Equação 20 – Precipitação relativa – transformação de floresta para soja
4.5 COMPARAÇÃO COM O MODELO DE WEIDEMA E LINDEIJER
Com a finalidade de comparar o modelo proposto com o modelo de Weidema e Lindeijer (2001), que é um modelo internacionalmente aceito, a perda de biodiversidade foi calculada por meio das Equações 1, 3, 4 e 5, sendo que na Equação 4 z é igual a 0,15, conforme orientação dos autores, da mesma forma que a = b = c = 1, na Equação 5.
A Tabela 2 apresenta os números para riqueza de espécies (SR) da floresta tropical entre 1500 e 9000 espécies em 10.000 km². No entanto, foi necessário escolher um valor dentro desta faixa e, portanto, nesta simulação foi escolhido o valor de 3088 espécies, conforme o valor obtido no modelo proposto neste estudo para melhor comparar os modelos. Os valores de Apot e Aexi também foram retirados da Tabela 2.
Desta forma, o valor de perda de de biodiversidade (Qbiod) foi de 193 espécies em 10.000 km², ou 1,9.10-4 espécies por hectare. A partir dos cálculos em que foram utilizadas as equações empíricas e o balanço hídrico, o valor de perda de de biodiversidade foi de 1,2. 10-4 espécies por hectare. Utilizando o valor obtido pelo modelo de Weidema e Lindeijer (2001) como referencial teórico, obteve-se o erro de 36,8% do modelo proposto neste trabalho.
É importante ressaltar que para esta comparação não foi considerada a área transformada, mas apenas o valor de perda de biodiversidade quando ocorre uma transformação do uso da terra do bioma em questão.
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A partir dos dados coletados para o município de Santarém, observa-se que não é possível realizar um estudo comparativo com os resultados obtidos pela metodologia proposta, devido aos seguintes fatores: (i) o cultivo do soja ainda é recente na região Amazônica; (ii) a precipitação pluvial relativa possui pouca variação no período estudado; (iii) os impactos relacionados a redução da precipitação pluvial tem início a partir de cerca de 22% de área transformada.
Uma alternativa seria avaliar uma região maior, pois uma área maior transformada pode fornecer informações mais precisas neste contexto. Desta forma, seria possível avaliar o Estado do Pará, que possui 124.804.200 hectares aproximadamente. Porém, os dados do IBGE indicam que o plantio de soja também teve início recente, como demonstrado na Tabela 12, e o percentual de área transformada para lavoura de soja é de 0,07% da área total, no máximo.
Tabela 12 – Área de plantio de soja no Estado do Pará.
Fonte: IBGE (2012)
Além disso, também há dificuldades na obtenção da precipitação pluvial média anual, principalmente ao avaliar a sua variação regional, visto que o Pará apresenta uma grande discrepância de precipitação pluvial nas suas diferentes regiões. De acordo com Moraes et al. (2005), cerca de 50% da área do Estado do Pará apresenta precipitação anual entre 1900 e 2400 mm e, 40% da área restante apresenta precipitação entre 1350 e 1900 mm. Portanto, mesmo obtendo uma média das chuvas para este Estado, os resultados ainda apresentariam uma grande incerteza.
Diante das dificuldades, a melhor alternativa para avaliar o impacto sobre a biodiversidade, causado pela expansão da lavoura de soja na Amazônia, seria realizar uma estimativa a partir dos dados disponíveis e de um modelo de caracterização, apesar da atual impossibilidade de verificação dos resultados com a real situação.
Ano 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
575 1843 1915 2225 1005 2648 15310 35219 68410 72335 53553 71060 71410 85450
Área plantada (hectares)
Em relação ao modelo de caracterização proposto, ao observar que o número de espécies perdidas resultante dos cálculos é relativamente grande, cabe ressaltar que os valores são proporcionais a grandes áreas transformadas. Porém, a taxa anual de transformação é baixa, conforme demonstram os dados disponíveis. Este fato confirma que um método de estimativa de impactos ambientais ainda é a melhor alternativa para promover tomadas de decisões e garantir proteção à biodiversidade, antes mesmo que estes números possam vir a ser confirmados.
Em relação às incertezas, a Equação 10 fornecida pelo trabalho de Mutke e Barthllott (2005), confere uma incerteza dos dados de número de espécies relativamente grande em função da sua baixa correlação (R² = 0,4246). Da mesma forma, o método de Weidema e Lindeijer (2001) utiliza os dados acerca de espécies de Barthllott et al. (1999), que são genéricos para uma grande área. No entanto, para ambos os casos, são os melhores dados disponíveis até o momento de suas publicações, dentro dos contextos das propostas.
Portanto, avaliar o impacto causado sobre a biodiversidade da Floresta Amazônica decorrente do ciclo de vida do biodiesel de soja, requer um modelo de caracterização que permita realizar estimativas com segurança, a fim de preservar a biodiversidade de maiores danos.
Comparando-se o modelo proposto com o modelo de Weidema e Lindeijer (2001), foi possível observar que os valores obtidos são coerentes e que, portanto, o modelo sugerido neste trabalho pode ser utilizado para avaliação de perda de biodiversidade decorrente da transformação do uso da terra. No entanto, é importante ressaltar que o modelo apresenta limitações, visto que o indicador é baseado apenas em plantas vasculares. Além disso, são necessárias melhorias como a inclusão de outros parâmetros, tais como a escassez e a vulnerabilidade do ecossistema, permitindo, assim, a aproximação dos resultados com a realidade.
CAPÍTULO III – CONCLUSÃO
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em relação ao problema proposto, pode-se concluir que é evidente que a expansão do biodiesel de soja no Brasil, que está estimulando a abertura de de novas áreas para lavoura de soja na Amazônia, dentre outros fatores que estão contribuindo para o desmatamento da região, causa um impacto significativo na biodiversidade da floresta Amazônica.
Quanto ao modelo de caracterização proposto, observa-se que o resultado do fator de caracterização para perda de de biodiversidade é coerente quando comparado ao modelo de Weidema e Lindeijer (2001), apesar da atual impossibilidade de comparação com a situação real.
Além disso, a comparação com os modelos de Weidema e Lindeijer (2001) e Schmidt (2008), considerando que os trabalhos apresentam escopos diferentes, nota-se que a presente proposta necessita acrescentar outros fatores que possam melhorar a sensibilidade do método, como por exemplo, avaliar a escassez e a vulnerabilidade do sistema, bem como incluir o tempo de recuperação da terra nos cálculos.
Recomenda-se realizar uma comparação mais detalhada com o modelo de Weidema e Lindeijer (2001), bem como realizar aprimoramentos no modelo para que o mesmo possa ser utilizado para outros tipos de transformação do uso da terra. Por exemplo, a avaliação do cultivo de palma na região Amazônica, a fim de considerar a substituição do óleo de soja pelo óleo de palma para a obtenção de biodiesel.
Desta forma, este modelo pode ser considerado uma opção para avaliação de impactos do uso da terra no Brasil com indicadores de biodiversidade, visto que a avaliação da perda da biodiversidade é ainda muito limitada em estudos de avaliação do ciclo de vida, principalmente no Brasil.
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