Nesta categoria busquei explorar as questões que revelaram como os professores tiveram o contato inicial com os Mapas Conceituais, de que forma ocorreu o aprendizado desta ferramenta e o que os motiva a sua utilização em sala de aula. Assim conhecer o percurso revelando os aspectos motivacionais para o trabalho com Mapas Conceituais, leva-nos a poder traçar inferências de que os docentes entrevistados compartilham uma
13% 47% 40% CCBS CECH CCET
concepção de educação significativa, onde o saber é trabalhado a partir do conhecimento prévio que vai sendo ressignificado e organizado numa nova estrutura cognitiva mais aperfeiçoada e cada vez mais complexa.
Seis professores relatam que o primeiro contato com os Mapas Conceituais ocorreu durante processos de formação, principalmente em nível de graduação. Isto pode estar relacionado ao fato de que dos 09 professores entrevistados, 04 eram substitutos que tinham pouco tempo de formados, os quais tiveram a oportunidade de experimentar o uso da ferramenta enquanto alunos nas disciplinas pedagógicas, conforme cita o entrevistado 08:
“[...] principalmente com a reforma curricular que teve, a nossa grade foi mudada e a gente teve um numero significativo de práticas de ensino, dentre essas práticas de ensino a gente vê muito o uso de novas estratégias; uma das estratégias que acabei conhecendo e vendo a eficácia da mesma foi a questão dos MC [...]”.
Os demais professores conheceram esta ferramenta através de cursos de formação continuada e de projetos interinstitucionais, que oportunizaram leituras sobre Mapas Conceituais, despertando o interesse em aprofundar o conhecimento sobre a mesma. Independente do momento que se deu o contato inicial, os sujeitos entrevistados inseriram os MC nas salas de aula, na UFS, através das disciplinas que ministram nos cursos de licenciatura. Mas o que os levou a trabalharem com os mapas? Dentre as respostas citadas merecem destaque: a possibilidade de relacionar conceitos, a inserção de mudanças no ensino e a facilidade em visualizar a compreensão dos alunos sobre determinado conteúdo.
Joseph Novak (1984, p.31) definiu o Mapa Conceitual como uma ferramenta para representar relações significativas entre conceitos na forma de proposições, assim o conhecimento será representado e organizado graficamente através das relações determinadas entre os conceitos. Estas devem ser relações significativas capazes de modificar conceitos prévios ampliando a compreensão de determinado tema e consequentemente re(organizando) a estrutura cognitiva do indivíduo.
A capacidade de relacionar conceitos é um dos objetivos pretendidos pelos professores que compreendem esta habilidade como fundamental para autonomia do aluno,
pois permite que seja desenvolvido um trabalho de reflexão acerca de inúmeras variáveis que podem estar presentes em determinado conteúdo. Segundo Peña, “como procedimento cognitivista, os Mapas Conceituais são especialmente indicados para relacionar os conceitos-chave que podem aparecer numa unidade didática” (2004, p. 114) e Moreira (2006) referenda a utilidade para explicitar as relações hierárquicas ensinadas em uma aula, uma unidade e até mesmo em um curso inteiro, pois os mapas deixam claro as relações de subordinação e superordenação que possivelmente afetarão a aprendizagem de conceitos.
Esta facilidade em demonstrar a interligação entre conceitos trabalhados, possibilitando relacioná-los com conceitos já existentes na estrutura cognitiva do aluno favorece a Aprendizagem Significativa, deixando o aluno mais livre para expressar suas percepções e consequentemente potencializando a capacidade de ampliar a visão daquilo que está sendo ensinado; de modo que esta característica apresentada pelos mapas foi percebida como um grande atrativo para que os professores da UFS os usassem como material pertinente para uma visualização integrada do assunto.
De acordo com os depoimentos, esta forma esquemática daquilo que foi aprendido, permite ao professor:
“ver alguns equívocos que os alunos estão cometendo, relações precipitadas ou não, relações que nos permitem reconstruir, repensar, refazer e estabelecer novas relações”. (E07)
Tavares (2006) aponta que, na construção de um mapa conceitual o aprendiz elucida quais os conceitos mais relevantes e quais as suas conexões em um corpo de conhecimento; assim o docente pode visualizar melhor de que maneira o aluno está se relacionando com o conteúdo e por meio desta percepção o professor deve interferir com maior segurança no processo de ensino e aprendizagem.
Outro fator citado foi a dinamicidade trazida pelo uso dos MC nas aulas, pois os alunos passam a ser mais participativos no processo, melhorando as discussões, visto que a construção de mapas requer a manifestação do aluno; momento aonde o aluno é realmente um sujeito ativo que expressa suas interconexões mentais através de um modelo gráfico.
