiro, contra os judeus, com base na natureza das coisas p receito nao m0rais: preceitos morais, estritamente assim chamados, per- e totalm ente tencem à lei da natureza conformada à imagem de Deus e às

morai. noções de bem e mal, virtude e vício (que têm sua origem na

própria natureza e por si mesmos conduzem aos bons costu­ mes e são assim de direito eterno e imutável). Não obstante, tal não é a deter­ minação do sétimo dia, visto que ele (se considerado simplesmente [haplõs] em si mesmo) não é bom nem santo; ou, comparativamente, não é melhor que a determinação de outro dia, exceto e somente em virtude da autoridade da­ quele que ordena. (2) Com base no próprio preceito (no qual está prescrita a determinação do culto público para o sétimo dia, que sendo uma mera circuns­ tância de tempo é por essa razão considerado mutável, e assim cerimonial e positivo, não moral). (3) Com base no desígnio do preceito, pois entre outros fins ele tinha também relação de um sinal c tipo (o qual, pois, tinha de ser cancelado em seu tempo próprio). Um sinal, desde que é chamado sinal do pacto feito entre Deus e os israelitas (Ex 31.13; Ez 20.12,20); um sinal não só indicativo da graça presente, mas também selando a graça futura; não só que Yahweh é o Deus dos judeus, mas também o Deus que os santifica. Um tipo, porque é chamado com outras cerimônias “sombra das coisas vindouras” (Cl 2.16,17) (ou seja, prefigurando o duplo descanso que os crentes obtêm em Cristo). Este descanso é antes espiritual, seja em tranquilizar a consciência quanto ao terror da ira divina, seja na cessação de nossas obras más (mencio­ nadas cm Mt 11.28; Rm 5.1; Hb 4.3; ls 58.13,14). Daí o culto espiritual do Novo Testamento costuma ser descrito no estilo do Espírito Santo (que gosta de expressar quanto possível os mistérios do evangelho em termos legais) pela celebração do sábado (ls 56.2; 66.23). Em seguida este descanso é celestial (ou seja, um descanso não só de todo pecado, mas também de todos os labores e misérias desta vida. SI 95.11; Hb4.10; Ap 14.13). (4) Os sábados são frequente­

mente enumerados pelos profetas entre outras festas e cerimônias dos judeus (as quais, contudo, eram de mero direito cerimonial e positivo, e observadas somen­ te com base no mandamento e por causa dele). Portanto, o preceito concernente ao sábado também se relaciona com elas quanto a alguma parte dele.

XXI. Segundo, contra os cristãos: (1) porque todas as cerimônias e tipos como tais foram removidos por Cristo; portanto também aquilo que é cerimo­ nial no sábado. E que existe alguma coisa desse gênero nele Cristo testifica quando o inclui na mesma classe de outras cerimônias legais, tais como a ins­ tituição do pão da proposição e do serviço (leitourgia) dos sacerdotes no tem­ plo (Mt 12.3-5). Na mesma passagem, o sábado é incluído por ele sob o termo “sacrifício”, e também o de “sacrifício” em contradistinção de “misericórdia” (Mt 12.7,8). (2) Nosso Senhor testifica: “o sábado foi feito por causa do ho­ mem, e não o homem por causa do sábado; portanto, o Filho do homem é também Senhor do sábado” (Mc 2.27,28). E assim sua sanção é de uma nature­ za distinta dos demais preceitos, sujeito inclusive ao Filho do homem que tem poder de cancelá-la com respeito àquilo que é meramente positivo (que não se pode dizer dos demais). (3) O apóstolo declara expressamente isto quando diz: “Ninguém, pois, vos julgue por causa dc comida c bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (Cl 2.16,17). Aqui (a) ele relaciona a ob­ servância dos sábados com as demais cerimônias como algo do mesmo gênero com a distinção de alimento, dias de festas e luas novas, (b) Ele chama todos estes “sombra das coisas que haviam de vir (skian íõn mellonfõn)", onde as pala­ vras ha esti não são tanto diacríticas (diakritika) como etiológicas (aitiologika), dando a razão por que os sábados já não precisam ser guardados, porque “são sombra das coisas que haviam de vir”, (c) Cristo é contrastado com eles como o corpo no qual e por meio do qual a coisa significada era concretizada. E fútil a resposta de que os sábados semanais não estão implícitos, mas os vários outros que prevaleciam entre os judeus (que eram típicos). [ 1 ] O que precisa ser prova­ do é tomado por admitido. As palavras do apóstolo não admitem essa objeção, porque, visto que são gerais e tratam dos sábados no plural sem qualquer limita­ ção, então devem também estender-se a todos; tampouco nos é restrito o que o apóstolo não restringiu. [2] As festas são aqui distinguidas dos sábados. [3] Os sábados estão especialmente implícitos (os quais foram sancionados pelo quarto mandamento), os quais eram repetidos frequentemente e em cuja observância os judeus e sabatarianos entre os cristãos primitivos insistiam. Não obstante, seria errôneo inferir que o sábado é por isso meramente cerimonial, como aqueles que pertencem à opinião oposta deduzem e argumentam (porque o que é cerimonial em certo aspecto não deve ser assim imediata e tão mutavelmente em todas as suas partes, como se provará mais adiante e mais plenamente). (4) Com base num absurdo: se este preceito é em todas as suas partes moral e perpétuo, então somos ainda hoje (sob o Novo Testamento) obrigados à observância particular do sétimo dia e não se poderia fazer uma transferência dele para o dia do Senhor.

