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evangélica 61 73% 7,6 Bancada da bala 12 73% 1,5 Bancada

4.5 Como a rede de coautorias evolui no tempo?

A rede investigada aqui, como apresentado anteriormente, é formada por 582 parlamentares que coautoraram alguma proposição na legislatura 2015-2019 (55ª legislatura). Os laços regridem à legislatura anterior (2011-2015), o que permite uma comparação mais adequada com o Senado, em que os mandatos são de 8 anos, e que é feita mais à frente. Isto é: a rede não inclui parlamentares de legislaturas anteriores, mas ligações mais antigas entre eles (feitas entre 2011 e 2015) estão presentes.

Passemos a analisar então a formação da rede de forma dinâmica. Até agora, apresentamos uma rede que inclui todas as coautorias ocorridas entre 2011 e 2019 para os parlamentares da 55ª legislatura. Agora faremos um corte em dois momentos adicionais. O primeiro mostrará as conexões que haviam até 2015, isto é, a estrutura da rede antes da legislatura 2015-2019 começar. O segundo corte mostrará as conexões até o meio da legislatura – até 2017 –, isto é, a estrutura da rede no meio do período.

4.5.1 A rede ao longo da legislatura

A Figura 37 reapresenta a rede, incluindo as comunidades, mas agora somente com os nós e arestas que existiam no início da legislatura. Ou seja, trata- se de parlamentares da 55ª legislatura que haviam se conectado na legislatura anterior. Isso exclui parlamentares novos ou parlamentares que não atuaram em coautorias entre 2011 e 2015.

113 Figura 37 - Rede de coautorias entre deputados da 55ª legislatura (2015-2019) – Laços até 2015

A imagem evidencia que, quando a legislatura começa, a maior bancada é a ruralista. Esta bancada já vinha forte da legislatura anterior: com muitos nós e muitas conexões. Veja o contraste com a bancada evangélica, grupo à direita (em laranja) que era numeroso nas imagens anteriores. Enquanto a bancada evangélica em nossa rede foi construída principalmente na legislatura 2015-2019, a bancada ruralista já vinha com uma formação robusta.

Na Figura 38, reapresentamos novamente a rede, agora incluindo também as arestas referentes a 2015 e 2016. Ou seja, trata-se de fotografia do meio da legislatura.

114 Figura 37 - Rede de coautorias entre deputados da 55ª legislatura (2015-2019) – Laços até 2017

Perceba que agora a rede parece muito com a rede final. Isso é verdade para a bancada ruralista, que está mais cheia, mas é especialmente verdade para as demais comunidades. Os fluxos de arestas também estão quase tão densos quanto em 2019.

De fato, boa parte da atividade de uma legislatura é concentrada em seu primeiro biênio, especialmente na primeira sessão (primeiro ano). Há mais parlamentares novos, com novas ideias, e mesmo os parlamentares reeleitos estão vindo de contato mais forte com suas bases, por conta das eleições. A legislatura nova também coincide no Brasil com um novo mandato presidencial, que também tende a apresentar novas propostas e fomentar o debate. Finalmente, o primeiro ano é o ano mais distante das próximas eleições: nos anos seguintes, há um óbvio incentivo para que a atividade legislativa de um parlamentar seja reduzida à medida que ele priorize atos que aumentem sua chance de reeleição – o que inclui mais contato com sua base.

A Figura 38 reapresenta a rede em 3 momentos: 2015, 2017 e 2019, facilitando a comparação.

115 Figura 38 - Rede de coautorias entre deputados da 55ª legislatura (2015-2019) – 2015, 2017 e 2019

2015

2017

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4.5.2 A bancada ruralista ao longo da legislatura

Uma inspeção inicial na imagem sugere que a bancada ruralista não “cresceu” tanto na legislatura quanto à bancada evangélica, por exemplo. Contudo, o que se percebe de fato em uma análise mais detida é que a bancada já nasce forte na legislatura e continua assim ao longo dela. A Figura 39 mostra a bancada ruralista em dois momentos: até 2015 e no período 2015-2017.

