4 ANÁLISE DE DADOS
13. Como foi feita a escolha do vendedor/fornecedor?
A A biblioteca deu preferência para a compra de um aparelho vendido e com suporte no Brasil. “Foi o único vendedor que foi encontrado no Brasil. O que tira a burocracia do processo. O aparelho já vem com a rede, é só colocar o login e senha e comprar os livros. A parte de compras da empresa faz a compra. A biblioteca fez o teste da Proquest, mas o conteúdo não era adequado por estar todo em inglês, além de ser muito caro”.
B “Quem decide aquisição e compra são os professores”. As editoras entram em contato com a biblioteca, que pede um trial que varia de um a seis meses. Depois, isso é divulgado na página da Internet, na Intranet e no Facebook para ser avaliado pela comunidade universitária. Mas o peso maior é do professor. A Ebrary foi escolhida pela multidisciplinaridade, pela facilidade de uso e por oferecer treinamentos.
C “A escolha é feita pela obra, e não pelo fornecedor. O fornecedor está no fim da linha”. D “Inicialmente nós buscamos as editoras renomadas, nós ainda não pegamos as pequenas e
médias editoras. ”
E “Já eram comprados livros impressos com essas editoras e elas ofereceram o livro eletrônico”.
F “O primeiro teste foi feito com a Pearson, que veio vinculado junto com a base de dados que nós temos da EBSCO”...
G Mesmo do livro impresso. A biblioteca possui um contrato de fornecimento de livros que prevê a aquisição de livros eletrônicos.
H Pelo Google, por indicação de um servidor e um fornecedor de materiais impressos. I Análise dos produtos.
J O vendedor geralmente procura a gente e oferece um trial. Fonte: Autoria própria.
A inspiração para a pergunta 13 surgiu a partir de Grigson (2011), que afirmou que as informações sobre a disponibilidade de um livro em formato eletrônico e com qual vendedor ele pode ser comprado não são encontradas facilmente. A maioria das bibliotecas sequer teve essa dificuldade para encontrar o vendedor, pois foram eles que ofereceram seus produtos para elas.
A biblioteca A, onde o processo de compra começou pela escolha do aparelho, preferiu comprar de um vendedor brasileiro, para facilitar o atendimento e diminuir a burocracia da compra.
Nas bibliotecas B, E e J os vendedores buscaram as bibliotecas, e não o contrário. É interessante perceber esse movimento onde a inovação vem de fora para dentro, e não a partir de uma iniciativa consciente da própria biblioteca, como foi o caso das outras. Isso também aconteceu com a biblioteca F, que escolheu o vendedor a partir do teste de uma base que era vinculada à outra assinatura da biblioteca.
A biblioteca C priorizou a seleção por título para todo o processo de compra. Se a biblioteca precisava de um título fazia o que era necessário para comprá-lo, mesmo que isso significasse a aquisição de um pacote completo. Diferentemente de outras bibliotecas, que aceitavam a compra de obras similares que tratassem do mesmo assunto.
Já a biblioteca D decidiu começar a comprar os livros eletrônicos pelas editoras grandes, renomadas. Essa é uma maneira de tentar garantir a qualidade do material comprado e do sucesso da compra como um todo. Como já possuem a confiança dos bibliotecários por seus materiais impressos, essas editoras também são priorizadas na compra de materiais eletrônicos. Além disso, a biblioteca D também decidiu selecionar os vendedores de acordo com o modelo de negócios oferecido: “Então deixamos de comprar só o acesso e passamos a comprar o conteúdo. Isso inclusive está previsto na nossa próxima política. Só vamos comprar livros eletrônicos das editoras que nos permitem comprar o conteúdo” (BIBLIOTECA D). Isso expressa uma exigência não apenas de comprar um material de qualidade, mas também de garantir o acesso a esse material.
As bibliotecas E, G e H citaram os vendedores de livros impressos como fonte para a compra de livros eletrônicos também. Doucette e Lewontin (2012) afirmam que as editoras com as quais a biblioteca compra livros impressos são a melhor fonte de informações sobre publicações a serem lançadas, além de serem a única fonte de preço institucional.
Morris e Sibert (2011) mencionam a facilidade na aquisição de livros eletrônicos com um distribuidor, já que essa compra pode ocorrer simultaneamente com a do livro impresso. No caso da biblioteca G, onde a aquisição de livros eletrônicos está em caráter experimental, quem fornece os livros eletrônicos é o mesmo livreiro dos impressos, em um formato pouco funcional. A biblioteca G apenas informa quais são os títulos que deseja, o livreiro então os compra por acesso perpétuo e repassa para a biblioteca. Como existe o intermédio de terceiros, o único aspecto da compra decidido pela biblioteca é o título a ser adquirido.
A biblioteca H foi mais criativa na busca dos fornecedores e utilizou o Google para tentar descobrir quais eram os vendedores de livros eletrônicos. Uma das bases adquiridas foi indicada por um servidor e outra foi apresentada por um fornecedor de quem já comprava material impresso.
A biblioteca I analisou todos os produtos que eram oferecidos, e desses apenas dois não estavam em fase de elaboração. Segundo o entrevistado, as plataformas que surgem primeiro são as das editoras maiores, seguidas pelas editoras menores.
O entrevistado da biblioteca J recomendou que antes da compra os bibliotecários devem entrar em contato com os seus colegas para saber se usam o mesmo produto e qual é a opinião deles, se vale a pena ou não. O primeiro critério para avaliar a compra é a qualidade do material da plataforma, e depois é muito importante que seja feito um teste da plataforma.
A pergunta 14 indagou “De quais vendedores você compra livros eletrônicos”. No quadro 15 constam todos os vendedores dos quais as bibliotecas da pesquisa compraram livros eletrônicos e as classificações dos tipos de vendedores de acordo com os entrevistados.
Quadro 15 - Vendedores de livros eletrônicos