COMENTÁRIOS

No documento Universidade Estadual de Londrina (páginas 173-178)

Marina compreendeu que o conceito Matemático é apenas uma teoria, um termo a ser colocado na cabeça do aluno. Durante as discussões ela pareceu irredutível em pelo menos pensar na hipótese de se trabalhar equações justificando a troca de sinais pelos princípios aditivo e multiplicativo da igualdade.

Juliana concordou com ela. Elas pensam que os alunos fazem uma “passagem natural” do contexto da balança para o contexto matemático e que as historinhas ajudam a memorizar os procedimentos de cálculo. Alegam que não dá para ficar muito tempo dedicando-se ao ensino de equações, tem muitos outros conteúdos para trabalhar, a partir do momento que percebem que o aluno entendeu como funciona a noção de equilíbrio na balança, logo passam para frente.

As professoras admitem que numa sala de aula, muitas vezes estamos a produzir um mesmo discurso (alunos e professores) para significados diferentes, ou seja, aluno justifica a resolução de algumas equações a partir das noções de equilíbrio desenvolvidas no contexto da balança enquanto que professores estão a pensar nos princípios de igualdade. Marina e Juliana chamam isso de experiência do professor, para elas, o aluno não consegue entender a resolução de certos tipos de equações porque não tem as mesmas experiências matemáticas. Ao final da leitura parecia estar claro para elas que o modelo da reta única não é conveniente para explicar a dinâmica da produção de significados entre alunos e professores, entretanto Juliana diz que pode existir a possibilidade de um aluno estar na mesma reta. Concordam que professores e alunos desde o inicio estão a produzir um mesmo discurso para significados diferentes, a esses significados, dão o nome de experiências. Juliana acredita que o aluno tem que acompanhar o raciocínio do professor e que em alguns momentos ele “desliga” e que por isso é importante repetir várias vezes a mesma coisa. É preciso voltar naquele ponto onde o aluno parou.

As professoras reconhecem que não há significado para uma equação no contexto da balança na qual se fica devendo em um dos lados, mas

negam a necessidade de uma possível negociação com o aluno no momento de usar os princípios da igualdade. Preferem continuar fazendo com os alunos memorizem o processo. Quando aprece uma situação de divida na balança, Marina diz que troca o contexto e passa a falar de dinheiro, por que o dinheiro é significativo para lidar com dívidas. Marina acredita que o principio da igualdade tenha surgido a partir do contexto da balança e que por isso não é necessário ficar falando, trabalha a prática, não precisa ficar nomeando. Ela diz ainda que esse princípio é coisa nova, na faculdade nunca ouviu falar disso. Apesar de recusar-se a usar o principio da igualdade, Marina, mesmo que inconsciente trabalha a equação, pelo menos no inicio do processo, retirando, adicionando, multiplicando e dividindo dos dois lados da equação, mas não justifica esse procedimento a partir do conceito, alega que é apenas um nome, uma teoria, que não precisa passar para o aluno, porque ele não grava. Juliana diz que os alunos não têm interesse em saber esse tipo de coisa e Marina concorda dizendo que quando era aluna queria apenas saber das fórmulas.

ANEXO 6

SITUAÇÃO 1 – AS FLORES

Os participantes de um festival de música decidiram que a ao final do festival fariam uma festa de encerramento onde cada um dos participantes daria uma flor de presente a cada um dos seus colegas também participantes do festival.

• Quantas flores serão distribuídas se o total de participantes for 5? E se for 6?

E 7?

• Se o total de flores distribuídas for 420, então o número de participantes será:

a)19 b)20 c)21 d)outro

• Para responder a questão anterior, u aluno de 8ª série fez o seguinte encaminhamento:

Como ele ainda não sabia resolver essa equação, substituiu a incógnita X pelos valores das alternativas e, assim, descobriu a correta.

• E se as alternativas não tivessem sido dadas, como você faria para resolver esse problema?

ANEXO 7

1- Depoimento feito por Marina no 31º encontro após a aula

“Eu acho assim [...] para mim está sendo uma novidade, certas questões, certas perguntas que eu achei que eles não teriam resposta nenhuma, eles estão tendo resposta, porque eles não tinham o conhecimento disso, não tinham o conceito formado ainda do conteúdo. Eu, como já tinha o conteúdo formado, não sabia que eles tivessem essa idéia de responder, penso que é porque eles estão formando o conceito a partir do momento em que eles estão vendo no contexto. Como é prático, eles estão formando tabela, montando no real aquilo que eles estão enxergando, ai eles têm resposta para as perguntas. E eu já enxergava diferente porque eu já tinha a idéia formada, tudo formado, então achava que eles não tivessem resposta [...] eles estão enxergando de modo diferente do que agente vai enxergar. Isso é bom porque até agente está vendo, que não ia imaginar o que eles iam enxergar, porque a gente passa a matéria para eles já com a idéia da gente [...] e agora não, eles estão formando uma idéia que eles não tinham (MARINA, 23/05/05)”.

2- Depoimento feito por Juliana no 31º encontro após a aula Na hora de resolver o exercício, a Regina estava na sala observando, quando falava em expressão algébrica havia muita dificuldade, agora num instantinho eles já estão percebendo né, não só naquela sala que você estava, mas nas outras também, nas outras salas já percebo que estão vendo diferente, já estão conseguindo observar. Teve uma turma que comentou

“então, toda vez que eu quero comprar bastante coisa, eu posso por um X e depois eu sei o preço total”, eles mostraram que entenderam que em qualquer setor pode usar a função, a equação. Quando quero comprar bastante coisa, qualquer quantidade, o aluno vê que pode usar em vários setores. Eu sei que eles estão começando a enxergar de uma forma diferente na hora de resolver um problema [...]. Eu acho que no livro a parte de funções até que vai porque a maior parte é probleminhas né, mas de uma forma ou de outra era mais abstrato, agora eu acho que eles estão vendo de uma forma mais concreta, está associando uma situação com a equação, com a função (JULIANA, 23/05/05).

3- Depoimento informal de Marina ao final do processo

“Os alunos gostaram muito, tiveram boa aceitação. Eles passaram a fazer mais perguntas, questionavam mais, tinham mais respostas para os questionamentos que eu fazia. O diálogo meu com eles se tornou mais rico, pois os alunos colocavam suas vivências, suas experiências. Diante dos questionamentos eu obtive respostas corretas, porém diferentes, mas não eram aquelas que eu tinha em mente. Havia questões que eu achava que eles não iriam ter respostas, mas eles encontravam respostas. Me senti até inútil, porque eu pensava que somente eu saberia explicar as coisas por já ter estudado. Como eles não tinham as experiências que eu tive eu achava que não iriam conseguir responder... Valeu a pena esse trabalho!” (MARINA, 30/08/05).

No documento Universidade Estadual de Londrina (páginas 173-178)