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Como cuidar da sua pressão? O sal da alimentação – drama da cultura ocidental

O tratamento da hipertensão arterial geralmente se inicia com mudanças no estilo de vida, a saber: reduzir a ingestão de sal, parar de fumar, reduzir o excesso de peso, evitar bebidas alcoólicas e praticar exercícios físicos aeróbicos com regularidade.

A principal fonte de sódio da dieta provém do sal, que é adicionado a alimentos empacotados, processados e de restaurantes. A simples redução do sal consumido pode fazer a pressão normalizar-se, não havendo necessidade de medicação adicional.

O organismo necessita de uma pequena quantidade de sódio da dieta para controlar a pressão arterial e o volume do sangue. Uma dieta com baixa concentração de sódio contém menos de dois gramas de sal por dia.

Assim, sempre que consumir produtos industrializados ou processados, não deixe de ver a quantidade de sal existente por porção que está informado nas etiquetas que acompanham os alimentos.

Sabemos que é muito difícil, quando de maneira abrupta, cortamos o sal da dieta, pois existem hábitos culturais encravados nos nossos costumes que dificultam tal atitude. Não raro, encontro pessoas na minha clínica queixando-se de fraqueza em virtude da baixa ingestão de sal, embora estivessem ingerindo quantidades até acima dos dois gramas/dia.

Uma alternativa que quase sempre funciona é trocar o sal da dieta, progressivamente, por ervas aromáticas, pimentas leves, vinagres cítricos ou balsâmicos e adicionar limão nas saladas. Aos poucos, o paciente vai se adaptando a ponto de após um certo tempo conseguir reduzir a ingestão de sal bem menos do que dois gramas/dia.

Abaixo, seguem algumas sugestões para hipertensos, ou mesmo para qualquer pessoa, que, embora com pressão normal, deve evitar o consumo exagerado de sal, ocasionado nos últimos tempos pelo uso frequente de comidas industrializadas.

• Retire o saleiro da mesa. Reduza ou elimine o sal de cozinha, substituindo-o por temperos apimentados, alho, cebola ou limões. Não use temperos industrializados, que, além de conter sal em excesso, têm gorduras hidrogenadas, um verdadeiro veneno para as artérias;

• Ao comprar enlatados como atum, molho de tomate, pimentas, procure sempre produtos com baixa concentração de sódio;

• Faça uma lista de alimentos com baixo teor de sódio que integrarão o seu novo cardápio. Alguns supermercados oferecem essas informações aos clientes;

• Quando for almoçar ou jantar fora de casa, solicite preparações sem sal, peça saladas com molho sem sal, evite bacon e queijos;

• Não adicione sal à comida antes ou durante o cozimento. Peça para cada membro da família experimentar a comida antes de adicionar o sal;

• Evite comer em restaurantes fast-food. Se não for possível, escolha restaurantes que ofereçam frutas ou vegetais com molhos sem sal.

Pergunte, se possível, se a comida foi preparada com/sem sal;

• Não use substitutos de sal, principalmente aqueles que possuem potássio, a menos que o seu médico aprove. Ervas e combinações apimentadas sem sal são muito utilizadas e podem ser adicionadas para dar sabor à comida;

• Não use água com gás, pois a gaseificação remove o cálcio e adiciona o sódio à água. Ao comprar água mineral, leia o rótulo para saber se contém sódio;

• Leia rótulos ou bulas de todas as medicações. Não use produtos que contenham carbonato de sódio ou bicarbonato de sódio;

• Frutas frescas e vegetais são geralmente pobres em sódio e promovem efeitos benéficos por reduzirem os níveis da pressão arterial. A dieta do Dash (Dietary Approaches to Stop Hypertension - Abordagens dietéticas para interromper a hipertensão) recomenda que as pessoas comam quatro a cinco porções de frutas, quatro a cinco de vegetais e duas a três porções com baixo índice de gordura por dia. Toda a alimentação não pode ter mais do que 25% de gordura por porção.

Finalizo com algumas recomendações complementares: evite medicamentos que elevem a pressão como anti-inflamatórios, anticoncepcionais, antidepressivos, anti-histamínicos, moderadores de apetite. Além disso, adote medidas antiestresse como: massagens, pescarias, trabalhos manuais, trabalhos voluntários em entidades filantrópicas; e cuide da espiritualidade conforme a sua orientação religiosa.

Assim, torna-se evidente que a maioria das medidas não medicamentosas dependem de mudanças permanentes no estilo de vida.

Por isso, o tratamento do portador de hipertensão arterial se enriquece quando diferentes profissionais estão envolvidos, além do médico, como o nutricionista, o terapeuta, o enfermeiro, o professor de educação física, ou seja, toda a equipe de profissionais da saúde.

