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COMO ENSINAR AS LUTAS NO AMBIENTE ESCOLAR?

TÓPICO 1 – PEDAGOGIA ESCOLAR DA LUTA

3.2 COMO ENSINAR AS LUTAS NO AMBIENTE ESCOLAR?

Antes mesmo de abordar, especificamente, a teoria do ensino das lutas propriamente dita, teremos que relembrar as teorias de aprendizagem e ensino de modo geral. Coll; Pozo e Sarabia (2000) propõem três dimensões dos conteúdos, sendo estas uma forma de facilitar o entendimento de determinado conteúdo e com grande potencialidade explicativa para os fenômenos educativos. Estes conteúdos devem ser compreendidos como tudo quanto se tem de aprender para alcançar determinados objetivos que não apenas abranjam as capacidades cognitivas, mas também incluam as demais, como as capacidades de cunho motor, capacidades afetivas de relação interpessoal e, por fim, as capacidades com objetivo de inserção social (ZABALA, 1998). No quadro a seguir são apresentadas as três dimensões e as suas respectivas perguntas e explicações a serem feitas de acordo com o aprendizado:

categorias destacadas pelo autor são:

• Jogos de rapidez e de atenção.

• Jogos de conquista de objetos.

• Jogos de conquista de território.

• Jogos para desequilibrar.

• Jogos para reter, imobilizar e livrar-se.

• Jogos para combater.

QUADRO 2 - DIMENSÕES DOS CONTEÚDOS DAS LUTAS

Dimensão Pergunta a ser feita:

Conceitual

• O que se deve saber?

• Conhecer as transformações por que passou a sociedade em relação aos hábitos de vida e relacioná-las com as necessidades atuais de atividade física.

• Conhecer as mudanças pelas quais passaram os esportes.

• Conhecer os modos corretos da execução de vários exercícios e práticas corporais cotidianas.

Procedimental

• O que se deve fazer?

• Vivenciar e adquirir alguns fundamentos básicos dos esportes, danças, ginásticas, lutas, capoeira. Por exemplo, praticar a ginga e a roda da capoeira.

• Vivenciar diferentes ritmos e movimentos relacionados às danças, como as danças de salão, regional e outras.

• Vivenciar situações de brincadeiras e jogos.

Atitudinal

• Como se deve ser?

• Valorizar o patrimônio de jogos e brincadeiras do seu contexto.

• Respeitar os adversários, os colegas e resolver os problemas com atitudes de diálogo e não violência.

• Predispor a participar de atividades em grupos, cooperando e interagindo.

• Reconhecer e valorizar atitudes não preconceituosas quanto aos níveis de habilidade, sexo, religião e outras.

FONTE: O autor

Sobre as três dimensões e sua importância, Darido (2012, p. 3) faz uma boa abordagem, afirmando que para “garantir um ensino de qualidade, além de diversificar os conteúdos na escola, é preciso aprofundar os conhecimentos, ou seja, tratá-los nas três dimensões, abordando os diferentes aspectos que compõem as suas significações”.

Além disso, Darido (2012) exemplifica que quando for tratar o futebol, o ensino deve ir além do fazer (técnicas e táticas), a fim de abordar a cultura;

suas evoluções e transformações ao longo da história; dificuldades e tropeços da expansão do futebol feminino (causas e efeitos); mitificação dos atletas de futebol;

grandes nomes do passado; violência nos campos de futebol etc., ou seja, é preciso ir além do costumeiro jogar. E nós, no âmbito da luta, podemos pensar o mesmo sobre as lutas, ou seja, quando formos tratar de luta e artes marciais, devemos ir muito além de simplesmente o soco ou o chute, devemos abordar a manifestação que aquela luta representa, como a luta chegou até aquele formato seguro e controlado, dificuldades e mistificação da violência das lutas, nomes do passado, por exemplo, Acelino Popó Freitas, entre outros. Isso é a verdadeira arte marcial.

3.2.1 Dimensão conceitual

Os conteúdos conceituais são termos abstratos e muito difíceis, podem ser restringidos a uma única definição encaixotada ou fechada, pois necessitam certas estratégias didáticas que promovam uma ampla atividade cognoscitiva do aluno, fornecendo-lhe experiências ou situações que induzam ou potencializam a aprendizagem. A dimensão conceitual deve ensinar aos alunos os elementos históricos e evolutivos, além dos aspectos conceituais e principais normas de determinada luta.

