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Como garantir o impacto da consulta dos cidadãos?

No documento PROCESSO ORÇAMENTAL 2018 (páginas 170-173)

Em 22 de outubro de 2014, o Parlamento Europeu e o Conselho adotaram o Regulamento UE n.º

3) Como garantir o impacto da consulta dos cidadãos?

Uma vez as deliberações concluídas, os diferentes pontos de vista (a favor e contra), as perguntas e as recomendações para formas de ação serão resumidos num relatório de síntese, que será público e sobre o qual a Comissão deverá tomar uma posição oficial e fundamentada antes de elaborar a sua proposta de legislação. Deverão ser envidados esforços consideráveis durante todo o processo para conferir acessibilidade e visibilidade à consulta. Caberá à representação nacional da Comissão e do PE organizar estas consultas promovendo eventos públicos e fomentando formas de colaboração com as instituições

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nacionais, as organizações da sociedade civil, os estabelecimentos de ensino e os meios de comunicação (em particular os meios de comunicação social públicos nacionais e as redes sociais). À semelhança da Iniciativa de Análise dos Cidadãos de Oregon, por exemplo, deveriam ser convidados representantes dos meios de comunicação tradicionais para participar nos «minipúblicos» e informar o público sobre este método de consulta inovador. Isto teria provavelmente um impacto positivo na população, que tende cada vez mais a identificar-se com as opiniões expressas por outros cidadãos «comuns» e não com as dos políticos profissionais ou dos burocratas.

Por último, a fim de incluir na consulta a participação de um grupo ainda mais amplo de cidadãos, o relatório de síntese dos «minipúblicos» será utilizado como base para a realização de uma sondagem em linha destinada ao grande público no Estado-Membro. Esta sondagem em linha deverá apresentar as principais questões, as soluções de compromisso e as recomendações do «minipúblico» num formato conciso e de leitura fácil, conferindo assim ao grande público a possibilidade de partilhar as suas preferências e de se manifestar sobre as principais recomendações do «minipúblico». A sondagem permitirá, portanto, que a consulta seja representativa ao nível do «minipúblico» e, simultaneamente, chegar a uma escala mais ampla de cidadãos.

Efeitos previstos

Um portal «A sua voz na Europa» mais inclusivo e deliberativo pode não ser a panaceia para colmatar as múltiplas lacunas dos processos deliberativos da UE, mas constitui certamente uma orientação útil para alcançar um processo de decisão mais transparente e mais reativo. Se for corretamente aplicado, este processo permite que uma maior diversidade de vozes seja ouvida aquando da elaboração de nova legislação da UE, numa fase em que, geralmente, apenas são consultados peritos e grupos de interesses. Representa, além disso, uma reforma que — ao contrário de algumas propostas que parecem estar desligadas da realidade da UE — não exige uma transformação dos Tratados e pode ser aplicada de forma relativamente simples e rápida graças a uma colaboração eficaz das representações nacionais da Comissão e do PE.

Proposta de projeto-piloto

O projeto-piloto tem por objetivo testar a inclusão da consulta dos cidadãos em três ou quatro países (que representem Estados-Membros de pequena, média e grande dimensão) em duas consultas públicas da UE. Sondagens sólidas e inovadoras para consolidar as deliberações dos «minipúblicos»

As reuniões dos «minipúblico» deverão ser mediadas por facilitadores experientes que enquadrem o debate sem nele interferir. Esta facilitação pode ser reforçada por software de sondagem e votação que permita gerir em tempo real as fases que precedem e seguem as sondagens e utilize algoritmos inovadores e fidedignos para identificar as verdadeiras preferências dos cidadãos.

Uma inovação nas sondagens sobre questões políticas é a utilização dos votos mais e menos. Consoante o número de opções, os cidadãos poderão dispor de um determinado rácio de votos mais e menos, por exemplo dois votos mais e um voto menos. Esta metodologia permite ter uma visão pormenorizada dos domínios de consenso e de controvérsia (opções que recolham um grande número de votos mais e menos), o que as técnicas de votação tradicionais não permitem. O cruzamento dos resultados das sondagens com dados demográficos anónimos poderá fornecer aos responsáveis políticos da UE uma visão pragmática e muito granular dos pontos de vista dos cidadãos.

No fundo, o decisor político mantém plena soberania sobre as conclusões retiradas dos resultados das sondagens. No entanto, um contexto de deliberação como o «minipúblico», apoiado por um sistema de sondagem sólido e inovador, fornecerá aos decisores políticos da UE dados fortes e reveladores do entendimento do público, que, em última análise, poderão melhorar a qualidade e aceitação da política em questão.

Participação das partes interessadas

dos Estados-Membros para obter resultados eficazes.

- Direção-Geral da Comissão responsável pelas consultas públicas - Representações da UE nos Estados-Membros

- Principais multiplicadores (associações, autarquias, meios de comunicação locais, etc.).

Bases jurídicas:

Acrescentar o texto seguinte:

Projeto-piloto na aceção do artigo 54.º, n.º 2, do Regulamento (UE, Euratom) n.° 966/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 25 de outubro de 2012, relativo às disposições financeiras aplicáveis ao orçamento geral da União e que revoga o Regulamento (CE, Euratom) n.° 1605/2002 (JO L 298 de 26.10.2012, p. 1).