Fontes de XXII. Embora o mandamento concernente ao sábado esteja con-

exnlanacão 110 decálogo, não se segue que ele seja moral em todas as

" ' suas partes. O decálogo é, não apenas um compêndio da lei moral, mas também nele é dado o fundamento de toda a lei mosaica (cujas partes eram três: moral, cerimonial e forense). Daí, além da lei moral (que é principalmente discutida aqui), ali foi dada também a raiz de todas as cerimô­ nias (das quais consistia o culto divino daquele tempo) na primeira tábua, como na segunda foi dado o fundamento da política judaica e suas leis judiciais. Devemos, pois, distinguir aqui entre a coisa ordenada e a circunstância da coisa: a coisa ordenada é moral; a circunstância da coisa, contudo, é cerimoni­ al (ou, pelo menos, meramente positiva).

XXIII. O sábado é chamado “pacto perpétuo” (bryth ‘vim, Êx 31.16,17), não em razão de perpetuidade absoluta, mas comparativa e periódica em virtude de sua observância contínua sob o Antigo Testamento. A palavra ‘vim é fre­ quentemente usada para duração extraordinária, porém limitada segundo a na­ tureza da coisa. Neste sentido, aplica-se à circuncisão (Gn 17.13), ao pão da proposição (Lv 24.8), às ofertas das primícias (Nm 18.19), ao sacerdócio (Nm 28.23); e em toda parte a palavra 'vimé empregada com referência ao tempo da economia legal até o Messias. E empregada inclusive quanto a uma duração mais curta; por exemplo, quanto ao tempo do jubileu. Lemos que o servo “ser­ virá para sempre” (Êx 21.6, i.e., até o jubileu).

XXIV. Com base no fato de que a lei concernente ao sábado foi dada antes da queda (para que aquele dia fosse santificado pelo homem segundo o exem­ plo de Deus), infere-se bem que ele é moral quanto à parte principal, porém não se segue imediatamente que seja tal absoluta e simplesmente. Nem tudo o que Deus ordenou ou proibiu a Adão é de si mesmo e em si mesmo moralmente bom e mau (o que é evidente inclusive do comer da árvore do conhecimento do bem e do mal).

XXV. A imutabilidade de Deus e a constância de seu decreto fazem com que aquelas coisas que são do direito natural de Deus (ou que foram decreta­ das por ele para sempre) sejam também perpétuas e imutáveis; porém não há a mesma razão quanto àquelas coisas que são de direito positivo e foram institu­ ídas só por certo tempo (tais como o sábado mosaico quanto à circunstância de tempo e ao modo de observação prescrito aos judeus).

Segunda proposição:

XX VL Scf inda P[°PosiÇào:

0

quarto Preceito "ào é

0 quarto preceito cer.mon.al em todas as suas partes. As razões são: - . . (1) ele e um preceito do decálogo, no qual a lei moral

nao e meramente

' ,

. , K

,

, , ,

cerimonial

esta C0ntIC*a:

Portanto nenhum preceito dele e mera­

* mente cerimonial. (2) Seu fim é moral, seja o primei­ ro (ou seja, o culto de Deus, público e estatuído, que consiste na consideração e contemplação de suas obras; também nos exercícios públicos da religião, que não podem ser realizados sem a determinação de certo dia estatuído e fixo

devotado a esse culto) e o subordinado (ou seja, a cessação do trabalho servil e o descanso dos servos e dos animais). (3) O dever prescrito é moral (ou seja, a santificação do sábado, separando aquele dia dos demais e consagrando-o aos usos sacros - isto é, os exercícios de piedade e culto devidos a Deus, e de amor ao próximo). (4) A razão e o motivo do preceito com base no exemplo de Deus a nós propostos para imitação (ou seja, seu descanso nesse dia e sua santifica­ ção são morais; portanto, não podemos estar-lhe conformados exceto pela con­ secução do dever moral a ele correspondente).

