3.4 APRENDER PRODUÇÃO AUDIOVISUAL: PEDAGOGIA DA AUTONOMIA
3.4.1 Como se aprende e como se ensina História?
Partimos da reflexão adotada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, os PCNs (1998), especificamente do ensino fundamental, de 5º a 9º ano.
Hoje, já se compreende com exatidão e clareza que aprender História não é algo limitado apenas ao espaço escolar. Com as ferramentas tecnológicas e as infinitas informações propagadas pela instantâneidade da internet, as crianças e jovens têm acesso a tudo que podemos afirmar que perpassa pela História, “informações, imagens e explicações no convívio social e familiar, nos festejos de caráter local, regional, nacional e mundial.” (PCNs, 1998, p. 37).
Esses alunos chegam nas salas de aula com infinitas dúvidas e conhecimentos captados pelo contato do ritmo acelerado da vida urbana, das tecnologias da informação, da sedução do consumo da sociedade contemporânea. “Nas convivências entre as gerações, nas fotos e lembranças dos antepassados e de outros tempos, crianças e jovens socializam-se, aprendem regras sociais e costumes, agregam valores, projetam o futuro e questionam o tempo.” (PCNs, 1998,
p. 38).
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs)20, divulgados em 1998, para o ensino fundamental e médio, captaram esse novo jeito de aprender e introduziram em seu conceito de ensinar essas transformações, pelo qual o jovem estudante passa, e vive.
Rádio, livros, enciclopédias, jornais, revistas, televisão, cinema, vídeo e computadores também difundem personagens, fatos, datas, cenários e costumes que instigam meninos e meninas a pensarem sobre diferentes contextos e vivências humanas. […] Os jovens sempre participam, a seu modo, desse trabalho da memória, que sempre recria e interpreta o tempo e a História. Apreendem impressões dos contrastes das técnicas, dos detalhes das construções, dos traçados das ruas, dos contornos das paisagens, dos desenhos moldados pelas plantações, do abandono das ruínas, da desordem dos entulhos, das intenções dos monumentos, que remetem ora para o antigo, ora para o novo, ora para a sobreposição dos tempos, instigando-os a intuir, a distinguir e a olhar o presente e o passado com os olhos da História. […] Entre os muitos momentos, meios e lugares que sugerem a existência da História, estão, também, os eventos e os conteúdos escolares. Os jovens, as crianças e suas famílias agregam às suas vivências, informações, explicações e valores oferecidos nas salas de aula. (PCNs, 1998, p. 38).
Aí está o papel da escola em estimular o estudante a pensar de forma crítica sobre os fatos e vivências e os ressignificar. Segundo os PCNs (1998), as questões históricas são compreendidas e acabam se tornando significantes para o adolescente quando são associadas e relacionadas entre si.
O que se torna significativo e relevante consolida seu aprendizado. O que ele aprende fundamenta a construção e a reconstrução de seus valores e práticas cotidianas e as suas experiências sociais e culturais. O que o sensibiliza molda a sua identidade nas relações mantidas com a família, os amigos, os grupos mais próximos e mais distantes e com a sua geração. O que provoca conflitos e dúvidas estimula-o a distinguir, explicar e dar sentido para o presente, o passado e o futuro, percebendo a vida como suscetível de transformação. (PCNs, 1998, p. 38).
Porém, é importante ressaltar a diferença existente no saber do modo informal para o saber escolar. No ambiente escolar, o conhecimento “é uma reelaboração de muitos saberes, constituindo o que se chama de saber histórico escolar.” (PCNs, 1998, p. 38). É provido a partir “do diálogo entre muitos interlocutores e muitas fontes e é permanentemente reconstruído a partir de
20 Os PCNs, divulgados em 1998, são diretrizes para estruturar os currículos escolares de todo o
país, com o objetivo de orientar os temas de aprendizagem para o ensino de História e as demais áreas, garantindo as funções básicas da educação.
objetivos sociais, didáticos e pedagógicos.”(p. 38).
Aproximar o aprender História – o que se aprende fora da sala de aula – dos conteúdos do Ensino de História, contribui para a socialização do conhecimento e a compreensão efetiva do conhecimento histórico. Fazer a conexão da História (apreendida na relação com a comunidade, com a família e com as circunstâncias do cotidiano do adolescente) com os conteúdos escolares é ressignificar o aprendizado. Para os PNCs (1998), o objetivo é fazer com que o estudante desenvolva
a capacidade de observar, de extrair informações e de interpretar algumas características da realidade do seu entorno, de estabelecer algumas relações e confrontações entre informações atuais e históricas, de datar e localizar as suas ações e as de outras pessoas no tempo e no espaço e, em certa medida, poder relativizar questões específicas de sua época. (p. 40).
Utilizar a produção audiovisual, como recurso didático-pedagógico, aproxima os conhecimentos e saberes do adolescente dos ensinamentos do currículo do Ensino de História. Esse modo de aprender, estimula o adolescente a compreender a própria realidade e criticar o cenário a partir de posicionamentos econômicos, politicos e sociais que predeterminam a realidade em que ele está inserido. Portanto, os PNCs (1998) salientam que para os estudantes é
[…] importante que aprendam procedimentos para realizar pesquisas históricas, para discernir e refletir criticamente sobre os indícios das manifestações culturais, dos interesses econômicos e políticos e dos valores presentes na sua realidade social. E que possam refletir sobre a importância dos estudos históricos e assumir atitudes éticas, criteriosas, reflexivas, de respeito e de comprometimento com a realidade social. (p. 53) Todas essas questões estimulam o interesse à pesquisa, desenvolvendo a criatividade em se aprofundar nos estudos a partir de outras fontes históricas, tendo como consequência uma aprendizagem dinâmica. Tudo isso para que criem
o interesse pelo estudo da História; valorizem a diversidade cultural, formando critérios éticos fundados no respeito ao outro; demonstrem suas reflexões sobre temas históricos e questões do presente; valorizem a preservação do patrimônio sociocultural; acreditem no debate e na discussão como forma de crescimento intelectual, amadurecimento psicológico e prática de estudo; demonstrem interesse na pesquisa em diferentes fontes — impressas, orais, iconográficas, eletrônicas etc.; tenham uma postura colaborativa no seu grupo-classe e na relação com o professor; demonstrem a compreensão que constroem para as relações sociais e para os valores e interesses dos grupos nelas envolvidos; expressem e testem explicações para os acontecimentos históricos;
construam hipóteses para as relações entre os acontecimentos e os sujeitos históricos; e troquem e criem idéias (sic) e informações coletivamente. (PCNs, 1998, p. 45).
A aprendizagem do Ensino de História tem por objetivo desenvolver nos sujeitos a criticidade. Que saibam compreender a própria realidade e que tenham sensibilidade para “enxergar” o mundo com uma visão mais humana. Trabalhar o Ensino de História por meio da produção audiovisual (recurso didático-pedagógico para o Ensino de História) corrobora para a formação de sujeitos ativos e históricos, na transformação da educação criando vínculos e aproximando o aluno do professor, da comunidade onde está inserida a escola e da construção histórica. Desenvolve nos adolescentes o sentido de alteridade – aprender a se colocar no lugar do outro –, além do respeito e a responsabilidade do fazer História, tendo como possibilidade uma educação que liberta mas, principalmente, uma educação que humaniza.