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Com os fios os sujeitos e os canais de comunicação

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CAPITULO II: CONTRIBUIÇÕES E LACUNAS DO PROGRAMA MOMENTO

2.1. Com os fios os sujeitos e os canais de comunicação

Iniciamos abrindo a primeira gaveta, denominada de “Canal de Comunicação” que tratou das questões que objetivava conhecer suas preferências de canais de comunicação de massa e programação específica de contexto rural: “Que emissora de TV mais gosta?”, “O que você mais gosta de assistir?” e “Você lembra de alguma programação relacionada ao campo? Qual?”.

Nas três categorias identificamos como preferência a Rede Globo como canal aberto de comunicação de massa. Dos dez entrevistados apenas um tem a Record como favorita e outro não apresentou preferência, declarando que depende da programação. A Rede Globo se apresenta como signo icônico no imaginário regional, diante do seu poder de identificação por associação. O homem ao pensar em um objeto, na sua qualidade, ou mesmo, em um acontecimento, traz em sua memória a visualização referente ao mesmo, que é denominado como “referente”. Essa imagem mental sobre o objeto ou fenômeno é denominado “significado”, porém se o objeto faz parte do plano físico, denomina-se de “significante”. O signo icônico da Globo insere-se nesta questão como “referente” e “significado”, uma vez que ao pensar em televisão vem a imaginação a TV Globo como primeira opção e visualiza-se a logomarca da mesma, respectivamente. (Bordenave, 1998)

Nessa construção da marca como representação simbólica de uma entidade, a Globo se firma com identificação imediata. Formas simbólicas são construções significativas que exigem uma interpretação, são ações, falas e textos que podem ser compreendidas pelos homens, que as produzem e recebem, mas são também estruturas definidas e inseridas em condições sociais e históricas específicas (Thompson, 1998).

Nesse tecer observamos também que alguns entrevistados das categorias de E/NR e alguns NE/NR possuem na televisão a cabo sua preferência de signo icônico quando declaram “Globo News em Pauta”. Fica evidente essa construção na alegação “os meios de comunicação

11 Quatro vídeos.

“A sociedade é um produto humano. A sociedade é uma

realidade objetiva. O homem é um produto social” Peter

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aproveitam essa capacidade associativa entre um signo e outro para estimular associações relacionadas com as motivações básica humanas”, entre elas o status e prestígio, gerando

novas experiências de poder. (BORDENAVE, 1998, p. 50)

A TV Globo traz em sua teia o programa Globo Rural como programação específica mais lembrada de contexto rural, com conteúdo direcionado a atividades agrícolas e agrárias. Algumas questões surgiram ao direcionamento do Globo Rural quanto às especificidades regionais dos conteúdos, destacando algumas exceções. Nestas construções podemos perceber que o Globo Rural detém a imagem de ícone associativo à ruralidade. Uma análise crítica do programa Globo Rural aponta que essa programação atende a lógica do mercado capitalista, se apresentando como mercadoria, antes de se constituir um instrumento de conhecimento. Nossa intenção foi considerar até que ponto o Globo Rural faz parte da realidade socialmente construída, dos sujeitos entrevistados.

As experiências retidas na consciência são aquelas que dizem respeito ao seu contexto de vida cotidiana e que estas são sedimentadas, ou seja, incorporadas ao acervo do conhecimento comum, trazendo a concepção de sentido a sua biografia e “consolidam-se na

lembrança como entidades reconhecíveis e capazes de ser lembrada”, processo que ocorre

através do sistema de sinais linguísticos, onde:

“A linguagem é a expressividade humana capaz de objetivações, manifesta-se em produtos da atividade humana que estão ao dispor tanto dos produtores quanto dos outros homens, como elementos que são de um mundo comum, permitindo que se estendam além da situação face a face em que podem ser diretamente apreendidas.”

(BERGER E LUCKMANN, 2008, p. 53)

Nesse sentido esses autores nos trazem o hábito ou rotinas como um processo mecânico, automático, repetido sem esforço como experiência da vida cotidiana. Embora existindo diversas maneiras de realizar uma atividade, o hábito o condiciona a apenas uma e pode ser repetido no futuro de forma semelhante. A esse hábito percebido como rotina da vida cotidiana de tipos específicos de atores, denominam de “institucionalização”. A televisão e o rádio fazem parte do hábito de praticamente toda sociedade brasileira. Em outras palavras, o hábito não necessita de decisões, determinando-lhe uma direção instintiva, e, como atividade automática, proporciona ganhos psicológicos. Nesse hábito encontra-se a institucionalização de assistir a um determinado programa televisivo que lhe aparece de forma interessante, com economia de esforço no sentido de precisar decidir por outra programação. Com essa articulação apreendemos a fala da entrevistada MARILENE (NE/NR) que incorpora na vida cotidiana o hábito de assistir a referida programação,

‘Éh’... do Globo Rural. ‘Éh’... Aí tem várias... várias reportagens assim interessantes! Eu gosto muito de ver também porque é no domingo pela manhã ‘né?’ Aí normalmente eu acordo ... já que você ‘tá’ em casa aí toma... normalmente eu tomo café vendo o Globo Rural. Eu gosto muito. Porque também tem um linguajar também muito acessível, é muito gostoso as reportagens. Gosto muito! MARILENE (NE/NR)

Apreendemos porém, que apesar da unanimidade dos entrevistados associarem o Globo Rural como um programa de contexto rural, o caráter de familiaridade é mais presente nas classes socialmente mais informadas, incorporando inclusive em sua vida cotidiana, como parte dos hábitos das manhãs de domingo. O que vem confirmar que toda ação que se torna habitual, passa a ser incluído em acervo do conhecimento.

27 No contexto dos homens rurais, essa percepção não se apresenta como marcante ou rotineira, como verificamos na fala de LANDO (NE/NR) quando declara “de “veise” em

quando eu assisto Globo Rural, mas é muito difícil assistir Globo Rural”. Confirmando essa

percepção também destacamos:

‘Éh’... eu... eu lembro “assinse” aquele “negóço” da... da pecuária do gado, “arguma” coisa “assinse”, que eu sou chegado lá no sitio. ‘Éh’... (pensativo) ...o Globo Rural. IZIDORO (NE/NR)

Esses fatos podem estar relacionados aos conteúdos apresentados na programação direcionada as atividades agrícolas comerciais de grande importância econômica, que pouco se identifica com as necessidades praticas das demandas de pequenos produtores, vendendo a perspectiva de uma vida próspera distante da realidade desses homens.

Percebemos que a TV Globo se firma como canal de comunicação de massa de maior alcance no estado de Pernambuco, e torna-se rotina seu acesso e consequentemente sua programação, que em última análise, muito embora não esteja inserida na categoria de TV Educativa, exerce influência na maneira de pensar e agir das classes populares.

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