3.2 A supervisão no trabalho da enfermagem
3.2.5 O processo de tomada de decisão
3.2.5.2 Como tomar decisões inteligentes
As decisões têm de ser melhoradas a cada dia, o que significa que é necessário diminuir a margem de erro. A conexão entre as decisões que são tomadas não está no que é decidido, e sim na forma como é decidido. Nesse sentido, a melhor maneira de se tomarem decisões mais certas é aprender a fazer uso de um bom método decisório. Sobre esse assunto pode-se citar Hammond, Keeney e Raiffa (1999, p. 17), que afirmam que um processo de decisão eficaz deve preencher basicamente os seguintes critérios:
concentrar-se no que é importante; ser lógico e coerente;
reconhecer os fatores subjetivos e objetivos, combinando o pensamento analítico e o intuitivo;
exigir apenas a quantidade de informação e análise necessárias para resolver determinado dilema;
estimular e guiar a obtenção de dados relevantes e opiniões bem informadas; ser direto, seguro, fácil de usar e flexível.
Da mesma forma, Hammond, Keeney e Raiffa (1999) acreditam que uma decisão inteligente deve conter oito elementos, a saber: (1) trabalhar com o problema certo; (2) definir os objetivos; (3) criar alternativas com imaginação; (4) compreender as conseqüências; (5) confrontar os itens de negociação; (6) esclarecer incertezas; (7) analisar cuidadosamente a
tolerância diante de riscos e (8) examinar as decisões interligadas. Como se pode perceber, os oito elementos têm um enfoque de proação, fazendo com que antes de ser executada a decisão se consiga redirecionar profundamente a decisão, de modo que assim se ampliem as chances de se encontrar uma solução cada vez mais satisfatória.
Se formos analisar os diversos apontamentos dos autores que referenciam como possível tomar decisões mais inteligentes, pode-se chegar com certeza a afirmar que a melhor decisão parte da forma como é desenvolvida cada uma das seguintes etapas a seguir.
Figura 3.2 - O processo de tomada de decisão
PROCESSO DECISÓRIO
Identificação do problema Definição dos objetivos Desenvolvimento de alternativas Avaliação das alternativas Escolha de uma alternativa Implantação da decisão Controle e avaliaçãoEstas etapas são desenvolvidas partindo-se da identificação do problema. Nessa etapa, clarifica-se o problema e são obtidos todos os dados referentes a ele, sem mascará-lo.
Na segunda etapa, são determinados os objetivos, ou seja, define-se claramente aonde se quer chegar com a solução do problema e o que se pretende com isso. Esses objetivos são relacionados aos resultados que se deseja atingir ao ser resolvido o problema.
Na terceira etapa, desenvolvem-se as alternativas de solução. Isso significa que existem várias formas de se solucionar um problema, e é necessário saber quais são essas possíveis soluções que podem existir, considerando-se também soluções obvias.
A próxima etapa é a mais trabalhosa, uma vez que é nesta etapa que se avaliam as alternativas consideradas como possíveis soluções; nesta etapa, é fundamental considerar principalmente a avaliação de cinco aspectos: (1) primeiro deve-se compreender as conseqüências que cada alternativa de solução considerada pode trazer; (2) depois, confronte os itens de negociação que cada uma das alternativas pode ter, isto é até que ponto cada uma das soluções pode ser factível de ser negociada com os órgãos ou pessoas com os quais se relaciona; (3) outro aspecto muito importante é o esclarecimento de incertezas – deixe muito claro qualquer informação que é incerta pedindo informações ou solicitando-as; (4) continuando, execute uma análise cuidadosa da tolerância diante de riscos. Isso significa que deverá se fazer uma análise de até que ponto poder-se-á tolerar algum risco ao qual pode estar submetido a minha alternativa de solução, considerando-se que os riscos estão quase sempre presentes, sobretudo quando se quer tomar decisões muito importantes, o que nos leva muitas vezes a cometer erros, quando não é feita uma análise sobre isso. (5) Finalmente, o ultimo aspecto é examinar as decisões interligadas. Nunca deixe de analisar se a possível decisão pode levar a decisões que estão ligadas a outros setores ou que podem influenciar outras pessoas ou outros processos de trabalho que nem sempre estão ligados diretamente ao setor ou pessoa envolvida no problema.
Na quinta etapa, já há condição suficiente de se escolher uma das alternativas e, com certeza, se as etapas anteriores foram bem elaboradas, essa é a mais fácil de ser executada. A escolha da alternativa basicamente será a partir da definição de qual das alternativas tem mais pontos positivos do que negativos e mais vantagem do que desvantagens na solução proposta.
A sexta etapa considera a implantação da solução escolhida. Significa dispor dos recursos suficientes (humanos, materiais e financeiros) que são necessários para essa implantação. Com certeza, ter-se-á mais subsídios até para se conseguir esses recursos, principalmente quando estão envolvidos recursos financeiros, já que nas etapas anteriores o
decisor adquiriu mais firmeza na decisão que escolheu e certamente saberá muito bem defender qualquer obstáculo que lhe seja apresentado no processo de sua implantação.
Finalmente, na sétima etapa será controlada e avaliada a decisão escolhida, uma vez que, como todo processo dinâmico, essa solução pode se transformar devido a outros fatores que estão em constante mudança e que podem vir a influenciar o seu êxito. È por isso que a decisão sempre deverá ser cronometrada e/ou controlada. A avaliação sempre acontece junto com o controle, visto que quando se controla, também se está avaliando.
Se a solução não foi a melhor, o ideal é repetir o processo desde a identificação. Nunca passe a escolher e implantar a segunda, terceira, quarta ou quinta melhor decisão, pois as situações mudam constantemente, bem como as pessoas e as organizações.