3.2.2 Dimensão procedimental

De modo resumido, a dimensão procedimental é entendida como o conjunto de ações ordenadas, destinadas à consecução de um fim, estado configurado por ações e podendo ser considerado dinâmico em relação ao caráter estático dos conteúdos conceituais. Assim, a aprendizagem de procedimentos implica, então, aprendizagem de ações, e isso comporta atividades que se fundamentam em sua realização.

Somente para constar, acadêmico, cognoscitivo significa a pessoa que tem a faculdade de conhecer, hábil no aprendizado, capacitado para aprender.

Breda et al. (2010) destacam a grande importância do aprendizado histórico para o ensino das lutas. Os autores consideram este tipo de aprendizagem essencial para conhecer sua origem e sua evolução a ponto do correto entendimento cultural.

Este é um dos motivos de termos abordado pontos históricos na primeira unidade.

Existe uma gama de significados simbólicos, e se não abordarmos os mesmos em nossas aulas, estaríamos permitindo que outros significados, que podem não ser os corretos, sejam adotados. Desse modo, a dimensão conceitual é muito importante para combater o principal paradigma das lutas, ou seja, a sua mistura errônea com violência (RUFINO, 2015).

Exemplos da dimensão conceitual:

• Diversos tipos de modalidades.

• Formas de classificação das modalidades.

• Deferentes origens históricas para as diferentes práticas.

• Regras de determinadas modalidades.

• Análise das modalidades consideradas olímpicas.

• Pesquisas de lutas desconhecidas.

• Conceitos biomecânicos das lutas.

• Conceitos fisiológicos das lutas.

• Melhores formas de aplicação de determinados golpes.

• Melhores formas de treinar para determinadas lutas.

• Curiosidades das lutas.

Perceba que grande parte dos exemplos acima você já está pronto para responder somente com o estudo e compreensão da Unidade 1.

DICAS

Segundo Rufino (2015), esta dimensão do ensino das lutas no ambiente escolar tem relação com o saber fazer, ou seja, os procedimentos, os movimentos e os gestos motores técnicos realizados nas modalidades, tanto individuais quanto coletivas (duplas ou mais), correspondendo a tudo o que se relaciona ao saber fazer.

São exemplos de elementos da dimensão procedimental:

• Vivências relativas à questão de oposição.

• Ganho ou perda de espaço.

• Quedas com ou sem oponente.

• Atividades individuais.

• Simulação de técnicas de chutes e/ou socos.

• Atividades coletivas (como o caso do cabo de guerra).

• Brincadeiras.

3.2.3 Dimensão atitudinal

Acadêmico, lembre-se de que a pergunta desta dimensão é: “Como se deve ser?” Portanto, a dimensão atitudinal faz ligação com os elementos de valor, normas e atitudes subjacentes à prática educativa. As etapas do ensino e aprendizagem devem abranger, ao mesmo tempo, os campos cognoscitivos, afetivos e comportamentais, em que o componente de cunho afetivo adquire uma importância fundamental, uma vez que o que as pessoas pensam, sentem e como estas se comportam não depende apenas do que está socialmente estabelecido, mas, sobretudo, de suas relações interpessoais que cada indivíduo estabelece com o objeto da atitude e do seu valor (ZABALA, 2001).

Esta pode ser a dimensão mais difícil de se ensinar, pois os processos de aprendizagem e ensino podem se basear em vários campos, com enfoque ao componente afetivo, que enfatiza as relações interpessoais com o seu determinado objeto de valor. É normal haver dúvidas do tipo: devo eu ensinar os critérios de caráter ao aluno ou até mesmo componentes afetivos interpessoais? Sim, você deve enfatizar e recomendar que com o ensino das lutas terá uma arma surpreendente para tal tarefa.

Conforme já mencionado sobre a dificuldade desta dimensão, seu entendimento é algo muito amplo e certamente complexo, tanto que esta deve ser uma prerrogativa básica do Projeto Político-Pedagógico da escola não somente para a Educação Física, mas sim para todas as ações de ensinamento pertencentes ao nível escolar.

Poderíamos exemplificar a dimensão atitudinal como:

• Respeito ao companheiro e ao adversário.

• Diferenciação de uma luta para uma briga.