XXVII. (5) A natureza do preceito diz respeito às coisas que ficam bem para uma natureza racional como tal e se harmonizam com os princípios natu­ rais e com a razão correta. Pois como uma criatura racional é obrigada a cultu­ ar a Deus (não só com o serviço interno da alma, mas também externo do corpo; não só privativo, mas também público, na comunidade dos santos), as­ sim a razão correta ensina que nada é mais adequado do que consagrar algum tempo determinado e fixo num certo ciclo conveniente para cultuar publica­ mente a Deus e celebrar os seus louvores, sendo que ele graciosamente nos tem dado nossa existência, o nosso ser, tudo o que possuímos e a totalidade do próprio tempo. (6) Nunca lemos no Novo Testamento que este preceito foi cancelado. Visto que Cristo confirmou toda a lei moral pertencente aos cris­ tãos e a junge a ela todos os tempos, por este mesmo fato deve-se considerar que ele confirmou também este preceito. E, visto que certos dias sempre foram santificados e devotados pela igreja cristã a assembléias públicas e ao culto solene de Deus, é sobejamente evidente, à luz deste fato, que a observância deste preceito deve ser considerada como moral e de direito perpétuo. Se não, se o preceito fosse meramente moral, não seria lícito agora observar qualquer sába­ do, não mais lícito do que introduzir pela porta de trás outras cerimônias que Deus cancelou sob o Novo Testamento (e todos percebem quão absurdo é isto). Fontes de XXVIII. O preceito concernente ao sábado deve ser visto de

- duas maneiras: ou absolutamente e em si mesmo (quanto à subs­ ' ’ tância do mandamento); ou relativamente (quanto à economia mosaica do Antigo Testamento e quanto à circunstância precisa de tempo; tam­ bém quanto às razões e fins especiais para os quais ele foi dado aos israelitas). Embora neste último aspecto ele seja chamado “sinal” da dispensação particu­ lar daquele pacto (Ex 31.13; Ez 20.12), podendo assim ter algo de cerimonial, não se segue que seja uma mera cerimônia ou que o preceito considerado em si pertencia somente àquela economia.

XXIX. Embora o mandamento concernente ao lugar particular de culto fosse cerimonial, não se segue que o mandamento concernente ao tempo parti­ cular seja igualmente cerimonial, pois aqui há uma diferença múltipla entre o lugar e o tempo. (1) No decálogo se faz menção da observância de tempo, porém não da determinação de um lugar; por isso as circunstâncias da religião não são iguais. (2) A necessidade e a utilidade de um determinado lugar para o

culto são apenas físicas e acidentais para a religião. Nada tem a ver com a promoção da religião se Deus é adorado em um lugar público, ou numa igreja ou num subsolo, ou num lugar público ou privado. Mas a necessidade do tem­ po, seja indeterminado ou determinado, é muito maior, porque é moral e teoló­ gica (quer falemos separadamente de toda a porção ou da duração ou da fre­ quência, e muito mais se falarmos destas juntas). Não há dúvida de que a maior porção de tempo (seja quanto à duração ou quanto à frequência ou quanto a ambas) nos exercícios da religião conduz ao progresso em piedade, e que é mais agradável e aceitável a Deus aquele que gasta tal tempo em culto público do que aquele que utiliza o tempo rara e brevemente (sendo subentendido que as outras coisas são iguais). (3) A determinação de um tempo para os exercíci­ os sacros é necessária, porque é impossível que ao mesmo tempo possamos atender a todos afazeres seculares e ao mesmo cultuar a Deus. Portanto, a fim de que estes não nos impeçam de estar livres para o culto divino, o quanto e sempre que for requerido, tal determinação é absolutamente exigida. Não obs­ tante, nada disso se pode dizer do lugar, porque em um e o mesmo lugar (i.e., em tempos diferentes), podemos adorar a Deus e levar a bom termo os afazeres seculares. Uma vez feita a determinação do lugar, não é necessário que o culto seja feito ali, se não se faz nenhuma determinação de tempo.

XXX. Embora o sábado semanal (considerado em referência à economia mosaica) e os adjuntos cerimoniais (i.e., com respeito à observância particular do sétimo dia e sua observância escrupulosa e exata, prescrita no Antigo Testa­ mento) tenham sido uma sombra das coisas por vir e pode-se propriamente dizer que foram cancelados sob o Novo Testamento, não se segue que o pró­ prio sábado, considerado em si mesmo e absolutamente, é igualmente cerimo­ nial e assim foi cancelado. Em Colossenses 2.16,17, Paulo fala do sábado no primeiro sentido (sentido no qual os falsos apóstolos o impunham); porém não no segundo. Da mesma forma, ele fala de comida e bebida, não absoluta e simplesmente (porque então se seguiria que nenhum preceito moral fora dado sobre comida e bebida, e por causa disso os glutões e beberrões não deveriam ser mais condenados que os observadores das luas novas), mas relativa e com­ parativamente, com referência à lei da alimentação (que prescrevia uma distin­ ção de alimentos, lei agora eliminada sob o NT).

XXXI. Apesar de a instituição do sábado quanto à determinação de certo