3. SISTEMA INTERAMERICANO DE DIREITOS HUMANOS
3.1. Comissão Interamericana de Direitos Humanos
Com sede permanente em Washington, D.C. desde a sua instalação em 1960, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) é composta por sete membros, nacionais dos Estados Membros da OEA, com notório saber na área de Direitos Humanos, independentes, eleitos pela Assembleia Geral da OEA e que não representam os interesses de seus países em particular. A CIDH se reúne em Sessões Ordinárias e Extraordinárias diversas vezes ao ano.
No início de seu funcionamento, a Comissão Interamericana possuía duas funções precípuas. A primeira era garantir a proteção e observância dos direitos humanos nas Américas, a partir da observação da situação geral dos direitos humanos e de recomendações de adoção de medidas idôneas aos Estados-Membros da Convenção. A segunda era realizar a análise de denúncias ou petições feitas por indivíduos ou entidades não governamentais de violações de
189 RINCÓN EIZAGA, Lorena La protección de los derechos humanos en las Américas. Revista de Ciencias
Sociales (Ve), vol. X, núm. 3, diciembre-marzo, 2004, pp. 476-495 Universidad del Zulia Maracaibo, Venezuela. P. 479.
direitos amparados pela Convenção, e processá-las internamente, emitindo relatórios anuais acerca destas.
Desde seus primórdios, a CIDH desempenhou um importante trabalho, devido ao compromisso de seus primeiros integrantes, que, aos poucos, expandiram suas faculdades até incluir visitas in loco aos Estados Membros e emissões de relatórios especiais e informes sobre a situação dos direitos humanos naqueles.
Em 1969 é aprovada a Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH) na Conferência Especializada Interamericana sobre Direitos Humano, em San José de Costa Rica - que só entra em vigor em 1978191, após o recebimento do mínimo de 11 ratificações ou adesões.
A Convenção cria para os Estados-Membros o dever de respeitar e dar garantias de cumprimento aos direitos humanos previstos em seu documento. Na mesma ocasião, foi criada a Corte Interamericana de Direitos Humanos, fundamental para o processamento de denúncias de violações de direitos humanos no SIDH.
Atualmente, vinte e quatro países ratificaram ou aderiram à CADH, a saber: Argentina, Barbados, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Chile, Dominica, Equador, El Salvador, Grenada, Guatemala, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Suriname, Uruguai e Venezuela. Além disso, hoje a CADH conta com dois Protocolos Adicionais: O Protocolo Adicional em matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, mais conhecido como Protocolo de San Salvador, adotado em 1988, e o Protocolo à Convenção Americana sobre Direitos Humanos, relativo à Abolição da Pena de Morte, adotado em Asunción, Paraguai, em 1990.
A partir da CADH, as funções da Comissão Interamericana de Direitos Humanos são expandidas. A CIDH passou a estimular a consciência dos direitos humanos nos países americanos, além de realizar e publicar estudos específicos acerca de temas inseridos na área dos direitos humanos. Soma-se a isto, a participação e realização de conferências e reuniões com representantes de governos, universitários, organizações não governamentais, dentre outros, para difundir temas acerca do Sistema Interamericano de Direitos Humanos.
191 Site da CorteIDH. Disponível em: http://www.corteidh.or.cr/index.php/es/acerca-de/historia-de-la-corteidh
No entanto, as funções mais inovadoras foram a possibilidade de requerimento aos Estados-Membros para adoção de “medidas cautelares” para evitar danos graves e irreparáveis aos direitos humanos em questões urgentes, a solicitação de Opiniões Consultivas à Corte Interamericana para a interpretação da Convenção Americana e a remessa de casos à jurisdição da Corte Interamericana.
O papel da Comissão Interamericana de Direitos Humanos se torna ainda mais fundamental, a partir do momento em que, por estar prevista tanto na Carta da OEA, quanto na Convenção Americana de Direitos Humanos, este órgão possui autoridade sob qualquer Estado- Membro da OEA, ainda que ele não tenha ratificado a CADH e reconhecido a jurisdição da Corte IDH, como é o exemplo dos Estados Unidos da América.
De acordo com o artigo 23 do Regulamento da Comissão, qualquer pessoa, grupo de pessoas ou organização não governamental legalmente reconhecida pode apresentar petição denunciando a violação de direitos humanos abarcados por quaisquer dos instrumentos interamericanos de promoção e proteção dos direitos humanos à Comissão em seu próprio nome, ou no de terceiro192.
Ayala193 ressalta que a competência da Comissão para receber e processar denúncias
concretiza o direito de petição ou ação popular própria do sistema interamericano com o objetivo de denunciar à Comissão violações a direitos humanos de pessoas naturais causadas pela ação ou omissão de agentes ou entes de Estados Americanos.
Ademais, a Comissão deve verificar os requisitos de admissibilidade, buscar uma solução não contenciosa para a questão, como a conciliação e, por fim, caso a conciliação não seja possível, dar início à tramitação contenciosa do processo, realizando audiências, produzindo provas e informes de mérito, que contém as conclusões da Comissão. Caso esta entenda que há evidências de violações de direitos humanos, a Comissão pode elaborar recomendações reestabelecedoras, reparadoras e indenizatórias aos Estados. No caso do Estado acusado ter
192 RINCÓN EIZAGA, Lorena. La protección de los derechos humanos en las Américas. Revista de Ciencias
Sociales (Ve), vol. X, núm. 3, diciembre-marzo, 2004, pp. 476-495 Universidad del Zulia Maracaibo, Venezuela. P. 486.
193 RINCÓN EIZAGA, Lorena La protección de los derechos humanos en las Américas. Revista de Ciencias
Sociales (Ve), vol. X, núm. 3, diciembre-marzo, 2004, pp. 476-495 Universidad del Zulia Maracaibo, Venezuela. P. 486. cita : Ayala Corao, Carlos (1998). Discurso na Sessão Inaugural do 99º Período de Sessões da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, celebrado de 4 a 8 de maio de 1998.
reconhecido a jurisdição da Corte e da Comissão entender que o caso deve ser submetido àquele órgão, a Comissão o faz.