JUSTIFICAÇÃO:

O projeto-piloto tem por objetivo testar a inclusão da consulta dos cidadãos em três ou quatro países (que representem Estados-Membros de pequena, média e grande dimensão) em duas consultas públicas da UE.Um portal «A sua voz na Europa» mais inclusivo e deliberativo constitui uma orientação útil para alcançar um processo de decisão mais transparente e mais reativo.Se for corretamente aplicado, este processo permite que uma maior diversidade de vozes seja ouvida aquando da elaboração de nova legislação da UE, numa fase em que, geralmente, apenas são consultados peritos e grupos de interesses.

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Projeto de alteração 554

=== AFCO/6731 ===

apresentada por Comissão dos Assuntos Constitucionais

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SECTION III — COMMISSION

Acrescentar: 18 04 01 03

Orçamento 2017 Projeto de orçamento 2018 Posição do Conselho 2018 Diferença Novo montante Autorizações Pagamentos Autorizações Pagamentos Autorizações Pagamentos Autorizações Pagamentos Autorizações Pagamentos

18 04 01 03 1 500 000 1 500 000 1 500 000 1 500 000

Reserva

Total 1 500 000 1 500 000 1 500 000 1 500 000

Designação:

Projeto-piloto — Apoio à criação de um «demos» europeu

Observações:

Acrescentar o texto seguinte:

Os eurocéticos apontam frequentemente a falta de um «demos» europeu como uma grande deficiência no projeto de integração europeia. Em seu entender, sem «demos» não pode haver democracia pelo facto de não existir confiança ou solidariedade, que são valores essenciais para a coexistência democrática. Todavia, os europeístas defendem que a identidade comum da Europa se baseia em valores e modos de vida comuns. Não acreditam que o «demos» europeu seja uma ficção, mas estão cientes de que é necessário envidar esforços para promover esta ideia.

No atual contexto político de euroceticismo, de desinteresse das pessoas pelas instituições europeias e por uma Europa onde reina a tecnocracia e o défice democrático, de desconsideração da ideia de Europa, de frágeis democracias nacionais e de tentações populistas e/ou nacionalistas, é urgente desenvolver a consciência europeia ou «demos». Infelizmente, as propostas de reformas limitam-se, na sua maioria, aos procedimentos e aspetos técnicos, em vez de lançar um projeto de construção identitária que vise a

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produção de uma identidade europeia comum.

Considera-se que, em vez de contestar o facto de a Europa não ter um «demos» ou uma identidade europeia comum que constitua a base de uma política europeia comum, seria oportuno criar um sentimento de identidade comum. Para tal seria necessário um esforço de criatividade e de imaginação em muitos domínios: área intelectual, meios de comunicação social, educação, desporto e cultura. Citam- se alguns exemplos de ações a promover:

— Seria aconselhável promover uma maior visibilidade dos assuntos europeus nos principais meios de comunicação social europeus;

— O Dia da Europa, 9 de maio, deveria ser considerado um dia feriado, eventualmente em detrimento de outro; seria a forma de sensibilização mais direta e participativa para a UE e o seu espírito;

— Deveria solicitar-se uma maior visibilidade dos símbolos europeus no processo de comunicação social e político a todos os níveis institucionais;

— Seria oportuno reforçar os projetos cívicos e de geminação de cidades que visem contribuir para a aproximação dos povos da Europa no intuito de ultrapassar as diferenças que os dividem;

— Promover, a nível das instituições nacionais e regionais, o conhecimento do funcionamento da União Europeia e das suas Instituições;

— Promover programas orientados para a juventude, como o Erasmus, Leonardo da Vinci, SVE, etc., e introduzir um ciclo de estudos específico dedicado à UE nos programas curriculares dos Estados- Membros;

— Promover e incentivar equipas pan-europeias de cientistas, desportistas, etc.

Bases jurídicas:

Acrescentar o texto seguinte:

Projeto-piloto na aceção do artigo 54.º, n.º 2, do Regulamento (UE, Euratom) n.° 966/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 25 de outubro de 2012, relativo às disposições financeiras aplicáveis ao orçamento geral da União e que revoga o Regulamento (CE, Euratom) n.° 1605/2002 (JO L 298 de 26.10.2012, p. 1).

JUSTIFICAÇÃO:

No atual contexto político de euroceticismo, de desinteresse das pessoas pelas instituições europeias e por uma Europa onde reina a tecnocracia e o défice democrático, de desconsideração da ideia de Europa, de frágeis democracias nacionais e de tentações populistas e/ou nacionalistas, é urgente desenvolver a consciência europeia ou «demos». Infelizmente, as propostas de reformas limitam-se, na sua maioria, aos procedimentos e aspetos técnicos. Este projeto-piloto apresenta algumas pistas para contribuir para o desenvolvimento de um «demos» europeu.

No documento PROCESSO ORÇAMENTAL 2018 (páginas 170-173)

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