O envolvimento dos familiares do hipertenso na busca das metas a serem atingidas pelas modificações do estilo de vida é muito importante para que ele consiga atingi-las.

“Ouve-me, filho, não me desprezes, e no fim compreenderás as minhas palavras. Sê moderado em todas as tuas obras, e nenhuma doença te atingirá” (Eclo 31,26-27).

T ABAGISMO

N

o Brasil, cerca de 30% da população adulta é fumante. Embora haja predomínio do sexo masculino, as mulheres, nas últimas décadas, estão se aproximando dos homens nesta prática. Estima-se que nos países desenvolvidos o tabaco cause aproximadamente 30% de todas as mortes entre 35 e 69 anos, sendo a maior causa de morte prematura no Primeiro Mundo. No Brasil, estima-se que ocorram 125mil mortes a cada ano por doenças associadas ao fumo. Portanto, a cada cinco minutos morre um brasileiro em consequência do tabagismo! Mulheres que tomam anticoncepcional e fumam até 15 cigarros por dia têm um risco coronário de três a cinco vezes maior. As que fumam mais de 15 cigarros por dia têm um risco 20 vezes maior. De acordo com a OMS, um ano depois do abandono do cigarro, o risco coronário diminui 50%. Somente depois de 15 anos do abandono do cigarro é que o risco fica igual ao de um não fumante.

Um estudo feito na Região Metropolitana de São Paulo, em 2005, identificou o tabagismo (o consumo de mais de cinco cigarros por dia) como o maior fator de risco para a ocorrência de infarto do miocárdio.

Isso significa que os fumantes que moram em São Paulo têm 5,86 mais chances de ter infarto do que os que não fumam. Caro(a) leitor(a), se você está nesse grupo de risco, pare de fumar agora, porque as consequências serão inevitáveis.

Há várias décadas, sabe-se que o tabagismo é o grande causador de diversas doenças pulmonares como a bronquite crônica, o enfisema pulmonar e o câncer de pulmão, além de estar associado a doenças cardiovasculares e tumores em diversas localidades.

Também se sabe que os fumantes têm uma perda da função pulmonar superior a dos não fumantes. Atualmente, ninguém mais duvida de que fumar seja prejudicial à saúde. Desde médicos até leigos dos mais variados níveis culturais recebem informações sobre os males do tabagismo. Os próprios fabricantes reconhecem ou são obrigados a reconhecer o problema e a acatar as normas governamentais que os obrigam a inscrever nas embalagens dos produtos mensagens sobre riscos potenciais de seu uso. As restrições à prática do tabagismo em ambientes coletivos visam proteger os não fumantes do “tabagismo passivo”, que comprovadamente também é danoso à saúde. Os médicos, em geral, se cansam de aconselhar seus pacientes a não fumar. No entanto, apesar das informações recebidas e de todos os esforços dos profissionais da saúde, a maioria dos fumantes não abandona o vício, e muitos jovens ainda estão se iniciando nesta nefasta prática.

A solução encontrada nos cigarros de “baixo teor”, que são produzidos a partir do fumo modificado, para que haja uma menor concentração de substâncias nocivas, também não logrou êxito, pois seus consumidores passaram a fumar um número maior de cigarros para conseguirem a quantidade de nicotina exigida pelo organismo. Este recurso está desacreditado. Além disso, existem aqueles que fumam poucos cigarros por dia e acham que estão livres dos riscos de contrair problemas cardíacos ou câncer. Grande engano, pois um cigarro ao dia já é o suficiente para fazê-lo grande candidato a povoar as unidades de terapia intensiva, curtindo seu infarto agudo do miocárdio. Isso se conseguir superar as primeiras horas do evento, em que a mortalidade chega a 60%.

Uma outra conversa que costumo ouvir no consultório é: “Doutor, eu fumo, mas não trago a fumaça. Só a deixo na boca, ela não chega aos

boca? Esse argumento não tem fundamento algum e não serve como desculpa. O melhor é parar de fumar para viver mais e melhor.”

Um dos maiores momentos de insensatez do ser humano é o tabagismo na gravidez, especialmente durante o terceiro trimestre. Filhos de fumantes nascem com peso diminuído, maior risco de apneia do sono obstrutiva, prejuízo da função pulmonar e menores escores de quociente de inteligência. Você gostaria desse legado para seu filho?

A exposição ambiental ao tabagismo também leva a outros prejuízos para as crianças, como redução da função pulmonar, infecções respiratórias e exacerbações de asma, que estão relacionadas à dose inalada. O risco relativo de câncer de pulmão é aumentado em mais de três vezes.