Figura 39 – Bancada ruralista – Até 2015 e 2015-2017 Até 2015

2015-2017

Esses dois momentos são “somados” na Figura 40. Ela mostra o acumulado da bancada ruralista: como era em 2015, como era em 2017 (ou seja, a “soma” dos momentos da Figura anterior) e como chega em 2019, final da legislatura.

Ou seja: os membros da bancada ruralista já vinham de atuação forte na legislatura anterior e continuaram atuando em conjunto na 55ª legislatura. Como vimos, sabemos também que muitos foram reeleitos para a 56ª legislatura.

117 Figura 40 – Bancada ruralista – Início, meio e fim da 55ª legislatura

2015

2017

2019

Essa evolução difere de outras comunidades: elas não iniciaram a legislatura tão bem formadas. Embora a bancada ruralista tenha se mantido ativa, percebemos principalmente uma renovação de laços, e não a adição de novos nós.

A Figura 41, a seguir, é uma espécie de “espelho” da Figura 38. Ela mostra os nós que entram na rede em cada período. A primeira parte mostra os nós que não estavam na rede antes de 2015. A segunda parte mostra os nós que não estavam na rede antes de 2017 (meio da legislatura).

118 Figura 41 – Novos nós na rede de coautorias 55ª legislatura (2015-2019)

Nós que não existiam em 2015

Nós que não existiam em 2017

Observe que alguns nós da bancada ruralista não existiam antes de 2015, mas nenhum não existia antes de 2017. Perceba também que outras bancadas ganharam muito mais nós ao longo da legislatura.

Depreende-se, portanto, que a bancada ruralista não tem sido forte quanto à renovação (novos membros), mas mostra força quanto à perenidade dos seus laços.

Perceba também como o período 2017-2019 é menos relevante para o conjunto da rede do que o período 2015-2017.

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4.5.3 A bancada ambientalista ao longo da legislatura

Finalmente, comparamos a evolução da bancada ruralista com a da bancada ambientalista, que - como o resto da rede – começa frágil e adiciona membros ao longo da legislatura.

Figura 42 – Bancada ambientalista x bancada ruralista – 2015, 2017 e 2019 2015

2017

2019

A análise revela uma dinâmica diferente desses grupos, não estando claro qual será mais vantajosa nas próximas legislaturas. A bancada ruralista se mostra uma estrutura perene, em laços entre os membros se renovam constantemente, isto é, os parlamentares continuam atuando em conjunto ao longo do tempo. Todavia, há pouca renovação de membros. A partir de 2019, qual efeito será mais importante?

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Com a bancada ambientalista acontece com o contrário: já tínhamos visto que era uma estrutura menor e de menor coesão. Agora vimos que ao menos que sua organização é mais recente. A partir de 2019, pode continuar atraindo membros e crescendo, ou pode ser que sua estrutura mais débil tenha apenas existido em um período de tempo e não seja longeva.

Por fim, para a análise dinâmica desta seção fizemos duas opções metodológicas simplificadoras. Uma foi a opção por usar as comunidades como calculadas inicialmente para toda a legislatura, em vez de recalculá-las em cada período de tempo. A simplificação facilitou o entendimento dos fenômenos analisados, mas pode ter ocultado outros. Com essa opção, por exemplo, não se observa parlamentares trocando de bancadas.

Uma segunda opção, referente à visualização, foi quanto ao tamanho dos nós. Eles seguiram proporcionais à centralidade de intermediação, conforme calculada para todo o período. Por isso, embora possamos ver nos retratos de cada período novos nós ou arestas surgindo, não vemos o tamanho dos nós mudando. Novamente, a opção simplificadora tem vantagens, mas oculta outros fenômenos (nós ganhando ou perdendo força, por exemplo).

Feita a comparação da rede no tempo, passemos a compará-la com outra rede: a rede de coautorias do Senado Federal.