Criada em 1928, durante a 6ª Conferência Internacional dos Estados Americanos (Havana, Cuba), a Comissão Interamericana de Mulheres, surgiu de um movimento feminista formado por mulheres de todos os países americanos, que exigiam a ratificação do Tratado Sobre
Igualdade de Direitos. Foi a primeira vez que mulheres falaram oficialmente em uma sessão plenária pública de uma conferência pan-americana. Embora não tenha sido ratificado o tratado proposto observou-se a necessidade de estudar as condições jurídicas das mulheres nas Américas e por isso decidiu-se criar a Comissão Interamericana da Mulher.42
Ressalte-se que esta Comissão foi o primeiro organismo inter-governamental no mundo criado expressamente para defender os direitos da mulher.
A Comissão Interamericana de Mulheres atuava no âmbito da União Pan-Americana, porém com o fim desta, em 1948, foi incorporada pela Organização dos Estados Americanos. Hoje ela é um organismo especializado da OEA, de caráter técnico permanente, estabelecido de acordo com o Capítulo XVIII da Carta da OEA. Ela promove a inserção da perspectiva de gênero em todos os temas e áreas da OEA.
A CIM é composta por 34 Delegadas Titulares, uma de cada Estado membro da OEA, que são designadas pelo seu próprio Governo. A Assembléia de Delegadas, que é a máxima autoridade da Comissão se reúne a cada dois anos para eleger o Comitê Diretivo e também para determinar políticas e o plano bienal de ação da Comissão.
A última Assembléia de Delegadas até o presente momento, a Trigésima Terceira, foi realizada em San Salvador, El Salvador, de 13 a 15 de novembro de 2006. Nesta assembléia foi eleito o Comitê Diretivo do período de 2006-2008 e aprovado o Programa Bienal de Trabalho da CIM.43
O Diálogo das Chefes da Delegação se focou na prevalência do VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana) entre as mulheres, vinculada com a violência de gênero e com a seguridade multidimensional, e realizou o pré-lançamento da campanha sobre VIH/SIDA.
Outros temas abordados na Assembléia incluíram a prevenção e erradicação da violência contra a mulher; a implementação do Mecanismo de Seguimento da Convenção de Belém do Pará; estratégias para o seguimento da IV “Cumbre de las Américas”; a paridade e a participação das mulheres na tomada das decisões e a implementação do Programa Interamericano sobre os Direitos Humanos das Mulheres e Igualdade de Gênero.
42 COMISSÃO INTERAMERICANA DE MULHERES. Creación de La CIM: La Habana, Cuba, 1928. Disponível
em: <http://portal.oas.org/Portal/Topic/Comisi%C3%B3nInteramericanadeMujeres/Historia/Creaci %C3%B3ndelaCIMLaHabanaCuba1928/tabid/659/language/es-CO/Default.aspx> Acesso em: 16.06.2008
43__________. XXXIII Assemblea de Delegadas de La CIM. Disponível em:
http://portal.oas.org/Portal/Topic/Comisi
%C3%B3nInteramericanadeMujeres/AsambleasdeDelegadas/XXXIIIAsambleaElSalvadornov2006/tabid/679/langua ge/es-CO/Default.aspx> Acesso em: 16.06.2008
O Comitê Diretivo se reúne periodicamente, e é composto pela Presidente, pela Vice Presidente e pelas Delegadas Titulares ou Suplentes de cinco dos Estados membros, previamente eleitas. Dentre suas funções mais relevantes estão: a de adotar as medidas necessárias para o cumprimento das recomendações pertinentes da Assembléia Geral e dos Conselhos da OEA, bem como as decisões da Assembléia de Delegadas; estudar e aprovar o programa de trabalho anual da Comissão; adotar durante o intervalo de tempo entre uma Assembléia e outra as decisões necessárias cuja urgente solução não permita consultara todas as delegadas.
