Como podemos ver, sabe-se, até o momento, que a Covid-19 afeta todas as faixas etárias, no entanto alguns grupos, devido a vulnerabilidades respiratórias, estão mais susceptíveis à doença do que em outras pessoas. No grupo de risco, destacam-se as mulheres gestantes que, devido às vulnerabilidades, as infecções respiratórias estão mais susceptíveis à patologia. Segundo Fitz (2020), ainda não há evidências de transmissão vertical do vírus em mulheres grávidas, no entanto pode haver alterações nas respostas imunes na interface materno-fetal e afetar o bem-estar da mãe e também do bebê.
Estudos realizados por Liu et al. (2020) chamam a atenção para pacien-tes grávidas, devido às alterações fisiológicas e à função imunológica materna na gestação, podendo enfrentar maiores riscos de serem infectadas e, assim, eventos clínicos mais complicados. O estudo foi feito com pacientes da Chi-na, início do surto de Covid-19, e as pacientes gestantes apresentaram: febre, dispneia e uma paciente foi assintomática. Liu et al. (2020), numa série com 13 gestantes, reportaram cinco cesarianas urgentes (38%), seis partos pré-termo (46%) e uma morte fetal.
Em estudos sobre a temática, é possível perceber que grávidas que foram in-fectadas com outros coronavírus (SARS-CoV e MERS-CoV) foram responsáveis por um alto número de complicações maternas, causando a internação para cui-dados intensivos, necessidade de ventilação assistida, influência renal e, em al-guns casos, óbito (RAMALHO, 2020).
Dentre os casos em que gestantes foram infectadas com outros tipos de coro-navírus, não foi identificado nenhum abortamento (RAMALHO, 2020).
Em um estudo referente a 21 grávidas (22 recém-nascidos), observamos a ocorrência e a ruptura prematura de membranas, parto pré-termo, taquicardia fetal, estado fetal não tranquilizador, morte fetal e elevado número de cesarianas (RAMALHO, 2020).
Atualmente identificamos que as pesquisas desenvolvidas para entender quais os impactos da doença do Covid-19, em mulheres grávidas, são limitados.
O Ministério de Saúde divulgou recentemente que mulheres no ciclo gravídico--puerperal fazem parte do grupo de risco devido às complicações provocadas pela Covid-19.
Foi divulgada uma nota técnica com o objetivo de apresentar, para os ges-tores e profissionais de saúde, possíveis evidências para contribuir com a
com-preensão acerca dos riscos às gestantes e puérperas diante da pandemia (NOTA TÉCNICA Nº 12/2020-COSMU/CGCIVI/DAPES/SAPS/MS, 2020, p. 01). O documento foi divulgado baseado em outras pesquisas científica, ao observar o alto índice de complicações e taxas de mortalidade em mulheres gestantes com infecções respiratórias causadas por outros tipos de coronavírus (SARS-CoV e MERS-CoV) (NOTA TÉCNICA Nº 12/2020-COSMU/CGCIVI/DAPES/SAPS/
MS, 2020, p. 01).
Estudos científicos apontam que a fisiopatologia do vírus H1N1 pode apresentar letalidade nesses grupos associados à história clínica de comorbidades dessas mulheres. Sendo assim, para a infecção pela covid-19 o risco é semelhante pelos mesmos motivos fisiológi-cos, embora ainda não tenha estudo específico conclu-sivo. Portanto, os cuidados com gestantes e puérperas devem ser rigorosos e contínuos, independentemen-te do histórico clínico das pacienindependentemen-tes (NOTA TÉC-NICA Nº 12/2020-COSMU/CGCIVI/DAPES/SAPS/
MS, 2020, p. 3).
Como forma de contribuir para a atenção às mulheres, em tempos de pan-demia do Covid-19, a nota técnica divulgou recomendações pra profissionais de saúde e gestores públicos, sobre a atenção materna e infantil, como o fluxogra-ma a seguir:
Figura 1 – Fluxograma de manejo de gestantes durante a pandemia da Covid-19
Fonte: Adaptado da Nota Técnica nº 12/2020-COSMU/CGCIVI/DAPES/SAPS/MS
Com a alta taxa de transmissibilidade e com número cada vez maior de óbi-tos, tem-se revelado a preocupação com a saúde das mulheres grávidas, gerando atenção especial à mãe e ao bebê.
Considerações finais
Objetivou-se abordar reflexões para compreendermos a saúde da mulher grá-vida em tempos de pandemia. Diante das reflexões apresentadas, é preciso ques-tionar: o que esperar para as mulheres gestantes como parte do grupo de risco?
Entendemos que existe um número limitado de estudos e pesquisas com pa-cientes gestantes infectadas. A pesquisa ainda sofrerá mudanças diante do contex-to em que o Brasil se insere na pandemia, como centro da pandemia da Covid-19.
GESTANTE
As gestantes devem ser orientadas sobre os cuidados preven�vos também no ambiente Con�nuidade do pré-natal nas
gestantes assintomá�cas com observação rigorosa às medidas
de prevenção da infecção
Gestantes devem ser orientadas a ligar para 136, e procurar pelas unidades básicas caso apresentem sintomas gripais
Isolamento por 14 dias caso apresente sintomas gripais, essas gestantes devem ser monitoradas nesse período Realização de
exames e vacinas de ro�na
do pré-natal
A atenção primária deve estabelecer fluxos com as
maternidades para referenciamento das pacientes
conforme Lei 11.634/2007
Por isso, precisamos considerar dois aspectos importantes, a saber: 1) apesar das altas taxas de contágio no Brasil, a Covid-19 é uma doença que afeta a todas as faixas etárias, podendo afetar as mulheres gestantes devido à vulnerabilidade das infecções respiratórias, uma vez que a patologia afeta o trato respiratório.
2) A doença revela a vulnerabilidade do sistema de saúde, o que, em muitos locais, tem gerado um colapso no sistema de saúde. A alta taxa de transmissão da Covid-19 tem influenciado todos os setores da sociedade, evidenciando o que alguns estudos têm chamado de a maior crise depois da recessão de 1929.
Estudos apontam que a saúde das mulheres grávidas merece atenção das polí-ticas de saúde, dos profissionais de saúde e principalmente dos gestores públicos.
Referências
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