“[...]porque dinamiza, é uma forma de tornar a aula mais ativa, mais participante”. (E06)
O próprio processo de construção do mapa traz à tona os conhecimentos prévios individuais, para se articularem nas ligações entre conceitos, obrigando o aluno a participar, a colocar suas percepções perante os conteúdos e quando construídos em grupos “conduzem animadas discussões em aula” (NOVAK, 1984, p.36), retirando os alunos da passividade comum nas aulas puramente expositivas.
Estes pontos que foram motivadores para os professores da UFS utilizarem os MC podem ser observados nos trechos transcritos abaixo:
“possibilita visualizar o todo não é? e eu sempre digo para os meus alunos que o MC diferencia de um esquema, porque no esquema eu não tenho a hierarquia dos conteúdos, então eu vou do mais geral para o mais especifico entendeu? e mostro as interligações...”. (E02)
“Bem, primeiro pela capacidade de síntese do conteúdo que o MC permite, segundo porque dinamiza. É uma atividade que exige do aluno demonstrar compreensão da estrutura básica de um texto e também porque a partir de um MC eu posso também apresentar a estrutura básica de um texto para a turma”. (E06)
Há algum tempo têm sido discutidas mudanças metodológicas em cursos de formação docente para possibilitar aos futuros professores uma nova maneira de construir e interpretar o conhecimento, bem como propor alternativas que permitam a estes licenciandos, superar as deficiências de um ensino marcado por práticas exclusivamente tradicionais. Segundo Araújo (2004, p.79) “os documentos, internacionais e nacionais que discutem a educação, enfatizam a necessidade de promover iniciativas que assegurem uma boa formação docente”.
Silveira (2004) aborda esta discussão trazendo alguns autores que tem demonstrado a importância dos Mapas Conceituais na formação de professores: Peña, Rubio e Sanchez (1997) afirmam que pela aceitação do intercâmbio de idéias, os MC favorecem o enriquecimento pessoal e grupal, onde são potencializados valores de respeito à pluralidade de pensamento e ação além da possibilidade de trabalhar valores individuais e
sociais. Ostermann (1997) utilizou os MC em Prática de Ensino objetivando proporcionar aos futuros professores a vivencia dos processos de Aprendizagem Significativa dos conteúdos de Física a ser ensinado aos alunos do ensino médio e ainda o próprio Novak (1997) apresentou Mapas Conceituais usados no período de 1959 a 1967, como recurso didático na organização do currículo de Biologia da Universidad de Purdue, com o objetivo de melhorar a compreensão conceitual dos futuros professores de Ciências.
Desta forma é possível perceber a indicação de que os MC são fundamentais para a promoção de uma Aprendizagem Significativa de modo que, fazendo-se valer das idéias citadas acima, alguns docentes da UFS percebem nos MC a perspectiva de implementar algumas mudanças nas práticas convencionais de ensino:
“a gente tá buscando o tempo todo mudar a forma de ensinar mas somos moldados a este ensino tradicional, em que a gente é colocado só para decorar conteúdo, para prestar um vestibular de universidade pública”. (E05)
É presente na fala do professor a vontade de que a formação docente assuma outra postura , diferente da adotada até o momento que prepara o profissional para atender a uma única necessidade, que seria como citado, a aprovação em concurso vestibular. Para este mesmo docente:
“não adianta a gente chegar na universidade e dizer como os alunos devem fazer e qual forma desenvolver sua carreira profissional lá fora, a gente precisa praticar durante o curso superior estas estratégias de ensino que a gente quer que ele use”.
Então, o formador não deve apenas dizer os procedimentos que os alunos devem seguir na sua vida profissional, mas precisa permitir ao aluno uma vivência naquilo que provavelmente ele reproduzirá posteriormente, desenvolvendo neles múltiplas habilidades pedagógicas, pois cabe ao professor das disciplinas de formação a instrumentalização didática para o exercício da prática profissional, conforme o inciso VI do artigo 2º da Resolução CNE/CP 1/2002, que contempla o uso de tecnologias da informação e da comunicação e de metodologias, estratégias e materiais de apoio inovadores.
Assim os Mapas Conceituais chegam aos cursos de formação da UFS como uma nova estratégia de ensino que favorece ao professor perceber o nível de conhecimento alcançado pela turma, graças a sua característica de expor uma construção particular do aluno ao interligar conceitos. Também é uma ferramenta, segundo os docentes entrevistados, que permite unificar melhor o conteúdo exposto, sintetizar as idéias de um texto e ir particularizando o conteúdo a partir de idéias mais gerais. Tem-se com isto uma alternativa metodológica que fortalece a prática pedagógica do professor dentro de um novo contexto de ensino.