Para realizar as funções administrativas, técnicas e executivas, a Comissão dispõe de uma Secretaria Permanente.Tal secretaria funcionará nos escritórios da Secretaria Geral da OEA, que tem sede em Washington, D.C., EUA, e deverá contar com pessoal técnico especializado em planejamento e programação, investigação, trabalho de grupo e outros aspectos, segundo demanda a necessidade do programa.44
O Estatuto da Comissão45 prevê a criação de Comitês Nacionais de Cooperação, que
atuarão em colaboração com a Delegada Titular na promoção, em cada país, dos propósitos e finalidades da Comissão. No Brasil a instituição que inicialmente cumpriu com este papel foi o Conselho Nacional de Direitos da Mulher. Hoje quem cumpre esta função é a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.
A finalidade Comissão Interamericana da Mulher é “(...) promover e proteger os direitos da mulher e aprovar os Estados membros em seus esforços para assegurar o pleno acesso aos direitos civis, políticos ,econômicos, sociais e culturais que permitam que mulheres e homens participem em condições de igualdade em todos os âmbitos da vida social, para lograr que desfrutem plena e igualitariamente dos benefícios do desenvolvimento e compartilhem também a responsabilidade pelo futuro”.46
44 As autoridades da CIM de 2006 a 2008 são:
Presidente: Jacqui Quinn-Leandro (Antigua y Barbuda) Vice-presidente: Martha Lucía Vázquez (Colombia) Membros do Comitê Diretivo:
- Nilcéa Freire (Brasil)
- María Gabriela Núñez (Guatemala) - Marie Laurence Jocelyn Lassegue (Haiti) - Virginia Borra Toledo (Peru)
- Carmen Beramendi (Uruguay) Secretaria Executiva: Carmen Lomellin
45 COMISSÃO INTERAMERICANA DE MULHERES. Estatuto de la Comisión Interamericana de Mujeres (CIM).
18 NOV. 1998. Disponível em: http://portal.oas.org/Portal/Topic/Comisi
%C3%B3nInteramericanadeMujeres/Documentos/InstrumentosJur%C3%ADdicos/Estatuto/tabid/755/language/es- CO/Default.aspx> Acesso em: 16.06.2008
Seus objetivos e funções também se encontram definidos em seu Estatuto, quais sejam: a) Identificar as áreas em que é necessário intensificar a participação integral da mulher no desenvolvimento econômico, político, social e cultural dos povos;
b) Formular estratégias dirigidas a transformar os papéis e a relação entre mulheres e homens em todas as esferas da vida pública e privada como dois seres de igual valor, co- responsáveis do destino da humanidade.
c) Propor soluções e incitar os governos que adotem as medidas pertinentes para eliminar os obstáculos a plena igualdade e igualitária participação da mulher em todas as áreas.
d) Promover a mobilização, capacitação e organização da mulher para lograr sua participação igualitária em posições de liderança e propor que os programas de desenvolvimento sirvam para fazer efetiva tal participação e representação.
e) Promover o acesso de mulheres e meninas à educação e a programas de capacitação. f) Instar aos governos ao cumprimento das disposições emanadas das diversas instâncias internacionais.
g) Atuar como organismo consultivo da OEA e de seus órgãos.
h) Estabelecer estreitas relações de cooperação com os organismos interamericanos, os de caráter mundial e as entidades públicas e privadas.
i) Informar periodicamente à Assembléia Geral da OEA as principais atividades da Comissão.
j) Informar à Assembléia Geral da OEA acerca de todos os aspectos da condição da mulher na América, seus progressos e os problemas que devem ser considerados, e levar aos governos dos Estados membros as recomendações que tendam a solucionar os problemas relativos a condição da mulher nos países da região.
l) Promover a adoção ou adequação de medidas de caráter legislativo necessárias para eliminar toda forma de discriminação contra a mulher.
Além das funções acima descritas a CIM pode também organizar conferências e programas, tais quais as Reuniões Ministeriais sobre Políticas para as Mulheres (REMIM I E II, respectivamente em abril de 2000 e abril de 2004), onde se reuniram as mais altas autoridades dos Estados membros responsáveis pelas políticas públicas referente a mulheres em seus governos.
De tudo o que foi correlacionado, conclui-se que a CIM trabalha pelo fortalecimento dos direitos da mulher.